Castle

8 VIII- Ficarmos unidos é mais importante que como ficamos


Unidos venceremos. Divididos, cairemos. — Esopo


Tony

Steve fez um baile bonito, mas não preciso dizer que ouro decora muito melhor que diamantes e prata. O enorme salão ficava no meio das duas escadas principais, bem no centro do lustre enorme.

Os convidados chegavam entrando no jardim da frente e desciam o primeiro lance de escadas até o salão, e os aposentos ficavam na outra.
Mas naquele momento todos os preparativos foram focados no salão, apenas. Pepper estava atrasada como sempre, mas eu estava parado no vão de escadas a esperando.

Ela está chateada comigo, eu sei. Desrespeitei minha esposa antes mesmo de casar. Mas eu simplesmente não podia. Eu preciso saber o que aconteceu com meus pais. Barão Zemo garantiu que eu me lembraria nos sonhos com o passar do tempo. Garantiu que logo eu teria nas minhas mãos o culpado pela morte dos meus pais. Eu não conseguia abandona-los de novo.

Assim que Pepper apareceu meu coração disparou. Ela estava absolutamente estonteante. Eu encarava-a boquiaberta, esquecendo totalmente do que eu ia dizer.
Seu vestido é todo dourado, exuberante e rodado, com um decote baixo. As mangas formam uma linha reta nos ombros, o mesmo completamente coberto de glitter até o chão.

Um chale dourado transparente caia sobre os ombros e formando uma calda longa com flores de pano se arrastando junto com ela. Sua cabeça sem coroa, apenas a trança embutida enorme caindo sobre suas costas com fios caindo sobre seu rosto. E usava a correntinha de ouro cortando sua testa como uma pré coroa.

— V-Você... Ham... Você está maravilhosa. — ela abriu um sorriso tímido, olhando para o vestido.

— Essa não sou eu, você sabe.

— Bem... Eu sei. — segurei suas mãos, fitando-a nos olhos. — Independente de como você se vista... Eu gosto de você. Não disso. — apontei para seu corpo, parando os olhos no decote. — Bem, talvez eu goste um pouco.

Ela gargalhou, o riso gostoso que anima todo o catelo.

— Pevertido.

— E... Eu sei que não queria que eu tivesse aceitado, mas...

— Eu entendo. De verdade. Você... Não pode deixar seus pais sozinhos.

— É. — sorri. — Exatamente.

Segurei sua mão, já nos aproximando da escada. Observei o salão calmamente, vendo cada rosto ali. Analisando e procurando quem eu precisava que viesse hoje.

— Maravilha. — murmurei, sentindo todo o sangue do meu corpo descer para o pé. Ela estava ali. Seu vestido verde escuro e os cabelos ruivos como ferrugem. Meus dentes se cerram de raiva, desviando os olhos para Rogers. Seu cachorrinho que ela vai manter na coleira. Xinguei um palavrão, colocando a cabeça para esse lado de volta.

— Ela está aqui? — Pepper arregalou os olhos.

— Os dois. Com Steve aqui fica mais difícil, ele vai protege-la feito uma mamãe protege o filhote. — murmurei, respirando fundo. — Tenho um plano, baby.

E contei a ela o que iríamos fazer. Assim que pisamos na escada, o corneteiro nos anuncia. Um toque alto, ensaiado, e todos direcionam o olhar para nós. Vamos descendo graciosamente como um rei e uma rainha. Todos sabem que vou pedir Pepper em casamento. Eu não fico nervoso nunca, sou Tony Stark. Mas naquela hora, acho que eu não era. Porque eu estava tão nervoso que minhas mãos doíam de tanto tremer.

Mas me mantive impassível. Olhei de soslaio para Natasha, que cochichou algo para Steve. Eles parecem bem unidos, ambos de verde esmeralda escuro.

Me concentrei em Pepper, me preocupando com eles depois. Agora, eu só precisava me manter na linha e fazer o melhor pedido de casamento de todos os tempos.

Descemos as escadas, intocáveis como cristais. Rei e Rainha. As pessoas abriram espaço para nós, e fomos até o centro do salão.

— Meus súditos. — comecei, num tom alto e constante. Confiante. Os pais de Pepper se aproximam. — é meu dever moral, histórico de séculos de tradição encontrar uma esposa para governar ao meu lado, apoiar nosso reino, e ser sua rainha. E aqui, diante de vós, meus súditos, e dos ilustríssimos Duque e Duquesa Potts, peço a mão de sua filha, Duquesa Virgínia Pepper Potts.

Me ajoelhei, segurando sua mão, e com a outra um anel de ouro com um rubi enorme no topo.

— Duquesa... Pepper. — falei, vendo-a sorrir com os olhos brilhantes. Lágrimas. Eu estava feliz também. — Em nome do trono Stark... Peço vossa mão para unir-se com o Rei, eu, em matrimônio.

— Rei Stark... Eu, Virginia, aceito, em nome do trono Stark. — ela falou, e sorrindo, coloco o anel em seu dedo. Me levantei, aproximando nossos lábios, e a beijei delicadamente. Eu queria mais que um beijinho comportadinho, mas na frente de centenas de pessoas até desanima.
Nos separamos, e eu vi de perto seus olhos azuis. Felizes de verdade. Por mim.


— Músicos! — gritei, ordenando que comecem a tocar, e eles obedecem no mesmo instante. — Me dá a honra dessa dança?

— Sim, meu noivo. — ela falou, rindo, e uniu seus braços no meu pescoço.
Dançamos muito aquela noite. Músicas lentas, animadas, e Pepper era tudo que importava naquele momento. Mas não posso me esquecer do dever que eu tenho hoje.

E assim que Steve e Natasha saíram para o jardim, eu fui atrás.

(...)

Natasha

Eu tentei falar que era bobagem ir ao baile de Tony só porque ele foi ao nosso. Mas Steve disse que não era só por isso. A gente não se dava bem a muito tempo. Depois que os pais de Tony morreram, ele virou outra pessoa e cortou todas as relações possíveis com todo mundo. E a esperança e otimismo de Steve dizia para ele que é possível mudar isso.
E se vou me casar com ele, é melhor começar a apoia-lo do jeito que ele faz comigo. E manter meu plano de conquista-lo em ação.

— Eu.. Estou realmente feliz por Tony. — Steve disse, prestando atenção no enorme e exuberante jardim que se estendia a sua frente. Eu estava apoiada na murada ao lado dele, prestando atenção no jeito que a brisa de verão movimentava seus cabelos. — A duquesa Potts vai fazer um bem enorme para ele. Impedi-lo de surtar, explodir o próprio reino, entre outras coisas.

Eu ri pelo nariz, assentindo. Tony perdeu muito o controle nos últimos anos.

— Mas além disso... Ele merece encontrar alguém para amar. É uma boa pessoa e eu fico feliz por isso. — ele falou, me lançando um olhar que eu compreendi. Wanda disse a mesma coisa para mim. Mas sabia que isso nunca vai aconter comigo.

Abaixei a cabeça, me contentando em fitar meu vestido. Ele é verde esmeralda escuro, forte. Um dos meus preferidos. Todo de camurça e extremamente fino, marcando minhas curvas exageradamente por ser colado, e se abria na altura do joelho, formando uma cauda.
Steve estava da mesma cor que eu.

Combinamos de usar sempre a mesma cor em eventos oficiais, seria nossa marca. Encarei seus olhos azuis fitando firmemente a lua. Não sei no que ele pensa, mas fica lindo assim.

— Você está bem? — perguntei, e seus olhos vão para mim, abrindo um sorrisinho de canto.

— Sim. — sorri também, antes de colocar uma mão em sua nuca, e me aproximei, torturando-o por ficar tão perto sem fazer nada. — O que isso significa, Romanoff?

— Que eu gosto de te beijar. — falei, ficando na ponta dos pés, e selei nossos lábios num beijo intenso.
Foi ainda melhor que da outra vez. Nossas línguas dançando em sincronia, minha mão apertando suas costas e as suas descendo cada vez mais pelas minhas. Desejei que fizesse mais, descesse até o fim. Mas a situação não era das melhores.


Nossas bocas se separaram, e ele sorriu.

— Você está linda.

— Você também. — meus pés voltam a tocar no chão, e me contentei apenas em deixar nossos corpos unidos.

— Não sabia que tinham ficado próximos assim. — a voz de Tony nos pegou de surpresa, e no momento em que olhei para sua direção minha paz acabou naquela noite.

No mínimo vinte guardas de armaduras brilhantes acompanhavam o rei sem manto nem coroa. Ele apenas nos encarava com olhos frios e as mãos tremendo. Notei tudo. Os soldados nervosos, esperando a ordem para atacar. Merda, por que?

Me posicionei ao lado de Steve, que por algum motivo burro sentiu necessidade de agarrar minha mão. Não contestei, talvez me sentisse mais segura assim.

— O que é isso, Tony? — Steve perguntou, vendo os guardas formarem um círculo bem aberto ao nosso redor.

— Não é com você que eu quero falar hoje, Rogers. — foquei nele, que me encarava como se fosse me bater ali e agora. Creio que aquilo realmente fosse possível, mas para o azar dele minha adrenalina estava aumentando e eu não hesitaria em bater nele também.

— Então está falando comigo também. — Steve falou. Quase bufei, querendo dizer que não precisava disso. Mas deixei. Por que não?

— Santo Deus, vocês se merecem. — ele cospiu, impaciente. Certo, algo estava muito errado.

— Quem te fez chorar dessa vez, Stark? — devolvi, e no mesmo instante ele deu um passo nervoso na minha direção. Nem pisquei, mas Steve ficou tenso do meu lado.

— Clint Barton. — ele falou, e eu tenho 19 anos novamente. Minha máscara falha, aperto a mão de Steve involuntáriamente e um buraco se abriu em meu estômago.

Tony agarrou meu braço e me tirou de Steve, mas o mesmo agarrou minha cintura mais forte, mas cerca de doze espadas são apontadas para ele. O encarei, com a respiração alterada. Tentei controlar o nervosismo.

— Tudo bem, Ste. — ele não me largou, apenas encarou Tony com ódio. Não, não está nada bem. Quero gritar. Estou com medo. E queria que Steve ficasse comigo. Mas se eu pudesse evitar seu sofrimento, eu evitaria. — Tudo bem.


— Se tocar nela, Clint Barton vai ser de longe o menor dos seus problemas. — ele disse, firme. Eu nunca tinha visto ele falar desse jeito.

— Vai ficar tudo bem. — disse, antes de ser arrastada pelos corredores. Eu e metade dos soldados entramos no primeiro quarto, que é um escritório sem nada de especial, e ele me jogou numa cadeira bruscamente, e já sou cercada de novo.

— Eu só vou falar uma vez. — Tony disse pausadamente, cruzando os braços. — Se não falar agora vai ter sangue saindo de lugares que você vai ficar preocupada.

Ergui as sobrancelhas. Como é que é? Só aquela frase já era um anúncio de guerra, mas se ele tocasse em mim aquele reino iria queimar, eu juro por Deus.

Continuei encarando o homem a minha frente impassível, eu me mantia parada e sem vacilar. Meus únicos pensamentos estão em onde Clint está. Seguro, eu espero.

— Pode falar.

— O que vocês fizeram com o colar da minha mãe? — ele praticamente gritou.

— Esse assunto de novo? Pelo amor de Deus, Tony, já disse que eu não peguei essa desgraça!

— EU VI, NATASHA, CLINT ROUBOU O COLAR DA MINHA MÃE, POR ORDEM DE VOLO ROMANOFF! Eu quero saber por que ele fez isso! Quero saber onde está. E quero saber o que infernos aconteceu com os meus pais!

Ele berrou, com o rosto a centímetros do meu, e eu vi. Vi o desespero em seu olhar, vi por que está se perdendo desse jeito. E mal consegui suportar. Vi culpa, impotência e dor.


— Tony — disse, fechando os olhos. — Não foi sua culpa.

E acho que ele ficou me encarando por vários e vários segundos, até que se virou bruscamente e derrubou o candelabro de ouro em cima da cômoda. E com ele foram livros, enfeites de vidro, e sei que fez isso para evitar me bater.

— Vou perguntar de novo.

— Acabou a birra? Eu vou responder de novo. VOLO ROMANOFF acha não me deve satisfação de absolutamente nada do que faz com o reino dele. Você realmente acha que mandei Clint roubar a bijuteria da sua mamãe? Eu não tenho idéia do que ele fez com isso.

Ele suspirou, esfregando os olhos. Acho que acreditou em mim.

— Prendam-na no calabouço. — arregalei os olhos.

— O que?! Você tá maluco, Stark!? — berrei, sendo agarrada por três soldados e sem parar de me debater por um segundo. — VOCÊ REALMENTE SABE QUEM EU SOU?

— Perdão, não me lembro, se quiser me recordar agradeço. — ele falou, cruzando os braços, e eu abro um sorriso assustador.

— Estou tão feliz que disse isso.

Com um movimento me impulsionei para baixo, usando os braços dos guardas como apoio para dar uma cambalhota e joguei os três no chão de uma vez.

Tony arregalou os olhos, gritando ordens aos soldados congelados de surpresa, mas eu fuimais rápida e acertei o soco mais forte que consegui em seus lábios. Ele caiu, totalmente desorientado e eu pude me preocupar apenas com os guardas.

Todos vem de uma vez, e eu uso isso ao meu favor. Agarrei a armadura de um e lancei-o com força sobre três outros, que caíram num baque. Roubei duas espadas dos primeiros guardas que nocauteei, e a essa altura um corte até em cima havia sido feito no meu vestido colado, revelando meus coldres cheios de adagas.

Lancei uma delas nos 5 guardas que vinham até mim, e elas atingiram bem onde a armadura não protegia. Ele caiu, engasgando no próprio sangue, e usei as duas espadas para lutar com os outros quatro.

Nossas espadas colidiram, e eu precisava sair dessa situação porque eles são mais fortes que eu. O que não demorou muito, dei um salto no ar agarrando a armadura de um e chutando dois de uma vez com toda força.

Me rendeu um bom corte no braço, mas três estavam no chão. Dois se levantaram, e lutamos pelo quarto com as espadas colidindo e fazendo barulhos altos, não demoraria para mais homens chegarem.

Acabou a palhaçada. Tirei a espada das mãos dos dois, abrindo um buraco em seus olhos e cravando as duas espadas lá.

Respirei fundo, analisando por um segundo o corte em meu braço. Nada mortal, mas doía e sangrava. Tirei as espadas do crânio dos homens, e corri até onde Steve estava. Rezei a qualquer um que pudesse me ouvir para mante-lo vivo.

(...)

Steve

Eu estava nervoso. Não ouvia nada, e óbvio que isso é um mal sinal. Todo meu sangue estava gelado, eu tentava analisar um modo de sair dali, e depois de um tempo já tinha um plano em mente, mas restava os dez soldados ali.

Eu tinha que salvar Natasha, mante-la segura. O resto eu poderia lidar. Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Natasha apareceu. Com um corte no braço que sangrava exageradamente e tem sangue espirrado por todo rosto e o vestido estava rasgado.

Merda.

Uma das espadas em sua mão foi lançada contra mim, e eu a agarrei sem dificuldade. Natasha partiu para um lado, e eu para o outro. Sem armadura eu não podia usar minha força de vantagem. Então me contentei com a espada.

Dois deles viram contra mim, e bati minhas espadas contra as suas, usando toda minha força para combate-los. Chutei o peito de outro que se aproximava, fazendo-o cair, e sentei um soco com toda minha força no rosto de outro, o que derrubou seu capacete e cortou minha mão inteira. Mas continuei socando, e ele acabou desmaiando e caindo quatro andares no chão.

Essa seria nossa vantagem, mas poderíamos facilmente seguir o mesmo caminho. Vi um deles se aproximar com um escudo na mão. Pronto, era todo que eu precisava.
Me joguei contra ele, fingindo que ia atacar sua parte de cima e lancei uma rasteira forte em seus pés, o derrubando graças a sua inexperiência. Acertei o pé em seu rosto com força, o desacordando-o no mesmo instante.

Natasha dava conta de sete de uma vez, lutando com eles freneticamente e levando cortes a todo momento.
Lancei o escudo no pescoço de um deles com tanta força que acho que o quebrou, e ele ricocheteia, derrubando três de uma vez, e o mesmo volta para minha mão.

— Achei que ia continuar dormindo, Rogers! — ela gritou, e bati com força o escudo na cabeça de um e fui para o lado de Natasha, tirando de sua perna uma das adagas agarradas aos coldres.

— Com licença. — e entregou a outra espada para ela, que faz uso da mesma imediatamente, enfiando-a no pescoço de um.


Me lancei contra três que entravam na varanda, fazendo sangue manchar o chão. Soquei um deles, acertando o cotovelo no outro, e finalizeincom um chute forte na canela.

Mas o grito de Natasha corta os ares, me dando uma sensação horrível de assombrosa. Iria me lembrar para sempre da imagem de cinco guardas a segurando com toda força e tirando-a do chão, prontos para joga-la da varanda.

E naquele momento eu voltei a ter 7 anos e minha única necessidade era proteger minha melhor amiga.

O momento passou em câmera lenta. Corri com toda minha força em sua direção, e parei apenas para lançar o escudo em qualquer um que a tocava. E foi o que aconteceu, o escudo bateu contra suas cabeças, arrancando uma enxurrada de sangue de lá. E Natasha caiu.

Larguei o escudo, com o medo irradiando em minhas veias, e me joguei da sacada, agarrando a mão de Natasha antes da pedra. Ficamos suspensos no ar pelo que me pareceu uma eternidade, e minha mão agarrou a mudrada, nos salvando.

Natasha agarrou minha mão com as duas, o rosto refletindo medo e seus olhos me encarando exaltados.

— Steve, Steve...

— Te peguei, Nat, está tudo bem. — ela assentiu, tentando respirar e falhou bastante. Joguei-a para cima, fazendo seu corpo se unir ao meu num abraço apertado.

— Steve! — ela gritou, e assim que olhei para cima vi um soldado levantar se preparando para arrancar minha mão fora. No mesmo instante larguei a pedra.

Estávamos caindo para a morte de novo.

Ouvi somente o grito de Natasha passar em um segundo que agarrei a próxima murada, sentindo uma dor absurda, e por um segundo acho que vou falhar e cair.

Mas não podia. Por mim, por ela. Tínhamos que sobreviver.

— Aguenta, Steve. — Natasha falou, e eu vi seus olhos. Mal tenho tempo de assentir, mais soldados apareceram naquela sacada.

Mal demorou para novamente despencarmos, senti todo meu corpo doer.

E quando meu braço entrou em contato com a murada senti algo se quebrar, e um grito escapa dos meus lábios, tudo latejando, meus olhos ardendo de dor e Natasha estava me falando algo. Não podia ouvir, apenas sinto suas mãos firmes em minhas costas, lembrete que eu não podia larga-la.

Mas foi exatamente o que aconteceu.

Eu não aguentei. Minha mão escorregou na pedra numa fração de segundo e caímos. Dessa vez não tenho força alguma para me segurar. Caímos na grama do segundo andar.
Natasha soltou espasmos de dor, se deu o trabalho de cair sozinha para não esmagar meu braço, mas eu preferia que tivesse caído em cima de mim.

Eu não tinha força alguma para esboçar nenhuma reação. Tudo doía, meu braço latejava exorbitantemente, minha cabeça rodava. Eu só via as estrelas e a lua sobre minha cabeça. Poderia facilmente confundir isso com uma noite romântica se não fosse a dor que invadia cada célula do meu corpo.

Natasha se debruçou sobre mim, ainda gemendo de dor, mas segurou meu rosto mesmo assim. Seu rosto estava cheio de cortes, inclusive um na testa que sangrava muito. Eu quase não tinha cortes, mas sentia meu braço quebrado.

— Steve, precisamos ir. Nós estamos bem, okay? Você me salvou. Estamos vivos. Agora precisamos ir.

Assenti, e ela me puxou para levantar com uma força impressionante que eu claramente nao tinha. Mantive meu braço unido ao corpo, e a mão de Natasha unida a minha, me impedindo de cair. Seus saltos já tinham ido embora a muito tempo, mas sua trança embutida aguentava muito.

Corremos pela penumbra, onde estava escuro. Ninguém sabia onde estávamos, Tony mandou nos capturar como prioridade máxima, e quando vinha alguém nos escondíamos por alguns segundos. Eu iria adorar ouvir a história do porque Tony estar tão irado conosco.

Tão irado que valia a pena começar uma guerra. Porque é exatamente o que vai acontecer quando sairmos daqui.

Nosso objetivo era chegar no estábulo, mas Tony não é idiota e colocou soldados lá. Agora estávamos escondidos atrás de uma das árvores resolvendo o que fazer.

— Tive uma idéia. — ela disse, abaixada ao meu lado.

— O que?

— Não se preocupe. Você já fez demais. — ela falou, tocando de leve meu braço completamente roxo e com certeza rachado.

— Não vou te deixar fazer nada sozinha. É perigoso. — ela deu um sorrisinho, e vi sangue em seus dentes. Ela não se importou e selou nossos lábios num beijo urgente e rápido.

— Eu também sou.

E se levantou, correndo até a árvore mais próxima.

— Não disse que não é. — murmurei, respirando fundo.

Minhas mãos tremiam, eu estava completamente nervoso por ela. Eu devia ter ido, eu devia ter ido...


Passou-se alguns minutos, ouvia ordens para todo lado. Quanto mais deixássemos, mais tempos eles teriam para se reagrupar e entender o que estava acontecendo. O que está acontecendo é que assim que eu tivesse a chance eu iria matar Tony com minhas próprias mãos.

Natasha voltou, e por um instante achei que era um inimigo.

— Sou eu, tudo bem. — relaxei, apoiando com o braço não ferrado na árvore, me levantando. Ela segurou minha mão e fomos novamente correndo pela penumbra. Vi um guarda desmaiado atrás do celeiro. Com certeza Natasha o tinha apagado. Ela fez sinal para eu subir a árvore, e o fiz com dificuldade por usar uma mão só. Subi, e ela veio atrás, e entendi o que ela queria.

Uma telha de barro grande do telhado havia sido solta, e de lá vi um cavalo enorme, todo negro e com uma crina incrívelmente bonita.

— Você é incrível. — murmurei numa altura que ela mal ouviu, mas soltou um sorriso.

— Eu vou primeiro. — disse, e devagar entrou no curral. — Hey, amigo.
Fica na frente dele, para o cavalo poder ve-la direito, e devagar aproximou a mão ao seu nariz. Assim que o tocou, o cavalo relinchou, mas não é de susto, mas sim de empatia. Viu o sangue nela, e graças ao senhor é um cavalo pacífico.

— Shhh, fique quietinho. — ela murmurou, acariciando-o e fazendo sinal para eu descer. Num impulso ela sobiu depois de tirar o trinco da porta. Subi também, sem dificuldade por vir de cima, e segurei seu corpo com firmeza.

— Está pronto?

— Vamos sair daqui. — concordei, e ela acertou um chute não muito forte em sua barriga, fazendo-o correr e arrebentar não só a porta, mas a murada também. E em meio segundo já estamos arrebentando a porta do curral. Natasha fez questão de pegar uma pá e quebrar a maior quantidade de trincos possíveis.

Assim que o portão foi ao chão, o cavalo atingiu a velocidade de um raio, e conosco mais um monte de cavalos foram junto.

Derrubamos no mínimo uma dúzia de guardas enquanto cortamos o castelo em velocidade máxima. Natasha desviava de tudo que tentavam jogar em nós, ela é uma cavaleira excelente, e meus braços se contentavam em agarrar seu corpo como se minha vida dependesse disso.

Natasha agarrou uma lança enorme com o provável objetivo de arrombar o portão principal. E realmente estamos quase lá.

Mas o que vi quase me fez puxar Natasha para parar. Mas não o fiz. Meu ódio de Tony naquele momento me impede de impedir Natasha de mata-lo.

Tony estava parado na frente do portão. Com sua armadura de ferro enorme, vermelha e dourada, cores dos Starks. Tony já havia aniquilado os piores inimigos com armaduras daquele tipo, seu próprio projeto pessoal, a coisa mais moderna que o mundo já viu. Ninguém tinha idéia de como funciona, e Tony fazia questão disso.


Mas ali, parado e esperando-nos, ele parecia menor. Quebrado. Se escondendo atrás daquela armadura. Nem mandou fechar os portões, talvez quisesse que escapassemos. Mas ele vai ter que enfrentar a ira de Volo Romanoff. (Que provavelmente é o culpado disso, como sempre).

Mas meus pensamentos são interrompidos pela lâmina que passa cortando por minha cabeça.

— Abaixa! — Natasha berrou, e eu obedeci no mesmo instante, vendo outra cortar os ares em direção nossos cérebros.

Tony lançava lâminas, e agora seu alvo é o cavalo. Ele acertou o peito do cavalo de raspão, e ele relincha, gritando de dor e ameaça parar mas Natasha o faz ir mais rápido, mais e mais rápido, e Tony estava cada vez mais perto. Natasha iria atropela-lo.

— Natasha... — murmurei, mas tenho certeza que ela não ouviu. Tony continuava lançando lâminas, o cavalo corria como se fosse infartar.


— ROMANOFF! — Tony berrou com toda sua força, verberando ódio, o som cortando os ares, mas Natasha não fraquejou. Faz o cavalo pular acima da cabeça de Tony de modo formidável, e voamos. O cavalo fica no ar por muito tempo, e quando chega ao chão, estamos fora dos portões Stark, descendo o morro a toda velocidade em direção a vila.

Atravessamos grande parte dela, praticamente vazia por ser madrugada, mas o estrondo do cavalo veloz cortando a noite quente. Ele está exausto, mas continua correndo. O sangue dos cortes de Natasha inundava tudo, então coloquei minha manga no maior em seu braço.

Ela me olhou, meio a confusão.

— Obrigada, Steve.

E tenho a sensação de que não agradecia só por isso. Continuamos correndo por cerca de meia hora. Já estávamos quase nos limites de Stark, ninguém havia vindo atrás de nós.

O cavalo não aguentava mais, então Natasha o fez parar na beirada de uma floresta curta. O cavalo quase caiu depois que saímos dele, e Natasha também cambaleou na minha direção. Segurei-a, envolvendo meus braços em suas costas, percebendo só agora que ela tinha perdido bastante sangue.

— Estamos seguros. — disse, e senti-a assentir. Nos sentamos no pé de uma árvore bem escondida, após eu analisar a área. Ninguém ali. O Romanogers, como Natasha chamou o cavalo após juntar nossos nomes, estava amarrado numa árvore, descansando.

— Certo... Agora, quem raios é Clint Barton? — eu perguntei, e Natasha pareceu ficar tensa do meu lado. — Passamos por tudo isso e eu nem sei quem é Clint.

— Espião do meu pai. — ela fala, suspirando.

— Óbvio que isso é culpa do seu pai. — comentei, jogando a cabeça para trás. Natasha rasgou um pedaço do vestido e estendeu para mim amarrar no braço dela. O fiz,, deixando bem apertado, e ela fez uma careta.

— Eu... Realmente achei que ia morrer quando eles me jogaram do quarto andar. — ela disse, como se fosse uma coisa idiota.

— Eu não deixaria isso acontecer. — disse, e ela ergueu os olhos para mim. — Enquanto estiver comigo eu vou te proteger. Eu prometo.

Ela abriu um sorrisinho, e se não estivesse muito escuro teria certeza que ela corou.

— Eu vou proteger esse seu traseiro lindo também. — ela disee, e eu ri dando uma cotovelada nela. Quase esquecemos por um segundo o quão séria era aquela situação.

Com outra parte do vestido ela tirou o excesso de sangue dos outros cortes, incluindo os do rosto. Eu só tinha um machucado na boca, o resto só estava muito roxo e quebrado.

— Como está o braço?

— Simplesmente péssimo.

— Ele vai ficar bem.

Recuperamos o fôlego por mais alguns minutos, o cavalo parecia muito melhor. E seguimos uma árdua viagem por cerca de duas horas e meia, pelo que parecia, cortando a madrugada com o cavalo de pelagem escura e fizemos duas paradas apenas.

Eu refletia o quão idiota fui por ter vindo sem nenhum soldado comigo. Provavelmente mataram nosso chocheiro e abandonamos nossa carruagem.

E assim que cruzamos os portões Romanoff, que era bem mais perto que meu reino, Natasha parecia pronta para matar Volo Romanoff.

L