Castelos de Areia

6 Me dê um motivo para acreditar


Notas iniciais
Oi, gente! Cá estou de volta com capítulo novo para vocês :) espero que gostem.

— Victor, você não pode ir embora assim. — uma mulher apareceu atrás de meu pai e segurou seu braço com firmeza. Observei-a por um instante. Ela tinha cabelos bem compridos, levemente ondulados e castanhos. Os olhos eram duros e bem escuros. Vestia uma calça bem justa com uma blusa branca que mostrava a barriga magra, mas não sarada. Era relativamente bonita.

— Eu posso, Maria. — Victor deu de ombros. — As pernas são minhas, o filho é meu, o carro é meu... — então virou-se para mim com a sobrancelha levantada. — Thomas, agora.

Carla me soltou e ficou olhando os dois de um jeito confuso.

— De onde vocês se conhecem? — eu e ela perguntamos ao mesmo tempo.

— Da cama. — Maria respondeu com um sorriso malicioso nos lábios. Victor a empurrou contra a parede e me puxou pela mão, como se eu fosse uma criança estúpida e indefesa.

— Não ouse falar desse tempo. — meu pai revirou os olhos e começou a me arrastar para a saída.

[...]

Ao chegar em casa, fui diretamente para meu quarto e tomei um banho demorado. Eu estava com raiva, com muita raiva. Ela pulsava em minhas veias, corria pelas minhas artérias e chegava ao meu coração. Victor não podia ter me tratado daquele jeito. Como se eu fosse propriedade pessoal dele, um bebê dependente. Além do fato que ouvi claramente Maria falando sobre mentiras. Mentiras na minha vida. Eu só tinha uma certeza no momento: iria apurar aquilo detalhadamente.

Vesti uma camiseta velha com uma calça jeans surrada e sentei no chão frio do quarto. A janela aberta deixava a luz da Lua entrar com força no cômodo. Enfiei minha mão debaixo da cama em busca da sacola branca de cartas. Eu ainda não havia lido tudo. Mas, para minha surpresa, havia somente um vazio.

Gelei por dentro. Alguém descobriu minha pequena tramoia. E não existia muitas opções para esse “alguém”. Ou era Victor, ou era Hugo. Levantei a colcha da cama e dei uma olhada mais acurada embaixo dela. Não havia nada, simplesmente nada.

[...]

Não jantei. Não sei o motivo exato, se foi pela raiva de Victor ou se foi pelo medo das cartas. Só sei que não queria ver meus pais. Mas como querer não é poder... Depois das onze horas da noite, Victor entrou de súbito no meu quarto. Ele me encontrou deitado, mexendo aleatoriamente no meu iOS. Joguei o celular debaixo do travesseiro e me sentei. Perguntei a mim mesmo o que diabos ele queria comigo.

— Você tem que passar um gelo nesse olho. — meu pai disse sentando-se ao meu lado.

— Eu sei. Só tive preguiça de descer as escadas. A cozinha fica muito longe.

— Por que não jantou?

— Porque não estava com fome. — respondi apertando o lençol entre os dedos.

Victor sorriu meio amarelo.

— Quero te pedir uma coisa.

— O quê? — levantei a sobrancelha com o coração batendo mais forte.

— Eu entendo que você queira sexo fácil. Entendo que você trace algumas prostitutas. Mas por favor... Não seja aquela menina, okay? — olhei de relance para seu rosto. Sua expressão era séria e grave.

— Por quê? — questionei cheio de dúvidas. — Qual o problema com ela?

Meu pai suspirou.

— É pro seu bem.

Apertei com mais força o lençol, querendo segurar a raiva.

— O que você quer esconder de mim? O que tem de errado na minha vida? Você não pode me proibir de me encontrar com uma menina.

Victor riu meio irônico.

— Posso sim. Cortando sua mesada absurda. Aposto que você não quer trabalhar. E aquela vadia só quer dinheiro.

Puta que pariu, ele tinha toda a razão. Era só cortar o patrocínio. Mordi o lábio, sem querer me dar por vencido.

— Eu não sei exatamente qual é o problema, Victor. — fiz questão de não chamá-lo de pai. — Mas eu vou descobrir. Se eu fosse você, me contaria. Porque quando eu descobrir, eu vou fazer a casa cair. — disse a última frase com toda a ênfase que pude colocar.

— Fazer a casa cair.... — Victor sorriu, aparentemente se divertindo. — Só estou te protegendo, seu idiota. De surras no meio da rua, de mulheres que só querem se aproveitar. Mas tudo bem, corre lá e se fode.

Dito isso, levantou e saiu, da mesma forma que chegou.

[...]

— Ei.

Fechei a torneira da pia e olhei para trás. Hugo me observava na porta da cozinha com um sorriso no rosto.

— Fala, pai.

— Lavando a louça, gostei de ver.

— Você sabe que Victor me mandou. — dei de ombros.

Ele aproximou-se e sentou numa das cadeiras que circundavam a mesa. Seu olhar me pareceu um pouco enigmático.

— Vem cá.

Meus pés de repente viraram chumbo. Seria Hugo quem tinha achado as cartas escondidas? Olhei pela janela, a paisagem no lado de fora. Um vizinho lavava o carro tranquilamente, enquanto algumas crianças brincavam de pega-pega. O Sol já brilhava com toda a intensidade. Devia estar fazendo uns 30 ou 35 graus. Respirei fundo.

— Thomas, eu te chamei aqui. — meu pai insistiu, me acordando do devaneio.

Devagar, fui até ele e me sentei na cadeira em frente.

— Tou aqui. — levantei a sobrancelha.

Hugo suspirou e me negou o olhar, virando a cabeça para o lado.

— Quantas vezes eu já briguei contigo nessa vida, Thomas? — ele perguntou em tom sério.

— Poucas. Porque eu sempre te obedeci. É mais fácil com você do que com o Victor. — esfreguei uma mão na outra, tentando fazer uma expressão dócil e carente.

— E por que diabos você não jogou aquelas malditas cartas fora? Por que diabos não queimou, Thomas? — Hugo estalou os dedos. — Por que dessa vez foi difícil? Por que mentiu?

— São muitas perguntas pra responder. — tentei dar um sorriso falso.

— Responda ao menos uma. Eu fico satisfeito. — ele resmungou.

Chutei o chão de porcelanato, me sentindo nervoso. Conversas daquele tipo com Hugo não eram legais.

— Curiosidade. — fiz careta. — Ninguém nunca me contou da vida de Victor. Eu nem conheço ele, pra falar a verdade. É quase um total estranho. Eu me vi com alguma coisa que pudesse contar do passado dele. Não queria perguntar. Pelo jeito, ninguém iria contar, então...

Meu pai deu um sorriso torto e ajeitou os botões da camisa branca.

— Porque vocês estão escondendo algo de mim, e essa coisa tem a ver com o Victor. Eu sei.

Hugo finalmente olhou para mim. E foi direto nos olhos.

— Não há nada para esconder.

— Me dê um motivo para acreditar.

Notas finais
"tudo isto é só o princípio das tretas" kkkkk Deixe o seu comentário, não custa nada e faz uma autora feliz, viu? Beijinho e até o próximo capítulo :) prometo que não demora, afinal, estou de férias... u.u o/