Notas iniciais
Quero agradecer os comentários e o fav da Lola que ganhei ! u.u amei

Eu não sabia porque exatamente tinha aceitado a proposta de sexo duma prostituta menor de idade. Mas eu estava na seca, literalmente falando, e minha mão andava sendo abusada demais. E foi bom, a garota era realmente incrível na performance sexual. Não consegui contar quantas vezes eu gozei. Eu já estava suado e bem exausto.

Subi a calça para cima e fechei o zíper, encarando os olhos verdes da menina. Ela parecia tão frágil. Depois de uma hora transando no beco, apalpando aquele corpo em todos os seus pormenores, eu percebi que ele era bem magro, apesar de gostoso. Como seria a vida daquela criatura? Tão nova, tendo que se prostituir em uma cidade pequena da França.

— Quinze euros. — ela disse envergonhada.

Enfiei a mão no bolso. Eu tinha muito mais.

— Vou te dar cem euros.

— Garotinho rico. — Carla sorriu.

Dei de ombros.

— Posso te ver amanhã? — perguntei encostando a garota na parede. — Eu pago mais caro.

— Humm, interessante. — ela mordeu o lábio por dentro. — Quando exatamente?

— Quatro da tarde, no B&B Hôtel Colmar.

— Okay. Até amanhã. — Carla afastou meu corpo. — Obrigada e boa noite.

[...]

Nós morávamos na extremidade da cidade e nossa casa ficava exatamente no fim da rua. Avistei ainda longe as luzes da sala acesas. Até parece que aqueles dois estavam me esperando. Provavelmente, estavam somente aproveitando a minha ausência. Pra... Se pegar. Comprimi os lábios, me lembrando desses pequenos detalhes da minha vida familiar.

Ao me aproximar da porta, não pude deixar de escutar Hugo falando:

— Eu te amo, Victor.

A declaração ficou no vácuo, pois Victor não respondeu nada. Fiz careta e passei a mão no trinco.

Papai 1 e Papai 2 estavam sentados no sofá de mãos dadas. Uma taça de vinho tinto se exibia majestosa sobre a mesinha de vidro. Percebi que o zíper da calça de Victor estava aberto e uma cueca azul marcava presença.

— Boa noite, rapaz. — Hugo sorriu meio sem jeito.

— Posso saber aonde o senhor esteve? — Victor inquiriu colocando uma almofada no colo.

— Por aí. — virei de costas e fechei a porta.

[...]

Mais uma vez, o despertador tocou furiosamente. A música do Pleymo zumbia em meus ouvidos.

Mais qui est en tort? celui qui pêche et qui confesse

ou celui qui prend sur lui, n'empêche pas son ivresse?

Qu'est ce qu'ils implorent? l'éternel et le culte

le Noël pour adulte où l'on pardonne l'horreur de vos morts!

Cliquei na opção “soneca”. Só mais 10 minutos. Rolei por toda a cama larga.

— Hora de levantar, mocinho. — Victor abriu a porta e acendeu a luz. Olhei para ele. Meu pai estava vestindo naquela madrugada uma calça de brim preta e camisa do Coldplay. Uma noite passada em claro era denunciada pelos olhos inchados e vermelhos.

Não reclamei e me sentei na cama.

— Não vai dizer nada?

— Não. — respondi.

— O que você fez ontem, Thomas?

— Isso não importa muito, importa? — esfreguei a cara com ambas as mãos e encarei Victor.

— Importa. Eu sou seu pai. — ele encostou seu corpo na parede. — Eu me preocupo com você.

— Eu não sei. — dei de ombros. — Em alguns momentos não tenho tanta certeza.

Victor desviou os olhos de mim.

— Daqui a 15 minutos, quero você na biblioteca. Nova tarefa para hoje.

[...]

Não era algo difícil. Eu só tinha que dar um jeito na bagunça e arrumar os livros por gênero. Romance, ficção científica, psicologia, terror, clássicos, manuscritos raros. De todas as tarefas que Victor já tinha me designado, aquela foi a primeira que fiz com prazer. Eu realmente gostava de mexer com livros. Passar as mãos naquelas páginas, novas ou não, era uma coisa bem excitante para mim.

Assim que terminei e olhei para o resultado nas estantes, me senti feliz comigo mesmo. Cruzei os braços com um sorriso no rosto. Não. Debaixo de uma mesa, uma caixa cheia de papéis velhos poluía minha visão. Suspirei zangado e voltei para o trabalho.

Sentei no chão frio e peguei a caixa. Com uma preguiça de cão, comecei a dar uma olhada no que tinha lá dentro. Cartas. Provavelmente, eram do tempo que não existia internet ou telefone celular. A maioria era do pai de Victor, Nicholas. Nem dei moral. Todavia, um pouco mais embaixo, uma carta chamou minha atenção pelo seu papel enfeitado. Era de uma mulher, Katherine. Dizia logo no início:

Querido Victor,

Já fazem dias que você foi embora da Noruega. Mas, ainda lembro do seu corpo, lembro de cada detalhe. Foi incrível. A forma como você me apertou naquela parede e me penetrou de uma única vez... Os seus beijos quentes e molhados... Eu não sei descrever a sensação. Acho que ainda não existem palavras para isso.

Deixei a carta cair da minha mão, um pouco muito surpreso. Sempre pensei que Victor fosse homossexual desde o princípio dos séculos. Ninguém me contou que ele saía com garotas. Bem, de certa forma, era óbvio que ele saísse com meninas. Não é tão fácil descobrir e aceitar que se é gay. Essa ideia foi uma idiotice da minha parte. Porém... Por que ninguém me contou um fato tão trivial?

No fundo da caixa, pude encontrar mais cartas decoradas. Todas endereçadas a Victor. E todas de mulheres. Nomes variados. Jane, Samantha, Isabelle, Eva... Céus. O cara era simplesmente um Don Juan da vida. Afastei todo aquele papel velho para longe de mim, assustado com a novidade. Então, uma curiosidade incontrolável tomou conta de minha mente: Como foi que Victor acabou ficando com Hugo?

— Tudo bem aí? — olhei para trás, era Hugo. Seu cabelo ruivo estava um pouco arrepiado. Notei que sua camisa branca estava manchada de vinho.

— Tudo. — dei de ombros.

— A gente já vai almoçar e você ainda nem tomou café-da-manhã. — ele se aproximou de mim.

— Acabei me distraindo. Gosto da biblioteca. — sorri torto.

— O que tem nessa caixa? — Hugo sentou-se ao meu lado.

— Cartas.

— Ah. Não sei porque a gente ainda tem isso.

— Lembranças?

— De quê? Devem ser todas do Nicholas, joga fora.

Suspirei.

— Quem são todas essas mulheres?

— Mulheres? — meu pai franziu o cenho.

— No fundo só tem cartas de mulheres. Para Victor.

— Queima. — Hugo disse depois de um minuto de silêncio. — Vem almoçar.

Notas finais
Victor safadinho... kkkkkkkkkk Enfim, o que acharam? Me contem nos comentários o/