Notas iniciais
Oi de novo! ♥ Eu tenho tentado encaixar as coisas na história de forma que faça sentido sem mudar muito as partes principais do sonho, como os apelidos (sim, o apelido do Matheus estava no meu sonho, por isso é estranho assim kkkk não sei se já disse isso) mas eu não sei se estou fazendo um bom trabalho. Mas ao mesmo tempo gosto do resultado, eu não sei mais o que pensar, então vou só continuar escrevendo isso kkkkk E ah, esse capítulo... Estava um pouco ansiosa para escrever e postar ele, já que eu lembrava do final tão claramente, e bem... Não vou falar mais nada, vou deixar vocês lerem em paz kkkk boa leitura, pessoal!

— Tudo bem, imagine então se a Daenerys tivesse tido aquele filho do Drogo, a história seria sobre o filho e não sobre ela. – Expliquei, pegando mais uma colherada do grande pote de sorvete caseiro de chocolate com menta. Dona Roselena agora vendia potes enormes por uma pechincha.

— Acho que o George conseguiria fazer algo incrível mantendo os dois na história, ele é um autor genial... – Foi a vez de Matheus pegar outra colherada, dando de ombros. Estávamos sentados juntos no sofá, Matheus no canto esquerdo com os tornozelos cruzados sobre o assento e eu deitada perto dele sob um cobertor, minha cabeça apoiada na mão esquerda, o pote de sorvete entre nós. Eu ainda estava de baby-doll e Matheus estava mais bagunçado que o normal, mas não menos charmoso. Usava a habitual jaqueta preta, no entanto, sua calça de moletom e sua blusa cinza surrada eram claramente roupas de dormir. E seu cabelo era um completo caos, mas para mim era muito fofo. – E seria incrível ver a história dele, ele nem tinha nascido e já tinha título! “O garanhão que monta o mundo”, o cara já era incrível desde que era um feto! – Disse, fazendo um gesto grandioso com as mãos. Começamos a rir.

Ainda era oito da manhã de um dia chuvoso, estava frio e o som da chuva na telha da varanda da frente era estrondoso, mas isso não nos impediu de assistir a maratona da primeira temporada de Game of Thrones comendo sorvete. Já tínhamos combinado havia duas semanas, não queríamos cancelar, afinal, eu tinha estudado muito a semana inteira e Matheus, que voltara a trabalhar no bar do pai dele, tinha conseguido arrumar uma folga especialmente para isso. O bar abria às uma e meia da tarde, mas ele chegava mais cedo para preparar as coisas antes de abrir, então de vez em quando, eu ia até lá ajuda-lo depois dos estudos. Isso economizava tempo, então Matheus me ajudava com o violão até dar a hora de abrir, que era quando eu voltava para casa. Estávamos nos vendo bem menos e conversando bem mais por mensagens, mas quando nos encontrávamos, era difícil separar, isso nos unia mais.

Ao meu lado, Matheus juntou as mãos em forma de concha e soprou para esquentá-las. Queria abraça-lo para ajudar, mas quase sempre que eu o abraçava, ele tentava em vão disfarçar a careta de dor que fazia. Ele não me contava de onde veio àquela dor toda e eu não ousava perguntar, sabia que ele me diria quando achasse necessário.

Peguei o pote de sorvete, joguei no pote a colher cheia de sorvete que ele estava prestes a colocar na boca novamente e coloquei tudo em cima da mesinha de centro de madeira. Sentei-me mais perto dele, puxei o cobertor de forma que cobrisse a nós dois e me aconcheguei, deitando minha cabeça sobre seu ombro. Aquela proximidade toda fazia meu rosto esquentar, só Deus sabia o quanto eu estava apaixonada por aquele garoto.

— Desculpe, eu devia ter feito isso antes. – Falei, resistindo a vontade de abraça-lo. Matheus virou-se um pouco, beijou minha testa e apoiou a cabeça na minha.

— Não precisava se preocupar. – Sorriu. Debaixo do cobertor, senti seus dedos roçarem os meus levemente, então segurei sua mão. Ficamos assim enquanto assistíamos a série.

Nós não estávamos namorando, mas não dava para negar que parecíamos um casal. Talvez tenha começado no dia que ele beijou meu rosto. Lembro que fiquei muito chateada com o jeito que ele falou comigo, mas o beijo, por mais bobo que pudesse ter sido, me pegou completamente de surpresa e me deixou sem palavras. Não consegui parar de sorrir e pensar em Matheus depois disso, ainda mais que antes. Porém, no dia seguinte, não tive notícias dele. Mandei mensagens e liguei, mas não obtive resposta. Fiquei tão preocupada que já estava considerando ir até sua casa para descobrir o que aconteceu, mas lembrei-me que tinha o número de Luís, então perguntei a ele o que estava acontecendo. Luís me explicou que Matheus estava no hospital, mas não era nada grave. Quis ir visita-lo imediatamente, mas Luís disse que não precisava, ele sairia no mesmo dia. Lembro-me muito bem do que aconteceu quando ele voltou.

Já era quase noite quando vi, com alivio no coração, Matheus chegar de carro com Luís que ao me ver no portão, parou na calçada.

— Ei, baixinha! Está tão bonita, isso é por que eu vim te ver? – Ricardo saiu primeiro e me abraçou com seu sorriso brincalhão. Ele tinha a mania de fazer isso toda vez que me via. Eu devolvi o abraço rapidamente e me afastei procurando Matheus, que estava cabisbaixo apoiado no carro com os braços cruzados. Corri em sua direção e o abracei firmemente.

— Eu estava tão preocupada com você! – Minha voz falhava, parecia presa na garganta. Já sentia as lágrimas se formarem em meus olhos. – Mandei mensagem o dia todo e quando soube que estava no hospital, não sabia o que pensar e...

— Eu estou bem, desculpe. – Matheus me abraçou de volta terna e carinhosamente e beijou minha cabeça, fazendo cafuné. Não consegui segurar minhas lágrimas, estava com uma sensação muito ruim no peito. Era medo de perdê-lo. — Desculpe minha Princesa.

Isso foi há três semanas e, desde então, estávamos cada vez mais próximos. Matheus parecia concentrado na série já que nunca tinha assistido, apenas lido os livros. De repente, seu celular tocou, fazendo-nos voltar a atenção para o pequeno aparelho. Afastei-me um pouco para ele ler a mensagem. Matheus gemeu de frustração.

— Tenho que ir trabalhar hoje. – Explicou, como um pedido de desculpas. Fiquei bem triste com isso. Tínhamos planejado tanto esse dia... E acima de tudo, queria passar mais tempo com Matheus. Apesar de o sentimento verdadeiro ser esse, apenas dei um pequeno sorriso.

— Entendo, Portãozinho, tudo bem. Podemos assistir juntos numa próxima vez. – Sugeri, pegando o pote de sorvete sobre a mesa e voltando a comê-lo. Matheus não respondeu, apenas me encarava e parecia chateado. Joguei a minha colher no pote e toquei seu rosto gentilmente com a mão que não estava gelada, dando-lhe um sorriso tímido. – De qualquer forma, agradeço pelo tempo que você passa comigo, é sempre maravilhoso.

— Não vou trabalhar agora, acho que podemos ver mais alguns episódios. – Disse Matheus segurando minha mão e beijando a palma. Senti algo como uma leve corrente elétrica passar pelo meu corpo, fazendo meu rosto ruborizar com seu toque. Ele também ficou com rosto vermelho e desviou o olhar do meu. – Na verdade... Seria legal se você fosse comigo de novo.

— Ah, tem certeza? – Aquilo me pegou de surpresa. Matheus ficou mais vermelho ainda.

— Não é para trabalhar nem nada! Desculpe! – Sua voz saiu um pouco esganiçada, soube logo que ele estava nervoso. Mordi o lábio inferior para tentar conter o sorriso. – Eu deixei tudo arrumado ontem, nem preciso ir cedo, é que... Eu ainda queria te ajudar com o violão.

— Ajudar com violão... Entendo. – Repeti, me sentindo um pouco mais animada. A verdade é que eu iria, mesmo que ele me pedisse para ajudar a cuidar do bar. Matheus ainda estava muito vermelho, dava para ouvir seu coração acelerado. Ele passou a mão pelos cabelos bagunçados.

— Bem, não só por isso... Eu quero muito passar mais tempo com você. – Murmurou Matheus, brincando com a manga da jaqueta. Senti meu rosto esquentar novamente e um sorriso surgiu em meus lábios.

— Eu... Eu também quero passar mais tempo com você! – Falei um pouco animada demais. Matheus riu de forma adorável e bagunçou meu cabelo. Dessa vez eu não me importei tanto, pois só havia o prendido num coque frouxo quando acordei, mas fingi estar com raiva, fazendo-o rir mais.

— Como consegue ser tão fofa? – Perguntou, apertando minhas bochechas. Graças a isso, Matheus provavelmente não pôde vê-las corar pelo elogio e por seu toque.

— A gente está... Perdendo a série... – Tentei falar enquanto ele ainda brincava com meu rosto fazendo biquinho. Ele olhou para a televisão como se só agora se lembrasse da existência do objeto e sorriu.

— Ah... Quer saber, tudo bem, assim quando planejarmos outro dia de maratona com sorvete, os episódios vão ser uma surpresa! – Disse alegremente. Vendo aquele sorriso lindo, só pude sorrir também.

***

Estávamos sentados no chão e encostados na parede para não precisar tirar as cadeiras do lugar. Era melhor assim, pois ficávamos mais perto. Pedi a Matheus para me ensinar a tocar uma música do Joe Benson um tanto quanto difícil para mim, mas eu não conseguia me concentrar e ele também parecia estar com a mente em outro lugar. Parei, apoiei o violão na parede e olhei para ele.

— O que houve, Matheus? – Perguntei, arrumando seu cabelo que ainda estava um pouco bagunçado. Matheus sacudiu a cabeça um pouco.

— Ah, nada, eu só estava... Lembrando de algo ruim. – Respondeu, assoprando a mecha de cabelo que insistia em cair sobre seu olho. Ele passou a mão nos cabelos para jogá-lo para trás. – Acho que está na hora de cortar.

— Bem, se quiser conversar sobre isso... Ahn... – Seu cabelo voltou a cair sobre o olho e Matheus ignorou. Estava pensativo.

— Essa música... Quando eu tinha quinze anos, estava no terceiro ano, eu... Ahn... Eu namorei uma garota chamada Ramona. A gente sempre ouvia essa música. – Soprou o cabelo novamente, frustrado. Mordi o canto da boca, senti uma pontada no coração. Não é que eu tenha achado que Matheus nunca tivesse namorado antes, afinal, ele é uma pessoa incrível e definitivamente chama bastante à atenção das meninas. Mas eu nunca pensei sobre os relacionamentos dele em si, e agora estava levemente incomodada com isso. – Teria sido melhor nunca tê-la conhecido.

— O que aconteceu?

— Ela não gostava de mim de verdade. – Matheus se espreguiçou e deu de ombros, continuou falando com naturalidade. – Eu gostava dela havia anos, mas ela não gostava de mim de verdade.

— E mesmo assim ficou com você?

— Sim. Ela namorava um cara mais velho da minha sala que gostava de me humilhar, o Caio. Ele terminou com ela e ela me usou para fazer ciúmes nele por dois meses, enquanto eu acreditava que era correspondido. No fim, eles voltaram e eu tentei seguir minha vida. Mas fiquei muito magoado, não vou mentir. – Explicou com um sorriso de canto amargo, como se tudo fosse uma grande piada.

— Entendo... – Sorri solidariamente. Realmente entendia aquilo. – Sei como é, quando brincam com seus sentimentos desse jeito.

— Já aconteceu com você? – Matheus olhou para mim, encostando a cabeça na parede. Seus olhos pareciam tristes. Acenei em confirmação. – O que houve?

— Bem, eu sempre achei que a adolescência seria como um filme da Disney... – Sorri, fazendo-o sorrir também, concordando. – Então achava que, quando eu ficasse mais velha aparecia um príncipe encantado e íamos nos apaixonar e ficaríamos juntos para o resto da vida.

— Deixe-me adivinhar... Não foi o que aconteceu? – Brincou Matheus, me fazendo rir.

— Obviamente! Bem, eis o que aconteceu: quando fiz dezesseis anos, conheci um cara chamado Marcos. Ele era de outra escola, mas estava tendo um evento na minha que reunia várias escolas, então lá estava ele. Foi tudo muito rápido, em pouco tempo eu me apaixonei por ele e ele me pediu em namoro, acho que nunca tinha ficado tão feliz. – Olhei para baixo, brincando com as miçangas da minha blusa estampada, triste com a lembrança.

— Mas mesmo sendo rápido, imagino que você gostava muito dele. – Afirmou Matheus. Assenti. – O que ele fez?

— Me traiu. Com três garotas ao mesmo tempo, aquele babaca. – Cruzei os braços, com raiva. – Fiquei sabendo pelos meus amigos, Gustavo e Sarah o viram beijando uma delas na rua em plena luz do dia. Quando fui confrontá-lo, ele negou, mas outra das meninas apareceu e o cumprimentou com beijos, ele nem fez esforço para afastá-la.

— Uau. – Matheus parecia pensativo novamente. – Ele é um completo idiota.

— Sim. Um completo idiota que partiu meu coração em milhares de pedacinhos. Depois disso não namorei mais ninguém com medo de ser traída de novo, ele foi meu primeiro e único namorado, eu costumava desistir das coisas muito fácil. Mas de qualquer forma, durou tão pouco, não sei nem se conta como namoro. Acho que três semanas, talvez? – Dei de ombros e mordi a unha do polegar. – O pior é que o sentimento continuou por muito tempo, mesmo com o que ele tinha feito. Eu realmente gostava muito dele, era doloroso vê-lo na rua, e estava sempre com uma garota diferente.

— Aquelas três não o deixaram?

— Não, todas tinham namorado também, e sabiam da existência das outras. Era uma coisa nojenta, eu não gosto de pensar nisso, claramente não ficavam só aos beijos. – Falei. Matheus desviou o olhar, um pouco corado.

— Entendi. – Ficamos em silêncio por um tempo. Matheus, pensativo, soprou o cabelo do rosto de novo, seu rosto estava mais vermelho. – Espero que você não tenha desistido totalmente de encontrar um príncipe encantado. Quero dizer, talvez não apareça um príncipe... Talvez um pajem, apesar de você definitivamente merecer um príncipe... Bem, o que eu quero dizer é que com certeza há alguém que gosta muito de você, de verdade e que nunca vai partir seu coração do jeito que esse tal marcos fez. Então por favor, não desista.

Fechei os olhos e suspirei, com um pequeno sorriso. As palavras dele ecoaram em minha mente e então, tudo o que eu conseguia pensar era em Matheus, seu sorriso, seu rosto, sua voz, seu jeito fofo e amável, tudo nele era simplesmente maravilhoso e definitivamente meus sentimentos por ele eram muito maiores do que jamais foram por Marcos. Abri um olho e virei para ele, com um sorriso ainda maior, feliz por ele estar ao meu lado. Meu coração acelerou ao vê-lo sorrindo timidamente.

— Obrigada, Matheus. – Segurei seu rosto, puxando-o para mais perto e beijei sua bochecha, fazendo-o ficar vermelho de novo. – Eu digo o mesmo para você. Com certeza tem alguém que gosta muito de você, de verdade e nunca vai te trocar por ninguém, como a Ramona fez. Você é a pessoa mais incrível que já conheci.

Matheus sorriu de um jeito tão lindo que fez me fez derreter. Ele abriu a boca para dizer algo, mas ouvimos um barulho de chave na porta e uma voz masculina abafada do outro lado. Pensei ter ouvido Ricardo, mas Matheus levantou num pulo e agarrou minha mão. Estava mais pálido que o normal e muito nervoso, o que me deixou preocupada.

— O violão. Rápido. – Sussurrou e pegou a case do outro lado rapidamente. Assim que peguei o violão, ele me puxou para o banheiro masculino, entramos no momento exato que a porta abriu. O lugar parecia maior por dentro, as paredes eram amarelas e o chão branco parecia ter sido limpo recentemente, tinha vários banheiros divididos, era bem iluminado se comparado ao resto do bar e tinha uma enorme bancada de mármore com três pias e torneiras automáticas. Era chique demais para um banheiro masculino de um bar mediano.

Matheus me puxou para mais perto dele, estávamos escondidos atrás da porta de alumínio meio aberta, e claramente não cabia nós dois. Estávamos perto demais, meu rosto ruborizou quando notei. A respiração de Matheus estava ofegante e em seu rosto o medo era evidente. Me perguntava o que poderia tê-lo deixado assim, quando ouvi uma voz grave do lado de fora.

— Aquele merda preguiçoso ainda não chegou? Você avisou para ele que eu não dei folga nenhuma? – O homem parecia zangado, perguntei a mim mesma se aquele homem estava se referindo a Matheus, senti a raiva subir em meu peito com a possibilidade. Matheus parecia prestes a desmaiar a qualquer momento, aquilo estava me deixando extremamente assustada.

— Eu falei para ele, tio, tenho certeza que ele já está vindo. – Aquela voz estranhamente trêmula era do Luís. Se Luís chamou o homem de tio, provavelmente era Carlos, o dono do bar e pai de Matheus. Mas... Se era o pai dele, não faria sentido ele estar xingando o próprio filho daquele jeito... Certo? Matheus continuava ofegante e com medo, era como se estivesse em transe. Eu estava começando a ficar com medo também.

— Ele deve estar com aquela vadia que anda com ele agora. Ele acha que eu não sei que ele arrumou um buraco quente para se aliviar. Só que isso não muda nada, o Matheus ainda é uma mariquinha, até aquela lá é demais para ele. Aquele lixo não é meu filho e nunca vai ser. – Disse Carlos, devagar e com um tom estranho. Ouvir aquilo me deu náuseas. Era possível alguém ser tão cruel, preconceituoso e estúpido? De repente, me toquei que Matheus estava ouvindo aquelas coisas, não consigo imaginar o quão horrível devia ser ouvir o próprio pai dizer aquelas maldades. Olhei para ele, mas ele apenas me abraçou forte e protetoramente. Vi lágrimas se formarem em seus olhos e tudo o que pude fazer foi abraça-lo de volta com a mão livre, lágrimas surgindo em meus olhos também.

— Tio, o Matheus não é...

— Ele é igualzinho a desgraçada da mãe dele! – Vociferou Carlos, alterado. Na verdade, as palavras saiam um pouco emboladas, como se estivesse bêbado. – A cara, a magreza, personalidade, tudo, até a droga da anemia! Olhar para esse moleque me da ânsia de vômito. A única diferença entre eles é que ela me enfrentava, não importa o que eu fazia. Ele é covarde demais para isso. E também, ai dele se fizer, ele sabe muito bem o que acontece se tentar.

Então, tudo ficou em silêncio por alguns momentos e Luís não tentou responder ao tio. Minha mente não conseguia processar tudo aquilo, Matheus não estava bem, tremia e ainda me abraçava forte demais, tanto que começou a doer um pouco e eu não conseguia me soltar. No entanto, eu sabia que se ele soltasse, ele desabaria, estava pálido demais e suas lágrimas sempre ameaçavam cair, mas não caiam. Então ignorei a leve dor de seu abraço e o ajudei a se apoiar melhor enquanto o abraçava de volta. Carlos voltou a falar besteiras sobre Matheus, sua voz parecia mais alta. Gelei ao ouvir passos se aproximando do banheiro,

— E espero que ele não engravide aquela vadiazinha. Querendo ou não, aquele lixo tem o meu sangue, e não quero meu sangue misturado com o de uma preta qualquer que não tem onde cair morta. – Sem largar Matheus, prendi a respiração e olhei para trás preparada para enfrentar Carlos quando ele nos encontrasse. Eu estava com tanta raiva, que nem sabia o que poderia fazer, mas tudo o que vi foi apenas uma mão tatear a parede em busca do interruptor da luz e senti um cheiro forte de álcool. Matheus parecia prestes a desmaiar. Quando achou, apagou a lâmpada e se afastou novamente, sem entrar no banheiro, ainda falando para quem quisesse ouvir.

Depois de alguns momentos, a voz de Carlos estava cada vez mais longe, ouvimos barulhos de um molho de chaves sendo agitado e então, silêncio de novo. Matheus, que estava arfando, me soltou de seu abraço e lentamente escorregou pela parede para sentar no chão e começou a chorar e soluçar, com a mão sobre a boca. Eu abaixei ao seu lado e o abracei novamente, encostando sua cabeça em meu ombro.

— Me desculpe, Violeta, isso é vergonhoso. Não queria que você me visse assim... – Disse entre soluços, tentando tristemente dar um sorriso fraco. Eu sacudi a cabeça, mas antes que eu pudesse dizer algo, ele continuou. – Meu pai... Carlos é um homem horrível. Ele faz coisas horríveis e ignora as consequências, sempre dá um jeito de sair por cima. E ele está certo, eu sou um covarde. Não consigo enfrenta-lo, não sei como... Sinceramente, eu não sei. É... Difícil conviver com ele, com a crueldade dele... Eu estou esgotado, física e emocionalmente e agora só quero...

— Por... Favor, não termina essa frase. – Interrompi, segurando seu rosto entre minhas mãos. Ambos chorávamos muito, eu não poderia suportar ouvir Matheus desejar a morte. Aquilo era demais para mim. – Por favor...

— Eu não quero que ele faça mal a você também. Você é a melhor coisa que me aconteceu em anos... – Ele segurou meu rosto da mesma forma que eu segurava o dele e acariciou minhas bochechas com os polegares, seu toque gentil e quente me fez chorar ainda mais. Inclinou-se um pouco para frente e encostou a testa na minha. Inclinou-se um pouco mais, seu nariz agora se encostava ao meu, então eu simplesmente fechei os olhos e esperei seu beijo, porém nunca chegou. Quando abri os olhos novamente, Matheus mordia o lábio inferior, sua expressão era puro sofrimento. Ele virou o rosto e se encostou na parede. – Eu não posso te proteger, minha Princesa. Desculpe.

— Eu também não posso te proteger, Matheus. – Acariciei seu rosto, sentando-me ao seu lado. – Mas isso não vai me impedir de tentar. Não estou te pedindo para tentar me proteger, ou coisa do tipo, é que da para ver na sua cara que você pretende se afastar de mim por causa do seu pai. Eu não quero te ver sofrendo, mas também não quero ficar longe de você, então, vou tentar te proteger como puder e não deixar você sofrer mais. Você disse que não consegue pensar em como enfrentar aquele homem, pois bem, vamos pensar nisso juntos então. Eu não vou abandonar você, nem deixar que faça nenhuma loucura. Não vou desistir de você, então, por favor, não desista também, ok?

— Não vai adiantar discutir com você, certo? – Perguntou com um sorriso entre as lágrimas depois de um longo silêncio. Sorri de volta, um pouco aliviada.

— Nem um pouquinho.

— Tudo bem, então. – Suspirou, enxugando as lágrimas do rosto. O celular tocou e Matheus o pegou no bolso para ler a mensagem. Vi que era Luís perguntando onde ele estava. – Desculpe por te expulsar, princesa, mas ainda tenho que trabalhar hoje. Meu pai vai voltar a qualquer momento e... Bem, você sabe.

— Ok, sem problemas. Mas você está bem? – Perguntei enquanto ficávamos de pé, para me certificar antes de ir. Matheus sorriu timidamente e assentiu em confirmação. Sorri de volta e me virei para sair, mas senti sua mão puxar meu braço e, quando dei por mim, Matheus me abraçou mais uma vez, mais ternamente que nunca e beijou meu pescoço.

— Obrigada por tudo, Princesa. – Sua voz saíra abafada entre meus cabelos. Sorri e retribuí o abraço.

— Eu que agradeço, Portãozinho.

Notas finais
O que acharam? Eu não sei dizer se gosto ou não desse capítulo por vários motivos, mas é importante para o relacionamento dos personagens... E ficou um pouco maior do que o pretendido, mas enfim. Novamente, pode parecer que está tudo acontecendo muito rápido por causa do time skip e talvez o relacionamento deles em si... Sei lá kk mas era assim na primeira versão, a feita a mão que eu perdi, e eu quero manter o máximo que eu puder daquela versão, então espero que isso não esteja muito ruim ;-; E a última observação é que talvez a história ficasse mais coesa se tivesse uns palavrões, mas não vai rolar não kkkkk desculpa :T Bem, de qualquer forma, obrigada por lerem até aqui, eu sei que falo muito, mas vocês são maravilhosos! Até o próximo capítulo! ♥♥♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.