Uma jovem magra, de cabelos castanhos com uma franja reta um pouco bagunçada e com olhos grandes castanhos abriu a porta e se deparou com o ambiente um pouco cheio. Alguns jovens sentados no sofá, conversando sobre mais um ano letivo na escola. Ela tentou passar despercebida, mas os barulhos de seu porquinho-da-índia dentro da gaiola chamaram a atenção de vários jovens.

—Olá, grilinho. — gritou um jovem, seguido de alguns sorrisos abafados. A garota revirou os olhos e foi até a cozinha. Ela colocou a gaiola de Percy no balcão e foi ver o que havia para comer. Mas logo, sua atenção foi atraída para uma coruja listrada que começou a observar Percy. Estranhamente, essa coruja estava comendo um pedaço de bolo de chocolate recheado. A jovem conhecia aquela coruja, vivia em uma poltrona do salão de sua casa em Castelobruxo. Por um momento, ela ficou com medo da coruja sentir vontade de comer seu roedor, mas a ave apenas levou um pedaço de bolo em seu bico para Percy, sujando todo o balcão de farelo no caminho.

A garota caminhou até a geladeira e abriu-a. Ela viu que havia bolo de chocolate lá, além de várias guloseimas e comidas que os pais não aceitam que seus filhos comam. A jovem pegou a bandeja do bolo e caminhou com ele até o balcão, mas no meio do caminho, tropeçou, derrubando a bandeja de cristal e um bolo quase inteiro no chão.

—O que foi desta vez, palito de dentes? — gritou uma voz feminina da sala, seguida de risos. Julia não sabia que poderiam existir pessoas da casa de Winos que fossem tão chatas. Ela olhou para o chão, procurando aonde esbarrou e achou estranho, pois era um chão de cerâmica uniforme.

Julia suspirou e levantou, deixou Percy no balcão, interagindo com a coruja listrada comedora de bolo e pegou suas malas e subiu para o primeiro andar. Ela entrou em um quarto e viu um jovem familiar. Era o dono da coruja listrada que estava com Percy.

Brandon olhou para Julia e ficou vermelho, e na mente dos dois, a mesma memória surgiu...

"...Julia acabara de receber o apelido de palito de dente logo em seu primeiro ano. A garota desceu a escadaria dourada até o dormitório de sua sala. Do lado da porta, ela viu a armadura que sempre soltava gritos quando um aluno passava. Muitos não entendiam o porquê, mas a mesma soltou um grito quando Julia passou.

Ela tocou a ponta da varinha na porta e falou alguma palavra, aparentemente uma senha, e a porta se abriu. Ela entrou no salão de sua sala. Vários quadros olharam para ela enquanto ela andava pesadamente devido a raiva que estava sentido.

—Mamãe disse que seria as mil maravilhas estudar em castelobruxo. — murmurou ela, para si mesma. Ela se sentou em uma poltrona, ainda murmurando.

Ela continuou as murmurações por alguns minutos até perceber a presença de um garoto magro de cabelos cacheados e castanhos olhando para ela, assim como a sua coruja listrada. O garoto ficou vermelho e aparentemente não sabia o que fazer, e Julia também ficou vermelha. A pele pálida da garota deixou isso transparecer nitidamente e ela se levantou e caminhou em passos rápidos até o dormitório feminino..."

A mesma vergonha que os atingira naquele dia surgiu neste momento, mas Julia não saiu correndo.

—A...Acho que os quartos das meninas ficam no se...segundo andar. -disse o Bran, falando essas palavras com esforço. A garota ficou mais vermelha do que já estava e saiu do quarto.

A viagem se seguiu, em outras casas do avião, os jovens se mantinham com a mesma agitação. Alguns do primeiro ano estavam extremamente ansiosos e deixavam isso transparecer.

Após algumas horas de viagem, o avião pousou em um aeroporto de Manaus e os bruxos desceram. Os jovens do primeiro ano notaram que naquele aeroporto havia somente bruxos, pois ele estava repleto de magia. Não sabia se os trouxas eram capaz de vê-lo ou se eles estavam em uma área do aeroporto em que só os bruxos poderiam ficar. Aviões de outros países da America do Sul chegaram e os jovens bruxos que também estudariam em Castelobruxo saíram do avião. Em uma parede, haviam lareiras enfileiradas e vários jovens estavam usando o Pó de Flu para irem até uma vila de bruxos que ficava localizada perto da escola.

Na vila da Serpente, como era chamada, devido a sua estrada serpenteante, os jovens saíam das lareiras de um estabelecimento grande e, ao se retirarem deste estabelecimento, viram várias carruagens que andavam sozinhas esperando-os. Alguns alunos comentaram que havia uma escola na Inglaterra que usava o mesmo truque.

Os alunos do segundo até o sétimo ano foram levados pelas carruagens, e os do primeiro ano, que iriam ser selecionados para as suas casas, foram levados pelas últimas carruagens que chegaram, estas, diferentes das outras, tinham a cor branca.

Os alunos, que já estavam vestidos com as suas capas verde brilhante, conversavam entre si nas carruagens. Comentavam sobre suas férias, para onde viajaram e outros assuntos paralelos.

As carruagens foram parando e os alunos desciam em frente a entrada. As carruagens douradas estavam em estradas feitas de pedra, mas entre a entrada e a escadaria da escola, havia uma estrada de pedras douradas.

Os dois pilares da entrada estavam ligados por um arco. Neste arco dourado, havia esculpido um Sol dourado, uma Lua minguante prateada, que cobria parte de Sol dourado, e cortando verticalmente as duas figuras unidas, havia uma varinha de bronze. Os alunos caminharam pela estrada dourada até a escadaria da estrutura inca feita de pedras de ouro. Subir aquelas escadas era uma taréfa cansativa, mas seria pior se não houvese um feitiço nos terrenos de Castelobruxo que fizesse o ambiente sempre se manter fresco e não ter temperaturas elevadas.

Ao subirem as escadas, era possível ver o campo de quadribol, as estufas da aula de herbologia e quatros estruturas incas iguais a esta, porem menores, em volta da mesma.

Havia muito mais estruturas para se ver nos terrenos, como uma torre de pedras para as aulas de astronomia ou o templo pequeno para as aulas de duelo. Os terrenos da escola eram imensos, pois ainda havia a floresta e os rios, aonde se localizavam várias criaturas mágicas que os jovens estudavam. Alguns diziam que já viram uma serpente enorme e em chamas rastejando pelas florestas. Os terrenos aonde estavam localizadas as estruturas eram cercadas por grades douradas que faziam um circulo em volta deles. Nesta cerca dourada de cinco metros havia três entradas, uma delas era a entrada que os levava para a estrutura principal. Era uma área extremamente grande, apenas dentro das as grades douradas que cercavam o local.

Os jovens não viram as caiporas, o que foi uma sorte para os alunos, pois não tiveram uma recepção desagradável. Ao chegarem no topo, viram um templo realmente grande com três andares, mas os jovens sabiam que a escola não era somente aquele templo, pois toda a pirâmide e no interior dela, havia salas de aula, os dormitórios das três casas, salões, passagens secretas e etc.

Na entrada do templo havia duas armaduras douradas, mas estas não gritavam, apenas conversavam com os alunos. Ao entrarem, havia o salão com algumas pinturas e uma estátua no centro, e no final da mesma, havia duas escadas em direções diferentes, mas estas levavam para baixo, no interior da pirâmide. Neste salão também havia portas e escadas que levavam para os andares de cima.

Um professor de cabelos grisalhos, que usava vestes cinzas, estava a espera dos alunos do segundo ano adiante. Ele os acompanhou até o auditório da escola, que era um salão imenso cheio de cadeiras e, na frente, se localizavam cadeiras maiores e seletas, aonde se sentariam o professor. Havia uma cadeira dourada à frente das cadeiras dos professores. Ela era estrenhamente alta e, no topo do encosto, havia três simbolos, um Sol dourado, uma Lua prateada e uma Varinha de bronze. Esses símbolos correspondiam aos símbolos das casas.

O Sol dourado era o símbolo da casa do Solus, a Lua prateada era da Lunos e a Varinha de bronze, da Winos.

Os alunos foram ocupando as cadeiras, enquanto conversavam. As janelas permitiam a entrada da luz do Sol, deixando o local iluminado. O auditório, assim como uma sala de cinema ou teatro, era inclinado para as cadeiras dos professores, fazendo os alunos das últimas cadeiras conseguirem ver o que acontecia, por estarem mais altos.

Após todos terem se sentado, a diretora que, surpreendentemente, já estava alí, se levantou e caminhou até o palanque de ouro com várias figuras esculpidas, que estava atrás da cadeira alta. Os cabelos ruivos da diretora eram belos, e a mesma tinha sardas. Usava uma capa preta e um chapéu cone. Deveria ter uns trinta e cinco anos e era uma mulher bonita de rosto.

—Olá, bruxos e bruxas. — disse ela, sorrindo. O homem de cabelos grisalhos e vestes cinzas, que havia se levantado e estava do lado da diretora, traduziu as palavras para o espanhol. — Tenho o imenso prazer de receber vocês em mais um ano letivo em Castelobruxo. Podem vir. — disse ela, para os alunos do primeiro ano, que estavam parados atrás das últimas cadeiras. Eles caminharam até a frente, acompanhados por um professor alto e jovem, de cabelos pretos e olhos castanhos, e fizeram uma linha de pessoas em frente a cadeira dourada e alta.

—Eu chamarei seus nomes e vocês se sentarão na cadeira. — continuou a diretora. -Quando se sentarem, algum dos três símbolos irá brilhar, selecionando vocês para alguma de suas casas. Obviamente, os símbolos brilham de acordo com a sua personalidade e suas características, pois cada casa de Castelobruxo recebe jovens de diferentes características e personalidades.

"A casa de Solus recebe os alunos dedicados, leais e corajosos. Os mesmos costumam ser fiéis aos seus amigos até o fim e dedicados a qualquer tarefa que tenham de fazer."

"A casa de Lunos recebe os alunos pacientes, sábios e sensatos. Geralmente, os alunos desta casa costumam ser ótimos conselheiros e amigos, além da incrível paciência e habilidade de tomar decisões." disse a diretoria, sorrindo levemente. "E por último, a casa de Winos. Ela recebe os alunos criativos, imaginativos e pensadores. Geralmente são bastante inteligentes e costumam se perder tanto em seus pensamentos que vivem no mundo da Lua", o nervosismo era visível em alguns alunos do primeiro ano.

—Quando eu chamar seu nome, sente-se na cadeira. — disse a diretora. — Gabriel Bittencourt! — disse a diretora. Um jovem de cabelos negros, uma pele clara e olhos verdes caminhou até a cadeira. Bran reconheceu o garoto que viu no avião e torceu para ele não ser da Casa de Winos. Caso contrário,se sentiria constrangido devido a primeira impressão.

Por um momento, todos encararam tensos cada um dos símbolos da cadeira, pois estes estavam demorando para brilhar. Alguns sabiam que isso acontecia quando a decisão de seleção da casa era difícil. Mas logo, o Sol dourado brilhou, de inicio, levemente, mas aumentando a intensidade. Vários alunos aplaudiram e a diretora disse que o garoto já podia se levantar.

—Helena Nerentord — chamou ela, e uma jovem de cabelos cacheados caminhou até a cadeira e se sentou. Neste momento, a Lua prateada brilhou e a garota se levantou ao pedido da diretora. A seleção continuou e o número de alunos do primeiro ano da fileira foi diminuindo, mas o nervosismo parecia estar ficando maior.

—Leoffer Rand! — chamou a diretora. Um jovem baixo, branco, de olhos acinzentados e de cabelos despenteados, mas não ao ponto de ser comparado a um louco, se sentou. Ele olhou para baixo, evitando o fato dos alunos estarem observando-o. A varinha de bronze brilhou e vários alunos aplaudiram, o que o fez levantar e ir se sentar.

Após alguns minutos, a seleção acabou e a cadeira desapareceu. A diretora sorriu e olhou, por alguns segundos, os alunos selecionados.

—Espero que todos vocês sejam bem recebidos em suas casas. Elas serão como as suas famílias. — disse ela, parando de sorrir. — Agora, vamos para os avisos. Os alunos do primeiro ano devem estar no dormitório após as oito horas, e do segundo ano adiante podem ficar até dez horas caminhando pela escola, indo para a biblioteca ou qualquer coisa do tipo.

"Os alunos do primeiro ano poderão escolher as aulas opcionais amanhã, saiba que aquela aula selecionada será para toda a sua vida letiva aqui na escola. Também gostaria de avisar que é proibido sair da escola após as sete horas, podendo ser punido com detenção. Outras regras e avisos serão dados pelos monitores quando vocês forem para os salões de suas casas. O almoço será servido as uma hora da tarde, e espero que aproveitem o resto do dia de hoje, pois amanhã as aulas já começarão. Lembrem-se de pegarem seus horários após o almoço", terminou a diretora.

—Podem se retirar e espero que tenham um ótimo ano letivo. — disse ela, sorrindo. Os alunos começaram se retirar e o falatório cresceu novamente.

Os alunos do primeiro ano foram guiados pelos monitores da sua respectiva casa.

Mais um ano começou em Castelobruxo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não revisei o capítulo, então, peço desculpas pelos erros.