Castelobruxo: Uma história (interativa)
4 O voo quinze
Sua coruja branca estava parada na janela. Seus olhos amarelos observavam a sua dona terminar de escrever uma carta. Após a jovem loira com pele bastante branca terminar de escrever a sua carta, ela a envelopou e entregou para Nevasca. A coruja mordeu o envelope e voou.
Seus olhos castanhos observaram a ave branca voando no céu azul alaranjado que parecia uma arte, mas que demonstrava que a garota acordou muito cedo. Após isto, ela tirou seu pijama e vestiu roupas cinzas e colocou um chapéu cone da mesma cor. Ela saiu do quarto e foi caminhando levemente, como se quisesse evitar que alguém acordasse.
A jovem saiu do estabelecimento e começou a caminhar pelas ruas da Rua Centopeia, chamada assim devido a grande estrada do centro com várias outras perpendiculares a mesma, lembrando uma centopeia. Poucos bruxos estavam caminhando por lá, pois ainda estava cedo.
Ela olhou para um garoto de cabelos castanhos um pouco rebeldes que estava parado em frente a uma loja de animais e sorriu. Quando ia se aproximando, os olhos verdes do garoto viraram em direção da jovem e ele sorriu.
—Pensei que ainda estivesse dormindo... — disse o garoto, claramente em um tom leve de deboche. A garota deu um leve olhar com um tom de irritação para ele, que foi retribuído com um sorriso.
—Minha tia não sabe que estou aqui. Ela ainda está dormindo...- disse ela.
—Deveria ter contado que iria sair, Laurel. — disse o jovem, cruzando os braços.
—Eu não vou receber uma lição de moral agora. Vamos logo! — disse ela.
Os dois caminharam até a loja de vassouras chamada 'Pomo de Prata'. No letreiro, um desenho de um pomo de ouro prateado voava em volta das palavras.
—Você realmente está pensando em fazer o teste para apanhador da nossa casa esse ano? — perguntou Laurel. Sua voz demonstrou um pouco de preocupação.
—Você e seu medo de alguém cair enquanto voa.- disse o garoto. — Eu sou um ótimo apanhador. — disse o garoto, com os olhos fechados e sorrindo levemente. Ele olhou para a garota e bagunçou os cabelos loiros dela carinhosamente. — Não se preocupe.
—Como você sabe que é um ótimo apanhador? — perguntou ela.
—Já treinei com um amigo no campo de quadribol da escola.
—Tales, você só vai saber quando apanhar o pomo de ouro mais rápido do que o apanhador do outro time. — disse ela.
Os dois abriram a porta da loja e Laurel foi olhar algumas vassouras, querendo ajudar o garoto na procura, mas ele já parecia ter decidido qual iria comprar. Ela deu alguns passos acelerados para se aproximar do garoto e viu que ele caminhava em direção a uma firebolt exposta.
—Você vai comprar aquela vassoura? — perguntou ela.
—Vou encomendar uma. Minha mãe me deu dinheiro para eu comprar. — disse Tales.
O jovem conversou com o dono da loja e resolveu tudo, depois se retiraram do local e foram tomar um sorvete em uma sorveteria chamada 'Balaço'. Tales pagou uma casquinha com dez bolas de sorvetes coloridas empilhadas magicamente para a garota loira e comprou uma garrafa de cerveja amanteigada para si. Quando a garota pediu para ele um pouco da bebida, o garoto negou, pois apesar de não ser forte, ela ainda tinha álcool.
Após caminharem muito, os dois iniciaram uma conversa sobre castelobruxo e o assunto os levou a falar sobre as caiporas. Tales e Laurel fizeram uma disputa de histórias para saber qual dos dois sofrera mais com as traquinagens das criaturas, que gostavam de entrar no castelo no anoitecer para acordar estudantes com baldes de água. Muitos não entendiam como as caiporas conseguiam invadir os dormitórios e alguns defendiam a teoria de que elas podiam atravessar paredes. Por fim, Tales ganhou a discussão, por já estar no quinto ano, enquanto Laurel estava no segundo.
Os dois foram almoçar e, ao entrarem em um restauranre, Laurel viu um garoto magro de cabelos castanhos e pele branca que havia derrubado seu pacote de feijõezinhos de todos os sabores há alguns dias na escada. O garoto, que era o único usando roupas de pessoas normais no estabelecimento, escondeu o rosto com o jornal ao notar a presença da garota. Tales notou uma expressão de irritada surgindo no rosto da garota e olhou para o jovem de cabelos cacheados e castanhos que estava escodendo o rosto com o jornal.
—Há algum problema aqui? — perguntou ele.
—Aquele garoto derrubou meu pacote de feijõezinhos de todos os sabores. — disse ela. Tales olhou para o garoto, pensando que ele tinha feito algum tipo de brincadeira com a amiga, mas percebeu que ele parecia apenas ser um jovem introvertido.
—Sabe, em algumas situações, eu te defenderia, mas não acho que aquele garoto teria coragem de chegar em alguém só para derrubar um pacote de...- dizia ele, até ser interrompido por Laurel.
—Ele não derrubou de propósito. Ele tropeçou na escada e me derrubou junto. — Tales olhou para a garota e preferiu não dizer nada. Os dois se sentaram e almoçaram.
***
As pessoas normais sempre achavam estranho aquele dia do ano. Todo dia vinte de janeiro, o aeroporto de Congonhas se enchia de gente estranha usando capas e alguns até usavam chapéu cone. Alguns achavam que havia um festival de Idade Média nesse dia.
Esses estranhos sempre viam acompanhado de jovens carregando malas, malões, corujas, sapos e outros itens estranhos, como vassouras. Eles sempre pegavam o voo quinze. Algumas pessoas, por curiosidade, já tentaram pegar o voo quinze, mas nunca puderam comprar. Algumas pessoas normais já até usaram fantasias, mas nunca conseguiam pegar esse voo. Apenas esses estranhos conseguiam.
Brandon entrou no avião, as nove e quarenta em cinco. O exterior do avião parecia igual a qualquer outro, mas o interior é diferente de qualquer avião. O interior do avião quinze tinha um corredor e centralizado e várias portas nas paredes da esquerda e da direita. Mas isso não era tão surpreendente. A surpresa vinha quando você entrava em algumas das portas, pois elas, aparentemente, levariam para um simples cômodo que caberia, no máximo, umas oito pessoas. Porém, quando se entrava em algum desses cômodos, o interior era muito maior, pois era uma casa de dois andares e com cinco quarto em cada andar, cada quarto cabendo dois alunos. Além de ter cozinha, banheiro e sala.
O chão tinha um tapete vermelho e as paredes eram vermelhas. Ao entrar no local, havia um três sofás e uma mesa no centro entre os sofás. A cozinha era separada da sala por um balcão com algumas cadeiras de madeiras. Dentro da cozinha não havia tapete no chão, pois o mesmo era feito de cerâmica.
Uma escada circular estava localizada em um canto da sala e levava para o primeiro andar, que tinha apenas corredores e quartos, assim como o segundo.
Brandon entrou na casa de número dois, como dizia no cartão de localização que recebeu. Ao entrar lá, viu um jovem de cabelos negros e uma pele alva que estava lendo um livro de feitiços do primeiro ano. Brandon tentou dizer um 'oi', mas sua voz não saiu e ele desistiu da tentativa.
Ele notou que um gato siamês estava deirado no colo do garoto, que estava sentadode pernas cruzadas no chão. O garoto só notou a presença de Bran quando Nif soltou um pio alto. O garoto olhou para Bran e ficou tão desconfortável com a situação quanto o mesmo.
—Você foi o único que chegou aqui? — perguntou o Bran, nervoso. O garoto balançou a cabeça em sinal de sim. Bran sorriu levemente, como agradecimento, e subiu as escadas para o primeiro andar.
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