Castanho Avermelhado
3 Capítulo 03 — Para Terminar Bem O Dia: "A Surpresa"
Notas iniciais
CASTANHO AVERMELHADO
Para Terminar Bem O Dia: "A Surpresa"
by Miss Hope
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Abrir as portas da guilda era algo duvidoso a se fazer, afinal, nunca se sabe o que se esperar daquele maravilhoso ambiente.
Uma vez, Lucy abriu a porta e quase fora acertada por um dos barris do bar da guilda, outra vez fora uma cadeira e outra fora Pantherlilly.
Acontece. Fazer o quê?!
Quando as quatro magas entraram, pensaram em conferir se estavam no local certo – coisa feita por Lucy –, pois aquilo estava longe de ser o normal da Fairy Tail, a guilda mais barulhenta de toda Fiore.
A maioria dos magos estavam sentados devidamente nas mesas da guilda, alguns sentavam-se – literalmente – na mesma, outros estavam de pé, outros encostados nas pilastras – era o caso de Gray, Laxus e o Raijinshuu; ao lado deles, Natsu estava sentado no chão, de pernas cruzadas, com um dos cotovelos apoiado no joelho e o punho sustentando o queixo. Tinha uma feição entediada.
Wendy, Romeo e os exceeds estavam sentados num canto da guilda, atentos a qualquer movimento ou fala do mestre, na mesa ao lado estava Gajeel.
Macao e Wakaba estavam no bar, aonde Mirajane sentava-se no balcão, na companhia de Cana. Ao lado das mulheres estava o pequenino Makarov, de braços cruzados, olhos fechados e testa franzida.
— Pirralhos! Desde que voltamos do Dai Matoo Enbu, vocês só tem causado o caos durante os trabalhos realizados! – disse o mestre irritado. – Olhem a porcaria da pilha de reclamações dos clientes. – apontou uma pilha razoavelmente grande do seu lado esquerdo. – Agora, olhem todas as reclamações do conselho!! – ok, a pilha do lado direito era assustadora.
Uma gota surgiu na cabeça de Lucy.
Não era possível que eles tenham causado tantos problemas assim. Faziam apenas dois meses que haviam voltado de Crocus e nem todos haviam pego algum trabalho.
Se bem que nos três trabalhos que saiu na companhia de Natsu, ele destruiu metade de um vilarejo, incendiou uma floresta e fez a casa do cliente desmoronar. Isso sem falar nos desastres que aconteceram nos trabalhos junto com Erza e Gray.
Podiam ser o time mais forte, mas também eram o mais catastrófico.
Sabia, também, que Laxus e Raijinshuu não haviam tido muito sucesso quanto ao cuidado nos trabalhos, mas será que atingir um raio em uns 50% da população de uma pequenina vila ali próxima dava tinha tanto problema assim? Provavelmente, se somado aos outros 50% que tinham sido transformados em pedra – temporariamente – ou sido presos em runas durante 24 horas.
É... Talvez desse certa dor de ouvido no conselho e eles viessem a fazer reclamações.
Isso sem falar nos outros times... Tremia só de pensar nas confusões que Elfman e Mirajane causariam se fossem em trabalhos juntos. Por si só já era um desastre total.
Até mesmo Levy tinha tido problema nos trabalhos e causado alguns problemas para o cliente.
— Rōjin, isso é realmente importante? – a causa da veia saltada na testa do mestre era Laxus Dreyar, seu neto.
— Se isso é importante? – uma aura sombria ficou envolta em Makarov, um tique no olho esquerdo e aquela veia saltada na testa foi o suficiente para o desespero de Lucy, que já esperava o pior. – Não.
Dito isso, o mesmo colocou fogo em ambas pilhas, como se nada fosse.
— A merda o conselho! – disse sorrindo como um menino travesso.
Essa cena era extremamente familiar para Lucy. Colocou a mão no queixo e tentou lembrar-se aonde já havia visto essa cena que mais parecia um déjà vu.
— Oe, jin-san, por que nos chamou então? – Gray perguntou entediado.
O velhinho colocou o punho na frente da boca e pigarreou, não porque precisava, mas porque não lembrava-se de como havia ensaiado – há meia hora – o melhor modo de dar a notícia para aquelas crianças petulantes.
— Pirralhos, além das típicas reclamações, o conselho tem uma dívida com nossa guilda, assim como com as outras que ajudaram a acabar com o Projeto Eclipse. – um sorriso brotou no rosto de todos automaticamente. – Porém, apesar de todos nos darmos bem na comemoração no Mercurius, o conselho ainda tem sérias dúvidas sobre o nível de rivalidade entre a Fairy Tail e a Sabertooth.
Sabe quando o coração da uma batida a mais e você sente que ele vai sair do seu peito, sem mais nem menos, mas mesmo seja certo incomodo, não é algo que você repudie – é uma sensação boa, até confortável, apreciada por nós. É como se ele fizesse isso para expressar o que negamos a nós mesmos, forçando-nos a encarar nossos verdadeiros sentimentos.
Fora exatamente essa a sensação que Lucy teve ao ouvir o nome da outra guilda. Seu coração pareceu dar um pulo de felicidade e gritar “esperança” como se fosse um grito de guerra.
— Então... Laxus! Você e seu time estão partindo amanhã para a Sabertooth, para substituir os quatro membros que viram para cá.
Momentos esquisitos sempre acontecem em situações inusitadas, mas aquele silêncio mortal – onde parece que ninguém nem respira – era algo preocupante.
Makarov já esperava tal reação dos membros da guilda, melhor isso do que uma revolta total, com os membros da guilda todos furiosos com ele por avisar tal coisa assim, tão repentinamente. Ele teve muito tempo para poder avisá-los, para ser exato ele teve esses dois meses que se passaram para avisá-los e decidir quem iria para a Sabertooth, mas ficou enrolando.
Achou que era somente uma palhaçada a mais do conselho, a qual ele deixaria de lado e faria churrasco do papel lhe entregado – assim como fazia com as diárias reclamações que recebe.
Aquilo, na verdade, não era palhaçada alguma.
Descobriu isso naquela manhã, quando chegara uma carta do conselho perguntando quais seriam os membros que iriam para a Sabertooth.
Desesperou-se, é claro.
Nem havia pensado em qualquer possibilidade e não sabia de ninguém que concordaria com tal proposta. Por este motivo, colocou o nome do único membro que tinha uma influência maior imposta por genética: seu neto, Laxus.
Com isso: problema resolvido!
Se Laxus fosse, ganhava os outros três nomes para colocar no papel. Raijinshuu sempre seguiria Laxus, portanto nem ao menos deu-se ao trabalho de perguntar se acompanhariam o neto ou não, a resposta seria “sim” – unanime.
Por que de toda aquela confusão?
Simples.
O conselho queria um voto de confiança das duas guildas.
Afirmaram que era para um bem maior, ou seja, queriam ter certeza que a destruição eminente de qualquer lugar de Fiore não ocorresse caso os membros de ambas guildas se encontrassem.
Voto de confiança maior do que trocar os membros das guildas?
Desconhecia.
Contudo, eles tinham a razão do lado deles.
Makarov também tinha certas dúvidas sobre a relação dos seus membros com os da outra guilda. Afinal, o primeiro encontro de Natsu e Sting Eucliffe já não tinha sido as mil maravilhas e dali em diante só veio a piorar. Portanto nada garantia que, do dia para a noite, eles fossem simplesmente esquecer todos os acontecimentos anteriores entre si somente porque evitaram o domínio dos dragões e salvaram toda a população Fiore.
Makarov só precisava convencer seus membros a concordarem com o conselho, caso contrário, ele desconhecia as consequências.
Os pensamentos dele não deixaram ver o que estava acontecendo.
Assim que o mestre perdeu-se nos pensamentos, Cana gritou para festejarem a partida de Laxus e do Raijinshuu.
Claro que todos os membros concordaram.
Mesas e cadeiras voavam. Os membros conversavam, riam e brigavam entre si. Alguns jogavam cartas e outros simplesmente bebiam até caírem da cadeira – vulgo: Cana. Erza separava Gary e Natsu, que não perderam tempo e voltavam a brigar no segundo seguinte, levando mais pancadas na cabeça. Lucy e Levy comentavam sobre a decisão do conselho. Laxus e o Raijinshuu brindavam a escolha do mestre, sobre como eles eram dignos da confiança do velhote e que não o decepcionariam.
Makarov sorriu.
Qualquer coisa era motivo de festa ali. Tudo estava na mais perfeita normalidade.
♠
— Hmm.
A maga celestial estava parada em frente ao mural de pedidos, tentando escolher um trabalho.
Não era como se ela precisasse fazê-lo agora, não mesmo.
Depois que voltaram vitoriosos do Dai Matoo Enbu, seu aluguel ficou garantido por três meses, já que o dinheiro fora dividido entre os membros participantes e Natsu, Erza e Gray lhe deram sua parte do dinheiro para ajudar com o aluguel – já que eles passavam a maior parte do tempo na casa dela, disseram que era justo ajudarem-na com as despesas.
Sorriu ao relembrar dos momentos esquisitos que já aconteceram em seu apartamento. Natsu, diariamente, entrando sem ser convidado, dando-lhe boas vindas quando chegava da guilda e ele já estava dormindo em sua cama ou esvaziando sua geladeira.
Gray, estranhamente, havia adotado o hábito de entrar pela chaminé, sempre para procurar sua história, dizia que estava morrendo de curiosidade em saber como estavam as coisas na história, mas é claro que ela arrancava os papeis das mãos dele antes do mesmo conseguir ler mais de uma única frase.
Erza estava lá constantemente, sempre na companhia de Levy ou, até mesmo, Juvia.
Depois dos jogos todas elas ficaram mais próximas, então simplesmente comiam alguma coisa e ficavam jogando conversa fora. Às vezes, elas mexiam em suas coisas e ficavam um pouco assustadas com as roupas íntimas de Lucy, como se elas não usassem algumas iguais ou até piores.
— Lu-chan! – a maga azulada Solid Script apareceu magicamente ao lado da loira, segurando seu braço e olhando-a com os olhos pidões. – Vamos fazer um trabalho juntas? Preciso de dinheiro para o aluguel na Fairy Hills. – disse como uma criança que pede um doce.
— Claro Levy-chan.
— Aye! – Lucy assustou-se com o som que saiu da boca da outra maga. A loira tinha certas dúvidas de que haviam efeitos colaterais ao passar muito tempo perto de Happy. – Então vem, encontrei um perfeito. – disse mostrando o papel para a maga celestial.
Era um trabalho simples. Encontrar uma raiz medicinal mágica e extremamente rara – Yakō-sei rūto – que somente crescia no extremo leste de Magnólia, no começo da Floresta Leste. O papel só dizia que a raiz era inconfundível, crescia embaixo de um musgo branco e tinha lascas de cristal na polpa, as quais lembravam estrelas.
Depois, teriam que entregar a raiz para o Sr. Okumura, em Hargeon.
A recompensa era de 150,000 jewels e uma Chave de Prata, Caelum.
Os olhinhos da maga celestial brilharam naquele momento. Procurava a chave a muito tempo e finalmente havia alguém querendo entregar-lhe de bandeja. Sendo assim, ajudava Levy com o aluguel e ainda conseguia o que tanto procurou.
Dois coelhos com uma cajadada só.
Abraçou a maga azulada assim que saíram da guilda, depois de Levy avisar Mirajane, claro, e logo saíram atrás da bendita raiz.
♠
Chegou de Hargeon morta, escancarando a porta do apartamento, clamando por sua cama.
Tinham encontrado a raiz facilmente. Era linda. O problema, mesmo, fora encontrar o maldito do Sr. Okumura. O homem parecia estar brincando de esconde-esconde com elas. Foram até sua casa, nada dele. Foram até a loja, nada dele. Levou umas duas horas até ele retornar para a loja e elas receberem a recompensa e poderem voltar até Magnólia.
Deitou a cabeça no travesseiro e ali adormeceu.
Lucy não sabe ao certo se havia dormido por um minuto ou uma hora, ela somente sabia que o som irritante de alguém batendo, incessantemente, na porta de seu apartamento.
— Oe. Só um segundo. – gritou com a voz sonolenta.
Abriu a porta na maior calma do mundo, não tinha acordado completamente ainda. A soneca tinha apenas lhe dado mais sono do que já tinha antes de se deitar, mas é claro que aquele dia não tinha acabado sem “A Surpresa”.
— Levy-chan? – perguntou, bocejando em seguida. – O que foi, Levy-chan? Está tarde.
— Eu sei, eu sei. Gomen. – disse, passando a mão pelo rosto. – Só que eu não sabia o que fazer com ele e daí eu pensei que você poderia me ajudar, então eu vim aqui. – falou a maga num único fôlego.
— Ele? Ele quem? – perguntou a loira confusa.
Levy suspirou e moveu-se para o lado, relevando a ‘pessoa’ atrás dela.
O corpinho pequeno estava tremelico e olhava para os lados, como se procurasse alguém. Tinha uma das mãozinhas fechada e outra na boca, mordendo-a pelo nervosismo e tinha os olhos lacrimejando levemente.
Todo e qualquer sono que a loira possuía naquele momento parecia ter evaporado com seu arregalar de olhos.
— FROSCH!!
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