Castanho Avermelhado
2 Capítulo 02 — Algo Incrível Vai Acontecer
Notas iniciais
CASTANHO AVERMELHADO
Algo Incrível Vai Acontecer
by Miss Hope
.
Como em todos os dias em Magnólia, tudo acontecia de acordo com as leis da natureza: o sol nascia lindamente no leste, passarinhos cantavam alegremente dando uma sintonia de conto de fadas para as ruas da cidade, as pessoas abriam as janelas de suas casas com um sorriso no rosto – como se fosse o melhor dia da vida delas.
Ok.
Talvez esse não fosse realmente como as coisas aconteciam ali.
Não pelo fato de ser ou não ser Magnólia, mas, convenhamos, aonde – nesse mundo – todos abrem as janelas de casa com um sorriso no rosto em plena aurora? Em lugar nenhum.
Não era assim, porém, que Lucy Heartfilia via as coisas
Talvez fosse pelo fato desse ser seu ritual matinal colocar a cabeça para fora da janela e sorrir para o nada, como se aquilo fizesse seu dia melhor do que poderia ser; ou talvez fosse pelo fato disso confortá-la e dá-la um propósito para sair de casa com um sorriso no rosto. Talvez, isso lhe desse esperança.
Ela tinha um único pensamento em mente quando fazia isso, o de que algo incrível aconteceria naquele dia... Exatamente o que, ela não sabia. Muitas vezes, nada acontecia, mas, no final das contas, ela analisava o dia todo em ordem cronológica e de trás pra frente até encontrar algo de muito bom que acontecera naquele dia, nem que fosse somente a deliciosa vitamina de baunilha e morango que tomava no café da manhã na Fruits Park.
Parada ali na frente da janela, perdida nos pensamentos, com certeza não seria a melhor maneira de deixar que “algo incrível” acontecesse naquele dia, teria de vive-lo para isso.
Balançou a cabeça, ainda sorrindo, vagando pelo quarto em busca de uma muda de roupas para poder tomar seu relaxante banho de banheira matinal, mas não encontrou nada de muito especial ou que lhe agrada-se, portando decidiu que procuraria por alguma roupa depois.
Prendeu o cabelo e entrou na água quente, suspirando.
Permitiu-se fechar os olhos por alguns segundos depois de ensaboar-se, mas é claro que uma manhã tranquila e normal não se encaixava muito na rotina da maga celestial.
— Ohayō, Luce.
Aquela voz, alta e alegre por mais que tivesse um tom sonolento, estava muito perto dela, perto demais!
Perigo! Perigo!
O alerta na mente de Lucy foi inconscientemente acionado, provocando um arregalar de olhos exagerado dela e a fez cobrir os seios desnudos com os braços.
— Hentai!! – girou assim que colocou os olhos no rapaz de cabelos rosados, cujo qual fez uma careta de desgosto pelo volume usado pela loira, seus tímpanos sensíveis eram ainda mais sensíveis pela manhã.
Natsu, no entanto, não teve tempo de expressar seu desgosto pela ação da nakama ou de expressar qualquer coisa que fosse, pois foi logo atirado da banheira por um Lucy Kick bem no meio da fuça.
A questão seguinte, na cabeça da maga, fora se ela arrependia-se ou não de tê-lo feito.
a) Sim, pois agora estava diante da completa nudez do rapaz – a não ser pelo fiel cachecol amarrado na cabeça. O dito cujo estava estatelado no chão com a bunda virada na direção da maga loira, essa que encarava descaradamente o rapaz ou sua bunda, tanto faz.
b) Não, pois isso impedira o mago rosado de ver a sua nudez – não que isso adiantasse muito, já que o rapaz parcialmente inconsciente no chão de seu banheiro já havia lhe visto nua e, pior, lhe tocado... Impropriamente, coloquemos assim.
Enquanto a loira continuava a ponderar sua decisão, Happy (o neko – exceed – azul que pertencia ao ser no chão do banheiro e que gostava de enrolar a língua e chamar-lhe de “estranha”), entrou pela janela do banheiro e, assim que deparou-se com a cena, olhou maliciosamente para Lucy por meros dois segundos – segurando o riso para não ser atingido com o Lucy Kick – e logo depois voou até o amigo rosado, chorando e perguntando a Lucy o porque dela ter matado Natsu de forma tão “fria” e “desumana” – segundo o neko, ela deveria ao menos dar a dignidade de Natsu partir, desta para uma melhor, apropriada e completamente vestido.
— Luce... Sua bruta.
Salva pelo gongo. Não. Pelo Natsu mesmo.
Ouvindo a voz do rapaz, a loira dirigiu um olhar mortal ao neko, que até aquele momento continuou falando sobre como ela era uma pessoa cruel e sem coração.
O azulado olhou para ela com os olhos esbugalhados e dirigiu-lhe um sorriso amarelo, voltando-se para Natsu e abraçando-lhe e agradecendo por ele não estar morto.
O rosado riu com a fala do gato e levantou-se, pouco importando-se com a nudez.
Depois Gray quem é o pervertido. – pensou a loira.
— Isso é maneira de cumprimentar um nakama, Luce? – o rosado adquiriu uma feição falsamente chateada e que beirava a indignação.
— Você invadiu meu apartamento e usufruiu da minha banheira! – começou a loira.
Ela é quem estava indignada e com razão, mas não aos olhos do rapaz de cabelos rosados, que cruzou os braços e ergueu a sobrancelha, assustando um pouco a loira, já que ele parecia sério de mais para sua típica personalidade brincalhona.
— É cedo, Luce. Não use palavras difíceis. – disse franzindo a testa e olhando para o neko azul voando entre os dois magos, que sussurrou um “estranha”, recebendo um aceno confirmativo do rosado.
Quando ela entrou na Fairy Tail, as mudanças repentinas de humor que Natsu sempre teve, tem e terá, assustavam-na. Somente com o tempo ela aprendeu a não demonstrar sua surpresa com elas, mas nunca com total êxito.
O momento seguinte fora um desses os quais Lucy não consegue camuflar sua surpresa, inquietação ou qualquer que seja a reação dela perante as mudanças repentinas de humor do Dragon Slayer de Fogo.
Digamos que o fato dele, com sua nudez, dar passos rápidos em direção a ela, também nua e somente com o vapor que vinha da banheira para esconder – male mal – tal situação; e segurar-lhe o pulso com uma feição séria, não foram os mais encorajadores.
Surpresa maior fora ele abrindo seu típico sorriso-tenho-trinta-e-dois-dentes e puxando-a pela casa até a porta, quase abrindo-a e saindo por ela, arrastando a loira junto – agora enrolando-se – tentando, ao menos – na toalha que pegou antes de ser puxada banheiro a fora.
— ‘Tá maluco, Natsu? – gritou jogando-se na porta e impedindo-se que ele saísse por ali.
— O que foi, sua estranha? – perguntou, confuso.
Ela apontou para o corpo dele, não querendo colocar em palavras os pensamentos e explicações do porque ele não poder sair de seu apartamento. Claro que o rapaz não entendeu e somente fitou-a como se ela fosse estranha – opinião já expressada e conhecida pela garota.
— Você não pode sair na rua assim! Vá se vestir. Agora! – disse, sentindo o rosto pegar fogo e cobrindo os olhos.
Natsu, por sua vez, rolou os olhos achando uma besteira dela falar daquele modo. Se ela queria que ele colocasse as roupas, era só pedir, não precisava gritar com ele – pela segunda vez naquela manhã. Ele apenas havia se esquecido da situação em que se encontrava-se, poxa. Era meio esquecido e desastrado, mas ela não era nenhum ser perfeito para agir daquele modo.
— Estranha. – sussurrou.
Ele nunca perdia uma chance de chama-la assim.
♠
Depois de conseguir fazer o rosado vestir-se e deixa-lo meio caminho da guilda, seguiu seu próprio até a Fruits Park.
O ambiente calmo sempre agradou a loira.
Ter achado aquela doceria tinha sido uma das melhores coisas que acontecera... Se bem que ela não tinha descoberto por si só, Erza arrastou ela, Juvia e Levy até aquele local antes de partirem para o Dai Matoo Enbu, para fofocarem sobre variados assuntos, incluindo rapazes em especial.
Sentou-se numa mesa próxima a janela e esperou que alguém fosse lhe atender.
Começou bem o dia, Lucy! Quase matou o Natsu no seu banheiro.
Apoiou o cotovelo na mesa e cobriu o rosto vermelho com uma mão, lembrando-se da situação inusitada pela manhã.
Quase matou um Natsu nu no seu banheiro! E, ainda por cima, aproveitou-se da situação para ficar olhando o corpo dele. O menino estava desacordado. Mais ou menos, mas mesmo assim... Que horror, Lucy! Sua safada aproveitadora de quinta categoria.
Trincou os dentes.
Sua inner conseguia ser pior do que Happy na arte de infernizá-la.
— Lucy-san, o que deseja? – a voz estranhamente familiar retirou-lhe dos pensamentos.
— Li-Lisanna?!
Fora outra surpresa no dia da maga celestial encontrar Lisanna parada ao lado de sua mesa, com uma bandeja nas mãos e vestindo o uniforme de maid vermelho da doceria.
— Tudo bem, Lucy-san? – a albina sorriu de forma simpática, ficava muito parecida com Mirajane olhando daquele jeito, com os olhos fechados e os lábios fechado numa curva suave, formando um sorriso.
— S-sim e você? – perguntou tentando ser educada e disfarçar a surpresa.
— Muito bem, obrigado. Já decidiu o que vai pedir? – perguntou, olhando a loira curiosa.
A albina sabia que ela tomava café da manhã quase todos os dias ali na doceria. Era compreensível, além de ser uma das melhores docerias de Magnólia, ficava numa distância razoável até a guilda.
— Hai, hai. Quero uma... – olhou novamente o cardápio, pensando se não estava na hora de mudar alguma coisa em seu dia, talvez isso facilitasse que algo de incrível acontecesse.
— Ouvi dizer que o mocaccino daqui é ótimo. – soou a voz melodiosa de Levy McGarden atrás de Lisanna.
A azulada havia acabado de chegar ao local, na companhia de Erza Scarlet.
— Hai. Poderia trazer um para mim, por favor, Lisanna? E uma fatia do bolo de morango, também. – disse a ruiva com os olhos brilhando na expectativa de encontrar-se com seu precioso bolo de morango.
— Hm, vou querer um smoothie de blueberry, por favor, Lis-chan. – disse a azulada calmamente, enquanto sentava-se ao lado de Lucy.
A albina assentiu e voltou a olhar para a loira, em expectativa.
— Vou querer o especial de hoje, Lisanna-san. – decidiu-se finalmente.
— Então é um mocaccino e uma fatia de bolo de morango pra Erza, um smoothie de blueberry pra Levy e um kyaramerukōhī pra Lucy.
Assim que a albina saiu, Lucy voltou o olhar para as duas magas que sentaram-se na sua mesa.
— Ah, sim. – pronunciou-se Levy, batendo na própria testa. – Ohayo, Lu-chan. – disse Levy sorrindo e abraçando a maga celestial.
— Ohayo, Levy-chan. Erza. – disse sorrindo e sendo retribuída. – Sem querer ser rude, mas o que estão fazendo aqui?
— Estávamos te procurando, Lu-chan.
— Hai. Natsu disse que você poderia ter vindo aqui, depois de contar que você quase o matou no seu próprio banheiro.
Lucy ficou branca com a notícia.
Por que ficara surpresa que o rosado já tinha espalhado sobre o ocorrido da agitada manhã em seu apartamento? Não é como se fosse algo super secreto e que ninguém pudesse saber, mas o pessoal da guilda nunca consegue interpretar nada como “um simples acontecimento” – sempre existe um motivo para tal, esse geralmente pende para o lado malicioso da coisa.
Pelo menos ele não falou a situação completa. – pensou.
E nem que você ficou encarando a bunda dele.
Obrigado senhorita óbvia. Inner, sempre tão prestativa. Dá até orgulho.
As meninas ignoravam a careta que Lucy fez durante sua pequena discussão interior.
— Não foi bem assim... Eu não tentei mata-lo. Foi um acidente. – disse a última parte baixinho, como se estivesse envergonhada da situação, arrancando risos das magas.
— Isso não é o pior...
— Como assim?
— Happy saiu gritando, depois que Natsu soltou isso, que você tentou mata-lo quando ele estava... – a azulada não conseguiu terminar, pois havia soltado o riso que estava segurando desde a vinda da guilda até a doceria.
— Levy, não ria. – disse Erza séria. – Lucy e Natsu tem direito de fazerem o que bem entenderem quando estão sozinhos. – disse virando o rosto, tentando esconder a vermelhidão por pensar no que os dois magos faziam quando sozinhos.
Lucy absorveu a frase de Erza e quando processou a informação, seu rosto passou de um leve rosado nas bochechas para vermelho e depois para o roxo, em meros segundos.
Seria cômico se não fosse trágico.
— N-não é n-na-nada d-di-dis-disso!
As duas magas olharam para ela, envergonhadas por se meterem na vida pessoal da amiga sem a permissão da mesma.
— Lu-chan, não tem que esconder de nós. – disse Levy, incerta.
— Esc-esconder o q-q-que?
— Que vocês dois tem um caso, oras! – disse Erza, com seu jeito Erza de ser, curta e direta. Não havia tempo para rodeios.
— Não temos. – disse Lucy, ainda envergonhada com a acusação.
— Lu-chan! Somos amigas! – a azulada parecia indignada com a falta de consideração de Lucy por elas.
Não é como se elas fossem julgá-la, afinal a vida é dela e não é como se Natsu fosse um rapaz ruim, às vezes era meio inocente demais, mas não era feio, muito pelo contrário, era quente, no sentido literal e não literal.
Não é, também, como se Lucy não tivesse consideração por elas. Tinha até demais. Só que não havia o que contar ali.
Ela e Natsu eram apenas amigos... Não eram? Claro que eram! Tudo bem que Lucy tinha mais facilidade de se relacionar com Natsu do que com qualquer outro homem da guilda – até mesmo com Gray ela tinha certa dificuldade e timidez, às vezes, principalmente por não querer comprar encrenca com Juvia.
O que ela e Natsu tinham, porém, era apenas amizade. Tirando o fato deles já terem visto um ao outro nus, nada demais havia acontecido. Apenas isso.
Você fala como se fosse algo corriqueiro. Tenha vergonha mulher.
— É sério, meninas, não tem absolutamente nada acontecendo entre eu e o Natsu.
Colocando isso pra fora, chegava até a estranhar a possibilidade de algo acontecer entre eles dois, eram melhores amigos e não namorados. Simplesmente não combinavam.
— Quando estiver pronta para conversar sobre isso, Lucy, lembre-se de que vamos estar aqui, ok? – disse Erza calmamente, pegando na mão da loira.
Segundos depois, a conversa fora encerrada graças a Lisanna, que trazia os pedidos delas na bandeja, perfeitamente equilibrada.
Depois do papo esquisito sobre sua não existente relação com seu colega de time, as três meninas conversaram sobre coisas banais – como trabalhos recentes, sapatos, doces, o relacionamento não tão secreto de Elfman e Evergreen e sobre quando Erza iria finalmente colocar Jellal contra a parede.
O último fora uma vingança pessoal da loira.
— ERZA-SAN!
Um borrão azul corria pela doceria chamando por Erza, finalmente encontrando-a no balcão, pagando a conta junto com as duas outras magas.
— Juvia-chan?
Juvia, que estava apoiando as mãos nos joelhos, recuperando o fôlego, sorriu para as três magas.
— Juvia veio avisar Erza-san que o mestre quer todos na guilda.
— Essa hora? – perguntou Levy para Lucy, que deu de ombros.
— Por que Juvia? – perguntou a ruiva, séria.
— Makarov-san disse que tem um pronunciamento importante a fazer e pediu para que Juvia encontrasse você, Levy-san e a rival no amor. – pronunciou-se para Lucy com uma aura negra envolta em si, fazendo a loira ter tremeliques.
As três suspiraram.
As compras teriam que ficar para outra hora.
Fale com o autor