Cassis
7 Capítulo 7
“Amanhã, mesmo que você não possa me ver, com certeza continuarei te amando.”
Passei a noite em claro só imaginando a cena do Kouyou se distanciando cada vez mais a cada segundo que o carro do pai dele se movimentava a sentido de Hokkaido. Levantei da minha cama onde passei boa parte da noite pensando na expressão triste que tomou o lugar do sorriso doce e contagiante do loiro que me fascinava a cada dia que me encontrava com ele onde quer que fosse, na escola, no shopping e entre muitos outros lugares, fui para a casa do Kouyou e os garotos me esperavam na portaria do prédio.
Eu não os teria notado se Miyavi não tivesse pulando nas minhas costas na tentativa frustrada de me fazer dar um sorriso que fosse, o que o deixou ainda mais intrigado quando não conseguiu. Chegando a companhia deles, agora só faltava o motivo de estarmos ali descer. Como de costume, fomos todos para o playground e ficamos ali o esperando. Alguns minutos ali sem trocar qualquer palavra foram quebrados quando Kouyou apareceu no playground. Todos o encarávamos, eu principalmente, e ele encarava apenas a mim. Desviei seu olhar ainda mais com a dor forte que começou a reinar em meu coração, ele veio ao nosso encontro e quebrou o gelo.
_ Estou... Feliz por terem vindo!
_ Sabe que vamos aproveitar até o ultimo momento! – Kai deu seu sorriso largo contagiando o Uruha e logo em seguida a todos nós.
_ Estaremos com você sempre mesmo não estando presentes, Uruha-kun! – Ruki disparou para cima do loiro maior e o abraçou.
_ MONTINHO NO URUHA! – com apenas um grito do Miyavi, corremos todos para cima dos dois e fizemos o montinho. Tivemos aquele nosso ultimo momento infantil, tivemos nosso minuto criança que nos trouxe sorrisos verdadeiros e felicidade momentânea aos nossos corações. Mas logo em seguida somos abordados pelo olhar, também triste, da senhora Aiko que tentava disfarçar sua tristeza.
_ Desculpe atrapalhar vocês meninos, mas... Já estamos de saída. – aquilo me doeu profundamente, levantamos todo do chão, os garotos foram saindo acompanhando a senhora Aiko até o carro, mas impedi que Kouyou fizesse o mesmo quando lembrei o que meu pai me disse outro dia.
_ Yuu? O que foi? Os outros estão indo lá para fora!
_ Eu sei... Eu vou ser rápido, prometo! – Puxei seu corpo de encontro ao meu o abraçando forte sendo abraçado, instantaneamente, da mesma forma.
_ Então... Diga...
_ Eu... Meio que... Não sei por onde começar...
_ Seria bom do inicio!
_ É... Bom... Eu quero que saiba que... Pode contar comigo mesmo eu estando longe! E... E que... Você é... Você é... Importante para... Mim! – Pronto! Meu rosto queimava de mais e tentava desviar seu olhar penetrante, mais sem sucesso algum.
_ Digo o mesmo quanto você para mim! – agora era ele quem desviava meu olhar e ficava corado e confesso que gostei daquela cena. Estava ficando cada vez mais difícil falar, estávamos ali naquele playground sozinhos e longe do alcance das câmeras de segurança. Não sabia por onde começar. – Eu... Vou sentir muito... A sua falta!
_ E eu a sua! – Ele estava bem próximo a mim, seus olhos brilhavam por conta das lagrimas que os tomaram logo cedo e me encaravam sem desviar em segundo algum. Dei inicio a caricias em seu rosto com as pontas de meus dedos, seus olhos fechavam vagarosamente conforme os movimentos de minhas mãos em seu rosto. Nossos rostos começavam a se aproximar a ponto de sentirmos a respiração um do outro como se fosse a própria. Nossos lábios começaram a roçar um no outro e enfim um beijo se inicia.
Finalmente nos entregamos um ao outro. Nossos lábios estavam colados, sua mão percorria toda a extensão de minhas costas enquanto a outra acariciava meu rosto com uma leveza e carinho dignos de um verdadeiro anjo e nossas línguas se encontravam como em uma verdadeira dança. Aquela língua aveludada me fazia ter ainda mais desejo de beijá-lo, tomá-lo só para mim e congelar o tempo para que aquele momento se eternizasse. O beijo foi se intensificando a cada segundo que se passavam, as unhas dele escorregavam com força em minhas costas me deixando ainda mais extasiado com aquele momento sublime em minha vida.
O pressionei contra a grade do playground deixando nossos corpos inda mais colados e intensificando cada vez mais o beijo e recebendo as caricias em minhas costas, me deixando com calafrios fortes em minha nuca. O ar foi ficando cada vez mais escasso e separamos nossos lábios lentamente, não por estarmos satisfeitos, mas por necessidade de respirar. Ficamos a nos encarar e ele me entrega aquele seu maravilhoso sorriso que me fascinava.
_ Eu sempre... Sempre sonhei com isso... E o incrível é que era bem assim que eu imaginava... – ele estava completamente vermelho como um pimentão e não pude conter o riso. – Eu... Eu... Eu amo você! – ele escondeu seu rosto em meu peito e me abraçou forte. — Sempre te amei, mas nunca tive coragem de falar por que você sempre ficava com as garotas mais bonitas da escola...
_ Eu também te amo, Kouyou! Eu não tinha certeza do que sentia, mais depois percebi que te amava. – o abracei forte e logo a buzina do carro da família Takashima ecoou por toda a extensão do prédio.
_ Chegou a hora! – no afastamos e fomos de encontro a todos que nos esperavam do lado de fora do lugar sem ao menos imaginarem o que aconteceu entre mim e o meu koi.
_ Vamos filho! A viagem vai ser longa! – a mãe sorria para o filho e acariciou o rosto do Uruha. A alegria que senti enquanto beijava-o se passou logo quando ouvi aquela frase. A tristeza tomou seu lugar e deixou a mim e os garotos atordoados vendo o loiro ao encontro ao carro já em prantos. Vi a senhora Takashima respirar fundo e impediu a entrada do garoto no carro. – Não! Filho! Deixa isso pra lá! Você não vai para Hokkaido comigo e com seu pai!
_ O que esta fazendo Aiko? – O senhor Takashima deu um pulo de dentro do carro para fora.
_ Como é mãe?
_ Seu pai pode não confiar nos seus amigos, mais eu confio... E para mim isso é mais do que suficiente! – sorrio e o abraçou forte. Eu não estava acreditando no que meus ouvidos estavam escutando ainda estava estático.
_ O que significa isso Aiko?
_ Significa que eu autorizo o Kouyou, meu filho, a ficar em Kantou na casa de uns dos amigos!
_ Não vai fazer isso! Eu não autorizei!
_ O problema é seu se não autorizou! O filho também é meu e eu digo que ele pode ficar querendo você ou não! Kouyou querido, você quer ficar na casa de quem?
_ Do Yuu! A mãe dele sempre me trata bem e sei que vai me deixar ficar na casa deles! – ele veio de encontro a mim sorrindo e me abraçou com força.
_ Está certo! – ela se aproximou de mim sorrindo assim como seu filho. Kouyou me soltou e agora que estava me abraçando era ela. Eu, por alguns instantes, fiquei corado, mas em seguida retribui o abraço escutando atentamente o que sussurrava em meu ouvido. – Eu vi o beijo de vocês dois e sabia que o Kouyou era apaixonado por você! – ela se afastou de mim e acariciou meu rosto. – Cuida dele para mim certo.
_ Po... Pode deixar... – ela virou-se para o filho o abraçando e depois de um tempo o soltou. – Não se esqueça de me avisar sempre que tiver uma apresentação na escola, certo?
_ Certo mãe! Eu aviso sim! – ele sorriu e voltou a me abraçar, eu estava corado e ainda mais com os outros garotos olhando para nós sem entender absolutamente nada. A senhorita Aiko tirou as malas do Kouyou de dentro do porta-malas do carro depois de muito custo para convencer o marido a entregar-lhe as chaves. As malas estavam a frente de nós e ela permanecia ao lado do marido ainda discutindo com ele.
Depois de nos despedimos deles, os dois seguiram estrada rumo a Hokkaido. Vencemos o primeiro desafio, conseguimos fazer com que Kouyou ficasse conosco. Certo, agora tínhamos outro desafio... Os garotos. Os quarto nos rodearam e ficaram nos olhando sinicamente deixando a mim e ao Kou muito intrigados.
_ O que foi?
_ Eu sabia que vocês se gostavam, mais não pensei que fosse tanto!
_ Para com as frases subentendidas Ru-chan!
_ Há quanto tempo estão de rolo e não falaram nada para nós?
_ Não estávamos de rolo!
_ Mais agora estão né?
_ Er... Bem... Nós...
_ Começaram agora!
_ Eu não devo explicações sobre isso! Só ajude a gente a levar as coisas do Kouyou lá para casa! – peguei duas das malas e os meninos foram ajudando enquanto riam de minha reação.
Chegando a casa, contei para meus pais parte do que aconteceu – claro que não ia contar sobre o beijo logo de cara ou seria capaz de minha mãe ter um ataque — e eles ficaram muito felizes e sem pensar duas vezes, aceitaram a presença do Kouyou em nossa residência. Deixamos as coisas dele no meu quarto e durante a tarde inteira ficamos a conversar, agora sorridentes.
Depois daquele dia eu e Kouyou assumimos um relacionamento sério, com direito a anéis de compromisso e tudo o que temos direito. Enfrentamos um pouco de preconceito da parte dos outros alunos da escola, mas acho que depois de ver como eu e Kouyou nos dávamos bem – bem de mais, se é que me entende – e também com alguns sermões do Miyavi sobre preconceito, fez com que parassem de nos amolar.
Tudo passou a ser tão perfeito aos nossos olhos, ainda mais aos meus, pois tinha a pessoa que mais amava e respeitava ao meu lado e agora tinha certeza de que nada nem ninguém nos separariam. Dias glorioso após o dia que Kouyou disse “Sim” ao meu pedido de namoro vieram torando nossas vidas mais agradáveis.
No fim do ano teve um festival de inverno na escola e chamamos nossos pais e parentes mais próximos para assistir as apresentações. Desta vez não deixamos para a última hora para fazer as canções como no festival que teve antes dos pais do Kouyou se mudarem. Deixamos tudo pronto semanas antes da semana dos preparativos, ficando assim com mais tempo para ensaios e os preparativos dos figurinos pela senhora Uke. Desta vez, Miyavi resolveu se apresentar sozinho após a nossa, aceitamos depois dele muito insistir.
No dia da apresentação, tanto a nossa apresentação quanto a do Miyavi fez o povo que estava assistindo delirar e a pular como loucos. Após as apresentações e horas de conversa com a senhora Takashima, que havia viajado horas de carro, sozinha só para assistir a gente, um homem desconhecido – ao menos de mim e dos garotos – se aproximou.
_ Olá Senhorita Takashima!
_ Oi! Tudo bem?
_ Sim! Estes são os garotos que me falou não é?
_ Sim! Este é meu filho... Er... Uruha! – abraçou o Kou que sorriu sinicamente para a própria mãe.
_ Ah! Aprendeu meu apelido! Quanto tempo levou pra decorar? Dois anos?
_ Muito engraçadinho! Meninos, este é um amigo do pai de Kouyou, ele é dono de uma gravadora em Osaka e por ele ter vindo aqui falar com vocês diria que ele adorou o desempenho de vocês no palco.
_ Certíssima! Parece que tem facilidade em lidar com o público! É como se fizessem isso há anos!
_ É por ai senhor... Er...
_ Ah... Que falta de educação da minha parte... Prazer! Me chamo Takahara Keiji
_ Prazer senhor Takahara!
_ Garotos, vocês têm muito talento... Não só os garotos que forma a banda, você que cantou sozinho também. – Ele tirou um cartão do bolso do seu sobretudo e entregou na mão do Ruki que ficou a fitar o cartão. – Quando terminarem a escola ligue para esse telefone! Ficarei honrado em recebê-los em minha gravadora. — Ficamos pasmos com o que ele havia nos dito. Custou para que assimilássemos todo o acontecido quando, como por impulso, Miyavi toma a frente.
_ E que mal lhe pergunte, qual o nome da sua gravadora?
_ Peace and Smile Company! Ou como preferirem PSC! – nos espantamos com o nome da gravadora. Na verdade nos espantamos com a situação de o dono de uma das melhores gravadoras ter nos assistido e nos chamado pessoalmente para fazer parte da sua companhia.
_ Uwaa!
_ E então? Aceitam!
_ Mais é claro!
_ Pode esperar que iremos ligar assim que terminarem nossas aulas!
Ele assentiu e depois saiu com o dito de que teria de correr para Osaka. Assim que ele foi embora, pulamos e gritamos feito uns bandos malucos. Estava tudo se encaminhando para nós, mas para mim e para Kouyou só era o inicio de muito mais felicidade que sabíamos que estava por vir.
Eu estando a trabalhar com o que mais gostava de fazer, tocar guitarra. Namorando a pessoa mais linda e graciosa que existia na face da Terra ou até mesmo que havia no universo. E para melhorar sempre podendo estar junto dos meus preciosos e melhores amigos até os últimos dias de minha vida ou até mesmo pela eternidade.
Amizade:
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente! [Machado de Assis]
Amor:
O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor seja levar o ser humano à perfeição. Como são sábios aqueles que se entregam às loucuras do amor!
[Joshua Cooke]
And the end...
Notas finais
Neee... T_T chegou ao fim!
Eu sei... eu sei... é triste estar acabando agora! ><
Mais acabou eu ja tava ficando sem saber o que escrever *apanha* [/mentira...
Agradecimentos à T Mayumi e dani mathos por seus comentário... *---* obrigadinha coisas fofas do meu tumtum...
Ah para a Arisa-sensei e a gi-chan por mostrarem todos os dias a ansiedade por ver o que a história iria dar....
♥ Kissus
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