Casos Macabros

8 Caso 8: Não jogue fora


Notas iniciais
Me arrependi de ter "encerrado" essa fic... Por isso, estou ressuscitando-a! EEBAA!!
Táparei.
Esse conto é baseado na lenda urbana da Mary, a boneca vingativa (não, gente, o Chucky não está na história!)

Muitas pessoas têm um medo inexplicável de bonecas, principalmente, daquelas de porcelana. Talvez seja seu olhar, sempre fixo, ou o fato de se parecerem com meninas reais.

Seja o que for, há uma lenda que fala sobre bonecas, no geral.

Isso mesmo, não precisa ser uma boneca antiga para comprovar a veracidade de tal "lenda". Talvez eu deva explicá-la antes, para que consiga compreender o fator medo de toda a história.


Sabe aquela sua boneca preferida? Aquela que estava sempre no seu colo, que ficava na sua cama quando você dormia, que você não conseguia ficar sem, pois era sua melhor (ou talvez a única) amiga? Então, é essa mesma.

Já parou para pensar que, quando você cresceu e deixou de brincar com bonecas, você a guardou, justamente porque a amava muito? E já pensou que, muito tempo depois de sair da casa de seus pais, haverá um dia em que sua mãe ligará para você, perguntando se pode dar algumas das suas coisas que ficaram no antigo quarto?

Eu sei o que você responderá quando esse momento chegar.

É claro, mãe.

E a sua boneca preferida, muito provavelmente, estará suja e gasta. Com certeza, sua mãe a jogará no lixo, pensando que o brinquedo já nem serve mais para ficar de enfeite.

O terror começará. Pra você.

Pode ser que você receba uma ligação. Ou pode ser que receba uma visita. De qualquer forma, será desagradável.

Tanto faz. Afinal, é você quem irá morrer. Sabe por quê?

Porque permitiu que a jogassem fora. Que jogassem sua boneca preferida. Ela estará muito ressentida e magoada com você... A partir deste momento, o nome que você deu a ela será esquecido. Pois todas esquecem.

Mary será o novo nome dela. E Mary não irá descansar até que você morra. Porque é um pecado tê-la jogado fora. O antigo dono deve morrer.

Pelas mãos dela.”


Essa história poderia se passar em qualquer cidade do planeta, pois seu drama é mais comum do que se imagina. Entretanto, a realidade costuma se jogar em cima das pessoas, e justamente por isso, eu digo que este é um fato real. Nomes completos ou locais são desnecessários, a história é o que importa.

Karla era uma estudante da oitava série, mas que, apesar da idade, ainda sentia-se muito apegada a uma boneca que ganhara da avó. Tinha-a desde pequena. Era, pelo que me consta, sua amiga.

Na sua escola, havia um grupo de, bem, encrenqueiras, por assim dizer. A líder do bando chamava-se Lola. Todos, alunos, professores e até o diretor, tinham medo dela. A garota passara por todos os reformatórios num raio de 100 quilômetros, e repetira três vezes a oitava série. Nutria um ódio terrível por Karla. Talvez fosse porque Karla era toda certinha, e acho que esse devia ser o sonho de Lola... De qualquer forma, as outras duas integrantes do grupo eram Andrea e Cris. Assim como todos da escola, conversavam e andavam com Lola por medo.


Um mês antes das férias de meio de ano começarem, Lola descobriu que os pais de Karla viajariam para a capital, por causa do trabalho.

– Vai ser a semana perfeita!

– Por quê, Lola? – Cris estava sentada na frente de Lola, e manteve o olhar abaixado.

– Simples. Se os pais da miss santinha não estarão por aqui, podemos aproveitar e, sei lá, ver o que ela tem na casa...

– Você quer roubar? – Andrea, levantou-se e fixou o olhar no rosto da encrenqueira. Todos que estavam no pátio viram-na levantar-se, e já previam a reção de Lola. – Ela nunca te fez nada...!

Lola levantou-se também, e segurou a garganta de Andrea com força.

– Você faz o que eu mando. E eu estou mandando, sim, roubar a casa dela!

Dito e feito.

Encurralaram a pobre Karla durante a saída da escola.

Os dias seguintes para ela foram alguns dos piores de sua vida, com Lola destruindo sua casa, xeretando os computadores, levando alguns colares e ameçando-a. Mas o pior foi quando descobriram sobre sua boneca.

– Ainda brinca disso, Karlinha? – Lola levantou o brinquedo e ameaçou jogar pela janela, para cair diretamente no lixo. – Já ouviu sobre a lenda da Boneca Mary, Karla? Se você jogar sua boneca preferida fora, ela voltará para te matar!

– Devolva!

Lola jogou a boneca para trás. O ruído de metal foi alto o suficiente para saber que seu intento fora realizado.

Karla atirou-se na direção de Lola, e começou a socá-la onde era possível. Lola revidava, surpresa pela reação da “miss santinha”. Andrea tentou apartar a briga, tomando o sofrimento de Karla como sendo o próprio; Cris ficou em silêncio, apenas vendo da janela se não estavam chamando atenção.

Foi quando aconteceu.

Cris deu um grito agudo, e apontou para a porta. Imediatamente, as três pararam de brigar, e viram a boneca parada na porta.

Karla, o que aconteceu? Você não me quer mais?

– Não fui eu... foi ela! – Karla apontou para Lola, que negava com a cabeça. A boneca virou-se para Lola, com um sorriso demoníaco.

Ah, foi você? – sem dizer mais nada, a boneca saltou, segurando uma faca afiada. A lâmina perfurou um dos olhos da garota. Depois, a boneca enfiou a faca na garganta de Lola e cortou-a.

– De onde você tirou isso, Violeta... – Karla e Andrea estavam perto da porta, horrorizadas com a cena.

Violeta? Meu nome é Mary. Você deixou que me jogassem fora, não foi?

A boneca Mary correu na direção de sua antiga dona. Andrea correu, puxando Karla. Cris tentou alcançá-las, mas a boneca também a matou.

Andrea e Karla saíram da casa. Quando pararam para retomar o fôlego, a boneca apareceu atrás de Karla. Andrea viu quando a lâmina passou pela barriga de Karla, sujando o vestido de Mary.

Sua vez.

Andrea correu até entrar em uma delegacia. Contou a eles o que houve. A polícia, é claro, não acreditou na história. O que fizeram foi mandá-la para um hospital psiquiátrico, enquanto investigavam o acontecido.

FIM

Alguém bate na porta do quarto.

– Entra. – Uma mulher vestida de branco aparece, dando um sorriso.

– Telefone para você, Andrea.

Ando até o corredor, onde um telefone está fora do gancho.

– Aqui é Andrea. É você, mãe?

Já estou chegando aí, Andrea.

– Mãe? Para com isso.

Mãe? Quem está falando é a Mary.

Notas finais
Será que esse caso ficou sinistro como os outros?