Casos E Acasos
3 Que comecem os problemas
O resto da viagem foi silenciosa, posso jurar que devo ter adormecido, pois foi muito rápido, quando chegamos haviam três criadas na porta da casa, Arthur desceu do cavalo e mandou que uma delas pegasse minhas malas, desci do cavalo para ajudar, mas a moça recusou.
- Deixe isso aí e venha para conhecer os garotos – Disse Arthur já na porta, corri até lá e entrei na casa seguindo o inglês, a casa era estilo um palacete, era bonita, mas um pouco sóbria de mais para quem tem crianças em casa.
- É... Onde estão os meninos, que não vieram lhe receber na porta? – Perguntei olhando pelo corredor a procura de uma porta.
- Devem estar no jardim – Ele virou em uma sala grande onde haviam algumas poltronas, um sofá e alguns instrumentos, pensei em meu irmão e em como ele estaria naquele momento, não sei como mas as lágrimas me vieram ao rosto e sem conseguir me controlar chorei muito, Arthur se aproximou sem eu perceber, me abraçou e falou meio sem graça – Ei eu sei que fui rude, mas você não precisava chorar, eu não vou mata-la se levar Matthew.
- Lud...Lud cadê você? – Chamei meu irmão em meio aos soluços, enquanto isso dois garotos de roupas brancas e laços vermelhos entraram na sala.
- Onii-chan, porque essa moça bonita tá chorando?? – Perguntou um dos meninos, ele carregava um ursinho no colo e estava quase chorando.
-Ela está cansada, chegou hoje de viajem precisa descansar.
- Ei moça, não chora você vai gostar daqui, eu e o Matt vamos cuidar de você – Disse o outro menininho, eu abaixei e lhe dei um abraço e um beijo na bochecha.
- Eu sei que vocês vão cuidar bem de mim – Levantei e me virei para Arthur. – Vou descansar um pouco, mostre-me meu quarto... Por favor
- Claro – Disse ele fazendo uma mesura e fez sinal para que eu o seguisse, saímos da sala e seguimos até o fim do corredor onde haviam duas portas, uma em cada lateral e no centro havia uma longa escada pela qual subimos, o segundo andar era lindo como o primeiro, haviam mais portas, imaginei que haviam mais quartos lá do que na mansão da austríaca.
- Chegamos madame – Disse ele quebrando meus pensamentos e abrindo a porta de um dos últimos quartos do corredor e novamente fazendo uma mesura. Entrei no quarto que era enooorme, parecia realmente o de uma princesa. – Vou deixa-la aqui e o jantar é servido pontualmente às sete horas, o relógio está em cima da sua cômoda, por isso não se atrase.
- Sim senhor – eu disse enquanto ele fechava a porta e eu me maravilhava com aquele quarto, tirei o casaco e minhas botas jogando tudo no chão, me joguei na cama e agarrei um dos travesseiros branquinhos que havia em cima dela. Então bateram na porta, fui abrir e eram Mattew e seu irmão cujo nome eu desconhecia, sorri para os dois e sai da frente da porta para que eles entrassem
- O que querem? – Perguntei
- Viemos ver se você esta bem, ficamos preocupados porque você estava chorando... – Disse Mattew
- Vocês podem ficar calmos eu já estou melhor – Menti só não chorei mais porque eles haviam chegado à sala, mas ainda estava meio abalada com a realidade que me cercava – Vocês se chamam como?
- Eu sou Alfred e um dia vou ser um herói. – Disse o garoto que eu não sabia o nome.
- E eu sou Mattew – Disse o outro abraçando o ursinho.
— Bom eu me chamo Julchen, mas podem me chamar de Juh-chan.
- Juh-chan você quer brincar com a gente? – Perguntou Alfred – Diz que sim, por favor.
- Brinco, mas porque vocês estão querendo tanto brincar?
- Porque se você não for não vamos conseguir passar pelos criados para sair, porque já está escurecendo. – Disse Mattew
- Está bem, mas quando eu disser para entrarmos vamos entrar, certo?
- SIM! – Disseram os dois sorrindo, descemos e saímos pela porta dos fundos para o enorme campo que se estendia até onde a vista não alcançava, sentei embaixo de uma árvore enquanto os meninos corriam e brincavam de caçar índios.
- Ei Juh-san, você quer ver o celeiro? Lá tem muitos cavalos lindos, vamos lá vamos. – Disse Alfred
- Sei não, se for rápido pode até ser, ai a gente volta pra casa.
- Isso pode ser isso mesmo – Disse Mattew sorrindo, os dois desceram um pequena colina comigo um pouco atrás e lá estava o celeiro bem típico e normal, dentro haviam muitos cavalos e algumas vacas e bezerros.
- Olha, essa é a égua favorita do Arthur – Disse Alfred apontando para uma puro sangue branca muito bonita – Ela é linda, mas o Onii não me deixa montar, acha que eu sou muito pequeno
- E você é, mas se ele podia deixar você montar um cavalo menor, meu irmãozinho quando tinha a idade de vocês já sabia montar.
- Que legal – Disse Mattew com os olhos brilhando
- Mattew, tenho uma coisa para perguntar a você. Você lembra-se do seu irmão Fracis? – Perguntei peando ele no colo.
- Lembro sim por quê?
- Porque ele quer ti ver, é por isso que eu vim até aqui, para ver se você quer ir até lá para ver ele e passar um tempo lá.
- Eu quero! Quero muito ir pra lá! – Disse Mattew quase chorando de tanta alegria.
- Então eu vou levar você depois de amanha para lá, pode ser? – Perguntei e ele respondeu afirmativo com a cabeça.
- E eu? – Perguntou Alfred
- Meu lindo, eu não posso levar você, seu irmão não vai deixar – Eu disse pegando ele no colo também, ele estava com os olhinhos marejados e me lembrava de Lud no dia que chegou lá em casa.
- Não fica assim, um dia você também vai pra lá, levo você até pra minha casa se você quiser.
- Obrigado Juh-san – Disse ele me abraçando e fazendo eu quase derrubar Mattew.
- Juh-san! Juh-san! Olha aquele moço ali. Ele não trabalha pro nii-chan – Disse Mattew apontando para um homem que saia do lado oposto do celeiro.
- Ei, você! O que está fazendo? – Gritei, mas não deu tempo dele responder, só o que houve foi uma explosão na estribeira de onde ele havia saído e as portas do celeiro se fecharam, nos deixando presos lá dentro.
- Juh-san, os animais vão morrer desse jeito – Disse Mattew.
- Fique calmo pequeno, eu não vou deixar – Eu disse pondo eles bem longe do fogo e tentando abrir a porta, mas sem resultados, subi na parte onde ficam os materiais do estábulo, prendi a perna em uma madeira, mas conseguir achar um machado com o qual comecei a abrir um buraco na porta, o calor estava muito forte, o que dificultou muito meu trabalho, mas em poucos minutos um buraco consideravelmente grande estava feito. Olhei para os garotos e vi que eles haviam desmaiado, corri para soltar os animais e depois peguei os dois e sai correndo de perto do celeiro.
A essa altura os criados da casa já começavam a aparecer para apagar o fogo, o próprio Arthur desceu correndo para ajudar, quando ele chegou pegou Alfred em seus braços e checou seus sinais vitais, viu que o garoto estava bem olhou para mim e Mattew
- O que você fez? – Perguntou ele com raiva
- O que eu fiz? Tipo, eu acabem de salvar seus dois irmãos mais novos de um incêndio que um estranho casou no seu celeiro. – Respondi indignada e com muita raiva.
- Mas, o que raios você estava fazendo com meus irmãos no celeiro?
- Eles queriam brincar, já que o irmão deles nem olha direito na cara deles. – Meu corpo não ia aguentar até o fim daquela discussão, mas eu não ia abaixar a cabeça para aquele inglês arrogante. – Francis tem razão, você só da importância para Alfred, Mattew também estava no incêndio, também precisava dos seu cuidados e da sua atenção, mas não você está muito ocupado discutindo comigo.
- Eu... – Ele ficou quieto, enquanto duas criadas se aproximavam, elas falaram rapidamente com Arthur e foram embora com Alfred e Mattew, comecei a subir a colina de volta para casa quando Arthur me puxou – Vamos terminar essa conversa.
- Eu não tenho mais nada para lhe falar e se quiser falar comigo espere pelo menos eu me recuperar desse incidente – Falei puxando meu pulso e continuando a subir, Arthur veio ao meu lado, mas sem dizer nada, já perto da casa comecei a sentir dores por todo meu corpo e foi quando vi que minha perna estava machucada, sem mais forças cai na grama fresca da parte de trás da casa.
Acordei, estava deitada na cama do meu quarto provisório, sentei e vi que estava limpa e com uma camisola que não era minha. Levantei e sai do quarto, caminhando um pouco achei o quarto de Alfred, onde Mattew tentava subir no berço, mas não conseguia, peguei-o no colo e o pus ao lado de Alfred que dormia tranquilamente, Mattew olhou pra mim sorrindo virou para o lado e dormiu.
- Parecem anjinhos – Disse uma voz da porta, me virei e vi Arthur encostado na soleira da porta.
- Parecem, mesmo... – Respondi enquanto ele se aproximava.
- Sobre mais cedo, me desculpe eu perdi a paciência e acabei ti culpando mesmo sabendo que você estava lá só para ajudar.
- Tudo bem... Eu faria o mesmo, ou parecido se fosse meu irmão.
- Era por ele que você estava chorando? – Perguntou ele, não sei o que meu deu, mas só consegui fazer que sim com a cabeça.
- Entendo como você se sente, quando estou fora à única coisa que penso são os dois, mas não posso ficar levando-os o tempo todo para a Europa, é arriscado além de que eles não podem ficar muito tempo longe daqui.
Ficamos nos encarando por algum tempo, até que decidi voltar para o meu quarto, e ele resolveu me acompanhar.
- Durma bem – Disse Arthur
- Sim você também – Respondi me virando para encara-lo e foi quando ele me beijou, foi uma surpresa, claro, mas ele foi gentil e eu correspondi a ele como se ele fosse meu há muito tempo, quando nos separamos eu estava atônita – Mas... O que raios...?
- Não pergunte, só aceite – Disse ele e saiu andando para seu quarto, fique observando até quando ele entrou, escorreguei as costas pela porta e sentei no chão, minha vontade era de correr até lá e beija-lo e perguntar o porque daquilo, mas meu orgulho não deixava, levantei e entrei em meu quarto.
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