Casos E Acasos

12 Intrigas e castigos


Deveriam ser umas dez horas quando a confusão começou. Eu estava deitada ainda quando ouvi o tilintar de espadas e os gritos de raiva do meu irmão, levantei correndo e coloquei a primeira roupa que vi pela frente e sai do quarto correndo foi quando vi Alexander e meu irmão lutando ávida e calorosamente no corredor, Tino por outro lado estava caído no chão chorando, cheguei ao seu lado e o abracei e ali ficamos até que os dois parassem de tentar se matar e nos vissem sentados no chão.

– Ai esta você – Disse Berwald me puxando do chão, quero saber se você estava com ele por que quis?

– Mais ou menos, mas você não tem o direito de sair brigando com todos os homens com quem eu saio. – Disse me soltando dele e voltando para perto de Tino. – Olha o que vocês fizeram com o garoto, ele não merece essas brigas de vocês!

– Se eu não acordasse e te encontrasse dormindo com esse canalha não teríamos brigado – Disse meu irmão muito irritado.

– Por favor, parem – Pediu Tino me abraçando e olhando para meu irmão que olhou para o chão e depois desceu as escadas correndo e Tino foi atrás dele achando que a culpa era por ele ter falado. Ficamos eu e Alexander no corredor nos encarando até que eu voltei para meu quarto e deitei na cama chorando, não sabia o porquê disso, mas ali estava eu relembrando e revivendo aquilo que mais me perturbava durante toda minha vida tudo o que se passou sendo pesado e eu me sentido a maior inútil da vida.

Alexander sentou ao meu lado e ficou afagando meu cabelo, olhei para ele, mas não tive resposta, apenas deitei a cabeça em seu colo e deixei que ele continuasse a mexer nele. Ficamos assim por uma meia hora até meu irmão subir de novo e sair com Alexander do quarto, eu dormia e não percebi nada, quando acordei não vi Alexander e temi pelo pior, subi correndo e quando abri a porta do escritório de Alexander ele recebia um gancho de direita seguido por chute que o derrubou no chão de Berwald que depois disso também caiu cansado da luta, fiquei olhando aquilo sem acreditar no que via, corri até Berwald e o virei para olhar seu rosto e constatei que ele respirava, Tino entrou na sala com a caixa de primeiros socorros e começou a fazer curativos no meu irmão quando Alexander começou a tossir e eu fui cuidar dele, quando estava quase acabando Berwald pegou meu pulso e saiu me arrastando pela casa.

– O que você acha que está fazendo? Me solta! – Gritava e tentava me soltar dele. Quando chegamos ao térreo ele me arrastou até a cozinha abriu uma portinha lá e continuou me puxando por um lance de escadas bem vertical no fim delas havia uma portinha que ele abriu e me jogou lá dentro e trancou a porta. – BERWALD ME TIRE DAQUI AGORA!

– Não! Você vai ficar aqui para refletir o que fez – Ele foi firme ao que disse – Isso vai ser a punição por ter me traído.

– Traído? Você está pior que o vovô! Nunca pensei que iria ver você agir assim, mas acho que me enganei, pois cada dia que passa você está mais parecido com ele. – Cuspi as palavras para ele com todo o ódio que eu possuía, já ele nada disse só virou as costas e subiu as escadas.

Sentei em um banquinho que estava na parede oposta a porta e fiquei olhando ao meu redor, não havia janelas nem outras aberturas por onde podia entrar luz só as vela do lado de fora da cela onde eu tinha ido parar.

Cela pensei e aquilo me fez rir, uma cela para uma inocente, mas logo a realidade me atingiu e eu sabia que de inocente não tinha nada, havia ido para cama com o homem que machucara meu irmão diversas vezes e me entregara a ele mesmo amando outro, além de ajudá-lo a se curar depois da briga com meu irmão, mas ele merecia aquela ajuda, olhei para a porta e pensei em como eles estariam lá em cima, mas nada me veio a mente.

O tempo passou e eu ficava cada vez mais entediada e impaciente, tentei várias vezes abrir a porta e gritei por ajuda diversas vezes, mas em vão. Se Berwald queria me ver pagar por algo estava conseguindo, pois não havia nada de pior para mim que ficar parada. Depois de toda aquela agitação deitei no chão duro e fiquei a olhar o teto e pensar se alguém passava sobre minha cabeça naquele momento ou se procuravam por mim.

Algumas horas depois segundo meu horrível contar do tempo Tino trouxe um prato de comida e ficou um pouco comigo, mas mesmo assim não consegui escapar, ele não estava com as chaves, tudo o que me deu foi passado pela abertura no alto da cela, e depois de poucos minutos lá em baixo meu irmão gritou por ele e como seu cachorrinho ele subiu correndo e me pedindo desculpas a cada cinco degraus, eu não o culpava, mas ainda sentia uma ponta de ódio e ciúmes dele.

Comi as frutas e o pão aos poucos, mas a fome não me abandonou por muito tempo, tentei arrombar a porta, mas estava descalça e a única coisa que consegui foi ficar com uma enorme dor nos pés. Sentei e tentei ouvir algo do lado de fora, mas nada só o silêncio consumindo minha alma até o fim.

Finalmente consegui adormecer, mas tive um pesadelo com Arthur e Alexander. Acordei e notei que estava em uma cama, olhei em volta e não havia ninguém. Fui à porta e estava trancada, mas havia comida e minha mala estava lá também, me sentei e comi bastante, fui à janela e vi que era de dia, mas não sabia exatamente que horas, abri a mala e peguei o livro que roubara na casa de Arthur e escondera na minha bolsa, comecei a ler o último capítulo quando alguém bate na porta.

– Entre – Falei, mas estava trancada por fora então não tinha porque bater. Era Alexander com algumas flores.

– Agora vai me pedir desculpas com flores, mas que coisa ultrapassada – Falei antes que ele conseguisse terminar de entrar no quarto, ele por sua vez não falou nada deixou as flores em um vaso com água e uma caixa de bombons em cima da mesinha que estava ao lado da cama – mas... O que?! – Levantei e tentei ir falar com ele, mas meu corpo falhou e eu cai no chão.

– Volte para a cama, você não come há dois dias, então acho melhor que descanse.

– Dois dias?! Isso é mentira! Eu não posso ter dormido tanto assim.

– Sempre duvidando de tudo – Disse ele me pegando no colo e jogando na cama.

– Então diga as respostas para minhas perguntas Mr. das Respostas.

Ele se pegou minha espada do lado da cama e colocou em minha garganta

– Acho que deveria pedir explicações ao seu irmão que a deixou trancada dois dias naquele calabouço e deveria me agradecer por ter forçado ele a lhe tirar de lá.

– Obrigada Alexander, você me salvou da ira de meu irmão, mas isso não significa que meu conceito sobre você mude.

– Seu conceito sobre mim está muito bom, para você eu sou lindo, gostoso e proibido para você em resumo eu sou perfeito aos seus olhos.

– Você é tão engraçado – Eu comentei rindo e me sentando na cama, encarando aqueles lindos olhos azuis – Então me conte o que aconteceu durante meu confinamento?

– Seu irmão me jogou no meu quarto e saiu de casa, foi até a casa de verão pegou as meninas e levou-as para algum lugar – Ele sentou na borda da cama.

– Por quê? Se for por minha causa eu dou um jeito de acha-las eu prometo. – Me aproximei dele e toquei seus cabelos.

– Você acha mesmo que o mundo gira em torno de você, ele não as levou por você, mas sim por conta de minha incompetência e arrogância para com ele.

– Entendo – Fiquei olhando o chão até mesmo depois de meu irmão abrir a porta e Alexander levantar.

– Jushen, preciso falar com você – Disse meu irmão.

– Estou muito debilitada falo com você depois.

– Isso não dá para ser adiado. Eu estava voltando da casa de verão e um mensageiro veio ao meu encontro e me entregou isso – Ele me entregou um papel com a caligrafia de Antônio me chamando urgente para uma reunião. Levantei e troquei de roupa fechei minha mala colocando o livro com cuidado em cima de tudo e sai do quarto seguida pelos dois.

Quando cheguei ao estábulo celei rapidamente meu cavalo e quando me preparava para sair, mas Alexander puxou as rédeas.

– O que houve?

– Preciso ir a uma reunião urgente, sinto muito assim que puder eu voltarei. – E sai a mil rumo a Espanha

Notas finais
Capítulo longo pra compensar a demora por isso não me matem