Caso encerrado

16 Capítulo quinze


Começara a manhã com uma reunião com o Ministro da Magia, que ouvira o plano arquitetado e depois de opinar em alguns pontos, autorizou-os a coloca-lo em ação, uma vez que aconteceria no Baile Beneficente para órfãos de guerra. Nenhum dos convidados saberia da estratégia, estariam seguros com todos os aurors espalhados pelo átrio.

O Profeta Diário tinha uma grande nota sobre a volta de Hermione ao trabalho, uma matéria falsa que explicava seu sumiço.

— Trabalho secreto no Ministério Francês? — Exclamou ao ler o texto.

— Foi o melhor que conseguimos pensar, além do mais, é o tipo de artigo que não levanta suspeitas. Você não pode falar sobre o assunto porque é confidencial e tudo mais. — Rony piscou, como se o trabalho realmente tivesse existido.

O artigo do jornal também confirmava sua presença no evento Beneficente como uma das bruxas homenageadas. Era o plano perfeito!

Finalizava algumas anotações no pergaminho quando Harry entrou na sala.

— Posso falar com você? A sós. — Olhou de esguelha para Rony que saiu da sala silenciosamente.

Hermione suspirou e ajeitou sua postura na cadeira, os dedos entrelaçados pousados sobre a mesa diziam que devia continuar.

— Aquele pergaminho que você leu ontem era pra ter ido fora há muito tempo, eu o escrevi quando estava sentindo raiva e medo. — Buscava as palavras perfeitas, sabia que se dissesse algo errado Hermione jamais o perdoaria. — Quis jogá-lo fora no momento em que terminei!

— Por quê?

— Você estava mergulhando de cabeça nesse caso, de uma forma assustadora, e as coisas começaram a desandar. — Explicou, aproximando-se um passo de cada vez. Cauteloso. — Rony comprava suas expressões firmes, mas eu via o quanto aquilo a estava consumindo. McHearty, e depois o recruta, você estava se afundando em culpa.

Hermione baixou o olhar, e foi o necessário para que Harry contornasse a mesa e se ajoelhasse ao lado da amiga.

— Mas tinha Malfoy no meio, e você começou a oscilar. Quando ele estava por perto você ficava mais firme e forte, e me incomodava o fato de imaginar como ficaria quando ele se afastasse. — Tocou a mão de Hermione com a sua, e afagou-a gentilmente. — Afastá-la do caso era a resposta mais simples, mas não seria capaz de fazer isso. Por isso fiquei surpreso quando a vi lendo o pergaminho, tinha certeza de que havia ido fora naquela mesma noite.

— Você me subestimou, Harry. — Murmurou, a voz já não tão firme assim.

— Estava tão cego com a ideia de vê-la culpada com o que acontecia, sinto muito por tê-la magoado, Mione. — Disse com sinceridade.

No instante seguinte ficou surpreso quando Hermione o puxou para um abraço e começou um choro baixinho.

— Tudo vai ficar bem. — Dizia como um cântico, enquanto deixava-a chorar em seu abraço. Compreendia que as lágrimas não eram causadas pelas desculpas, mas por tudo o que acontecera até aquele segundo. As mortes, os ferimentos e as palavras ásperas trocadas. — Prometo que vamos terminar com isso de uma vez por todas!

***

Para selar a paz, Rony apareceu com três almoços em mãos e juntos comeram no escritório, deixando os assuntos pesados para as próximas reuniões, aquela pausa do mundo era necessária e todos concordavam. Harry contou sobre as indiretas indiscretas de Molly quanto a receber um neto, e que o assunto lhe deixava um pouco desconfortável quando discutido na frente dos irmãos da sua esposa.

Hermione notou a falta que aquilo fazia em sua vida. Estar bem com os amigos, conversar sobre as banalidades da vida e tudo aquilo que os cercava. Vinha se desentendendo com Harry há muito e sequer compreendia o porquê, mas depois de chorar no ombro do amigo percebeu que tudo não passava de uma grande babaquice.

Depois de algum tempo a porta se abriu, e um homem trajando preto colocou somente parte de seu corpo para dentro da sala.

— Weasley, podemos? — Indicou o lado de fora e saiu.

— O dever me chama. — Rony levantou-se e saiu da sala.

Hermione sorriu para o amigo que ajeitou a roupa antes de sair da sala.

— Vou aproveitar e continuar com meu trabalho, tenho alguns pergaminhos para rever. — Hermione começou a juntar as embalagens plásticas do almoço, mas Harry a impediu.

— Eu limpo. — Piscou e empurrou-a para longe da sacola plástica.

Começara a organizar os pergaminhos e dar alguns retoques nas anotações espalhadas por sua mesa, um trabalho árduo que devia ser feito logo. Harry limpava a bagunça em silêncio, mas lançava olhares curiosos para Hermione, como se esperasse o momento certo para fazer o comentário preso em sua garganta.

— Malfoy não pareceu feliz em saber que você voltaria. — Olhou-a, esperando qualquer reação. Pensou até mesmo que Hermione não o tivesse ouvido, até que recebeu uma resposta.

— Tenho certeza que ele não gostou da parte do plano em que me torno uma isca. — Seguiu mexendo a pena, escrevendo sobre o pergaminho novo. — Ele tem razão, você sabe

Levantou o rosto para olhá-lo. Harry tinha os braços cruzados sobre o peito, mas os ombros curvados mostravam o quão cansado ele estava.

— Eu não a teria chamado se fosse nossa última opção. — Passou a mão pelo cabelo, deixando-o ainda mais bagunçado. — Jamais a colocaria em risco desse jeito, Mione.

— Sei disso, Harry. — Sorriu. — Vamos resolver e tudo voltará ao normal!

Harry pareceu instantaneamente mais calmo, como se parte do problema tivesse se resolvido. Sacudiu a cabeça, lembrando-se de um ponto bastante importante que o vinha deixando intrigado.

— Acredita que passei a detestar Malfoy um pouco menos. Ele se preocupa com você, acho que é um bom motivo para não desprezá-lo.

Hermione parou de escrever e olhou-o novamente, dessa vez buscava em seu rosto qualquer sinal de deboche ou sarcasmo.

— Vá direto ao ponto, Potter! — Empinou o nariz e manteve a sobrancelha arqueada em dúvida. — O que quer saber?

— Quando disse que tudo voltaria ao normal, incluiu Malfoy?

Abriu a boca algumas vezes, mas a verdade era que não tinha uma resposta pronta.

— Vi como agem um com o outro. Pensei que se tratando de você já houvesse algumas coisas estabelecidas.

— Não pensei sobre isso, Harry. — A resposta evasiva era uma mensagem clara de que não queria se aprofundar no assunto. — Além do mais, não se trata apenas de mim.

Sacudiu a cabeça, concordando com a fala de Hermione, deixando-a se concentrar nos pergaminhos.

Com afinco Hermione organizou o plano e revisou-o diversas vezes, nada podia dar errado. Orquestrar aquilo tudo tinha de valer a pena, não haveria outra chance. Quando Harry foi chamado do lado de fora para resolver um problema, foi o que precisou para se empenhar ainda mais. Seus amigos estavam atolados de tarefas, era seu dever tomar as rédeas da situação.

Notas finais
Recebi uma recomendação linda da Anna. Muito obrigada irmãzinha, amei!! Espero que estejam gostando de toda essa tensão, o próximo capítulo já está escrito, revisado e pronto para ser postado. Até a próxima semana