Cash
1 One.
Notas iniciais
Dia D.
— Você atirou em mim?
Pelo menos foi isso que eu tentei dizer, mas, sinceramente, não sei se todas essas palavras saíram da minha boca. Provavelmente só um emaranhado de letras e sílabas que só comprovavam que, sim, ele tinha atirado em mim. Fiquei tonta por alguns momentos, mas não o suficiente para que eu morresse logo e acabasse por ali. Droga. Se Shikamaru ainda estivesse dentro da minha cabeça, ele sim me daria um tiro.
— Filho da puta...
Outro montante de letras enroladas. Eu percebi, ajoelhada e segurando o meu ombro esquerdo o máximo que podia pra estancar um pouco daquele sangramento doído pra cacete, que o verde daquela colina era bem mais verde que o da minha cidade. Sei lá, deve ser o negócio de ter dinheiro para plantar uma grama pras vaquinhas comerem. A diferença de um terreno privado pra um público era... era... o que mesmo?
— Ei ei ei, não no meu turno, loira. Onde é que está o dinheiro?
— Filho da puta, filho da puta... nós tínhamos um acordo – murmurei, não acreditando que ele esperou que eu caísse e batesse minha cabeça no chão pra só depois me levantar. Um tiro não era o suficiente?
Ele me puxou para cima de novo, fazendo com que eu olhasse aqueles assustadores cabelos cor de fogo e rebeldios. Será que ele me mataria ali depois que eu entregasse o dinheiro? Será que eu não veria mais os meus amigos, nem seria mais útil pra mais ninguém? Pensando bem, eu não tenho sido útil há algum tempo, desde que o transplante foi tirado da minha cabeça.
— Era você, não era? Toda... a inteligência. Será que eu era mesmo só uma casca pros seus olhos, seu idiota?
— O que?
— Shhh, Shikamaru – os olhos esverdeados não combinavam com ele, e, ainda assim, eu continuava tentando falar. – Me deixe falar, seu abacaxi.
Eu vi quando ele se irritou com a minha demência temporária e me jogou na grama novamente, respirando um pouco mais fundo. Como é que ele se chamava mesmo... aquele que nunca se irritava e agora estava irritado?
— Você pode morrer depois de me dar a informação.
Tossindo um pouco, não pude fazer nada senão rir.
— Onde está? Hahahahaha... Ah, haha, realmente engraçado.
Olhei para ele, vendo o corpo imponente quase explodir diante do meu ataque de riso. Ele, no entanto, não mexeu um músculo de sua face até agachar e sussurrar: – Do que está rindo, garota?
— Tudo o que o sol toca – ri um pouco mais, fechando os olhos e me apoiando em seu corpo endurecido pela tensão. Eu desejaria mesmo que nenhum dos meus amigos me visse novamente depois dessa cena patética. No mais, estava cansada. Olhei para o rosto dele... qual o seu nome mesmo... enquanto deslocava a mão ensanguentada até sua boca, puxando a cabeça em minha direção. – Tudo o que o sol toca, Gaara... – ufa, é esse! – é o seu tesouro enterrado. Faça bom proveito.
Dia um.
Correndo como se a sua vida dependesse disso, e dependia, Ino percebeu o quanto aquelas pernas podiam ser úteis. Ela sabia que tinha gente em sua cola e sabia também que fora escolhida para que não falhasse. Shikamaru dava ordens de caminhos seguindo as coordenadas no computador a sua frente e em seus olhos. Ela ainda não entendia como ele podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Desde que tinha colocado o implante, ele podia, no que eles chamavam de missão arriscada, ver tudo o que ela via. Ficava cuidando, então, da parte de rastreamento do local a longa e curta distância, aproveitando a rapidez que, até então, só Ino tinha. Ofegante, com os cabelos bagunçados e o ritmo descompassado do coração pelos quarenta minutos de corrida ininterruptos, sem contar os momentos em que caminhou ou se escondeu, ela olhou para os lados, sabendo que não podia falar ainda. Estava, recordo eu a vocês, sendo perseguida e precisava se esconder definitivamente ou receber coordenadas mais eficientes de fuga. Ainda que fosse uma atleta exímia, era humana. “Você pode parar agora”. Soou a voz dentro de sua cabeça. Vá se foder, abacaxi! Pensou, sabendo que ele continuaria a falar e o parar, na língua dos que estavam acostumados àquele tipo de trabalho, significava diminuir o ritmo, mas não parar completamente. “Ino, ainda não fale”. Você acha que eu sou idiota? Pensou. “Vou expandir as coordenadas do terreno e manda-las para que Chouji te busque. Pensei em um helicóptero, mas seria muito barulhento. Se conseguir percorrer mais alguns quilômetros... hm, 15, pra ser exato, conseguimos te pegar de carro”. Não parecia muito, sinceramente já tinha enfrentado distâncias maiores. O problema...
— Te achei.
Era que, dessa vez, eles eram mais rápidos. Ela fechou os olhos com força, sentindo a ponta fria da arma em sua testa.
“Ino! Pisque duas vezes se conseguiu se afastar mais de 30 quilômetros do local”. Acha que eu sou uma amadora? Ela sabia que seria uma situação mais complicada dessa vez, mas, quando tem um homem mal encarado fugando em seu pescoço e apontando uma arma prestes a explodir os seus miolos, a conversa fica mais delicada.
“Ótimo, ótimo...”. Ah, sim. Realmente muito ótimo, Shikamaru. “Teremos tempo pra mudar o local. Se bem que, com esse novo implante eu posso ver o que você vê. Posso olhar pra cara deles e ler seus movimentos corporais! Seria um avanço pra próxima jogada”.
— Vire-se.
“Obedeça”. EU SEI PORRA, NÃO SOU UMA IDIOTA. Ela queria gritar, mas apenas revirou os olhos, movimentando-se devagar.
— Qual o seu nome?
Ela sorriu um pouco. Em que mundo iria se revelar tão facilmente?
“Responda”.
O que? O que?
É bom você ter um plano, abacaxi.
— Yamanaka Ino.
— E o que faz nessa área, Yamanaka Ino?
— Uma caminhada – respondeu calmamente, recebendo uma pancada em seu rosto.
“Ouch”.
Dia 2.
— Está gostando das suas acomodações?
Ele era alto, mas não mais alto que muitos homens que conhecia. Tinha feições fechadas, um olhar cínico e os olhos mais verdes que já vira. Usava roupas pretas, e sinceramente merecia uma função melhor do que a de escoltar alguém que estava sendo tão pouco problemática. Inclusive... Ino achava bom Shikamaru ter um plano, pois inatividade não era o seu forte. Estava ficando entediada, seu maxilar doía e não entendia porque não podia revidar logo e acabar com aquele tipinho. Queria voltar pra casa, tomar um banho decente, abrir um vinho, se entupir de queijo e assistir sua performance nos últimos trabalhos. No entanto... estava ali, naquele lugar insalubre e minimamente limpo e organizado. O desconforto e a falta de luxo lembraram a sua pobreza na infância. Teve alguns arrepios.
— Não poderia ser melhor. Quem não gosta desse cheirinho de mofo?
Ele olhou para a grade mal construída e depois para a garota dentro do local. Pegou o banco menos bambo que achou, o que era difícil naquelas condições, e sentou-se de frente para ela.
— Meu nome é Gaara.
— Nome interessante. Qual a tua, Gaara?
— Qual a... – ele arqueou um pouco as sobrancelhas, pousando os braços nas coxas, fazendo pender por seus dedos a arma que, um dia atrás, quase tirou a vida da garota. – Essa é a minha. E a sua, qual é?
Ela se espreguiçou, caindo para trás e sendo acolhida pelo cimento velho.
— A minha é sair por aí, andar, correr um pouquinho, quase levar um tiro, tomar uns socos na boca – sorriu.
“Pelo amor dos deuses, Ino. Você está flertando com o cara?”
— Belo soco direto, esse o seu – apontou para os lábios inchados com um corte na lateral.
Ele suspirou e se levantou, indo até uma gaveta e retirando alguns papéis amassados.
— De qualquer forma... Essa é a minha também.
“Puta merda”.
Eram fotos dela, de Shikamaru e de Chouji, no último trabalho. Ino sabia que eles eram muito bons do que faziam, e para esse cara ter tantos momentos gravados e impressos, só tinha duas explicações. Ou ele era infiltrado, disfarçado no meio de grupos aliados ou, e ela chegou a arrepiar todos os pelos de seu corpo ao pensar nessa alternativa...
— Você é melhor – sussurrou, mais para si mesma do que para fora, realmente.
Dia 3.
Ela não conseguia se mexer. Com as mãos e as pernas presas nas grades, sabia que algo de horrível estava prestes a acontecer. Olhou nos arredores da sala, não vendo sinal de Gaara. Desgraçado, ele provavelmente tinha colocado sonífero em sua comida e a amarrado enquanto dormia. Pela dormência em seus membros, ela podia chutar um total de... Que merda chutar o que.
— Shikamaru – sussurrou, não sabendo a que horas o outro voltaria.
“Ele deixou a sala há meia hora, mais ou menos, e te amarrou há três”.
— Que merda ein... o que eu faço agora? Quase não consigo falar com você, ele praticamente mora aqui. Me dê instruções rápidas. O que sabemos até agora? Não há câmeras aqui, o lugar é isolado de tudo, aparentemente... é perto de onde o trabalho foi feito mas não tão perto. Quem é ele, Shika? O que ele faz? Porque conseguiu me achar tão facilmente? Qual o motivo dele olhar pra mim como se fosse tirar meu couro e vender minha carne como churrasco? Você realmente tem um plano, né? Shikamaru, se você não tiver um plano eu vou arrancar o seu pau com a minha unha quando voltar, estou falando sério!
“Calma, porra.” – suspirou, sabendo que ela entrava em pânico mais facilmente se pudesse falar.
— Você viu o tamanho daquela arma, seu demônio?
“Sim, eu vi. Bela arma, inclusive...”.
— E belo soco direto – suspirou, mexendo um pouco o maxilar, que ainda doía.
Não podia negar, ela era atraída pelo perigo. Era mais atraída ainda se o perigo se encontrasse no meio daqueles músculos e daquela inteligência fenomenal.
— Eu tenho pouco tempo, loira – Gaara disse, ainda do lado de fora do local, mas alto o suficiente para ela entender que ele estava com pressa, e menos paciente hoje. Tinha achado mesmo que os dias estavam pacatos demais.
— Essas cordas parecem bem amarradas... – comentou, olhando para a parede acinzentada e sentindo a presença imponente do homem as suas costas. – Foi escoteiro?
Ele estralou o pescoço e as mãos, estendendo-as em seguida para que seu braço direito ultrapassasse as grades. Com o campo de visão limitado a só alguns graus para e esquerda e outros para a direita, ela focou nas cicatrizes em seu braço branco e torneado, que logo voltaram para trás e pressionaram seu pescoço na grade suja.
— Quanto dinheiro tem neste terreno?
“Então vocês ainda estão dentro. Isso é ótimo. O que ele é? Um policial? Um mercenário? Assassino?”. Shikamaru sussurrava mais para si mesmo, já que Ino não poderia responder nem se quisesse.
Ela mal conseguia tossir, sendo prensada como um inseto.
— T-tira... as mãos... de mim...
— Não tão cedo. Quero que saiba que, aqui, quem tem o controle sou eu. E nada...
A loira sentiu uma dor nunca antes manifestada. Parecia que uma série de sinapses tinham sido interrompidas bruscamente, e seu cérebro havia parado de funcionar e voltado infinitas vezes no tempo de só alguns segundos. Gritou. Sua cabeça latejava, o que foi parando com o passar de alguns minutos, que também poderiam ser horas.
— Nada pode estar alheio aos meus olhos.
Dito isso, enquanto ela ofegava e encarava o chão, tentando não fechar os olhos, o protótipo colocado para que Shikamaru pudesse ver o que via fora retirado. Era estranho saber que realmente estava sozinha ali, depois de tanto tempo. Sua mente nunca fora tão espaçosa desde do implante. Antes de desmaiar, pensou que, talvez, aquilo fosse até um pouco solitário. Ela e Gaara, o até então pouco conhecido que havia driblado as coordenadas do homem mais inteligente que conhecia... até então.
Dia 4.
Sentiu cheiro de café, daqueles bem fortes, sendo coado. Tentou não abrir os olhos, porque se sentia um pouco tonta, mas percebeu que não estava deitada no chão úmido e duro dos últimos dias. Podia jurar, até, que havia um lençol ali. Se prestasse bem atenção, perceberia que uma música clássica tocava suavemente. Tentou se mexer, com medo de ainda estar amarrada e fazer um estrago maior em seu corpo... tomou cuidado, foi aos poucos levantando, e percebeu que tinha alguns curativos pelo corpo, e que o pescoço já não doía tanto.
— Gaara? – ousou chamar, abrindo um pouco os olhos e percebendo que estava em uma casa aberta e clara, rodeada por vidros e por uma mobília branca novíssima. Era quase uma casa de veraneio para passas as férias, com a diferença que havia passado os três últimos dias em cativeiro.
— Consegue enxergar direito?
Ela virou-se, vendo o homem sem camisa parado a sua frente. Levantou a cabeça e percebeu que ele estava muito mais a vontade, segurando uma grande xícara.
— Que porra é essa...
— A minha casa – respondeu ao sussurro. – Eu não me senti confortável em trazê-la para cá com Shikamaru vendo tudo. Vocês são... bons no que fazem. Ela a acharia.
— Ele vai me achar de qualquer forma – respondeu, ríspida. Gaara olhou para ela com um misto de surpresa e um sorriso caçoado.
— Ah, não. Não você. Eu me referia à casa.
Ah, claro.
— É realmente uma bela casa – sorriu a garota, sentindo o estomago revirar e a adrenalina tomar conta de seu corpo. – Realmente, faz o nosso tipo de lugar.
— Faz, não é? – ele, então se sentou, olhando para ela com cuidado e estendendo a grande xícara. – Beba, vai melhorar. É medicinal.
— Eu... estou um pouco confusa.
— Quando eu disse, na cela, que aquela era a minha – apontou para as fotos de sua equipe, colocadas na parede junto com grandes mapas –, eu quis dizer que era realmente a minha. Há dois anos. Eu venho procurando vocês há anos e tentando desvendar seus métodos. Mas... mais especificamente, você.
Ino sorriu um pouco, bebendo o café para esconder sua animação evidente.
— Você é fascinante.
— E precisou acabar comigo primeiro porque...
— Shikamaru. Ele lê as pessoas bem demais e me acharia facilmente demais se estivesse me vendo agora.
— Muito inteligente.
— Loira... – disse lentamente, subindo a mão até seu queixo arroxeado e acariciando – nós funcionaríamos tão bem juntos. Você sente também, não é?
— Eu já funciono bem o suficiente com o meu grupo.
— Não é o que pareceu. O que pareceu é que você faz o trabalho sujo.
Ela encarou os olhos que fitavam os seus de forma quente. Sentiu os pelos arrepiarem e agradeceu aos céus porque estava sozinha ali.
— Eu nem sei o que você é, o que faz...
— Você pode dar um palpite.
— Um policial?
— Tsc.
Ela riu, pendendo a cabeça um pouco para o lado, como se estivesse analisando.
— Um mercenário. Tal qual eu. Um dos bem sucedidos, eu diria – respondeu depois de algum tempo olhando para a casa gigantesca.
— Vamos fazer um acordo. O dinheiro enterrado, pela minha parceria. Eu sou bom nisso, loira. Melhor que aqueles dois juntos. E você é boa demais também.
Seus olhos eram convincentes. Para falar a verdade, Ino sentiu a adrenalina e tentou não colocar isso como pauta principal de seus pensamentos. Era leal aos seus amigos e não seria tão fácil fazê-la mudar de lado. Pelo menos ela achava que não. Acontece que, com Gaara, as coisas eram diferentes. Ele tinha um ar sério e profissional, ao mesmo tempo que a encarava como se quisesse tirar suas roupas. Talvez ele quisesse. Teve de pensar, porque aquele era um ótimo ramo se você queria ficar rico, mas as vezes era muito solitário. Ele ficou dois anos procurando por ela. Dois anos admirando todos os seus trabalhos, os seus feitos...
— Está quieta demais. Sempre esteve, por aqui. Eu diria que não é assim com seus parceiros.
— Eles são pessoas em quem confio.
Ele se inclinou, abaixando a voz alguns tons.
— E é disso que você gosta? Confiar?
Não era. Ele sabia que não era e que ela sentia o sangue ferver por estar em perigo ao lado dele. O mistério, a decisão por novas aventuras, novos muros para serem ultrapassados com uma nova pessoa. Um homem capaz, totalmente inteligente e que lhe causava arrepios. Era disso que gostava.
— Eu te mostro onde está.
— Amanhã. Descanse mais um pouco hoje.
Dia D.
— Você atirou em mim?
Ela disse, incrédula, mas não tanto. A nossa situação já estava traçada dessa forma há aproximadamente cinco dias. Seu tom dizia que ela já sabia que aquilo era uma possibilidade. Eu, o não confiável, era uma bomba relógio cheia de traição prestes a explodir.
— Filho da puta... – eu esperei que ela percebesse o que estava acontecendo antes que eu tivesse que dizer. Capacidade para isso, pelo menos, ela tinha. A primeira parceria que eu tinha travado em toda a minha vida. Ela era especial.
Foi quando ela estava prestes a cair que eu percebi. Talvez o seu emocional precisasse ser mais trabalhado. Condições físicas eram o seu forte, mas, com Shikamaru em sua mente dando todas as coordenadas, a preocupação com as possibilidades não eram o seu forte. Tanta inteligência usada apenas como casca... Ainda bem que eu poderia reverter esse dano e todo o tempo perdido.
— Ei ei ei, não no meu turno, loira. Onde é que está o dinheiro?
— Filho da puta, filho da puta... nós tínhamos um acordo.
Eu a coloquei parcialmente de pé novamente, fazendo com que ela me olhasse novamente. Havia tanta raiva ali, que eu quase soltei um sorriso de satisfação.
— Era você, não era? Toda... a inteligência. Será que eu era mesmo só uma casca pros seus olhos, seu idiota? – o tom, no entanto, saiu um pouco diferente do que eu imaginei.
— O que?
— Shhh, Shikamaru – ah, sim. Alucinações. – Me deixe falar, seu abacaxi.
— Você pode morrer depois de me dar a informação.
Ela sorriu, como um alguém que, literalmente, ria na cara do perigo.
— Onde está? Hahahahaha... Ah, haha, realmente engraçado.
—Do que está rindo, garota?
— Tudo o que o sol toca – riu um pouco mais, fechando os olhos e apoiando em meu corpo endurecido pela tensão. Podia sentir que ela estava cansada. Ela olhou para mim de uma forma que eu tive vontade de beijá-la. Sabia que era a hora. – Tudo o que o sol toca, Gaara... é o seu tesouro enterrado. Faça bom proveito.
Coloquei o antídoto para a bala com o veneno na minha boca, encostando nossos lábios em seguida. Senti o líquido descer até a boca dela, que em alguns instantes recuperou a atividade e prensou meus lábios com mais força. Ela era realmente maravilhosa.
— Faremos bom proveito.
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