Casca

1 Vergonha


na sala quente

a água fria suando

e a perna sempre dormente.

a inquietude da caneta batendo,

até quando?

solidão, o tormento.

cada inalada um esmago

sente esmagar a alma metálica,

nervosismo indo embora num trago.

cada dia mais ela se torna máquina,

como os enfeites pálidos perdidos,

símbolos de olhos tristes.

o coração dela sofrido

entende a gélida cerâmica,

parada e de sentimento caído.

nas folhas verdes da vista

seu olhar pousa sempre dentro,

naquela tela cinza,

disfarçar no celular o tormento:

a vergonha de ser ela,

mas de estar ali na capa

que ela criou tão bela

encobrindo o que por dentro a mata.

da jaqueta azul o único colorido dela,

o restante só um cinza que cor almejava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.