Casamentos Complicados
2 Boas vindas
Notas iniciais
Então aqui está um novo capítulo, onde temos o comecinho de alumas coisas mais sérias... Aqui os sentimentos da Santana pela Brittany ficam mais claros, além de dar uma pista do por que do mau comportamento da Quinn.
Boa leitura!
BRITTANY'S P.O.V
A mudança era para acontecer daqui uma semana, mas eu fiz questão de agilizar o processo o máximo possível, então dois dias depois do meu encontro com Santana nós já estávamos dizendo para os homens fortes onde colocar os móveis.
- O sofá fica do lado direito da sala! DI-RE-I-TO! — Ralhava Quinn com o homem grávido.
Eu senti pena dele, porque além de carregar o sofa ele ainda tinha que carregar seu bebe, mas mesmo assim decidi não intervir para não receber gritos da Quinn em troca.
- Você pode deixar a cama no quarto maior. — Orientei os dois homens que carregavam nossa cama de casal. — Mas o lado direito tem que ficar virado para a janela, porque se não a Quinnie não consegue dormir...
Senti um par de braços passar por minha cintura e por alguns segundos desejei que fosse os de Santana.
- Obrigada por isso, Britt. — Ela agradeceu e me deu um beijinho na bochecha.
Se não fossem as alianças em nossos dedos, eu poderia pensar que eramos apenas boas amigas.
- Não foi nada... O Lord T. quem sempre reclamava quando você não conseguia dormir e ficava se mexendo na cama...
Quinn se soltou de minha cintura e ficou de frente para mim.
- Olha Britt, eu sei que você sente falta dele, mas deixá-lo foi para um bem maior. — Um bem muito maior do que ela pensava, eu diria. — Além disso, você ficou tão empolgada com a mudança de uma hora para a outra...
Senti meu coração falhar ao pensar em Santana logo no apartamento da frente.
- Ah, é-é... É que esse apartamento é tão grande que eu pensei que seria melhor já nos mudarmos, sabe, para nos acostumarmos...
- Hmm... Aqui é mesmo grande... — Ela sorriu e balançou a cabeça. — Você tem razão, temos que nos acostumar o quanto ant...
Quinn se deteve em sua fala e pescou o celular do bolso da calça, ao ver quem estava ligando ela deu um pequeno sorriso e fez sinal que ia atender em outro lugar. Eu a observei sumir pelo enorme apartamento antes de suspirar.
Quinnie vinha recebendo milhões de mensagens e ligações a todo o tempo, todos de seu trabalho. Talvez porque suas fotos ficavam mais famosas e mais pessoas queriam contratá-la. Eu ficava chateada no começo, mas depois não mais.
- Senhora? — Chamou o homem grávido, me fazendo despertar de meus pensamentos. — Nós já acabamos com a mudança.
- Ah, certo. Tudo bem, só espere a Qu... Quero dizer, a minha esposa voltar que ela vai pagar vocês, o.k.?
- Certo, certo. Vamos estar ali no corredor.
Alguns segundos depois que o homem saiu Quinn voltou com um enorme sorriso.
- É... eu... eu tenho que ir, apareceu uma coisa no trabalho e...
- O.k., eu entendo... Te vejo no jantar?
- Eu... acho que não vou chegar a tempo, me desculpe.
- Tá, tudo bem...
- Certo. Tchau, Britt.
- Tchau... Ah, não se esquece de pagar os moços lá fora!
- Tá legal, tchau! — Ela disse e saiu fechando a porta logo atrás.
Eu suspirei e observei o apartamento que parecia duas vezes maior sem ninguém.
Eu totalmente precisava achar algo para fazer o resto do dia.
***
Passei boa parte do resto da manhã tentando me esquecer de que Santana morava apenas um corredor de distância e que minha suposta esposa tinha me trocado por trabalho no primeiro dia em nosso novo apartamento.
Na hora do almoço eu já sentia minha barriga roncar de fome, mas não tinha nada na geladeira de nossa nova casa. Droga, eu tinha me esquecido de que os duendes estavam sempre esperando a oportunidade certa para roubar comida.
Foi então que eu decidi sair para comer alguma coisa. Coloquei um tênis com gatinhos estampados e peguei as chaves do carro. Abri a porta do apartamento e quase atropelei a San, que estava parada na porta com uma panela nas mãos.
- S-San! O que v-você está fazendo aqui?
- A-ah... O-oi B-Britt... E-eu estou s-só...
- Ai meu Deus! Não me diga que a porta estava falando com você?! Eu quero ouvir o que ela está dizendo também!
- N-não! Eu não estava falando com a porta, e-eu só...
- San, suas bochechas estão todas vermelhas! Acho que você está doente ou algo assim, porque isso não é muito comúm com seu tom de pele...
Santana corou ainda mais difícil com a minha observação. Eu sei que era maldade, mas eu sempre gostei de deixá-la vermelhinha.
- N-não... e-eu... eu só... eu trouxe... aqui... — Ela me entregou a panela que segurava. — Eu trouxe isso como boas vindas...
Só pelo cheiro que saia da panela eu já sabia exatamente o que era, apesar de fazer mais de cinco anos que eu não comia uma dessas.
- Sua macarronada especial... Não acredito que você se lembrou! — Eu comemorei, sentia meu coração tentando saltar para fora do peito.
- E-eu sempre me lembro de você... — Ela disse em um sussuro.
- O-oi?!
- N-nada! Nada! — San respondeu rapidamente arregalando os olhos. — E-eu acho melhor você comer logo, antes que esfrie...
- O-obrigada, San.
- Não foi nada. — Ela sorriu seu sorriso de covinhas para mim. — E-eu acho que já vou então...
- Não! — Falei um pouco mais alto do que gostaria. — Q-quero dizer, você pode comer comigo, se quiser, tem bastante comida e eu estou sozinha...
- S-sozinha?
- É...
- Tipo... Sozinha mesmo? Não tem nenhum... hã... nenhum alguém na sua vid- Quero dizer, aí na sua casa?
- N-não, niguém... Ninguém mesmo!
Pela primeira vez eu dei graças a Deus que Quinn tinha saído logo pela manhã.
- C-certo, não tem problema ficar para o almoço então... — Ela concordou e eu lhe dei espaço para entrar.
Acontece que um almoço se transformou em uma tarde inteira, onde conversamos sobre tudo o que fizemos esses anos separadas — exceto sobre relacionamentos, o que mais me interessava e o único assunto que eu não podia falar sobre — e além de ouvir sua linda voz e sua risada perfeita nas vezes em que eu contava alguma trapalhada ou notícia sobre o Lord T., também pude observar sua beleza de outro mundo. A forma como os cabelos mais claros e cheios de luzes parecerem algodão de tão leves e soltos, ou como as covinhas apareciam a cada sorriso cheio de dentes perfeitamente brancos, ou o quanto seus lábios pareciam duas vezes mais convidativos cada vez que ela passava a língua sobre eles para umedecê-los, ou como sua pele morena parecia ser tão macia e tocável, ou como seus seios faziam um leve volume na blusa branca solta, ou como suas coxas pareciam mais firmes quando cruzadas... Bem, é claro que eu não ficava encarando fixamente o tempo todo, mas algumas vezes eu acho que a San pegava meus olhares, então eu tratava de fingir que tinha algum bicho voando pelo dela. Acho que a desculpa funcionava, porque ela só abanava a mão e sorria.
- Acho que você vai ter que comprar uma daquelas telas contra insetos... Tem muitos "bichinhos" no seu apartamento... — Ela comentou com um meio sorriso.
- A-ah... P-pois é... V-vou comprar sim...
Santana ia dizer mais alguma coisa, mas foi interrompida pelo toque de seu celular. Ela olhou no visor quem era e disse:
- Ah... É meu agente... Desculpe, eu preciso atender...
- A-ah! O-o.k.! É melhor não deixá-lo esperando...
San assentiu e se afastou para a janela da sala enquanto atendia o celular. Só naquele momento eu me dei conta de que já tinha anoitecido e de que tínhamos passado a tarde inteira conversando. Eu observei quando San discutia com alguém do outro lado da linha.
- Mas que carajos! Eu já te disse para não aceitar! Será possível que sua incompetencia é tão grande que nem isso você é capaz de fazer? — Ela ficou alguns segundos em silêncio ouvindo a pessoa do outro lado da linha. — Quer saber? Não faz mais diferença. Pode tirar o resto do dia de folga. Ah, aproveite e tire o resto do ano também, porque você está DES-PE-DI-DO! — Mais silêncio. A pessoa do outro lado parecia tão desesperada que eu podia ouvir seu chiado de onde estava. — Que diabos cinco filhos, Arnaldo? Você não tem nem um pênis, imagine uma mulher para fazer cinco filhos! Tudo o que você tem é essa sua pança, que eu ainda acredito que viva uma família inteira de humanos aí dentro de tão grande que é essa merda! Agora faça algo que preste e vá arrumar outro emprego, ou a mudança para o porão da sua mãe, o único lugar em que você ainda vai conseguir morar!
San desligou o telefone na cara do homem Arnaldo e voltou para o sofá.
- Eu... Desculpe por isso... — Ela pediu com uma carinha envergonhada. — É só que... Eu disse para ele que não queria fazer propaganda de tênis...
Eu sorri para sua repentina mudança de comportamento comigo. Algo que me fez pensar se talvez ela não me achava merecedora de sua raiva, o que me fez mais feliz ainda.
- Hei... Tudo bem... — Eu tratei de acalmá-la. — E parece que a titia Snixx ainda está em algum lugar da nova Santana...
Ela sorriu divertida.
- É... Tem coisas que não mudam.
Tipo meu amor por você. Era o que eu queria dizer, mas é claro que ao invés disso eu disse algo bem idiota do tipo:
- O chulé também não.
- Hã... O que?
- N-nada! Esquece... Eu não pensei direito...
Ela riu mais uma vez, deixando suas covinhas a mostra.
Só Deus sabe o quando eu me controlei para não me jogar em cima dela e beijá-la como eu desejava.
San pareceu que ia dizer mais alguma coisa, mas seu celular a interrompeu novamente. Seu sorriso murchou ao ver quem era pelo indentificador.
- É o Arnaldo de novo? — Perguntei.
- N-não... é... É outra coisa... E-eu tenho que ir Britt... — San disse recusando a chamada e se levantando do meu sofá.
Senti meu coração murchar com suas palavras.
- Ah... O.k...
- Me desculpe mesmo, mas eu tinha combinado de jantar com uma publicitária e me esqueci totalmente...
- V-você vai em um encontro então, San? — Perguntei tristemente.
Eu não queria dar muito na cara, mas isso estava se tornando meio difícil.
- N-não! Não é um encontro... É um jantar de negócios, Britt...
-A-ah! É-é claro que é! Heheh... Eu abro a porta para você. — Eu disse me levantando e seguindo para a porta em uma tentativa de esconder meu rosto corado.
- Está me mandando embora?
- N-não! Claro que não! Mas eu não quero que você chegue atrasada no jantar de negócios, San... Não seria bom para sua imagem de celebridade.
San sorriu e se postou do lado de fora da porta.
- Hum... Tudo bem então, dessa vez eu aceito suas desculpas para me mandar embora. — Eu sorri junto com ela. — Mas vai ter que me recompensar da próxima vez.
- R-recompensar? — Perguntei engolindo em seco.
- É! Eu vou querer comer seu famoso bolo de chocolate!
Eu me amaldiçoei internamente por ter pensado em tantas recompensas poluidas. Tipo coisas que incluiam nós duas sem roupa nenhuma, e de preferencia comigo no meio de suas pernas.
- C-certo! Na próxima teremos bolo de chocolate então...
- Combinado... Então... Até mais, Britt. — Ela sorriu e se ergueu na ponta do pés para me dar um beijinho na bochecha.
Eu quase senti meu coração santar pela boca ao sentir seus lábios carnudos contra a minha pele.
- A-até mais, San...
Santana acenou uma última vez antes de entrar em seu apartamento. Fechei a porta um pouco atordoada pelo pequeno contato de segundos atrás.
Definitivamente, me mudar tinha sido a melhor coisa que eu já tinha feito.
Notas finais
Enfim, no próximo capítulo teremos fortes emoções, então preparem-se!
Beijos e obrigada novamente a todas.
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