Casamento por obrigação
24 Capítulo 24
Os dias da visita haviam voado como o vento nas montanhas de Filandia. Dona Catalina Angel precisava urgentemente voltar para o seu trabalho de coordenação na faculdade da Capital e levaria a Aura Maria de volta com ela no jipe de linha. A despedida no pátio dos fundos foi cheia de dengo caipira.
— Eu vou sentir uma saudade mui grande de você, minha rainha da cidade grande... — choramingou Freddy, segurando as mãos dela com o sombrero de lado.
— Eu também vou sentir saudades, meu galã da fazenda — sorriu Aura Maria, piscando o olho.
— Pois fique sabendo que eu vou pedir uma licença e um adiantamento para o Seu Armando para irmos até a Capital te visitar no asfalto! Você estará me esperando de braços abertos, mamita?
— Claro, com toda a certeza... — disse ela, com uma ponta de dúvida na voz. — Mas me avise com uma boa antecedência por carta, ouviu bem?
— Quem sabe eu já não apareça por lá na outra semana! — animou-se o peão.
— Ai, Freddy, eu realmente já tenho que ir entrando no carro, a Dona Catalina está buzinando! Tchau!
Aura Maria havia gostado de verdade do chamego do Freddy, o peão tinha uma pegada forte, mas a verdade nua e crua é que ela ainda era mui jovem para se comprometer com namoro sério de roça. O homem morava longe por demais, nas brenhas do interior, e ela não queria de jeito nenhum passar os seus dias na Capital chorando e suspirando à distância por ele, como a sua amiga Betty passara a adolescência inteira fazendo pelo patrãozinho. Ela não ia perder as melhores oportunidades de curtir a rumba da cidade grande por causa de promessa de arriero.
Falando em suspirar, a cabeça de Beatriz Pinzón havia mudado por completo. Depois de ter sentido aqueles lábios carnudos de Armando Mendoza beijando-a com um desejo reprimido na noite do baile, a Rainha Paisa havia deixado a timidez de lado e passou a provocá-lo deliberadamente todos os dias. Usava saias um bocado mais apertadas que moldavam o seu quadril, perfumava-se com aroma de frutas vermelhas e, na escolinha dos peões, abaixava-se mui lentamente para recolher um lápis ou um giz caído no chão, frente a Armando, o que não passou despercebido por Karina.
No final da aula dos adultos, a fúria da Karina explodiu. Assim que os peões cruzaram a porta, a loira marchou firme até a mesa de Armando e desferiu-lhe um soco violento no estômago musculoso.
— Ave maria! Mas o que é isso, Karina?! Ficou maluca e dando uma de louca varrida agora no meio da escola?! — esbravejou Armando, curvando-se de dor e massageando o abdômen.
— Maluca está a sua avó, Armando Mendoza! Você não para um único segundo de secar com os olhos aquela menina sonsa da filha do caseiro!
— O que diabo você está querendo insinuar com essa calúnia, mulher?
— Estou insinuando o que este galpão inteiro já sacou, Armando! Que você está louco para levar aquela sonsa da Beatriz para o meio do feno da sua cama! Que nojo, Mendoza... uma pirralha, uma menina caipira daquela idade!
— Você está mui louca e histérica, exatamente igual à Marcela Valência! — Armando berrou, o peito subindo de fúria. — Vocês duas andam enxergando assombrações e coisas onde não tem absolutamente nada!
— Sei... eu te conheço mui bem, Armando. Eu conheço o faro do Tigre quando está com fome. Eu sei perfeitamente bem que você deseja o corpo daquela Beatriz!
— Mas que mentira deslavada! — mentiu ele, com o maxilar cerrado de nervosismo. — A Betty é como se fosse uma irmãzinha de sangue para mim! Uma moça pura da família!
— Ah, é? Pois então prove, Mendoza! Prove para toda a fazenda que você não liga nem um tiquinho para as curvas dela! Mande essa sonsa de volta para a Capital hoje mesmo! A Dona Sofia já mandou uma carta dizendo que está recuperada da licença-médica e já pode voltar a dar as aulas amanhã cedo! Nós não precisamos mais dos serviços da Beatriz Pinzón aqui dentro!
— Não! — o rugido de Armando fez as telhas da cabana vibrarem. — A Betty não vai embora de jeito nenhum! Ela é estritamente necessária para o andamento deste projeto!
— Necessária para o projeto da escola... ou necessária para saciar os seus desejos, Armando? — debochou a loira, com a mão no quadril.
— Ela é uma excelente professora, os alunos e os peões adultos gostam mui dela, respeitam a didática dela e ela não vai arredar o pé desta Fazenda Laços, ouviu bem?! É a minha palavra final!
— Você é um tarado imbecil, Armando Mendoza! Um sem-vergonha!
— Não fale nesse tom comigo nesta propriedade, Karina! Me meça as suas palavras, porque eu ainda sou o diretor legítimo deste setor e o seu chefe! — avisou ele, com a voz rústica e perigosa de patrão.
— Você é um abusador de autoridade, isso sim! Eu vou direto ao vilarejo denunciá-lo para as autoridades!
— Pois tente a sua sorte, Karina! Vá correndo! Todo o mundo nesta região sabe mui bem que era você quem vivia se mostrando sem camisa e rebolando as cadeiras para mim atrás dos estábulos para tentar ganhar o cargo!
— Seu canalha completo! — gritou a loira, desferindo um tapa estalado no rosto másculo dele.
Armando segurou o pulso dela com uma força desmedida, os olhos injetados de ódio, sibilando bem perto do rosto dela:
— É melhor que você comece a se comportar mui bem e mantenha a sua língua dentro da boca, se quiser manter o seu emprego e o seu salário nesta fazenda, Karina! Agora suma!
A professora loira saiu batendo os pés com fúria, bufando de humilhação, e quase derrubou o Freddy que entrava na soleira com uns arreios de couro.
— Perdão, professora... mas desculpe-me o mau jeito! — assustou-se o capataz. — Valha-me Deus, mas o que foi que eu fiz para essa mulher sair bufando desse jeito?
— Não liga não, Freddy... Esta Karina é uma louca varrida! — resmungou Armando, limpando o canto da boca. — E diga-me uma coisa... onde está a Beatriz? Ela já recolheu os cadernos?
— A bela professora Beatriz já saiu há mui tempo, Don Armando — avisou o capataz.
O semblante de Armando fechou-se na mesma hora, uma ponta de ciúme apertando o seu peito.
— Mas como ela já saiu? Ela foi embora acompanhada por algum daqueles peões adolescentes da sala? — quis saber, rústico.
— Não, patrãozinho. Ela foi mui sozinha. Disse apenas que o calor de Quindío estava forte e que queria caminhar um bocado pela trilha para arejar as ideias.
Armando não respondeu. Juntou os livros de finanças com pressa; iria terminar de corrigir as lições dos adultos trancado em sua casa.
Minutos depois, enquanto caminhava a passos largos pela trilha de terra batida, Armando estava passando pela divisa do lago rústico quando avistou uma muda de roupas finas da Capital deixada sobre o cascalho da beira. Ele travou os passos na hora. Conhecia perfeitamente bem aquele tecido lilás que a Camila havia enviado.
Lá no meio da água cristalina, Betty se banhava usando apenas um biquíni de modelo retrô — uma peça discreta para os padrões da Capital, mas extremamente reveladora e pecaminosa para os olhos de um homem da roça, já que ele sempre estava acostumado a vê-la mui coberta com vestidos longos. A jovem brincava com a água, pulava sob os raios de sol, mergulhava feito uma sereia. Tinha a alegria ingênua de uma verdadeira criança, mas ostentava um corpaço de mulher feita, com curvas de porcelana de tirar o juízo.
Armando sabia muito bem que a moralidade exigia que ele virasse as costas e saísse correndo dali correndo... mas o seu corpo não obedeceu. O caubói ficou ali parado feito uma estátua, escondido de trás de um monte de capim alto, observando aquela visão com a boca aberta e os sentidos completamente pifados pelo desejo.
— Está calor por demais hoje nesta fazenda... — dizia Betty em voz alta para as águas, sorrindo de canto.
A Rainha Paisa sabia perfeitamente bem que estava sendo observada de rabo de olho pelo objeto de todos os seus desejos pecaminosos. Ela conhecia o peso dos passos rústicos de Armando e tinha escutado o tranco das botas dele atrás do monte.
— Tem algum vivente aí escondido na mata? — perguntou Betty, fingindo inocência, olhando de um lado para o outro enquanto ajeitava as alças do biquíni sob o sol.
Armando encolheu os ombros largos, procurando se ocultar ainda mais atrás do capim alto, com o coração batendo na boca.
— Ah, deixa de bobeira! Eu já o vi muito bem escondido aí atrás, Armandinho! Não adianta tentar se ocultar de mim — riu ela, nadando de costas. — O sol de Quindío está de rachar o crânio hoje... por que você não deixa esse orgulho de lado e vem se refrescar um bocado aqui na água comigo? Podemos tomar um banho gostoso, exatamente igual a como fazíamos quando éramos crianças correndo por este rio!
— Quando eu já era um homem e cavalgava por esta fazenda, você sequer existia no mundo, Beatriz! — rebateu ele, saindo de trás do mato com a voz rústica, tentando recuperar a pose de patrão sério.
— Ah, não faz tanto tempo assim, deixe de ser exagerado! — ela provocou, jogando água para cima.
— Eu sou um homem adulto, Betty. Tenho responsabilidades.
— E por acaso um homem adulto e forte não sente o calor da terra na pele, caubói?
— Eu tenho muito trabalho pesado para gerenciar na lavoura, Beatriz. Não posso ficar tomando banhos de rio no meio do expediente e deixar o algodão por fazer.
— O senhor é o chefe legítimo de tudo isso aqui, patrãozinho... Quem vai te dar bronca?
— Você sabe muito bem que as regras não funcionam dessa forma comigo, Betty!
— Sabe o que eu acho, Armando?... — ela se aproximou da margem rasa, deixando a água bater na cintura fina. — Se eu fosse uma daquelas camponesas faceiras da vila se banhando pelada no rio, você já teria tirado as botas e estaria tomando banho comigo há mui tempo debaixo dessa cachoeira!
— As coisas do mundo não são safadezas como a sua cabeça de estudante fica inventando, Beatriz! — ele cortou, o rosto queimando de vergonha e tesão.
— Pois então, já que o senhor é tão correto... por que ao invés de ficar aí plantado feito um cão de guarda me secando com os olhos, você não entrou na água de uma vez para tomar banho comigo como um amigo de verdade faz?
— Eu apenas estava passando com os livros e fiquei mui preocupado de te ver sozinha neste lago deserto. É perigoso! Agora chega de gandaia, saia da água e vá para casa se cobrir!
— Não vou não! O calor está tão gostoso que eu prefiro passar a tarde inteira nadando aqui. Você não quer mesmo ficar aqui comigo fazendo companhia, Armandinho?
— Como eu já te disse, Beatriz, eu tenho obrigações com o meu pai! Não quero você sozinha aqui, já te avisei que a mata tem os seus perigos.
— Ah, não se preocupe com a minha segurança, patrãozinho! — Betty deu um sorriso perigoso e sensual, jogando os cabelos negros molhados para trás. — Se você está mui ocupado com os seus afazeres de fidalgo... eu vou pedir para algum daqueles jovens peões fortes da escolinha vir aqui me fazer companhia e me vigiar no banho. -disse provocando-o
— Você gosta de me provocar e de me pisar no calo, não é, Beatriz?! — Armando sibilou, os olhos injetados de um ciúme doentio, dando dois passos na direção da margem.
— Ora... mas assim o senhor não precisa se preocupar com nada! Serão apenas "duas crianças" inocentes e puras se refrescando juntas na água do rio, não é o que você vive dizendo para o meu pai?
— Aqueles marmanjos da escola não têm inocência nenhuma no corpo, Beatriz! — Armando gritou, perdendo as rédeas do juízo. — Eles te olham naquela sala como se quisessem te devorar viva por causa dessas saias! Eu já fui adolescente e sei perfeitamente bem que tipo de safadeza passa na cabeça de um peão quando vê uma moça bonita desse jeito!
— Ah, é? — Betty semicerrou os olhos de café, provocativa. — Tipo as safadezas que passavam na sua cabeça agora há pouquinho, enquanto você estava escondido atrás do mato com a boca aberta me secando no biquíni?
— Eu... eu não sei do que você está falando! — gaguejou o caubói, o orgulho de macho capitulando.
— Pensei de verdade que você fosse um homem experiente e corajoso, Armando Mendoza... Mas vejo que é um covarde. Melhor que eu saia da água e vá pedir ajuda para os rapazes da lavoura, então! — desafiou ela, fazendo menção de nadar para o outro lado da margem. — Tenho a certeza absoluta de que aqueles rapazes fortes não terão nenhuma outra obrigação mais importante no mundo do que vir tomar um banho de rio aqui comigo hoje!
— Não se atreva a chamar peão nenhum para este lago, Beatriz! — berrou Armando, ameaçando tirar as botas.
— Ai!... Ai, meu Deus! — Betty soltou um grito agudo de dor, levando as mãos à perna.
— O que foi isso agora, Betty? Que palhaçada é essa?
— Uma câimbra!... Uma câimbra terrível na minha coxa! — ela exclamou, antes de começar a debater-se na água profunda.
— Eu não caio nessa sua lábia de Capital de jeito nenhum, Beatriz Pinzón! — Armando cruzou os braços, firme. — Saia logo desse rio!
— AI!... — Betty soltou um último gemido abafado, engolindo água, e afundou por completo no meio do lago, sumindo da superfície.
Ao ver que os segundos passavam e a moça não retornava para respirar, o desespero e o pavor de perdê-la rasgaram a alma de Armando Mendoza. Esquecendo as regras, o noivado e o próprio nome, o caubói atirou-se no lago com tudo, de botas, calça jeans e camiseta regata.
— Betty! Betty! — gritou ele, emergindo, antes de mergulhar de olhos abertos na água cristalina profunda.
O seu coração batia feito um tambor de guerra de puro desespero. Ele nadou até o fundo do lago e encontrou a silhueta dela imóvel. Armando a alçou em seus braços fortes com urgência, impulsionou o corpo para cima e quebrou a superfície, carregando-a até a margem de terra batida. Deitou o corpinho de porcelana dela com todo o cuidado sobre a relva úmida e, desesperado, inclinou o rosto para iniciar os procedimentos de primeiros socorros com uma respiração boca a boca.
No segundo em que os lábios carnudos de Armando tocaram os dela com aflição, Betty abriu os olhos de café com um sorriso vitorioso e soltou uma lufada de ar com uma risada curta:
— Toss! Toss! ...Eu sabia mui bem que um dia teria que ser você a tomar a iniciativa e me beijar de verdade, caubói! — brincou ela.
Antes que Armando pudesse protestar ou xingá-la pelo susto, Betty jogou os braços macios ao redor do pescoço dele, puxando-o para baixo com força, e selou os seus lábios em um beijo faminto, ardente e avassalador que fez as estruturas do caubói desabarem de vez. Armando entregou-se ao feitiço, correspondendo com uma selvageria rústica, invadindo a boca dela com a língua e explorando cada canto com uma sede que o castigava há semanas.
Quando se afastaram um bocado por falta de ar, Armando a encarava com os olhos virados de puro delírio, arfando contra o rosto dela.
— Desde quando... desde quando você se tornou essa mulher tão levada e perigosa, Beatriz Pinzón? — perguntou ele, com a voz rouca.
— Com tanta concorrência de dondocas e professorinhas coladas atrás de você nesta fazenda, meu herói... eu tive que aprender a usar as armas que a natureza me deu! — ela sorriu, possessiva, mordendo o lábio ferido dele antes de puxá-lo novamente. — Agora chega de conversa... Eu quero tomar este banho de rio junto contigo! Vem!
— Menina levada por demais!... — rendeu-se o Tigre, soltando um gemido de pura submissão.
Armando a puxou pela cintura e a sentou diretamente no seu colo debaixo da água morna do rio, com as pernas dela prendendo-se ao redor dos seus quadris. Ele estava apenas de calça jeans colada e camiseta regata branca molhada, exibindo toda a musculatura marcada, e ela no seu biquíni retrô lilás. Eles se beijavam com uma urgência animal ali na beira da margem.
— Me diga a verdade, Armando... — sussurrou ela contra o pescoço dele, distribuindo beijos lentos na sua mandíbula. — Eu beijo bem?
— Beija bem por demais... Beija mui gostoso, Betty — confessou ele, o orgulho totalmente destruído pelo feitiço. — Mas escute mui bem o que estou te dizendo: não ouse, nunca, jamais sair testando esse seu beijo com homem nenhum deste vilarejo, ouviu bem?!
— Isso vai depender puramente de você, caubói... — Betty provocou, roçando os seios no peito dele.
— Por que diabo depende de mim, Beatriz?
— Ora... para que é que eu iria sair por aí beijando os outros rapazes da roça, se eu tenho o homem mais forte e másculo de Quindío inteirinho guardado só para as minhas vontades?
— Ah! — Armando soltou um suspiro sôfrego, incapaz de conter a enxurrada de desejo.
Ele a apertou contra o seu peito com uma força possessiva de arriero bravo, tornando a sentá-la firmemente no seu colo enquanto repousava as costas em uma grande pedra que ficava submersa no meio do rio. Betty o acariciava com carinho na nuca, sentindo os dedos grandes dele adentrarem os seus cabelos negros molhados, enquanto a boca dele explorava a sua intimidade com a língua de forma profunda e dominante.
Na cabeça torturada de Armando, passava um filme completo: lembrava-se da mulher elegante e deslumbrante que havia descido daquele carro no primeiro dia — que ele desejara com fúria sem saber que se tratava de sua ex-feia —, lembrava-se dela cavalgando colada na sua garupa, e lembrava-se da provocação da saia curta na frente dos peões na escolinha. A Beatriz havia mudado por completo; não era mais a garotinha desajeitada da infância. Queria com todas as suas forças desgrudar daqueles lábios de amora e cumprir o seu papel de santo protetor, mas o seu corpo simplesmente não obedecia mais a nenhuma razão de sociedade. Ele estava completamente laçado.
— Ah, Armandinho!... — ela gemia entre os beijos, sentindo a virilidade dele pulsar dura contra o seu quadril debaixo d'água.
— Isto aqui é uma loucura sem tamanho, Betty... uma farsa perigosa com o seu pai... — ele arfou.
— E por acaso você não está gostando dessa loucura, meu caubói?
— Estou gostando... gostando até demais, para a minha própria ruína — confessou ele, rendido. — Mas eu devia me controlar... devia ter a decência de te enxergar apenas como a menininha de antes...
— Eu nunca, jamais te enxerguei como um irmão na minha vida, Armando Mendoza! Eu sempre, desde que era uma menininha desajeitada, te amei como o homem do meu futuro! E agora você é meu!
Eles finalmente saíram das águas calientes do rio de braços dados e continuaram a se beijar com uma paixão selvagem ali mesmo, deitados no meio da relva úmida da margem, enquanto o sol forte de Quindío secava os seus corpos unidos.
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A partir daquele batismo de desejo no lago, as coisas na Fazenda Laços mudaram de figura por completo. Para o mundo de fora, eles mantinham as aparências de patrão e filha de funcionário; mas entre os dois, agiam secretamente como um verdadeiro casal de namorados apaixonados.
Armando fazia questão de buscá-la e levá-la pessoalmente todos os dias na porta da escolinha rústica, gerenciando os horários; e Betty, para não provocar os ciúmes doentios e possessivos do seu peão bravo, voltou voluntariamente a usar as suas roupas mais comportadas e longas que CAmila a havia dado. Ela não precisava mais daquelas provocações de saia curta; preferia manter a postura séria e formal para todos os outros homens e peões da lavoura, no fundo tinha muito medo deles. Poderia acontecer como acontecer com o asqueroso do Daniel e não ter seu Armandinho por perto.
Logo após o término das aulas, os dois saíam a cavalo para sumir pelas divisas das plantações de café sob a luz da lua. A Betty continuava sendo uma moça pura e virgem no papel, de modo que o Armando procurava fazer de tudo e usava as suas últimas forças de homem feito para se controlar e manter as mãos nos limites da decência perante a honra do Seu Hermes. Não podia perder o horizonte do altar com os Valência por enquanto... mesmo quando a sua Bettica deitava a cabeça no seu peito, alisava os seus músculos destacados e o abraçava com uma força que o deixava completamente pifado de paixão e desejo na escuridão de Quindío.
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