Casamento por obrigação
21 Capítulo 22
Aura Maria ainda iria ficar uns dias, de modo que Betty iria ter a chance de lhe mostrar a fazenda toda.
—Ai-menina. Isto é tão lindo. Pensei que era um lugar parado, mas depois da festança de ontem. E estes rapazes que tem aqui, todos fortes. E viu como dançou ontem, aqui é muito querida!
—Sabe que nem sempre foi assim, sofri muito, ainda mais que na cidade. Principalmente, com aqueles Valência, da tal noiva do Armandinho.
—Aquela tem uma cara de nojenta. Ficou me olhando como se me fosse matar, puxou o braço do seu caubói. Acho que pensou que eu iria dar em Ai, amiga, não pense nada errado de mim! Ele é bonitão, mas sei como gosta dele e não me atreveria.
—Eu sei.
—Onde vai?
—Tenho que dar aulas na escola. E também vou Vê-lo.
—Você é louca por ele.
—Mas que isso, o amo, e mais agora.
—Você tem que fazer o que te disse. Seduza-o. Lembra dos filmes que te mostrei?
—Não teria coragem de fazer aquilo! Sou virgem, esqueceu?
—E pode ser um aperitivo a mais. Um homem experiente como diz que ele é nem deve ter tido esta chance.
—Ele me acha uma criança.
—Mas se...
—Não teria coragem. Sou muito tímida.
—Não pode perdê-lo para aquela enjoada.
—Vamos para a escola que estou atrasada.
As duas pegaram os livros e foram andando.
—Já cavalgou por aqui?
—Sim, com Armando, bem agarradinho.
Betty ficou vermelha e du uma risadinha.
—Bem aperrtadinho. -disse Aura Maria, mordendo os lábios.
As duas chegam na escola.
—Perdão, mas desculpe-me, mas a senhorita é aluna?
—Não, Freddy, ela é minha amiga da cidade. Estava na festa ontem.
Freddy tirou o chapéu e a cumprimentou, estava encantado com aquela moça.
Enquanto isso, Betty adentrou a sala de aula.
Armando que escrevia algo, levantou os olhos para olhá-la. Os dois se olharam.
Ela sorria, mas ele sentia que não podia ficar ali, não sabia como iria vê-la e atuar com ela depois daquele beijo. Apesar de ter sido beijado, correspondeu e aprofundou o beijo, Não deveria, tinha que a ter desencorajado e não aprofundado o beijo. Tinha que têg-la protegido de si mesmo.
Quando Aura Maria entrou na sala, foi a vez de Betty ter suas atenções divididas. Os rapazes, muitos que haviam dançado com Betty e Aura Maria estavam impressionados com as duas belas moças ali na frente e os hormônios começaram a funcionar.
—Pode sentar Aura Maria ou eles não vão conseguir ter aula!
—Aluna nova?
—Não, Aura Maria é da cidade e veio me visitar. Ficará poucos dias.
—Espere que mude de ideia. -disse um aluno
—Ojojo! Realmente os impressionou, Aura Maria!
Depois do término, Freddy ofereceu-se para levar Aura Maria e Betty para uma volta na fazenda e Armando vendo que estava protegida, saiu pela tangente.
Assim, foram outros dias.
—Ai, querida. Seu caubói faz de tudo para que não cruze com ele.
—Preciso dar um jeito nisso.
Havia visto-o na companhia de outras mulheres e ficado irritada. Para provoca-lo, aceitou a companhia de um jovem peão. Lógico que ele não gostou nada.
No dia seguinte, Armando estava cuidando dos cavalos, quando viu que alguém se aproximava. Percebeu se tratar de um corpo feminino e ficou curioso. Logo, comprovou ser Beatriz e ficou nervoso. Havia estado com mulheres de todos os tipos e quase todas as idades, mas Betty era diferente. Era um menina ainda e sua amiga. Não podia fazer com ela o que fazia com as outras, mulheres tão experientes. Não podia destruir sua vida.
—O que faz aqui, Beatriz?
—Estou sem sono e resolvi dar uma volta.
—Não sabe que é perigoso?
—Temos segurança na fazenda, não?
—Se for um forasteiro os jagunços irão atacar e tem ordem para matar, mas se um tipo como Daniel vier aqui, não poderão fazer nada, pois é constante nesta casa. De modo que poderá correr perigo. E posso não estar presente para te proteger de novo.
—Grata por preocupar-se comigo.
—Sempre me preocupo contigo. (disse Armando continuando a escovar os cavalos, evitando olhar para ela)
—Grata, Armando! -lhe dá um beijo na bochecha. –Mas sabia que você estava aqui e que não corria nenhum risco. Precisava vê-lo.
—Por quê?
—Porque sabe que gosto de você desde pequena. – acaricia seu rosto
—Isto não está certo, Beatriz!
—Sabe que não sentia nada por mim porque era uma criança, mas agora cresci. E sei que gostou do beijo que te dei.
—Beatriz está jogando um jogo muito perigoso.
—Por quê? Porque digo que gostou do beijo? Sei que gostou!
—As coisas não são assim.
—Por quê? Por que fala que vai se casar com a senhorita Marcela Valência? Acaso a ama?
—Não é fácil de explicar-lhe.
—Se a amasse, entenderia e trataria de esquecê-lo, mas sei que não a ama.
—Como pode saber?
—Se a amasse, não beijaria outras mulheres.
—Do que fala?
—Eu vi, não com uma, mas com várias. E até na sua festa de noivado.
—Estava vigiando-me?
—Não. Só queria falar contigo, sempre falamos. Não imaginava. Agora me lembro que sempre o via rodeado de mulheres.
—Já sabe que sou assim.
—Eu sei! Nosso beijo significou muito para mim. Nunca havia beijado ninguém e tinha que ser especial, tinha que ser contigo meu primeiro beijo! (Disse colocando a mão nos lábios)
—Er... o primeiro? Er, mas... Você é uma menina jovem e vai beijar muito ainda (doeu) por que fica atrás de mim? Sabe que não me prendo a mulher nenhuma!
—Por que ficou noivo de senhorita Marcela?
—Não entenderia!
—Entenderia se tentasse me explicar, não sou mais uma menina. Estou cursando administração e economia e me disseram que as coisas não tão bem na fazenda!
—Sabe que a fazenda passa por uma situação ruim?
—Sim.
—Então, a safra não foi boa. Choveu, tivemos praga e perdemos a produção.
—Estou sabendo. Mas não entendo o que isto tem a ver com ter que casar com a Valência. Não diz que somos amigos? Conte-me.
Armando explica e Betty fica indignada.
—Mas isto é um absurdo, não pode arruinar sua vida casando-e assim com alguém que não ama.
—Disse a eles, tentamos achar uma forma, mas não dá.
—Não a ama, tu dizes. Mas já amou?
—Não creio. Sentia desejo, mas...
—Desejo? -Betty ficou vermelha.
—Desculpe ter-lhe dito isto.
—Tem desejo por ela? -disse com ciúmes
—Não é assunto para falar com uma mocinha como você.
—Ainda deseja a senhorita sua noiva?
—Já a desejei muito, mas desde que começou este compromisso, já não me desperta mais nada e se acontece é por obrigação.
—Já fez amor estando apaixonado?
—Beatriz! Se teu pai te ouve falando estas coisas...
—Por isto, falo contigo que tem cabeça aberta e não com ele. Quando eu fizer amor, quando me entregar a um homem, quero que seja com quem amo, que seja especial e que nos desejemos como loucos.
Armando fica olhando para ela e não sabe o que dizer, aquela menina não poderia estar dizendo estas coisas. Será que era porque confiava nele ou anda dizendo estas coisas por aí, sente preocupação e ciúmes). Mas não me respondeu se já fez amor estando apaixonado!
—Não. Nunca me apaixonei, Beatriz, como te disse. E creio que nunca vai acontecer.
—Nunca é tarde para se apaixonar!
—Crê? Vou me casar em breve sem amor e não creio que a mulher certa vai aceitar dividir-me com outra.
—Nisto tem razão. O que sentiu com o beijo que lhe dei?
—Por que pergunta isso?
—Não sei. Tenho curiosidade. É um homem experiente e digo que sinto coisas por você e queria saber se beijo bem.
—Olha, Beatriz...
—Foi ruim assim?
—Olha, não quero falar disso!
—Por favor, quero sabê-lo.
—Só acho que não deve sair por aí beijando os homens, pois nem todos vão agir como eu e podem interpretar mal e querer abusar de você.
—Mas jamais iria sair beijando homens como disse, só beijei você. Diga-me, foi ruim assim?
—Não, não foi ruim.
—Quer dizer que foi bom?
—Beatriz!
—Por favor, Armando, preciso sabê-lo.
—Por quê?
—Porque confio em você e preciso saber se provoco reações em um homem como você.
—Betty!
—Não quer me dizer? Foi ruim, então?
—Está bem. Beija bem, muito bem para quem nunca beijou! Satisfeita?
—Bem, como?
—Não sei dizer, Beatriz! Foi há alguns dias e não poderia dizer mais. Não lembro (mentiroso) se tivesse me perguntado antes poderia responder-lhe.
—Então, não tem problema. –o abraça pelo pescoço-Beijo-o agora e poderá me dizer.
—Betty, acho que não é uma boa ideia!
—É sim. –roça os lábios nos lábios dele.
Como ela baixinha e ele é muio alto, ela se pendura um pouco para dar-lhe um beijo terno.
—Gostou?
—Gostei,mas...
Ela lhe dá outro beijo, desta vez mais com vontade, ele deita um pouco a cabeça e abre a boca. Ela lhe dá um beijo desses de língua, com vontade. Ele a segurava contra ele, aprofundando-lhe o beijo, ela sorri. Agora sabia que não era invisível para ele. Ele sabia que estava sentindo algo que estava sentindo desde que a viu voltar crescida e tão mudada. Quando a defendeu de Daniel, sentia-a tão frágil e desprotegida que a vontade era perguntar-lhe se daria a ele o beijo que negou a Daniel e pegar aquela menininha doce, que parecia uma boneca de porcelana e começar a beijá-la como fazia agora. Beatriz abria mais a boca e apertava seu pescoço o que fez beijá-la com mais vontade. A pegou e suspendeu-a contra a parede do estábulo.
Betty estava feliz e totalmente entregue, queria que ele seguisse beijando-a. Embora, fosse tímida com os homens, com Armando era diferente. O amava e se entregaria a ele se ele quisesse.
Betty o abraçou acariciando suas costas, assim Armando reagiu. Beatriz não iria rejeitá-lo, ia deixar que ele a fizesse sua ali naquele lugar. Ele podia sentir isso e teve receio. Mas não podia deixar acontecer.
—Não, Beatriz! Não contigo!
—Por que não?
—É uma menina e sou um homem!
—Mas sentiu algo com meu beijo. Desta vez percebi.
—Sim –com a voz rouca. Estava louco de desejo por aquela mocinha.
—Ficou com desejo?
—Beatriz!
—Posso senti-lo. Diga-me, sentiu-se assim da outra vez?
—Não. Foi mais terno e doce.
—Disse que não se lembrava!
—Beatriz. Disse que jogava um jogo perigoso para uma mocinha como você!
—Mas sentiu algo, sentiu! –estava tão feliz e desejosa de estar nos braços dele. Saiu do estábulo, acariciando os lábios.
Ele viu-a se afastar e tocou os seus, tinha sabor de amora com mel. Sorriu.
—Mas que levadinha ficou minha mocinha. –Olhou para sua excitação. –Calma aí, tigre! Ela é só uma menina levada. Não pode se aproveitar dessa situação.
—Ele me beijou! Me beijou de volta. E que beijo. Que homem tão divino. Será meu, Armando Mendoza! Totalmente meu.
Armando tentou esquecer, mas durante aquela noite, aquela moça povoou sua mente, sonhou que a beijava e faziam amor naquele lugar, no estábulo, com os cavalos em volta.
—Ai, menina. Por quê isso? É como uma irmã para mim.
Do mesmo modo, Beatriz sonhou com e ele beijando-a. Havia provado de verdade aqueles lábios e sabia que não era indiferente a ele.
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