Casamento por obrigação
18 Capítulo 20- Planos
Notas iniciais
Beatriz Aurora sabia perfeitamente bem que o Armando não amava a Marcela Valência, por mais que o noivado oficial estivesse de pé e toda a alta sociedade comentasse sobre o casório [🎭]. Para ela, não entrava de jeito nenhum na cabeça como aquele homem de terra, tão legal, generoso e maravilhoso com os peões, podia aceitar aliar-se com a filha mais velha dos Valência, que se achavam melhores que todo o vivente por aquelas bandas. Intrigada, ela já havia tentado arrancar alguma fofoca de sua mãe, a Dona Júlia, na beira do fogão.
— Ai, minha filha, você não deveria ficar me perguntando essas coisas de patrão... — lamentara a mãe, com a voz cansada. — Não é do nosso bico nos envolver nos assuntos da casa grande.
— É que eu simplesmente não entendo, mamãe! — insistira Betty, ajeitando as xícaras de café. — O Armando é mui bonzinho, sempre foi gentil e protetor com o pessoal da roça, tão diferente daqueles Valência esnobes!
— Ai, Beatriz Aurora... Não fale assim deles de jeito nenhum! Nós somos os funcionários e temos que respeitar o sobrenome de quem dita as ordens.
— Em primeiro lugar, mamãe... Eu estudei na Capital, tenho minha formação e não trabalho como empregada nesta fazenda! E se estou ajudando na escolinha, é por pura fidalguia e para amparar vocês! Os verdadeiros patrões aqui são os Mendoza! A Dona Margarida, o Seu Roberto e o patrãozinho Armando! Os Valência não mandam em nada aqui dentro!
— Pois fique sabendo que mui logo o Seu Armando vai contrair matrimônio com a Senhorita Marcela, e metade desta Fazenda Laços será dela também! — avisara a mãe, limpando o balcão. — Ela também será a nossa patroa de papel assinado!
— Isto nunca, mamãe! Nunca mesmo! — Betty batera o pé na terra batida, o olhar faiscando.
— Filha, o que você está querendo dizer com esse desaforo?
— O que quero dizer é que o senhor não me respondeu até agora o motivo real de o Armando ser obrigado a se casar com aquela mulher azeda.
— Isto é assunto de foro íntimo deles, Beatriz Aurora! E o seu pai já proibiu que se fale disso pelos estábulos. O fato consumado é que as alianças já estão compradas e eles vão se casar!
— Pois eu duvido! Duvido mui seriamente que ele suba naquele altar com ela!
— Filha! Pelo amor de Deus!
— E tenho dito, mamãe! O Armando não se casa com a Senhorita Valência de jeito nenhum! — dissera Betty, cantarolando com audácia antes de sair da cozinha de suetão, quase abalroando o peito de Seu Hermes que entrava pela porta.
— Desculpe o mau jeito, papai! — gaguejara ela, ajeitando as pastas.
— Onde você vai com tanta pressa e essa cantoria, Beatriz? — cobrara o contador, de cenho franzido.
— Tenho que ajudar o Armandinho a passar as lições e os cadernos para as crianças da colheita. Benção, pai!
— Seu Armando! Quantas vezes este velho pai vai precisar te repetir que devemos chamar o filho dos donos de Seu Armando, Beatriz Aurora?! — esbravejara Hermes, batendo o chapéu na mesa.
— Ele não é o meu patrão, papai. É o meu amigo de infância!
— Amigo ou não, ele é um homem feito e está prestes a se casar!
— Tchau, pai! — Betty saíra marchando antes de ouvir o resto do sermão.
Quando Betty saiu correndo e levantando poeira, os pais continuaram a prosa:
—Não sei, não, Júlia! Estou preocupada com esta menina!
—Não há nada para se preocupar! É uma boa menina.
—Eu sei. Mas é muto foguenta. E estes daqui são tão ruins quanto da cidade, não podem ver uma moça de família que querem abusar dela.
Júlia fez o sinal da cruz.
—Seduzem para terem o que querem e depois abandonam.
—Mas nossa filha é esperta! Não cairia na lábia desses tipos!
—Não sei, Júlia! O diabo é porco! E trabalhamos muito, não dá para vigiá-la o tempo todo. Nesta fazenda mesmo há muitos perigos. Freddy e Wilson estão de olho na menina! Já os vi esticando uns olhares!
—Eu vou falar com eles!
—Eu já falei! Mesmo assim não confio. Sabe como a menina é inocente.
—Mas pode ficar sossegado que o patrãozinho não vai deixar ninguém tocar um dedo na menina.
—Isso sei. Patrãozinho muito boa gente. Mas sabe que ele está para casar, não é? E a senhorita Valência não gosta nada que ele fica andando com Betty por aí! Nunca gostou!
—Eu sei.
—Por isso que quero propor a Seu Roberto que nos deixe fazer a festa da menina aqui, já que há tempos não passa conosco o aniversário.
— Que maravilha, Hermes! — sorrira Dona Júlia, com os olhos brilhando de esperança na sua cadeira de balanço. — A nossa Bettica merece!
— Mas não será uma festa comum de aniversário, Júlia... Fique sabendo — o caseiro firmara o queixo com teimosia.
— Como assim, homem? O que você está tramando na sua cabeça?
— Aguarde e verá. Eu sei mui bem o que faço para proteger o bom nome da minha filha.
-Ai, Hermes!
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No dia seguinte, no escritório de madeira escura do casarão principal, o Seu Hermes aproveitara o final do expediente da lavoura para abrir o coração com o patrão idoso. Ele tirou o chapéu de palha, girando-o entre as mãos.
— Sabe... me dói o peito ter que lhe dizer isto, Seu Roberto... mas a minha filha Beatriz Aurora já é uma moça feita. Ela atrai demais a atenção e os olhares de muitos rapazes da região.
— O que é mui natural, meu caro Hermes! — sorrira Roberto Mendoza, tragando o seu charuto com fidalguia. — A menina voltou da Capital mui deslumbrante, bonita por demais, e está bem na idade certa de arrumar um pretendente e namorar.
— Eu sei disso, patrão... mas me dói na alma ver que a menina que até outro dia brincava de boneca nos fundos agora já atrai o desejo desses marmanjos.
— Eu passei exatamente pelo mesmo sofrimento com a Camila, Hermes! Mas fique sossegado, tal como a minha filha, a sua Beatriz tem a proteção forte e o respeito do Armando. O meu filho não deixa peão nenhum passar da linha com ela.
— Eu sei disso e sou mui grato, Seu Roberto... Mas o seu filho não vai poder se ocupar o tempo todo em ser o cão de guarda da minha filha para o resto da vida, ainda mais depois que ele se casar e assumir as obrigações do sobrenome dos Valência.
— E o que o senhor pensa em fazer para resolver isso, Hermes?
— Eu vou oferecer a mão de Beatriz Aurora em casamento para um homem de bem — decretara o caseiro, firme.
— O quê?! — Roberto Mendoza quase engasgara com a fumaça do charuto.
— Isto mesmo que o senhor ouviu, patrão. O rapaz que quiser a mão da minha filha terá que provar perante este pai que a merece de verdade! Terá que ter um bom emprego na cidade, posição social, respeito e condições de cuidar dela com toda a decência!
— Um casamento arranjado, Hermes? Em plenos anos 90? — o fazendeiro erguera a sobrancelha, surpreso.
— Sim, senhor. O senhor sabe perfeitamente que, por minhas regras de proteção, a Beatriz nunca se casaria e ficaria sob as minhas asas para sempre... mas eu já estou ficando velho, patrão, sinto que não tenho mais o mesmo vigor de antes nos pulmões e preciso ter a certeza de que haverá alguém para ampará-la quando eu faltar. E quem melhor do que um marido de respeito para fazer isso?
— E você acha mesmo que a Betty vai concordar com uma imposição dessas, Hermes? Conhecendo a teimosia daquela moça?
— Mas ela não vai saber de nada, Seu Roberto! Esta é a questão!
— Como assim ela não vai saber? Você ficou maluco?
— A minha filha é mui teimosa, o senhor sabe, e nunca deixaria que este velho pai decidisse o seu destino amoroso em um papel. Por isso, tudo tem que acontecer de forma mui natural, sem que ela perceba a armadilha.
— Olha, Hermes... se eu tivesse outro filho homem nesta casa, eu seria o primeiríssimo a propor que ele a cortejasse! A Beatriz é uma moça de ouro, mui inteligente, está revolucionando a nossa escolinha e ajudando a aumentar a produção da colheita. Você tem uma joia preciosa em mãos.
— Eu sei disso, patrão! Por isso mesmo é que ela não pode acabar nas mãos de qualquer peão chucro ou de um aproveitador de rumba!
— Mas você já tem algum candidato de bem em vista para apresentar a ela?
— Por isso mesmo é que eu vim te propor esta festa de aniversário, Seu Roberto! Quero que os moços finos da região a conheçam. Como a Beatriz agora tem hábitos limpos da cidade e uma inteligência refinada, com certeza ela vai atrair a atenção de algum herdeiro de bem das fazendas vizinhas.
— Certo... Eu entendo a sua preocupação de pai, Hermes — ponderara Roberto, pensativo. — Mas pense mui bem antes de dar esse passo. Essa história de casamento consertado, de querer casar a sua filha quase à força, pode não ser uma boa ideia no final. A Betty é orgulhosa, ela pode ficar mui revoltada contigo!
— Com todo o respeito que devo à sua fidalguia, patrão... mas creio que o senhor não seja a pessoa mais indicada no mundo para me dar esse conselho perante casamentos arranjados — dissera Hermes, com uma ousadia de caipira que fizera o fazendeiro travar no lugar. — Perdoe-me a franqueza do linguajar, Seu Roberto, mas o que o povo e os peões andam comentando por toda esta fazenda é que o patrãozinho Armando não quer se casar de jeito nenhum com a Senhorita Marcela Valência. Que é pura obrigação.
Roberto Mendoza guardara silêncio por longos segundos, medindo o caseiro com o olhar, antes de soltar um suspiro pesado de fidalgo.
— Eu só vou ouvir esse seu desaforo, Hermes, porque tenho uma imensa consideração pelos seus anos de serviço fiel e porque sei mui bem o que o povo fala pelas biroscas da região. Sim... eu confesso que o casamento do Armando com a Marcela envolve um acordo de interesse entre as nossas famílias. Mas a grande diferença é que o Armando e a Marcela já namoraram no passado, eles têm uma história de pele! Creio apenas que falta um bocado de decisão da parte do meu filho de assumir que gosta dela, por puro medo que ele tem do compromisso e de perder a gandaia. Já está na hora de o Armando criar responsabilidade de homem feito! A Marcela gosta dele de verdade e tem a maturidade necessária para ser a patroa que vai fazê-lo sentar cabeça de uma vez por todas. Mas a sua filha... a sua filha Beatriz ainda é uma menina inocente, Hermes! É diferente!
— Fique mui tranquilo, Seu Roberto. Eu sei perfeitamente o que estou fazendo com o meu sangue — Hermes firmara o queixo, irredutível. — Nós faremos o que os Pinzón sempre fizeram na tradição: uma festa de apresentação para a sociedade, como uma dessas festas de debutantes da Capital, mas com a grande diferença de que ela estará comemorando a sua maioridade de dezoito anos. Assim, a Beatriz poderá conhecer rapazes de linhagem, ser cortejada como manda o figurino, e depois oficializaremos o compromisso com um pretendente de bem. Será um namoro longo e respeitoso, assim como o noivado. Tudo dentro da mais estrita decência, pois a minha filha deve chegar prístina e pura ao altar!
Roberto Mendoza soltou um sorriso de canto, erguendo o copo de dose sobre a mesa.
— Bem... aos planos, meu caro Hermes!
— Aos planos, patrão! — disseram, brindando com um gole forte de aguardiente.
Hermes havia colocado aquela ideia fixa em sua cabeça e, casmurro como ele só, ninguém no vilarejo de Filandia seria capaz de tirá-la de lá, ainda mais agora que contava com o apoio e o casarão do patrão Roberto Mendoza.
— Patrão, posso falar com o senhor? — pediu Hermes no final de tarde, aproximando-se da varanda.
— Sim, claro, Hermes! Diga de uma vez.
— É que eu andei pensando mui sério na nossa prosa sobre o aniversário da minha Beatriz Aurora... Como a data é daqui a duas semanas, eu gostaria sim de dar uma festinha para ela aqui na fazenda. Mas... o senhor me desculpe, eu fico até com um bocado de vergonha de pedir.
— Ora, tire essa bobagem da cabeça, Hermes! Para isso somos bons amigos de longa data.
— É que eu sei dividir mui bem as coisas, patrão. Não gosto de misturar amizade com os afazeres do trabalho de caseiro. Os Pinzón nunca foram de se aproveitar da boa vontade das pessoas.
— Diga logo de uma vez, homem! Deixe de mistério.
— Pois bem... Eu preciso que o senhor me dê a permissão para fazer essa festinha de dezoito anos para a minha filha aqui nas terras da Laços. Nada por demais chique, algo mui simples nos fundos... É que a maioridade de dezoito anos não se faz todo o dia, não é?
— Não mesmo, Hermes. Eu lembro mui bem quando a Camila fez os dela.
— Como eu haveria de me esquecer? — sorriu o caseiro. — Então, eu gostaria de fazer essa comemoração aqui na propriedade.
— No casarão principal, você quer dizer?
— No casarão? Não! Deus me livre, patrão! Nem mais faltava uma audácia dessas da nossa parte! Eu penso em fazer no terreiro da nossa casinha mesmo, com poucas pessoas da roça. Os amigos de infância que ela tinha, que eram mui poucos... nós da família, quem sabe a madrinha Catalina Angel e o primo Nicolás se puderem viajar de Bogotá, e as tias Pinzón.
— Hum, mui interessante, Hermes.
— O senhor me dá essa licença?
— Mas com toda a certeza do mundo! Você sabe perfeitamente o quanto a minha Margarida e eu gostamos daquela menina como se fosse do nosso próprio sangue, não sabe?
— Sim, patrão. Como tios verdadeiros.
— Mas tem outra coisa, Don Roberto... me perdoe o mau jeito do caseiro, mas eu gostaria de pedir mais um favor: para organizar essa festa, mesmo sendo mui simples, eu precisaria de um dinheirinho na mão. Mas seria um empréstimo, senhor! Eu vou pagando o senhor descontando um bocado por mês do meu salário de caseiro.
— E de quanto dinheiro vivo estamos falando, Hermes?
— Bem...
Tão logo o Seu Roberto comentou sobre a prosa com a Dona Margarida na hora do tinto, a matriarca deu um tapinha na mesa e propôs na mesma hora que fizessem o baile de debutante direto no salão do casarão principal, deixando toda a despesa por conta dos Mendoza. E contra as ordens da patroa, ninguém em Quindío ousava piar.
— É a palavra final da Margarida, Hermes, e você sabe mui bem que não podemos bater de frente com ela quando põe uma ideia na cabeça! — riu Roberto no dia seguinte.
— Mas eu não queria de jeito nenhum uma caridade dessas, Senhor Mendoza! Eu sou o caseiro! — reclamou Hermes, orgulhoso.
— Mas assim será feito! Quanto ao dinheiro do empréstimo, tire isso da mente. Nós faremos questão de dar o baile de dezoito anos para a nossa querida Beatriz!
— Eu não posso aceitar um abuso desses, patrão...
— Ou aceita o casarão, ou nada poderá ser feito para essa festa! — decretou Roberto com fidalguia.
— Mas Don Roberto...
— Assim é e ponto final, Hermes!
Hermes teve que aceitar tudo tal como havia proposto Roberto ou não poderia fazer festa nenhuma para a sua filha. Deste modo, sendo Margarita que organizou o baile, logicamente a comemoração não foi nada simples como o caseiro havia planejado no terreiro de terra: não só os filhos dos peões estariam presentes no salão, mas também alguns herdeiros e jovens cavaleiros das fazendas vizinhas abastadas, além do primo Nicolás e uma das tias Pinzón — já que a mais velha havia ficado de cama dodói na Capital e não pôde viajar.
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Margarida e Roberto gostavam de Betty tal como uma sobrinha, assim como Catalina, vez que a menina nasceu na fazenda e sempre foi amiga de seus filhos. Soube que a intenção de Hermes seria apresentar a menina para a sociedade. E o melhor era que fosse feita a festa ali na casa grande. Assim, além das pessoas da fazenda, e de fazendeiros da região, viriam os alunos da escolinha, bem como os peões das fazendas vizinhas. Muitos dos marmanjos da redondeza estavam ouriçados, querendo saber como a antiga "menina feia" havia ficado após cinco anos na Capital; outros eram os alunos da própria escola que já arrastavam o bonde de paixão pela nova professorinha.
Os Valência também seriam convidados de honra, afinal, era uma festa de gala dos Mendoza, e a Marcela Valência precisava marcar o seu território de noiva perante o vilarejo de uma vez por todas.
Ao saber da festa, Catalina, que já planejava visitar a afilhada, não poupou esforços para levar a melhor amiga de Betty, Aura Maria, que estava louca para conhecer a fazenda que a amiga falava tanto (sobretudo o caubói, para saber se era tão triplepapito como dizia). Michel também queria vir, mas infelizmente, os seus pais haviam vindo da França para vê-lo e não poderia largá-los. Também levaria uma das tias Pinzón, a Tia Maria. A outra tia não podia vir de jeito nenhum, pois precisava ficar na Capital cuidando do velho tio-avô Lázaro, cuja saúde andava mui debilitada.
Antes de a comitiva pegar a estrada de terra rumo a Quindío, a tia que ficou em Bogotá chamou a irmã em um canto do quarto, puxando um envelope amarelado e lacrado com cera do fundo do baú.
— Leve este envelope e entregue direto nas mãos da menina Beatriz assim que ela apagar as velas, Maria — ordenou a tia, com a voz baixa e tensa. — Eu dei a minha palavra de honra ao Tio Lázaro que faria isso no exato dia em que a nossa Bettica completasse os seus dezoito anos e ganhasse a maioridade.
— Valha-me Deus! Mas o que tem escrito de tão importante dentro deste papel, irmã? — perguntou a Tia Maria, com os olhos arregalados de curiosidade.
— Não seja bisbilheteira, Maria! Não abra de jeito nenhum! — repreendeu a outra, com severidade. — Trata-se do segredo mais bem guardado do sangue dos Pinzón contra aquela gente da alta sociedade de Quindío. O próprio Tio Lázaro gostaria de estar lá em Quindío para entregá-lo em mãos e ver o castelo dos Mendoza virar poeira, mas ele não tem as mínimas condições de saúde de enfrentar essa viagem de jipe. Guarde bem!
A Tia Maria engoliu em seco, sentindo um calafrio na espinha, e guardou a misteriosa carta bem escondida no fundo de sua mala de viagem.
Beatriz iria ter uma surpresa de proporções gigantescas com aquele baile de dezoito anos. A visita surpresa de Catalina Angel, acompanhada das fofocas de Aura Maria e da chegada da tia trariam uma alegria imensa para o casarão. As únicas grandes e sentidas ausências no salão seriam a Camila e o Mário Calderón, que infelizmente haviam viajado para um congresso de moda fora da Colômbia e não conseguiriam chegar a tempo para a valsa. A sua grande amiga de infância adoraria estar ali para ajudá-la a se arrumar e deixá-la ainda mais deslumbrante para o vilarejo; na impossibilidade de comparecer, Camila enviou pelos correios uma grande caixa de presentes contendo um deslumbrante vestido lilás de seda para a herdeira camponesa usar na sua grande noite de rainha.
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