Casamento por obrigação

45 Capítulo 45 - O amanhecer, o desjejum e a revelação de Mário


O calor do lampião de querosene misturava-se ao aroma rústico de capim seco no meio do estábulo deserto. Ali, na calada daquela madrugada de Quindío, tudo foi reduzido a cinzas. Armando e Betty haviam se entregado mui intensamente um ao outro em um ato de amor selvagem e verdadeiro. Aquela menina, que mais parecia uma boneca frágil e indefesa em seus braços fortes, tinha total controle da situação.

Por isso, foi tão difícil se separarem na cama de feno. Por eles, ficariam ali até o sol amanhecer, colados e desnudos perante a penumbra, mas ambos sabiam mui bem o que aconteceria se o pátio os flagrasse naquele dengo.

"O Seu Hermes me obrigaria a casar na mesma hora para lavar a honra de sua filha", pensou Armando, sorrindo entre os dentes enquanto a apertava contra o peito. No fundo do seu juízo de homem feito, aquilo não seria tão ruim de jeito nenhum. A Betty era doce, atrevida na medida certa, uma fêmea completa.

— Casar... — murmurou ele, cheirando aqueles cabelos pretos cacheados.

Assim ele poderia mui bem protegê-la dos gaviões da região e, acima de tudo, a sua virilidade havia descoberto a maior das verdades: ele só conseguia funcionar e fazer amor com ela. Já sabia, o Calderón tinha toda a razão do mundo no relatório. A moça descansava com a cabeça em seu peito musculoso, dormindo feito um anjo após queimar de amor em seus braços. Mas o sereno da madrugada avançava e Armando teve que despertá-la mui a contragosto para levá-la de volta à Casa-Grande.


Na soleira dos fundos, Armando se despediu duramente dela com um abraço apertado na porta. Betty segurou-o firme pelo ombro, empinou o nariz de porcelana e o beijou mui faminta.

— Não quer continuar essa prosa no meu quarto? — provocou ela, com os olhos de café brilhando de malícia.

— Mas você ficou louca, menina?! — Armando arfou, o gênio estourando no susto. — Você é muito levada, Betty!

— Sou desse jeito atrevido porque é a única forma de ter um homem feito como você em meus braços, Mandinho... — ela sibilou mui doce, e o beijou de novo de tirar o fôlego.

Armando sentiu as mãos tremerem; a sua vontade cega era pegá-la pelos braços e levá-la para cima, onde continuariam perante os lençóis o que haviam começado no feno. Havia ficado um mês inteiro de seca total e castigo desde que haviam feito amor naquele hotel da Capital, e agora o seu corpo clamava por aquele mel. Mas o caubói resistiu com honra rústica e despediu-se, praguejando para si mesmo no cascalho: "Tem que colocar essa cabeça no lugar, Mendoza! Tem que proteger a menina e não deixar que ela fique desonrada no pátio! Já basta a audácia do que você fez de madrugada!"

Mas desta vez, o seu peito não se sentia culpado e nem um tiquinho arrependido. O caubói ficou completamente cativado e preso pelo corpo e pela doçura da moça. O seu coração de homem feito batia mui forte na certeza absoluta de que queria assumi-la perante o mundo inteiro, não mais por puro remorso ou culpa de asfalto, mas porque a sua Bettica agora estava devidamente marcada na alma como a sua fêmea legítima. Sentia-se totalmente realizado em seus braços; fora uma entrega mútua e sagrada. O patrãozinho foi para a lida da plantação renovado, totalmente diferente de como havia estado naqueles dias de amargura.


Tanto que, perante o cocho do gado, o Freddy e o Wilson se cutucaram no susto ao verem a altiveza do patrão perante a lavoura. O caubói vistoriava os ramos portando o queixo erguido e um semblante mui revigorado.

— Com certeza o patrãozinho se acertou com algum rabo-de-saia de respeito nessa madrugada, Wilson! — fofocou o Freddy, ajeitando o chapéu com malícia.

— Será, homi?

— Ave maria, Wilson, ele só fica com esse viço e essa fidalguia toda quando passa mui bem a noite! E estes dias atrás o homem andava meio cabisbaixo, bufando de mal-humor pelos estábulos. Viu que até nos deixou tomar o café da manhã na copa com tudo o que temos direito no balanço? Ele parece mui feliz, diria até que está cantando modas da roça como eu!

— Será que aquilo é paixão, Freddy?

— Se é paixão ou não, quem sou eu para dar o relatório. Mas que a noite de gandaia foi daquelas de babar, isso foi!

— Será que foi com a futura patroinha, a Senhorita Marcela? — Wilson arriscou.

— Valha-me Deus, homem chucro! — Freddy soltou uma risada alta, debochada. — Se ele tivesse ido se deitar com a tal Valência, estaria era portando o dobro de mal-humor na cara! Está mui na cara do patrão de que ele não quer colocar o pescoço naquele casamento por obrigação...

— E por que raios ele vai botar essa corda no pescoço perante a igreja, então?

— Porque ali ainda tem coisa oculta debaixo do carpete!

— O quê? — perguntou Wilson, aguçando o ouvido.

— Perdão, me desculpe o mau jeito, mas isso eu não sei! E se soubesse, seria um segredo de fidalguia trancado entre mim e o patrão! Agora deixemos de prosa fiada e vamos pegar o pesado do trabalho! Não podemos abusar da boa vontade e do sorriso do Mendoza!


Lá no quarto de cima do casarão, a Beatriz Aurora fechou a porta de madeira colonial portando o seu sorriso mais vitorioso nos lábios de amora.

— Que homem!... — ela arfou, o peito subindo e descendo de pura emoção.

Betty pulou na cama de solteiro com total audácia, abraçou-se mui forte à almofada de vime e começou a virar de um lado para o outro nos lençóis, rindo alto de tanta felicidade.

— E ele é meu! Todo meu! — comemorou a Rainha Paisa na penumbra.

Como havia ouvido mui bem toda a prosa desesperada dos dois amigos de madrugada atrás dos moedores de café, ela guardava a maior das certezas no juízo: sabia perfeitamente de que o seu caubói não havia conseguido ir com nenhuma outra fêmea todos estes dias desde que estiveram juntos no asfalto, e que o corpo dele portava uma repulsa física que o impedia de deitar-se até mesmo com a sua prometida de sociedade! O Armando Mendoza estava irremediavelmente laçado pelas rédeas do seu amor!

Por sorte, tão logo amanheceu, Marcela já estava pronta para partir e assim foi, sem nem ao menos esperar os Mendoza servirem nada, não queria encontrar com Armando agora, iria pensar muito bem no que fazer.




O Desjejum da Audácia e o Faro do Calderón

Quando a mesa do café da manhã foi posta no casarão principal, um mormaço mui denso parecia cobrir o salão de jantar. Mário Calderón, sentado com a xícara de tinto na mão, aguçou o seu faro de safado e percebeu na mesma hora que o clima entre o Armando e a filha do caseiro estava completamente diferente de antes. Tão logo ela sentou-se ao lado dele na ponta da mesa e apenas se entreolharam, disfarçando perante os patrões, o Calderón pescou o dengo no ar.]. Não havia mais o gelo cortante ou a distância profissional de antes; havia algo mui vivo, quente e misterioso no ar. Como conhecia o amigo desde sempre, Mário sabia perfeitamente bem que o Tigre de Quindío havia finalmente se entregado à paixão avassaladora nos fundos.

Betty, por outro lado, apesar de olhar para Armando só de soslaio, mantinha o controle total da situação com uma soberba de fêmea dominadora. Durante o desjejum, enquanto o Seu Roberto e a Dona Margarida saboreavam o café mui sossegados, Betty agiu mui sonsa por baixo da toalha de linho: estendeu os dedos e colocou uma mão firme e provocante sobre a coxa grossa e musculosa de Armando

O tranco foi instantâneo. O caubói sentiu a carne arder e quase engasgou com o bolo de milho no susto, tossindo alto enquanto puxava o lenço vermelho para disfarçar o rosto vermelho de nervoso. Aquela audácia indomável o deixava completamente louco! Armando mordia os dentes, apertando os punhos, questionando-se em seu juízo de homem feito: “Como é que essa menina, aprendeu tudo isso debaixo das cobertas?! Que feitiço de amora silvestre é esse que me tira as rédeas do corpo perante os meus próprios pais?!” [🎭]

Mário Calderón, do outro lado da mesa, apesar de não ter visto o movimento das mãos por baixo do linho, parecia adivinhar por instinto tudo o que passava naquele pátio de desejos [🎭]. Ele fitava o comparsa de rumba se engasgar e não podia segurar o deboche por muito tempo. Aquela fofoca estava mui grossa perante os balanços! O safado da Capital travou o sorriso de canto e jurou para si mesmo de que teria que comprovar aquela gandaia com o próprio Mendoza o mais rápido possível no escritório, custasse o que custasse para os seus brios de arriero!


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O desjejum mal havia terminado no salão principal e o Mário Calderón não aguentou mais um único milésimo de segundo portando aquela dúvida no juízo. Ele jogou o guardanapo na mesa e marchou firme em direção ao pátio dos fundos, decidido a desvendar o mistério. Aí é que ele foi pegar o Mendoza pelo laço bem no meio do estábulo!

Armando estava enfiado no box do seu garanhão negro, mui concentrado que escovava os pelos do bicho para gastar a excitação da perna alisada no café, quando o Calderón bloqueou a soleira da baia com os braços cruzados e aquele sorriso mui cínico de safado da Capital.

— Ave maria, Mendoza... mude o relatório desse seu rosto! — provocou o Calderón, rindo baixo com total fidalguia. — O que diabo aconteceu com você nessa madrugada pelas baias? Você entrou aqui portando a pose de um rei que acabou de conquistar um império inteiro na lavoura!

O caubói, mui casmurro e neurótico, retorceu o corpo no começo e não queria falar de jeito nenhum, fuzilando o amigo com os olhos vermelhos de ressaca, tentando manter a pose gélida de patrão arrogante perante as baias. Mas o Calderón continuou insistindo com a sua lábia de rato de cana, cutucando o seu calo, até que o Mendoza soltou um suspiro longo, mui gostoso, e jogou a escova no feno, encostando-se na divisória de madeira com os braços cruzados sobre o peito musculoso. Ele não conseguiu segurar a jura por mais nenhum segundo; precisava abrir o peito com o seu irmão de toda a vida.

— Eu estou bem comigo mesmo de novo, Mário... a minha alma finalmente recuperou a paz de espírito! — confessou o caubói com a voz rouca, o peito subindo de puro triunfo de homem feito. — Eu preciso te contar a verdade do balanço: a Betty e eu... nós passamos a noite inteira mui juntos... E ela... ela é simplesmente maravilhosa, Mário! Uma deusa de fêmea! Eu recuperei por completo o meu vigor de macho matador! Eu não sou nenhum fraco e nem impotente na cama, caramba! E mui menos sou um canalha ordinário ou um cafajeste sem honra, porque tudo o que se deu entre nós dois no feno foi debaixo de um amor verdadeiro e puro, como nunca tive antes!

— Ih, caramba! O Tigre de Quindío voltou a rugir nos fundos! — divertiu-se o Calderón, batendo as palmas. — Então a contabilidade da carne voltou aos eixos?

— Voltou mui além dos eixos, Mário! Eu estou perdidamente amarrado àquela menina, ou melhor, que mulher, tigre! — Armando suspirou, o semblante caindo mui pesado perante o fantasma do altar. — Mas... mas o meu peito continua com o nó do suplício. Eu sei perfeitamente que, mesmo com Betty em minha carne, eu ainda serei obrigado a aceitar o cabresto e me casar com a Marcela Valência por causa as do meu pai.

Armando deu um passo para fora do box, pegando uma garrafa que trazia escondida nos arreios, o olhar caindo em um desespero doentio de homem laçado

— E como se deu isso? Foi até a Casa e a pegou no colo e arrastou para o feno?

-Não, a maluquinha... ouviu tim-tim por tim-tim de toda aquela nossa prosinha violenta de madrugada atrás dos moedores de café! Ela escutou cada linha da minha negação e do meu desespero. E ao invés de portar nojo da minha depravação, me seguiu mui silenciosa pela trilha escura na calada da noite e invadiu este estábulo de surpresa, disposta a ... tudo!

Mário balançou a cabeça mui surpreso, mas Armando continuou desabafando, dando um gole longo no tinto, o semblante caindo mui pesado perante o carvalho da cocheira.

-Quem diria... a Betty parece tão...

-Eu sei. Ela disse que para ter um homem como eu em seus braços só sendo levadinha... Mas por favor, Mário, não quero uma palavra dessas por aí!

-E acha que sou dado a fofocas? NÃO ME RESPONDA, MENDOZA! Sua irmã me incumbiu de ver como iam as coisas.

-Este tipo de fofocas (riu) Mas deixa minha irmã tranquila, não conte detalhes, mas diga que Betty e eu estamos bem!

-Deixa comigo, tigre! Mas se está tão realizado assim... deve dar um chega para lá em tudo e...

-Como queria! Mas sabe que temos as dívidas, já tentei falar com meu pai, mas ou é eu ou Camilinha que vai ter que passar por isso!

-Camila nunca! Dela cuido eu!

-Jamais!E fora o prejuízo das dívidas dos bancos... eu guardo uma culpa mui legítima no peito, Mário.

-Outra?

— Você e a Marcela?! — Mário Calderón cortou a frase no susto, arregalando os olhos de safado da Capital. Ele simplesmente não podia acreditar no que estava ouvindo da boca do parceiro de rumba.

— Sim, quando éramos mui jovenzinhos... Eu fiz... o mesmo erro... — Armando confirmou com a voz rouca, o olhar fixo no chão de feno, o peito subindo com uma amargura violenta de homem enganado. — Eu só acho mui estranho, Mário, e me questiono até hoje na contabilidade de que, no meio dos nossos lençóis daquela época, a Marcela não pareceu sentir um único milésimo de dor ou sangue como a minha doce Betty sentiu no hotel de Bogotá!

Mário Calderón soltou uma risada curta, mui cínica, e bateu o charuto contra a divisória de madeira, fitando o parceiro com total deboche de asfalto [🎭].

— Pois se você quer tirar essa dúvida na contabilidade, Armando... Marcela virgem?! Desde quando?! — Mário disparou com uma gargalhada alta e debochada, achando aquela ingenuidade a piada mais engraçada de Quindío. — Eu sugiro que você pare de me interrogar e vá puxar a prosa com o seu capataz de confiança lá fora! — provocou o Calderón, rindo baixo com total malícia perante o espanto do caubói. — Eu confesso para o meu sangue de que eu não sei da história toda, tim-tim por tim-tim, com os detalhes de Pasquilla... Mas o fuxico que corre pelas divisas rústicas é mui grosso, irmão! Qualquer um daqueles peões dali de fora sabe do relatório inteiro! Até mesmo o Freddy foi quem me contou essa gandaia toda um dia enquanto bebia aguardiente! Trate de interrogar o Freddy!

Armando Mendoza travou no cascalho feito uma estátua de sal, o rosto empalidecendo no tranco de ver a sua soberba de garanhão ser estraçalhada no meio da cocheira [🎭]. A raiva e o asco morderam o peito do caubói com a força de um lobo bravo, preparando o incêndio total para o confronto com o capataz! Não era por ciúme, mas sim orgulho de macho. E culpa por ter marcado a vida de Marcela.


Armando Mendoza travou o maxilar de puro nervoso, as palavras do Mário Calderón queimando em seu juízo feito brasa. Sem perder um único milésimo de segundo portando aquela dúvida doentia, ele ajeitou o chapéu de fazendeiro e marchou com passos largos e pesados direto para o terreiro principal. Ele avistou o Freddy Stewart perto do cocho junto com o Wilson, cutucando um ao outro mui sossegados.



Enquanto Mário viu a besteira que fez, mas ao mesmo tempo sentiu seu dever cumprido, não queria que casasse com a chata. Pegou seu celular e tratou de passar o ocorrido todo a sua mulher, que já estava ansiosa.

-Pode ficar tranquila. Seu irmão está bem cuidado nos braços colorosos de nossa amiga.Está arriado aos pés dela. Já cumpri minha missão e retorno com alguma produção e relatórios. -disse


Enquanto isso


— Freddy! Venha cá agora mesmo perante a cerca! — o caubói rugiu rústico, o gênio estourando no mormaço.

Ao dar de cara com o semblante gélido e as pupilas injetadas de raiva do patrãozinho, o Freddy abriu os olhos no susto e o seu semblante empalideceu por inteiro. O capataz deu dois passos para trás, tirando o chapéu com as mãos mui trêmulas de nervoso, tentando de todas as formas recuar as rédeas da prosa.

— Ave maria, Don Armando!... O senhor me perdoe o mau jeito, mas o que foi que eu fiz de errado na lida da lavoura hoje?! — gaguejou o capataz, mui aflito.

— Me meça mui bem as palavras, Freddy Stewart! — Armando começou entre dentes, o peito nu subindo e descendo de raiva contida, encurralando o funcionário contra as traves de madeira. — O Mário Calderón acabou de destilar uma fofoca maldita sobre o passado da Senhorita Marcela Valência... E me jurou com todas as letras de que foi a sua boca de capataz que abriu o relatório dessa gandaia ontem na birosca da vila! Fale a verdade antes que eu perca a paciência!

Freddy encolheu os ombros mui assustado, gesticulando com desespero para o Wilson ampará-lo, e começou a negar mui sonso o fuxico:

— Mas que calúnia é essa, Don Armando?! Eu nego mui convictamente de que tenha falado qualquer linha de desrespeito sobre a fidalguia da noiva do senhor, pelo amor sagrado! Eu não disse absolutamente nada, não senhor! — Freddy limpou o suor da testa e, vendo que o gênio do Mendoza ia desabar sobre o seu emprego na ponta da bota, soltou o ar com total aflição, confessando perante o portal. — Mas... mas perdão mas desculpe-me, , Don Armando! Me desculpe o mau jeito de homem simples... mas a verdade nua e crua é que todo o mundo nesta roça já sabe dessa contabilidade há mui tempo! Não é segredo para nenhum colono do algodão ou pepeiro do estábulo de que a Senhorita Marcela se entregou inteirinha nos braços do Pascual, o peão batateiro de Pasquilla, que trabalhava lá pelos lados dos Mendoza, muito antes de colocar as garras no senhor! Eu achei que o senhor já portava esse relatório no seu juízo, patrãozinho!


Armando Mendoza deu um tranco para trás, dispensando o funcionário com um aceno gélido de mão, e voltou a caminhar mui pensativo em direção à penumbra das baias do estábulo.

À medida que o silêncio do celeiro o engolia, o caubói desfazia-se de sua soberba, unindo os pontos daquela fofoca com uma maturidade mui nobre de homem feito. No fundo do seu peito, o Armando não sentia um único milésimo de ciúme carnal ou desgosto perante o passado de feno da noiva Afinal de contas, ele concluiu mui firme perante as paredes de que nunca, jamais havia se importado de verdade se as moças com quem ele se deitava no mundo eram virgens ou não, o que não eram, elas mui bem sabiam das manhas da carne.

O que aquela revelação do batateiro Pascual fez, na verdade, foi virar o seu juízo de ponta a cabeça e fazê-lo compreender, com o coração apertado de remorso e paixão avassaladora, o tamanho do valor e o sacrifício real do que a sua doce Beatriz Aurora havia passado nos lençóis do hotel de BogotáA sua Bettica parecia uma bonequinha de porcelana frágil e indefesa... e mesmo sentindo toda a dor e o tranco da primeira vez física, ela havia reprimido o sofrimento mui doce, puramente para dar o desfrute e o prazer de macho para o vigor dele!

"A Marcela usou o teatro da pureza de elite com o Daniel para me enfiar a corda deste casamento por obrigação no pescoço...", Armando praguejava em seu monólogo interior, olhando para o feno seco onde passara a madrugada de amor com a filha do caseiro. "Mas a minha joia prístina me entregou a alma verdadeira por amor! Agora... agora a contabilidade do destino mudou de rumo perante o meu sangue! Cabe única, legítima e exclusivamente a mim dar todo o desfrute, o carinho e o prazer que merece nos meus braços! Eu vou fugir de vez desse compromisso forçado com os Valência, queira o meu pai Roberto ou não!"

O caubói sentiu o peito renovado de total vigor de arriero bravo. Ele olhou para os balanços contábeis e traçou a sua rota de salvação de mercado: ele tinha a certeza cega de que, com o sucesso absoluto das vendas da atual lavoura de café e também com a colheita premium do algodão, ele conseguiria dinheiro vivo suficiente nos próximos meses para quitar as notas promissórias e se ver livre de vez das garras dos credores!

Armando Mendoza firmou o pacto consigo mesmo perante o sagrado: decidiu que ia dar muito amor, dengo e noites ardentes de paixão para a sua Betty em segredo, enquanto guardava aquela fofoca do batateiro mui bem trancada e oculta no fundo do seu peito para usar, se precisasse, como a sua cartada mestre na hora exata perante o altar . Afinal de contas, ninguém na paróquia ou na alta sociedade de Quindío sabia onde parava o tal do Pascual no mundo!


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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.