Casamento por obrigação

41 Capítulo 41 - A culpa do caubói e a visita inesperada


A verdade nua e crua daquela noite na taverna era mui diferente do que a pose de garanhão sugeria perante os peões do vilarejo. O Armando não havia feito absolutamente nada com aquela mulher de cabelos escuros! O Tigre de Quindío estava tão atolado na bebida e com a mente tão esgotada que, tão logo a mulher subiu em cima dele no quarto dos fundos, ele simplesmente apagou no colchão feito uma pedra, sem dar um único tranco de homem feito. No entanto, a mulher da gandaia era mui esperta: cobrou bem caro, uma fortuna em dinheiro vivo do bolso dele só pelo tempo perdido no quarto, e os funcionários do local precisaram carregá-lo desmaiado para dentro do carro antes do amanhecer.

Em sua mente, nos sonhos, viu quando a mulher subir em cima dele com o rosto de Betty, que levada ,pedia que a tomasse e a fizesse sua naquele quarto fétido, O caubói logo tirou seu chapéu, virou-a para baixo e fazendo sua vontade a tomou, sem sequer tirar as botas. Betty amava aquele esfregar do calçado na cama, enquanto a tomava.

O encontro culminou em um orgasmo avassalador.


Mas tudo isto não passava de sonho, como sabemos a mulher que subiu em nosso caubói era da farra e ele desmaiou pela bebida.


No entanto, aquele sonho passou a acompanhá-lo cada vez que a via na escola e em outros lugares. Por isso, procurou ser mais frio ainda com ela, tratando apenas dos assuntos da escola, sem considerar a amizade que tinham antes, o que adeixou ainda mais irritada.

Estava com tanta raiva que se não o amasse tanto, teria coragem de andar com seus vestidos curtos e beijar o primeiro peão que aparecesse, mas não podia fazer isso, pois também estava ainda mais enfeitiçada por aquele homem.

-Ai Nicolás! Chega logo e me ajude a sair deste desespero! Preciso sair daqui!

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Betty e Armando estão sofrendo muito, após terem unido suas peles e sabem como na roça o tempo passa mais devagar, então vamos dar uma puladinha de tempo, para ajudá-los.

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A poeira avermelhada do pátio principal subiu em uma grande nuvem quando o veículo de luxo estacionou imponente bem na frente do casarão colonial dos Mendoza. A porta se abriu e um homem alto, vistoso, mui elegante e portando um terno de corte europeu impecável pisou no cascalho com total fidalguia de doutor. Era o Nicolás Mora. O antigo primo desajeitado da infância havia sumido por completo perante o asfalto da Europa; em seu lugar, erguia-se o brilhante advogado internacional radicado na Espanha, exalando o prestígio e o sucesso de Madri.

No entanto, a verdadeira combustão do pátio aconteceu segundos depois. Assim que avistou o amigo de infância desembarcar portando o peso da lei, todas as defesas e o orgulho de Betty desabaram. Sem se importar nem um milésimo com os olhares dos peões ou com a presença dos patrões na varanda, a filha do caseiro correu e se jogou inteirinha nos ombros de Nicolás para chorar todas as lágrimas de humilhação, desespero e paranoia que vinha guardando no peito desde a madrugada do hotel. Nicolás a envolveu em um abraço mui forte e protetor, acariciando os seus cabelos molhados e sibilando promessas .

Do outro lado da plantação, Armando presenciou aquele flagrante e o seu juízo pifou por inteiro perante o tranco. Uma onda de ciúme primitivo, doentio e avassalador, queimou o sangue do caubói de uma forma que ele nunca havia sentido! Travou o maxilar, os punhos cerrados de tanta raiva contida ao ver outro macho abraçar a sua Bettica com tanta intimidade e posse debaixo do seu teto.

A ironia do destino castigava o garanhão com a pior das dores: o Armando havia passado a manhã inteira trancado no quarto de ressaca, criando a coragem de homem feito para engolir o orgulho, chutar as ameaças da Marcela de uma vez e se abrir por completo para a Betty, confessando o que vinha em sua mente agora. E justo agora... justo no exato segundo em que ele ia dar o passo para assumi-la perante o pátio e quebrar o cabresto do altar, ele a via aninhada nos braços daquele doutor chique. O tigre de Quindío estava bufando de fúria.

"Quem este tipo pensa que é para agarrar minha Bettica assim?"


Betty, tão chateada estava que nem se deu conta, de modo que procurou afastar-se também. Os casais Mendoza e Pinzón ficaram muito felizes de ver Nicolás e que belo moço havia se tornado e como combinava com Betty.

-Formariam um belo par! -disse Dona Margarida

Ao que Armando travou as mãos e saiu dali com a desculpa.,

"Não me quer e ao mesmo tempo não quer que eu seja de nenhum!"

-Ah não, dona Margarida, Betty e eu não daria certo

-Ojojo! Não!

-Somos como irmãos e ainda mais sou casado!

-Foi só uma brincadeira...

-E Mandinho porque saiu assim? Acso ele está com ciúmes? Tem algo com Betty?

_Armando e Betty? Não, imagina... Ele vai se casar com MArcela.

-Com a nojenta da Marcela Valência? Não creio... AI, desculpe-me.

-Não é segredo para ninguém, Nico...

Dona Margarida fingiu não escutar e continuou:

-E Betty está noiva do Daniel.

-O QUÊ? Qual Daniel? Não pode ser...

-Daniel Valência! Um moço de muito respeito. -disse Hermes.


Nicolás engasgou, não podia acreditar no que passava com seus amigos de infância.

-Vou mostrar a fazenda para Nicolás, dona Margarida!

-Não vai se perder por aí!

-Imagina, pai, conheço tudo como a palma de minha mão.


-Esta menina fica andando na fazenda como se tudo fosse dela! -resmungou Hermes

-Ela foi criado aqui. -disse Dona Margarida, muito amável.


Betty levou Nicolás para conhecer tudo e aproveitar que estavam sozinhos para desabar e contar tudinho que Tio Lázaro havia lhe contado, bem agarrada nos braços de Nicolás que acariciava seus cabelos.


Não muito longe dali, Armando via como estavam e concluiu que Nicolás havia assumido sua paixão por Betty e voltou rico e bonito para levá-la. Com ciúmes, mas resignado refletiu.

.. parece ser o legítimo e verdadeiro homem livre que vai cuidar, zelar e dar o futuro de ouro para a vida da Beatriz... Coisa que eu, um peão encurralado pelas dívidas de falência do meu pai e amarrado pelo bigode no altar de fachada dos Valência, nunca, jamais seria capaz de fazer por ela nesta terra com decência!"

O "Tigre de Quindío" sentiu as forças de macho sumirem de suas botas perante aquela renúncia de amor. Ele virou as costas na penumbra dos estábulos, caminhando direto para se trancar em sua solidão e amargura.


Nicolás agarrado à Betty não podia acreditar em uma história dessas, de modo que decidiu que reuniria tudo que pudesse, iria a cartórios, conversar com tio Lázaro e se precisasse encurralar os Mendoza e Valência até tirar esta história a limpo.

-Imaginar que seu Hermes deu o sangue para trabalhar sozinho nesta fazenda para estes Mendoza!

-Pois sim.

-E você que sofreu nas mãos desses fazendeiros como pobre e feia filha do caseiro e era dona de tudo!

-Pois é!

-Conte comigo, Bettica! Crê que Mandinho sabe de algo?

-Não sei. Sempre o achei inocente, mas... anda estranho ultimamente!

-Ele sempre nos tratou bem, diferente desses outros, mas os velhos Mendoza também e estão envolvidos. Eu não o conheço muito bem, só quando éramos pequenos e lembro que nos defendia. Mas logo fui embora.

-Eu sei. E Dora está bem?

-Sim, morrendo de saudades de mim, assim como eu dela.

-...

O que não entendi é como se enganchou justo com o insosso do Daniel! E Mandinho também. Os Valência tem este mel todo?

-Que nada, Nicolás! Esta é outra parte da história, eu não sei porquê Armando quer estar com a tal Valência, mas no meu caso...


Betty conta tudo e não pode acreditar que Betty não contou do ocorrido no lago e do noivado imposto por don Hermes.


Angustiado e decidido a tomar sua vida de onde parou, aceitando seu destino de casar-se por obrigação, Armando deixou os dois namorados (em sua cabeça) e foi se dedicar ao trabalho que se acumulava na fazenda.

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