Quando viu Aura Maria na luz baixa da rumba, Freddy mal pôde acreditar: ela estava ainda mais linda e exuberante do que ele lembrava dos tempos da roça. A moça, a princípio, virou a cara e não gostou muito de vê-lo ali, já que sua intenção na Capital era ter uma experiência diferente com rapazes novos da cidade. Mas, à medida que a noite foi passando e alguns copos de aguardiente foram esvaziando, os dois começaram a conversar. Não demorou muito para estarem dançando juntinhos, colados, e vários beijos ardentes e saudosistas vieram.

Enquanto isso, no centro do salão, Michel insistia em dar uns passos com Betty. A moça, no entanto, não parecia muito a fim de rodopiar, apesar dos apelos e empurrões das amigas. Tudo mudou quando uma mulher descarada da cidade se aproximou do balcão onde Armando estava, cantando-o sem pudor nenhum. Betty viu quando ele se levantou logo em seguida e caminhou em direção aos corredores dos fundos. Tomada por um ciúme doentio, ela virou um copo de vinho de uma vez; tinha certeza absoluta de que o homem que amava havia ido atrás daquela fulana.

A verdade era que o caubói havia ido apenas ao banheiro, e completamente sozinho. Ao voltar para o salão, Armando deparou-se com a sua Bettica nos braços do francês, dançando animadamente e rindo alto. O sangue subiu direto para a cabeça do Mendoza.

— Mas que palhaçada é essa que está acontecendo aqui? — esbravejou Armando, invadindo a pista com os olhos faiscando.

— Estamos apenas dançando, Armandinho, ojojo! — provocou ela, colando-se mais ao peito do loiro.

— Aguarde sua vez, cavalheiro. A senhorita está acompanhada — interveio Michel, tentando manter a pose elegante.

— Eu não estou falando com você, seu estrangeiro de uma figa! — gritou Armando, empurrando o francês pelo peito com a força de um peão rústico.

— Me largue, seu louco! Ficou demente?! — Betty protestou.

Sem dar tempo para respostas, Armando a pegou no colo com os braços fortes e a arrancou da pista de dança sob os olhares chocados do bar.

— Me larga, seu bruto! Seu peão chucro! — ela batia no peito dele enquanto cruzavam o salão.

— Sou tudo isso mesmo, Beatriz! Mas não pense que vai me fazer de palhaço na frente dessa gente! Eu não estou pintado na parede!

— Ah, é? E por acaso o senhor não saiu da mesa para fazer amor com a sua queridinha da Capital?

— Que queridinha, diabo?!

— A mulher que veio se esfregar em você! Não foi atrás dela nos quartos dos fundos?

— Eu fui ao banheiro, Beatriz! Ao banheiro! — rugiu ele, exasperado.

— Humpf! — Betty virou o rosto, fingindo não acreditar, mas no fundo o seu coração vibrava ao ver o tamanho daquele ciúme.

No canto do bar, Sandra assistia a tudo com uma ponta de decepção. Ela achava que teria alguma chance com aquele triplepapito caipira da jaqueta de couro, mas estava claro como o dia que ele estava completamente fissurado na sua amiga Betty, assim como o francês. Olhou para o lado: Aura Maria já estava de amasso pesado com Freddy perto das caixas de som. Deu uma olhada em Wilson, mas o homem já tinha engatado uma conversa animada com Mariana. Pensou em tentar algo com o Michel que havia ficado sozinho na pista, mas decidiu que precisava dos conselhos de Aura Maria antes de qualquer investida.

Na mesa, Betty continuava provocando o noivo de Marcela.

— Então, vamos dançar nós dois, Armandinho! Já que você espantou o meu par!

— Você bebeu muito, Betty. O melhor que fazemos é ir direto para o hotel.

— Nossa casa em Quindío está muito longe, caubói!

— Estou dizendo o hotel aqui da cidade, Beatriz!

— Também está longe! O que eu quero agora é dançar, dançar e dançar!

— Você está tomada pela bebida, não junta uma frase com a outra.

— Não quer dançar comigo, Armandinho? — ela insistiu, puxando-o pela jaqueta para o meio da penumbra. — Só porque eu sou uma menininha pura para você? Tem medo do meu corpo?

— Betty, já disse para irmos embora... — ele tentou recuar, mas a voz saiu rouca.

— Quero dançar com você, meu herói — ela sussurrou, enlaçando os braços macios ao redor do pescoço dele, colando o vestido de veludo ao corpo dele.

Betty estava completamente alterada pelo vinho. Como não estava acostumada com o álcool, a timidez havia sumido, e ela se apertou contra a virilidade dele com uma audácia que fez Armando fechar os olhos, arfando.

— Betty... por favor...

— Eu não consigo ficar de bronca contigo... — ela murmurou perto da boca dele, selando seus lábios em um beijo tonto e necessitado. — Eu te amo! Te amo tanto!

— Betty! Fique calma!

— O que foi? Me beija de verdade!

— Aqui na frente de todos os seus amigos da faculdade? No meio do bar?

— Se fosse uma dessas mulheres da rumba você não ia ligar para o lugar.

— Não é isso, Beatriz! Estão todos os seus conhecidos aqui e... Não fica bem para uma moça de família se expor desse jeito. Eu me importo com você.

— Tem razão... — ela soltou um riso amargo, desversando. — Melhor irmos. Acho que o Michel não se importaria nem um pouco em me beijar no meio da pista se eu pedisse.

— Não se atreva! — Armando sibilou, segurando o braço dela com uma posse violenta.

Betty sorriu e aproveitou o puxão para tornar a abraçá-lo pela cintura, escondendo o rosto no peito dele.

— Vamos para o hotel, Betty. Você realmente não está em condições.

— Só se você prometer que vai ficar comigo no quarto a noite toda.

— Eu prometo. Eu fico.

— Antes... eu preciso ir ao banheiro — disse ela, soltando-se devagar.


Enquanto Betty cambaleava até o banheiro feminino, Aura Maria tentava se desvencilhar dos braços do capataz por um instante.

— Espere um pouco, Freddy! Me solte um minutinho!

— É que minha bela rainha da cidade, eu estou completamente viciado nos seus lábios de mel! — exclamou o peão, com o chapéu de lado.

— Que gracinha... Mas só um momentinho, Freddy! Eu preciso ver a minha amiga.

Aura Maria seguiu os passos de Betty e entrou no banheiro, encontrando a filha do contador lavando o rosto no espelho.

— O seu caubói está uma fera lá fora, hein? — disparou a recepcionista.

— Ele está um chato, Aura Maria! Um verdadeiro machista! Agora quer me obrigar a ir embora porque disse que eu bebi muito.

— Não me engana, Beatriz Pinzón! Aquele homem está louco de ciúmes de ver você nos braços daquele francês! Ele quase engoliu o loiro vivo!

— Não creio... Ele vive dizendo que quer apenas me proteger e que o Michel é um aproveitador de faculdade.

— Ciúmes puros, Betty! Aceite!

— Não... ele me rejeita. Acha que sou uma menininha indefesa, uma irmãzinha.

— Ciúmes! Ele tem um pavor terrível de te perder para outro homem!

— Se ele sente tudo isso, Aura Maria... por que ele não me toma de uma vez? Por que me bota para fora do quarto?

— Ele tem os grilos dele por causa daquela noiva esnobe, amiga. Mas você não pode deixar as coisas esfriarem. Tem que trabalhar o corpo desse homem hoje à noite!

— Como assim?

— Provoque-o, beije-o de um jeito que ele perca o juízo!

— Eu fiz isso na pista, eu tentei!

— Mas aqui no bar não dá certo, ele fica vigiando as aparências. Ele não quer ir para o hotel? Pois vá com ele! Trranque a porta, tire aquele vestido, use uma daquelas camisolas bem bonitas que a Camila comprou e... (Aura Maria inclinou-se e cochichou uma tática ousada e picante diretamente no ouvido de Betty). Se você fizer exatamente isso, este homem vai ser seu antes do amanhecer!

— Ai, Aura Maria... Eu não sei se tenho essa coragem toda. Minha inexperiência...

— Tome isso aqui de uma vez e vai ter coragem! Deixe o seu corpo de mulher agir! — disse a amiga, entregando um copo de aguardiente que trazia na mão.

Betty pegou o copo com os dedos trêmulos e virou o líquido forte de uma vez, sentindo a garganta queimar. Limpou a boca com as costas da mão e as duas saíram do banheiro com os olhos brilhando.

Do lado de fora, a recepção do bar continuava tensa.

— Betty, eu estava justamente te procurando para voltarmos para a pista — disse Michel, aproximando-se.

— Oi, Michel... — ela começou, sonolenta.

— Vamos embora agora, Betty! — interveio Armando, surgindo das sombras e segurando-a pela mão com firmeza.

— Olhe aqui, não é assim que se trata uma mulher com essa grosseria! — protestou o francês, dando um passo à frente.

— Não se meta na nossa vida, estrangeiro! — Armando rosnou, o olhar tão perigoso que Michel recuou.

Armando pegou Betty firme pelo braço e a conduziu para a calçada. Antes de sair, jogou um punhado alto de notas de dinheiro nas mãos de Freddy e Wilson, ordenando que os dois pegassem um táxi para voltar mais tarde.

— Onde estava a minha rainha bogotana? — perguntou Freddy, vendo Aura Maria voltar para os seus braços.

— Estava ajudando uma amiga no confessionário, Freddy... Espero de verdade que dê certo — sorriu ela, ajeitando o cabelo. — E o que você propõe para nós dois agora?

— Eu proponho... — o capataz inclinou-se e sussurrou o resto do plano safado no ouvido dela, fazendo-a rir alto.

— Vamos! Meninas, já vou indo! Boa caça para vocês! — gritou Aura Maria, saindo de braços dados com o peão rumo à madrugada da cidade.

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No carro, Betty sentou-se no banco do carona, encostando a cabeça no ombro de Armando.

-Quero que fiquemos juntinhos esta noite. -disse beijando-o.

-Betty.... Estou dirigindo.

-E eu enlouquecendo. -beijos.


Mas com tanta volta, o efeito da bebida, Betty acabou dormindo agarrada ao braço de Armando. Aparentemente, a bebida que Aura Maria lhe deu só serviu para dormir, ao invés de deixá-la animada.

-Betty! Betty! -disse dando-lhe tapinhas -Chegamos. Dormiu. E agora? Vou levá-la carregada, não está acostumada a beber! Te disse, Betty.

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Com muita insistência, conseguiu as chaves do quarto dela com a recepcionista. Betty estava dormindo. Assim que decidiu colocá-la na cama.

Ficou olhando-a.

-Tão linda. Não posso deixar que te machuquem, os homens são todos uns canalhas. E você tão pura e preciosa. Não sabe quanto te desejo... -disse acariciando seu rosto. Estava se levantando, quando Betty acordou.

-Disse que ficaria comigo.

-Betty. Estava dormindo e...

-Só voltei para o hotel porque disse que não me deixaria sozinha.

-Você estava fingindo?

-Não. Acho que a bebida, fiquei tonta. Não estou acostumada.

-Eu te disse.

-Você disse isso, disse aquilo. Quer sempre bancar o irmão?

-Perdão, Betty.

-Onde vai?

-Ligar a tv.

-Não senta no sofá! Deita aqui comigo.

-Betty.

-Eu não mordo, sou apenas uma menina.

-Está bem. Mas...

-Mas o quê? -disse abraçando-o

-Melhor que não façamos...

-O quê? -disse beijando-o

-Betty, não... -beijo

-Só quero brincar um pouquinho, Armandinho. Que tal de marido e mulher?

-Betty, isto não é brincadeira.

-Eu te amo, Armandinho.


Betty se deitou sobre ele e colou suas mãos debaixo de sua camisa, sentindo seu peitoral.

-Quero ser sua.

-Você ainda está tomada!

-Não me deseja nem um pouco.

-Te respeito muito.

Não quero que me respeite! Quero que me faça sua mulher!

-Isto é muito sério! Não tem volta!

-E não quero que tenha.

-Vai doer.

-A dor será minha e não sua. Me ame, Armando!


Ele está visivelmente excitado e ela pode senti-lo.

-Sei que me quer.

-Não posso marcá-la.

-Te quero, Armando!

-E também te quero! Te quero!


Disse ele, beijando-a com violência.

-Ahhh!

Estava enlouquecendo. A menina jovem e doce oferecendo-se era muito para sua virilidade, que chegava a doer. Precisava senti-la e continuou a aprofundar o beijo, enquanto a sentia se esfregando nele. Estava molhada, cheirava a frutas vermelhas. Um cheiro tentador de pureza e sensualidade que o estava enlouquecendo.

Assim, a virou para baixo e começou a explorar com as mãos aquele corpinho que se contorcia a cada toque seu.

-Ah, Armandinho.

-Ah!


Ele foi descendo os beijos.

-Me ensine.

-Isto não é brincadeira, Betty. Você é muito menina. E eu sou experiente. -disse repreendendo-a, mas tocando-a por todos os lados, enquanto beijava seu pescoço.

-Ah, o quero.


Ele desceu as mãos e pôde tocar a umidade de seu centro de prazer no meio daquela mata virgem.

Betty abriu bem as pernas e ele a tocou com seus dedos enormes em sua parte íntima.

-Quero brincar de amor, Armandinho.

-Você é muito levada!

-Me castigue.

-Não pode tomar tanta lição agora- disse beijando-a e descendo por aquele corpo.


Ela estava molhada, seria uma delícia possui-la e ser seu primeiro homem, mas não podia.

-Vou lhe fazer algo que nunca fiz com nenhuma.

-Faça o que quiser.

-Isto é uma loucura, Betty. Sei que não deveria ter instigado esta paixão.

-Você instiga só pelo que é. -beijos

-Tem outros que te olham com outros olhos já.

-É isto que quer? Quer que eu seja mulher de Daniel ou de Michel.

-Nunca! -disse beijando-a

-Então, vi que morreu de ciúmes. Não deixe que outro tome o que é seu.

-Deixaria- disse segurando seu pescoço — que outro tomasse seu lugar?

-Por isso digo que é uma loucura. -disse, beijando-a com desejo.

-Quero que seja meu primeiro homem.

-Betty...

-Ensina-me.

-Não posso marcá-la assim, mas vou fazer algo que nunca fiz em mulher nenhuma.

(Com os olhos fixos nela, Armando desceu o corpo musculoso por entre as pernas abertas de Betty. Usando as mãos e os lábios experientes com uma devoção que nunca tivera com nenhuma amante da rumba, ele começou a acariciar e a lamber o centro íntimo dela com uma urgência selvagem. Betty arqueou as costas no colchão, soltando um grito agudo de puro delírio e prazer enquanto as mãos dele a levavam ao primeiro e mais devastador ápice de sua vida, marcando a alma da moça com o fogo dos Mendoza.



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Notas finais
Ui! Que calor! O que será que vai dar isso?