Casamento por obrigação
28 Capítulo 29
Finalmente, chegou o dia de ir para a cidade.
-Patrãozinho! Patrãozinho, a produção ficou pronta. -disse Freddy, correndo, quase colocando o pulmão para fora.
-Que bom!Já recebi telegrama da Fábrica dizendo que precisavam urgente. Devemos partir amanhã cedo.
-O senhor tem muito trabalho aqui, melhor que eu vá com Wilson, não acha?
-Está louco? Não. Devemos ir os três. Deixe Jarbas na segurança.
-E Betty na escola?
-Não, creio que ela não poderá. Olha, mais tarde falo com você disso, primeiro preciso ver com Betty.
-Já que vamos os três, vai rolar aquela festa à noite, não?
-Festa, que festa?
-Na casa das...
-Estou indo para trabalhar, Freddy!
-Eu sei, mas sempre aproveitamos para sair.
-Olá! Bom dia!
-Olá! Bom dia, Betty!
-Bom dia, Freddy!
-Bom dia, professora. Sempre bonita e charmosa a bela professora -disse cantarolando
-Vamos lá. Faz tempo que não vamos, elas devem estar saudosistas de nós.
-Deixe este assunto para depois, Freddy!
-Do que falavam?
-Irei à cidade amanhã levar a produção!
-Ótimo! Irei contigo.
-Agora não sei como faremos com a escola.
-Deixarei várias atividades prontas, podemos dispensá-los amanhã.
-Ou a Karina pode passar as lições. Não me olhe assim ela pode cuidar, é uma boa professora.
-Se você diz.
-Que está com ciúmes?
-Não tenho ciúmes de você.
-Tem sim, eu sei que tem. -disse dando cócegas. Parou e roçou seus lábios.
-Sabe que não gosto dessas coisas na escola. Não sou como a professorinha.
-Mas você não esquece.
Karina logo adentrou a sala, por sorte já estavam separados.
-Ah bom dia!
-Bom dia!
A mulher não cumprimentou, mas ela pouco se importou. Resolveu começar a organizar as atividades que deixaria para os alunos na sua ausência.
-Karina, antes que comece a programar sua aula, quero lhe avisar que amanhã não estaremos aqui.
-Onde iremos?
-Quero dizer, eu e... Só você vai dar aulas amanhã. Vou para a cidade levar a produção para a fábrica.
-Freddy pode muito bem fazer isso sozinho. Não gosto quando vai à capital!
-Esta decisão é minha e não sua! Eu sou o responsável e eu vou entregar o algodão pessoalmente na fábrica.
-Você vai lá para ficar de farra!
-Está dando uma de esposa agora?
-Sei muito bem!O que aconteceu conosco? Por que não quer ficar comigo só porque aquela idiota.
-Ela não é nenhuma idiota! Estou dando uma ordem. Como diretor da escola tem que cumprir. Você vai assumir as aulas amanhã. Acabando os dispense.
-Quer dizer, a tal e eu?
-Não você, Beatriz não virá amanhã.
-Faltando no dia do serviço, quando mais se precisa dela.
-Isto não é seu problema. Acha que pode dar conta?
-Sou uma ótima professora.
-Espero.
Karin saiu rebolando.
Armando foi preparar suas aulas. Betty também preparava as suas com ansiedade. Não via a hora de encontrar o tio e saber o que tanto queria falar com ela. E ainda matar as saudades de Camila e conhecer a fábrica que tanto falava. Pediria para ir à faculdade para conversar e rever colegas e as amigas.
-Viajar com Armando... um sonho. Em breve nossa lua-de-mel, querido! -disse alisando a foto, com carinho.
Ao sair da escola, Armando levou Betty que estava ilusionada com a viagem, Armando percebeu.
-A que se deve este sorriso?
-Deve imaginar porquê!
-Porque vai viajar comigo?
-Imagina.Seu convencido.
-Então não serei boa companhia?
-Sei que sim.
Ela o abraçou e sentiu ternura. Segurou o rosto da moça e o beijou.
-Sabe que vamos ir acompanhados, logo.
-Sei, nada de momentos como esse durante a viagem. Mas creio que podemos dar umas escapadinhas, tenho muita coisa a fazer. Vai me deixar sozinha?
-Não. Vou cuidar de você.
Ao chegar em casa, Betty nem quis comer, foi direto para o quarto arrumar a mala. O que tinha era uma mochila, o suficiente. Não iria levar muitas roupas, apenas as mais bonitas e uma fresquinha quando voltasse, já as íntimas iriam ser as mais bonitas que tinha.
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No dia seguinte, o carro iria partir cedo, levando a bordo Armando, Freddy, Wilson e Betty para a capital.
-Pronto.
-Ótimo podemos partir!
Nesta hora, ninguém menos que Karina apareceu, trazendo duas malas.
-O que faz aqui?
-Pensei que como vai viajar, poderíamos fazer juntos, desfrutar dessa viagem.
-Está louca, Karin? Eu disse para ficar na escola. Tem aulas para dar!
-A perfeita Betty pode cuidar de tudo!
-Perdão, mas desculpe-me, mas Betty irá conosco!
-O quê?
Betty virou-se e Karina não podia acreditar.
-Mas como...
-Vá para a escola, Karina!
-Como assim que esta... esta ninfeta idiota vai com você!
-Vou!
-Armando, como pode fazer isso?
-Faço. Ela tem coisas para fazer lá e eu também.
-Por que não me leva junto? Tinha tantos planos.
-Para de se humilhar, Karina! Creio que já disse que não temos mais nada.
-Isto não vai ficar assim!
-Vai!
-Sua ninfeta imbecil se pensa que vai conseguir o que quer jogando-se na cama dele está enganada!
-Cala a boca, Karina!
-O que está acontecendo aqui?
-Já resolvi, papai.
-Que gritos são esses? Querem acordar os trabalhadores? -perguntou Margarida
-Seu filho quer levar esta... esta para a capital.
-E o que tem demais? Eu mesma deu autorização.
Karina sai batendo os pés.
-Sua namoradinha não ficou muito satisfeita.
-Não é minha namorada! E se está na escola é porque ensina bem, mas se continuar dando escândalos vou te colocar na rua!
-De mulher ciumenta já estou cheio! -disse Freddy
-Vamos!
Todos apertam o cinto, Betty encosta no vidro e fecha os olhos sonhando com as aventuras de Bogotá.
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