Finalmente, chegou o dia de ir para a cidade.

-Patrãozinho! Patrãozinho, a produção ficou pronta. -disse Freddy, correndo, quase colocando o pulmão para fora.

-Que bom!Já recebi telegrama da Fábrica dizendo que precisavam urgente. Devemos partir amanhã cedo.

-O senhor tem muito trabalho aqui, melhor que eu vá com Wilson, não acha?

-Está louco? Não. Devemos ir os três. Deixe Jarbas na segurança.

-E Betty na escola?

-Não, creio que ela não poderá. Olha, mais tarde falo com você disso, primeiro preciso ver com Betty.

-Já que vamos os três, vai rolar aquela festa à noite, não?

-Festa, que festa?

-Na casa das...

-Estou indo para trabalhar, Freddy!

-Eu sei, mas sempre aproveitamos para sair.

-Olá! Bom dia!

-Olá! Bom dia, Betty!

-Bom dia, Freddy!

-Bom dia, professora. Sempre bonita e charmosa a bela professora -disse cantarolando

-Vamos lá. Faz tempo que não vamos, elas devem estar saudosistas de nós.

-Deixe este assunto para depois, Freddy!

-Do que falavam?

-Irei à cidade amanhã levar a produção!

-Ótimo! Irei contigo.

-Agora não sei como faremos com a escola.

-Deixarei várias atividades prontas, podemos dispensá-los amanhã.

-Ou a Karina pode passar as lições. Não me olhe assim ela pode cuidar, é uma boa professora.

-Se você diz.

-Que está com ciúmes?

-Não tenho ciúmes de você.

-Tem sim, eu sei que tem. -disse dando cócegas. Parou e roçou seus lábios.

-Sabe que não gosto dessas coisas na escola. Não sou como a professorinha.

-Mas você não esquece.


Karina logo adentrou a sala, por sorte já estavam separados.

-Ah bom dia!

-Bom dia!

A mulher não cumprimentou, mas ela pouco se importou. Resolveu começar a organizar as atividades que deixaria para os alunos na sua ausência.


-Karina, antes que comece a programar sua aula, quero lhe avisar que amanhã não estaremos aqui.

-Onde iremos?

-Quero dizer, eu e... Só você vai dar aulas amanhã. Vou para a cidade levar a produção para a fábrica.

-Freddy pode muito bem fazer isso sozinho. Não gosto quando vai à capital!

-Esta decisão é minha e não sua! Eu sou o responsável e eu vou entregar o algodão pessoalmente na fábrica.

-Você vai lá para ficar de farra!

-Está dando uma de esposa agora?

-Sei muito bem!O que aconteceu conosco? Por que não quer ficar comigo só porque aquela idiota.

-Ela não é nenhuma idiota! Estou dando uma ordem. Como diretor da escola tem que cumprir. Você vai assumir as aulas amanhã. Acabando os dispense.

-Quer dizer, a tal e eu?

-Não você, Beatriz não virá amanhã.

-Faltando no dia do serviço, quando mais se precisa dela.

-Isto não é seu problema. Acha que pode dar conta?

-Sou uma ótima professora.

-Espero.


Karin saiu rebolando.

Armando foi preparar suas aulas. Betty também preparava as suas com ansiedade. Não via a hora de encontrar o tio e saber o que tanto queria falar com ela. E ainda matar as saudades de Camila e conhecer a fábrica que tanto falava. Pediria para ir à faculdade para conversar e rever colegas e as amigas.

-Viajar com Armando... um sonho. Em breve nossa lua-de-mel, querido! -disse alisando a foto, com carinho.

Ao sair da escola, Armando levou Betty que estava ilusionada com a viagem, Armando percebeu.

-A que se deve este sorriso?

-Deve imaginar porquê!

-Porque vai viajar comigo?

-Imagina.Seu convencido.

-Então não serei boa companhia?

-Sei que sim.

Ela o abraçou e sentiu ternura. Segurou o rosto da moça e o beijou.

-Sabe que vamos ir acompanhados, logo.

-Sei, nada de momentos como esse durante a viagem. Mas creio que podemos dar umas escapadinhas, tenho muita coisa a fazer. Vai me deixar sozinha?

-Não. Vou cuidar de você.


Ao chegar em casa, Betty nem quis comer, foi direto para o quarto arrumar a mala. O que tinha era uma mochila, o suficiente. Não iria levar muitas roupas, apenas as mais bonitas e uma fresquinha quando voltasse, já as íntimas iriam ser as mais bonitas que tinha.


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No dia seguinte, o carro iria partir cedo, levando a bordo Armando, Freddy, Wilson e Betty para a capital.

-Pronto.

-Ótimo podemos partir!

Nesta hora, ninguém menos que Karina apareceu, trazendo duas malas.

-O que faz aqui?

-Pensei que como vai viajar, poderíamos fazer juntos, desfrutar dessa viagem.

-Está louca, Karin? Eu disse para ficar na escola. Tem aulas para dar!

-A perfeita Betty pode cuidar de tudo!

-Perdão, mas desculpe-me, mas Betty irá conosco!

-O quê?


Betty virou-se e Karina não podia acreditar.

-Mas como...


-Vá para a escola, Karina!

-Como assim que esta... esta ninfeta idiota vai com você!

-Vou!

-Armando, como pode fazer isso?

-Faço. Ela tem coisas para fazer lá e eu também.

-Por que não me leva junto? Tinha tantos planos.

-Para de se humilhar, Karina! Creio que já disse que não temos mais nada.

-Isto não vai ficar assim!

-Vai!

-Sua ninfeta imbecil se pensa que vai conseguir o que quer jogando-se na cama dele está enganada!

-Cala a boca, Karina!

-O que está acontecendo aqui?

-Já resolvi, papai.

-Que gritos são esses? Querem acordar os trabalhadores? -perguntou Margarida

-Seu filho quer levar esta... esta para a capital.

-E o que tem demais? Eu mesma deu autorização.


Karina sai batendo os pés.

-Sua namoradinha não ficou muito satisfeita.

-Não é minha namorada! E se está na escola é porque ensina bem, mas se continuar dando escândalos vou te colocar na rua!

-De mulher ciumenta já estou cheio! -disse Freddy

-Vamos!


Todos apertam o cinto, Betty encosta no vidro e fecha os olhos sonhando com as aventuras de Bogotá.


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Notas finais
Será que finalmente vai chegar a hora de nossos pombinhos? O que a cidade reserva para eles?