Casamento por obrigação
1 Capítulo 1 -A fazenda Laços
A fazenda vivia em crise e para consertar as coisas seria necessário dinheiro, ou seja, recorrer ao recurso muito utilizado nos casamentos do passado: casamento consertado entre as famílias onde um entre com prestígio e outro com o dinheiro.
— -Mas mamãe, não quero me casar e muito menos por dinheiro! -diz o único filho homem, futuro herdeiro da fazenda.
—Ouça seu pai, meu filho. -aconselhou a mãe, desanimada.
—Terá que fazer isso ou iremos à ruína, por conta da crise, por conta das pragas como brocas-do-café e ácaros.
—Mas pensei que havíamos solucionado isso, aliás por minha parte voltaríamos a plantar só algodão para abastecer a fábrica. Creio que é o suficiente e não precisaria me casar para isso!
—Se este fosse o único problema. Há muitos anos meus pais contraíram uma dívida com os Valencia, uma dívida muito alta, por conta da crise de 29.
—De novo esta história? E por que eu tenho que pagar por isto?
—Armando, ouça seu pai.
—Camilo e Theodoro até procuraram se acertar, mas outra praga obrigou que nos endividássemos novamente, como os bancos mais uma vez recusaram-se a emprestar, tivemos que recorrer aos Valencia, propus a juros altos, mas Daniel propôs outro acordo.
—Que outro acordo?
—A mão de Camila.
—Não, vocês não fizeram isso.
—Não exatamente assim. Propomos que um dos Valência contrairia casamento com um dos Mendoza. Na época vocês eram muito crianças.
—De modo que...
—Se não se casar com Marcela, quem terá que se casar será Camila.
—Não! Isso não! Nunca com o asqueroso do Daniel! Ela e Mário estão bem e apaixonados. Não os separem.
—Muito bem e me agrada seu namoro com Mário, então, cabe a você. Casa-se com Marcela!
—Não!
—Tampouco é tão grande sacrifício assim, Marcela é muito boa moça, de família e muito bonita.
—E os vi por aí se beijando. Está na hora de assumirem um relacionamento sério.
Apesar das negativas, Armando foi convencido a pedir a mão de Marcela aos pais Júlio e Suzana eram seus padrinhos, espécie de tios para ele e lógico aquele namoro dava muito gosto a eles, assim como a mim família.
Por Armando
Marcela era mais que apaixonada por mim, era obcecada. Sempre a considerei como uma prima, mas com a adolescência nossos corpos se desenvolveram e surgiu o desejo sexual e apesar de nos considerarmos como primos, de vez em quando dávamos umas escapulidas pela fazenda e começamos a ter relações, de modo que não a rejeitava de fato. Era uma das mulheres com as quais estava envolvido. Mas não queria casar-me com ela, de modo algum, nem com ela, nem com nenhuma mulher. Queria minha liberdade para um dia poder realizar meu sonho de estudar e viajar pelo mundo. Sim, não queria viver e morar na fazenda para sempre como meu pai. Já Marcela concordava com o plano dos pais Mendoza e Valencia.
—Estou tão feliz, Armando. Finalmente, estaremos juntos para sempre!
—Marcela! Isto é uma loucura. Não pode concordar com isso. É um casamento combinado como aqueles do passado. Só que somos pessoas modernas e casar assim só para unir os patrimônios, não faz sentido. Não dará certo!
—Como pode dizer isto? estou encantada de unir-me a você e ficarmos juntos o resto da vida.
—Marcela, isto é uma loucura sem sentido.
—Acaso não gosta mais de mim? Não me quer mais?
—Não é isso, Marcela. É só que...
Ela começa a chorar ou finge que está.
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Ele não suporta ver mulher chorando, se aproxima dela e a abraça. Muito esperta ela se deixa e começa a beijá-lo e esfregar-se nele. Como ele é do tipo que não se faz de rogar quando o assunto é sexo, um desejo nasce entre os dois e tiram a roupa, fazendo sexo violentamente Mesmo estando com o compromisso firmado, por conta da pressão, Armando segue com suas farras com as filhas dos outros fazendeiros ou as meninas de má fama de luxo quando visita a cidade para fechar negócios. É uma forma de desafogar. Antes o fazia com o amigo Mário, mas desde que ele começou a namorar sua irmã tem que se contentar em ir sozinho ou com os capatazes da fazenda Freddy e Wilson.
—Mas patrãozinho, será que sua noiva não vai descobrir? -pergunta Wilson
—Primeiro que não é minha noiva, só minha namorada.
—Mas vão se casar, não? Segundo seus pais dizem...sua mãe diz. –pergunta Freddy
—Não, homem! O que pensa? A verdade é que não sei. Mas quanto eu puder atrasar isto, o farei.
—Bem perdão, mas desculpe-me vamos que as mulheres nos estão esperando. –disse Freddy
—Sim. –esfregando a mão
—Don Armando podemos te pedir um favor -pediu Wilson
—Sim.
—É que as moças são ricas e não sabem que somos seus empregados.
—Pode guardar segredo?
—Hoje não são meus empregados e sim meus amigos. Vamos!
Assim, eles passam uma noite de diversão como tantas outras nos braços daquelas moças que ficaram encantadas com aqueles três belos homens.
Ao ver os três chegarem quase ao amanhecer. Mário balançou a cabeça.
—Irmão! Segue nesta vida?
—Você já esteve deste lado!
—Mas agora tudo que quero é estar do lado de sua irmã!
—Quem dera pudesse dizer o mesmo, mas para isso precisaria amar e não creio que um dia possa acontecer.
—Nunca diga nunca! Vai que se apaixona por Marcela.
—Está louco ou o quê? Essa mulher é meu tormento! Me persegue até não poder mais! Manda até no que devo o que vou vestir e tudo. Não a suporto!
—Mas a suporta na cama, não?
—A única coisa para a qual a suporto, mas não vou atrás, ela que vem para cima e é uma mulher bonita, devo admitir.
—Você e Marcela seguem por aí se encontrando?
—Shiu! Seus pais não sabem que fazemos sexo. Ela não quer que saibam que já não é mais....
—Mas faz tanto tempo que não é! E nem foi o primeiro dela.
—Mas sabe como é... para eles e para todos, Marcela é uma santinha!
—Marce santa só para quem não vê! E pensa em se casar mesmo sem amor?
—Não penso. Vou fugir tanto quanto possa, mas se não tiver jeito, terei que fazê-lo.
—Irmão, assim nunca será feliz.
—Não tem outro jeito. Ou me caso pela fazenda ou quem terá que fazê-lo é Camila!
—Como assim?
—Meus pais me deixaram bem claro que ou me caso com Marcela ou Camila com Daniel!
—Quê?
—Isto que ouviu!
—Mas estão loucos ou o quê?
—Tranquilo que jamais vou deixar que minha irmã tenha que se casar com o asqueroso de Daniel, assim que cabe a mim.
Se não tivesse jeito, aceitaria seu destino, seria esposo de Marcela Valência, mas de algo tinha certeza, não deixaria de levar a vida de luxúria que levava até agora.
Quase todas as moças, filhas de fazendeiras, até as peoas viviam rodeando Armando, ele era uma espécie de galã da roça, assim como era seu irmão de farra, Mário Caldeirón até o dia em que se apaixonou por Camila Mendoza, a irmã de seu melhor amigo.
—Defendendo sua irmã, assim como defendia a menina Betty, o senhor é um grande cavalheiro, meu herói, irmãozinho Mendoza.
—Tal como das histórias de capa e espada!
—Já deixem de bobadas que estou mais para um don Juan desses que um cavalheiro.
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Assim, mesmo sem vontade, Armando está convencido que mais dia menos dia terá que casar-se com Marcela, assim o patrimônio das famílias e salvar sua família da ruína.
Havia aceito seu destino, seria esposo de Marcela Valência, mas não deixaria de levar a vida de luxúria que levava até agora. Foi quando uma visita chegou.
Assim, mesmo sem vontade, Armando está convencido que mais dia menos dia terá que casar-se com Marcela, para assim o patrimônio das famílias e salvar sua fazenda e a família da ruína. Vários meses haviam passado desde que foi obrigado a começar o namoro oficial com Marcela e sem ver solução, depois de tentar que lhe emprestassem dinheiro com juros a perder de vista, decidiu aceitar que nada poderia fazer. A festa de noivado seria naquele fim de semana, todos os preparativos estavam sendo feitos.
O que não sabia Armando é que sua vida teria uma mudança de 180º com a visita aquela tarde, após voltar de algumas compras e farras na cidade em companhia de Mário e Freddy, surpreendeu-se com tamanha agitação.
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—Mas o que está acontecendo aqui? -perguntou Armando, ao ver tamanho trânsito pelo caminho
E logo viu uma menina que saía dentro de um carro com tração carregada de bolsas e sacolas.
—Quem se mudaria para cá? –pergunta Armando para si mesmo.
Não se pode dizer que era uma mudança. Era apenas uma visita por tempo indeterminado.
Armando estava gratamente surpreendido pela beleza suave daquela moça que descia do carro. Ela tinha em um rosto em formato de maçã, bochechas acentuadas, o queixo fino, olhos cor de café profundos. Usava uma calça jeans apertada, botas de salto e uma blusa com gola canoa que revelava seu pescoço e seus ombros. Só não revelava mais porque suas enormes madeixas caídas sobre seus ombros não permitiam. Realmente, esta morena deve chamar atenção de todos por onde quer que vá. –pensava Armando. –Quem será?
Quando ia se aproximar e cumprimentá-la, viu que a jovem abraçou uma senhora que conhecia, a doce caseira da fazenda, Júlia Solano.
-Ah, que bom que chegou!
—Que saudades!
E logo se afastou, abraçado aquela senhora.
—Mas er...
A fazenda tinha carros e coisas por todos os lados.
—Creio que é por conta de seu noivado, patrão!
—Perdão, mas desculpe-me, mas creio que não é apenas o carro de seus distintos convidados, patrãozinho.
—Freddy, este carro.
—Carro? Está cheio de carros por todos os lados.
—Esta moça...
—Que moça? A fazenda está cheia de moças!
—Mas aquela...
—Qual?
—Aquela ali que desceu de um carro e abraçou dona Júlia.
—Não sei dizer ao certo, mas deve ser alguma parente, pois não creio que...
—Não crê o quê?
—Perdão, mas desculpe-me, mas esqueci de dizer-lhe hoje que hoje chega a filha dos Pinzón, senhor!
—Quê? Betty?
—Sim, a feia! -disse Wilson.
Armando olha feio
—Como assim?
—Seus pais não disseram? A menina Betty, filho de seu Hermes chega hoje da capital, não sei se mais feia ou menos feia, doutor, mas também deve ter chegado uma parente, porque para nada esta beleza que veio é a Feiatriz.
—Sim, para nada!
—Vocês são uns idiotas!
Armando fica sem fala. Imerso em seus pensamentos, sendo picado pela curiosidade, sua amiga Beatriz Pinzón, a qual não via desde a infância estava voltando da capital. Não a via há mais de 5 anos. Tratou de encarregar Freddy e Wilson de descarregar o caminhão no depósito e demais afazeres, precisa ver como estava sua amiga e se havia conseguido realizar seus sonhos na Capital. Mas também estava curioso para saber quem havia chegado junto com ela. Quem seria aquela mulher tão bela que saiu daquele carro? Era bela e atraente, mas de uma maneira diferente, tinha um ar de menina, mas o corpo de uma mulher. Precisava saber quem era, uma prima, uma sobrinha de dona Júlia? Esperava que fosse apenas uma conhecida para que os Pinzón não levassem a mal caso tivesse algo mais com ela, porque conhecendo-o como se conhecia, não deixaria de passá-la por sua cama.
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