Quando me dei conta que estávamos perdidos, chorei feito uma boba. Eu estava com medo, e com frio, e com o passar do tempo, com certeza eu teria fome. E as outras necessidades iriam bater. E o que eu poderia fazer?

–Klaus, você é o culpado. Eu não deveria ter te escutado. Olha a encrenca, em que nos meteu. Eu preciso de um banho, preciso usar um banheiro urgente, e o frio. Eu estou morrendo de frio. Klaus olhou pra mim, e começou a sorrir. Aquilo tava acabando comigo.

–Seu desgraçado, filho da puta. Pare de rir, eu não to vendo graça nenhuma. Nós dois estamos perdidos, sem expectativas de voltar para o hotel, e você rir. Faça me o favor Klaus. Ele olhou pra mim, segurou meu braço com força e falou.

–Eu não tenho um pingo de culpa. A culpa é toda sua. Quem mando sair do hotel, com esse minusculo biquíni. Eu não gosto de mulher vulgar, e você me pareceu vulgar.

Olhei pra Klaus, e não acreditei no que havia acabado de ouvir.

–Eu, vulgar? Você viu o tamanho dos biquínis das brasileiras? Se o meu fosse daquele tamanho, você enlouquecia. E outra coisinha, eu sou só sua esposa de mentirinha, então, não me venha com esses acessos de ciume.

–Caroline, eu não tenho um pingo de ciume de você. Só exijo respeito. Mesmo sendo um casamento de fachada, espero de você, respeito e espero também, que me honre. Afinal de contas sou seu marido.

–Klaus, cansei de discutir com você, mais então, o que vamos fazer?

Ele olhou pra mim, e começou a mexer na bolsa. Ele havia trazido a minha canga, um vestido meu, e umas bolachas, que eram impossíveis de se comer. Peguei meu vestido, e vesti, pois estava muito frio. Klaus, por sua vez, procurou uns galhos e fez uma fogueira, de um modo bem primitivo.

–Nossa! Você conseguiu fazer fogo. Parece que você conseguiria sobreviver bem em uma floresta. Ele levantou os olhos pra mim e respondeu.

–Já no seu caso, se transformaria em comida de onça, rapidinho.

Me irritei com o comentário sem graça de Klaus e entrei no meio de umas arvores para fazer xixi. Acabei encontrando umas arvores frutíferas, e resolvi colher. Os frutos eram doces e muito gostoso. Peguei algumas pra Klaus e fui levar. Ofereci e ele não quis pegar.

–O que foi Klaus? Não quer? Você esta com fome também.

Ele olhou pra mim, desconfiado e sem entender nada.

–Caroline, eu não consigo te entender. Te tratei mal, fui egoísta, e sem coração. Mesmo assim, você me trata bem. Isso foge da logica humana. Sorri com o comentário de Klaus, e fui franca com ele.

–Klaus, eu sou uma pessoa que não guardo magoas. Eu sinto Klaus, que você, foi muito magoado no passado, e você mesmo me confirmou isso. Mais eu tento te entender. Mesmo não gostando da sua atitude. Eu só não quero, que o nosso casamento pareca algo profissional. Como você acha, que irei mostrar a sua família que somos um casal apaixonado, se eu realmente, não for pelo menos sua amiga. Então, o que me diz, de pelo menos sermos bons amigos. Sem nenhum sentimento atrapalhando nossa amizade? Klaus olhou pra mim, meio intrigado, e com um sorriso de derreter corações, ele esticou a mão pra mim e falou.

–Ok, amigos. Isso já é um bom começo.

Acabamos dormindo em cima da minha canga. O frio era insuportável, mais Klaus fez questão de dormimos juntos, de conchinha. Quando o dia realmente raiou, conseguimos encontrar o hotel. Entrei no quarto feliz da vida, pulei na cama e me agarrei aos lençóis.

–Nossa, como senti falta de vocês. Eu pensei que nunca mais me encontraria com vocês. Klaus olhou pra mim, e começou a rir.

–Caramba Caroline, só passamos uma noite na mata, e já ta assim, desesperada.

–Klaus, não me diga que gostou de dormir no chão e no frio?

–Claro que não. Mais vamos tomar um banho, pois não quero que minha esposa fique com a pele ressecada e descamada. Na mesma hora me lembrei da minha pele.

–Ah Meu Deus. Minha pele necessita de uma hidratação profunda, meus cabelos e meu rosto também. Sai as pressas e fui tomar banho. Demorei tanto no banho, que Klaus já estava se irritando.

–Caroline, se demorar mais um pouquinho nesse banheiro, pode ter certeza, vai começar a nascer cauda em você. Sorri do comentário de Klaus e sai do banheiro. Klaus tomou um banho rápido e ficou me observando.

–O que você ta olhando? Eu sou algum tipo de filme? Eu estava ficando constrangida, pois Klaus me olhava como se fosse me comer.

–Nada não. Mais você esta passando esse creme ai, como se sua vida dependesse dele. Chega se tornar engraçado o jeito que você faz isso. Peguei um frasco e atirei nele, na mesma hora, ele levantou o braço pra proteger o rosto.

–Sai daqui. Vá tomar café, e me deixe em paz. E espero que continuemos amigos.

Klaus saiu do quarto rindo, e foi para o restaurante do hotel. Terminei minha seção de embelezamento e me vesti. Meu estomago roncava feito um trator velho, e eu precisava me alimentar, pois as frutas da noite anterior, não fazia efeito.

Quando cheguei no restaurante, Klaus me olhou feito um bobo. Eu fiquei vermelha, mais consegui me recuperar rapidamente. Pedi o mesmo que Klaus comia, pois não queria ser o centro das atenções. O garçom veio com meu café da manha, e junto dele um bilhete.

" Você é a mulher mais linda desse hotel. Será que podemos nos conhecer?"

Na mesma hora, Klaus levantou furioso e começou a gritar no restaurante do hotel. Me levantei, afim de acalmar Klaus, mais parecia impossível. Do nada um cara, aparentando ter uns 35 anos veio em direção de Klaus, e falou em um inglês fluente, pra que eu pudesse entender.

–Sou eu que quero conhece-la. Qual é o problema?