Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E aqui estamos com o antepenúltimo capítulo de CJ. Muito obrigada AndreaNeves pelo comentário adorável no capítulo passado. Eu realmente espero que gostem do que está por vir. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VII – CASAMENTO DE JULHO

CAPÍTULO XXVIII — RESGATE

— Coma! – A bandeja com a comida grotesca é colocada na porta de entrada do quarto sem qualquer cuidado. O capanga de Kai me encara com um sorriso satisfeito ao ver o quanto eu ainda estava fragilizado pela luta da noite anterior. – E eu acho melhor você comer tudo ou o sr. Parker terá o prazer de alimentá-lo pessoalmente e nós dois sabemos que seus métodos não são nada divertidos. Quer dizer, não para você.

Limito-me a lançar um olhar indiferente aos seus comentários. Eu não me importava com as provocações de Kai e seus homens. Nem com as condições precárias que tenho vivido desde que fui obrigado a vir para Londres. Nada disso importava mais.

O homem bufa, irritado por não conseguir qualquer reação de minha parte, e volta a sair do quarto, trancando a porta em seguida. Suspiro e observo os feixes de luz que entravam pela frestas da janela fechada por grades grossas, sendo a única iluminação do minúsculo quarto em que eu me encontrava.

Para me punir, Kai tinha feito questão de me colocar em um quarto de no máximo oito metros quadrado, com um banheiro menor ainda. O lugar fedia a mofo e a única saída de ar eram as frestas da porta e da janela. Eu não tinha direito nem mesmo a coberta de cama, travesseiro ou um coberto. O colchão era velho e fino, sendo extremamente desconfortável para dormir. As paredes do quarto possuíam uma aparência asquerosa e não era tão incomum assim encontrar ratos e baratas perambulando pelo local durante a madrugada.

Respiro fundo e me forço a levantar. Sentindo todos os membros do meu corpo reclamarem de dor. Há uma semana tenho sido obrigado a lutar todas as noites no Grand Slam, enfrentando oponentes fortes, que não se importam nenhum pouco em seguir as regras, se é que esse torneio de lutas clandestinas tem alguma regra além de lutar até que um dos lutadores não esteja mais consciente.

Não foram poucas as vezes em que jovens perderam suas vidas nessas lutas perigosas e nada era feito, porque isso gerava dinheiro. Muito dinheiro. A cada luta realizada, mais apostas são feitas e mais alto se torna o prêmio final. Era surreal pensar que as pessoas consumiam um entretenimento tão baixo quanto esse. Era surreal pensar que as pessoas consumiam um entretenimento tão baixo quanto esse.

Meu estômago se contrai ao ver a aparência repugnante dos dois sanduíches e o suco fino. Suspiro mais uma vez e decido comer de uma vez. Eu já estava há muito tempo sem comer e teria que me preparar hoje para as semifinais do Grand Slam.

A última luta tinha sido bastante desgastante. Eu já não estava mais suportando toda a pressão psicológica de Kai e o cansaço físico e emocional. A saudade que sinto de casa era massacrante e me torturava diariamente. Mas a pior parte de tudo isso era ficar longe de Elena.

Desde que sai de Hawkins, eu sentia como se uma parte importante de mim estivesse ficado para trás. Como meu celular havia sido tomado por Kai, nas poucas vezes que tive a chance de entrar em contato com a minha família nessa semana, eu evitei conversar com a garota, porque sabia que poderia desabar se ouvisse sua voz.

Ainda que fosse difícil mentir para tia Isobel, meu pai e Oliver, eu não conseguiria sustentar a farsa sobre a minha atual realidade se conversasse com Elena. Eu tinha ciência de que ela não estava tão bem. Meu melhor amigo e minha madrasta já haviam me alertado sobre seu estado. No entanto, eu sabia que seria mais fácil ela não saber sobre o que está acontecendo comigo. Eu a conheço bem para saber que assim que soubesse, ela pegaria o primeiro voo para Londres e acabaria se envolvendo em problemas.

Assim que termino de comer o sanduíche velho e o suco quase sem sabor, volto a me deitar na cama. Essa estava sendo a minha rotina. Lutar no torneio durante a noite e permanecer em cárcere privado durante o dia, recebendo refeições intragáveis e às visitas irritantes de Kai e seus capangas, enquanto tentava me recuperar dos ferimentos da luta sem qualquer medicamento.

Fecho meus olhos e o rosto de Elena invade a minha mente. Não consigo evitar sorrir ao lembrar dos sorrisos e momentos ao lado da garota. Elena me fazia experimentar tantos sentimentos únicos. Com suas loucuras e seu temperamento explosivo, nós sempre acabávamos discutindo, mas as nossas reconciliações eram as melhores. Ao seu lado, a vida sempre era surpreendentemente divertida.

— Chegou a hora, minha galinha dos ovos de ouro. – A voz desagradável de Kai entra no quarto, enquanto ele abre a porta de uma vez. Abro meus olhos e suspiro, encarando o teto. – O seu adversário de hoje é Owen Whittaker, também conhecido como Killer Snake. Ele é bicampeão do torneio, então é melhor se preparar, porque ele está acima do nível de todos os outros que você enfrentou até agora.

À contragosto, levanto-me da cama e vou para o banheiro, sem nem mesmo me dar ao trabalho de encarar ou falar algo a Kai. Lavo meu rosto e observo meu reflexo no espelho. A lua cheia iluminava pelo pequeno vitro o pequeno banheiro do quarto, permitindo que eu encarasse a minha aparência.

Eu estava péssimo. As olheiras profundas evidenciavam que eu estava há noites sem dormir. Minha barba por fazer me davam o aspecto desleixado e os ferimentos em meu rosto não contribuíam muito para melhorar a minha imagem. E isso me faz suspirar. Eu nem mesmo conseguia mais me reconhecer. Tudo o que eu mais queria era poder voltar para casa. Suspiro e volto para o quarto, encontrando Kai sentado na cama, mexendo em meu celular. Provavelmente, respondia as minhas mensagens.

— Assim que ganharmos o Grand Slam, iremos para o Texas. Lá iremos participar do US Open. – Avisa o homem, levantando seu olhar. Ele sorri e estende o aparelho para mim.

— O quê? Eu pensei que fossemos competir apenas aqui e eu poderia voltar para casa. – Digo, desesperado. Kai gargalha e me encara com um olhar divertido. – Kai!

— O quê? Você está falando sério? – Questiona, rindo ainda mais. – Como você é ingênuo, Damon. Achou mesmo que depois de ganhar tanto dinheiro com você, eu ia te deixar ir embora?

— Maldito! – Tomado pela raiva, ergo Kai pela gola de sua camisa e não demora muito para que seus capangas aparecessem para tentar me impedir de destruir a cara. Para o azar deles, nenhum era bom o bastante para me parar.

— Eu se fosse você, tomaria muito cuidado com suas ações ou eu não serei mais tão bonzinho assim com a sua família. – Ameaça Kai e eu acabo o jogando contra a minha cama, enquanto me livro dos capangas dele. O homem ri e se recompõe, aproximando-se de mim com um sorriso maligno nos lábios. – Você deveria se acostumar com essa sua nova vida para o seu próprio bem.

Soco a parede ao lado e sinto todo o meu sangue ferver. Eu sabia que era ingenuidade pensar que tudo acabaria nesse maldito torneio, mas uma parte de mim ainda tinha esperanças de conseguir escapar desse inferno que eu estou vivendo.

— Você tem uma hora para se preparar antes de sairmos. Esteja pronto quando eu voltar. – Anuncia Kai, saindo do quarto com seus capangas.

E novamente estou preso de novo no completo escuro. O silêncio é o meu companheiro. Permaneço com o punho pressionado contra a parede, sentindo o caos dominar a minha mente. A raiva se misturava a tristeza e a dor da saudade. Sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto e a única coisa que eu conseguia desejar era que alguém me acordasse desse pesadelo.

[...]

O som agudo do megafone ecoa e toda a algazarra realizada pelo público eufórico pelas lutas que aconteceriam naquela noite se cala. Um homem usando uma touca para cobrir o rosto sobe no ringue com o megafone em mãos. Ele observa os rostos que estavam vidrados em si e quase era possível ver o seu sorriso de satisfação.

— Senhoras e senhores, se estão em busca de um programa familiar, podem dar o fora daqui. – Anuncia o homem, andando pelo ringue luta. – Agora se vocês procuram sangue, suor, pancadaria e muito, muito dinheiro, vocês vieram ao lugar certo! Sejam bem-vindos as semifinais da Grand Slam!

E a multidão vai a loucura. Os gritos se tornam intensos junto ao som de bombas e outros barulhos atordoantes. O homem sobre o ringue instiga o público a continuar o alvoroço, intensificando o clima de expectativa e euforia. Ele sabia exatamente o que fazer para tornar o ambiente ainda mais propício as apostas.

— É isso aí! Vocês podem me chamar de Swindler. Eu serei o mestre de cerimônia da noite. E hoje nós descobriremos quem serão os dois lutadores que irão disputar a final do Grand Slam e levar o grande prêmio da noite. Vocês estão preparados? – Grita Swindler, recebendo os assovios, batidas intensas e gritos como resposta. – Muito bem! Então vamos as regras. As apostas irão se encerrar quando um dos lutadores for ao chão e não puder mais lutar. Lembrem-se que vocês não podem mudar suas apostas no meio da luta, por isso, tomem muito cuidado em quem vocês apostam. Vocês não podem encostar nos oponentes, ajudar ou interferir na luta. Se alguém ousar desobedecer às nossas regras, os seguranças não terão piedade em esmagar vocês e destroçar seus ossos, antes de jogarem vocês para fora daqui sem qualquer dinheiro. E como acreditamos na igualdade de gênero, não tentem usar as suas vadias para burlar o sistema.

Observo o submundo da Birkbeck, uma das maiores universidades de Londres, surpreso com a quantidade de pessoas presentes. Era possível reconhecer também alguns políticos e membros da alta sociedade britânica misturada com a multidão. Isso explicava o motivo de um torneio de lutas clandestinas, onde já ocorreu inúmeras mortes, acontecer em um lugar tão visível e reunir tantas pessoas e os organizadores nunca terem sido punidos por isso.

— E agora, vamos apresentar os competidores da noite. – O mestre de cerimônias volta a levar o megafone à boca e Kai bate em meu ombro, em um sinal para que eu me preparasse para as apresentações. – Do meu lado direito, pesando cento e vinte e três quilos, nós temos o nosso bicampeão do Grand Slam, Killer Snake!

Uma explosão seguida de uma música alta leva o público à loucura. Aplausos e gritos eufóricos tomam o salão quando Owen Whittaker surge no octógono. Era evidente como ele era o favorito daquela luta. Ele pula e joga os braços para cima, fazendo a torcida explodir em assovios e mensagens de apoio ao lutador.

A música para e Swindler volta a pegar seu microfone para me apresentar ao público. Novamente seu megafone emite um som agudo, silenciando a multidão. Respiro fundo algumas vezes e me preparo para entrar. Kai me encara, sorrindo de maneira perigosa, em uma ameaça silenciosa de que eu não tinha escolha além de ganhar. De frente a escada de entrada ao ringue, observo o mestre de cerimônias sorri e apontar em minha direção.

— E do meu lado direito, pesando setenta e cinco quilos, o novato de nosso torneio, Diablo Mortal! – Anuncia Swindler e uma luz me destaca, enquanto eu subo as escadas em direção ao ringue.

Uma música alta retumba no volume máximo, enquanto eu entro no octógono. Era possível ouvir gritos, assobios, vaias e alguns comentários, ironizando a diferença de peso entre nós, ainda que tivéssemos quase a mesma altura. Observo meu adversário e ele realmente era monstruoso, mais se assemelhando a um lutador de sumô do que a de luta livre.

Passo a mão sobre minha tatuagem na costela, em um lembrete de que eu não poderia perder. Não importava quantas vezes eu fosse derrubado, eu continuaria a levantar. Eu cheguei longe demais para deixar o medo me vencer. Diferente de meses atrás, eu tenho muito a perder se não conseguir ganhar esse maldito torneio.

Solto o ar lentamente e concentro minha mente, buscando alguma fraqueza visível de meu oponente que eu pudesse usar para criar vantagem em nossa luta, mas o lutador era quase uma muralha impenetrável à primeira vista, por isso, eu teria que contar com a sorte de não ser nocauteado durante nossa luta até conseguir criar uma estratégia.

— Muito bem, lutadores. Todos em seus lugares. A luta já vai começar. – Avisa o mestre de cerimônias, afastando-se do centro do ringue. – Preparar e...

Antes que Swindler desse o sinal para iniciar a luta, todas as luzes do salão se apagam e logo um alvoroço toma conta do local. As luzes não demoram a se acender novamente, mas para a nossa surpresa, o ginásio abandonado da Birkbeck está rodeado por agentes da CIA e de agentes que imaginei pertencer a agência de inteligência britânica, portando armas potentes. As pessoas começam a tentar correr, mas para onde tentassem ir, os agentes os cercavam e imobilizavam a multidão de maneira surpreendente.

Vejo meu adversário correr desesperado para fora do ringue assim como o mestre de cerimônias, mas tudo o que faço é permanecer parado no centro dele, completamente perdido com o que estava acontecendo. Inúmeras pessoas tentavam lutar contra os agentes, mas eram facilmente retidos e algemados. Definitivamente, o esquadrão que atacava não era comum.

— Damon! Vamos embora! Precisamos fugir! – Ordena Kai, subindo no octógono para me tirar à força do local.

— Eu... Elena... – Sussurro em estado de choque ao ver uma garota de longos cabelos castanhos e um olhar mortal correr em direção ao ringue. Eu não podia acreditar no que meus olhos viam. Aquilo só poderia ser uma miragem. Não era possível que ela estivesse aqui mesmo.

— Vam....

— Não ouse fugir, Malachai Parker, ou eu terei o prazer de quebrar a sua cara. – Elena interrompe Kai, subindo no octógono. O homem a encara com um sorriso divertido em seus lábios.

— Você e quem, garo...

Mais uma vez, Kai não consegue terminar sua sentença, mas dessa vez a culpa é do poderoso e doloroso chute que ele recebe de Elena em suas intimidades. Estremeço só de ver a cena, enquanto ele vai ao chão, encolhendo-se com o ataque baixo. Elena passa a desferir vários chutes em Kai, fazendo questão de usar o salto de sua bota para machucar ainda mais o homem. Eu nem mesmo ousava me aproximar diante da fúria de minha namorada, que parecia estar descontando toda a raiva que sentia em Kai.

Os capangas de Kai, ao ver que seu chefe levava uma surra de uma mulher com quase metade do seu peso e pelo menos uns vinte centímetros mais baixa que ele, correm para o ringue, mas não permito que se aproximem de Elena. Realizando o desejo que sinto desde que vim para essa maldita cidade, desfiro meus melhores socos e chutes contra eles, nocauteando-os instantaneamente.

— Para! Para, por favor! – Implora Kai, tentando fugir dos ataques furiosos de Elena. – Eu te imploro!

— Você vai pagar caro por ter sequestrado meu namorado, seu pedaço de lixo tóxico! Eu vou te ensinar a nunca mais se meter com a família Barton! – Grita Elena, batendo a cabeça de Kai contra o chão.

Ele tentava tirar a mulher de cima dele, mas Elena estava tão consumida pelo ódio, que não importava o que ele fizesse, ela continuava a se manter sobre ele, desferindo golpes ainda mais dolorosos contra ele. Em algum momento, ela consegue apertar o pescoço de Kai com tanta força que ele começa a ficar roxo.

— Elena! Você vai matá-lo! – Alerto, preocupado com o que a garota estava prestes a fazer.

— Essa é a intenção! – Responde com os olhos quase vermelhos de ódio.

— Para... com isso... – Digo, tentando afastá-la do babaca. – Não vale a pena!

— Ah, com certeza vale. Você não tem noção como vale. – Afirma minha namorada, dando um sorriso psicótico. – Eu terei o prazer de enviá-lo para o inferno, que era o lugar de onde ele nunca devia ter saído.

— Elena! Ele já está inconsciente! – Aviso e ela afrouxa um pouco mais o aperto. Aproveito o momento e finalmente consigo tirá-la de cima de Kai.

Afasto-a o máximo possível, temendo que ela voltasse a atacá-lo. Corro até o corpo desacordado do maldito que tem feito da minha vida um inferno e confiro se ele continuava vivo. Suspiro aliado ao saber que Elena não teria que responder judicialmente por homicídio privilegiado.

Viro-me para minha namorada e a encaro sem saber o que dizer. Elena estava com o cabelo preso em um alto rabo de cavalo. Usava calça jeans, botas de cano longo de salto, jaqueta de coro preta e as mãos estavam completamente sujas de sangue, depois de desferir socos e bater a cabeça de Kai tantas vezes no chão.

— O que você está fazendo aqui? – Ando até minha namorada e antes que eu tivesse alguma resposta, ela corre até mim e me beija intensamente.

Correspondo, completamente tomado pela vontade de matar a saudade que eu sentia de seus lábios. Suas pernas rodeiam minhas cintura e suas mãos invadem meus cabelos, puxando-os com brutalidade. Era um beijo intenso, violento e eufórico, demonstrando todo o caos de emoções que nos invadiam naquele momento.

Aperto-a mais contra mim, desejando prolongar mais daquela loucura que nos rodeava. Eu não me importava com os gritos desesperados ou com os sons de tiro que ecoavam pelo salão ao fundo. E em uma ação inesperada, Elena me empurra e desce de meu colo. Antes que eu dissesse qualquer coisa. Recebo um forte soco em meu rosto.

— Elena... – E mais um soco. Tento dizer mais alguma coisa, mas novamente sou alvo de seu ataque doloroso. Quando ela me atacaria pela quarta vez, seguro seu braço e a encaro intensamente. – Eu...

— Eu te odeio! – Grita, puxando o braço. Nesse momento, noto as lágrimas descerem pelo seu bonito rosto. Seu corpo tremia e seus punhos estavam cerrados, indicando toda a sua fúria. – Como ousa fugir de mim?! Você tem noção do quão preocupada eu fiquei?

— Elena...

— Eu te odeio, Damon Salvatore! Você não tinha o direito de entrar em minha mente e me tornar tão dependente de você! Eu passei todos esses malditos dias me perguntando o que tinha acontecido, o porquê de você ter me deixado para trás e o motivo de estar me ignorando. E então eu descubro que você estava participando de um maldito torneio onde inúmeras pessoas perdem suas vidas. Você tem noção do quanto eu me desesperei? Eu... – Ela soluça, abraçando o próximo corpo, tremendo cada vez mais. Tento me aproximar, mas sou repelido por ela.

— Eu sinto...

— Eu te amo, seu idiota! – Grita Elena, interrompendo-me mais uma vez. Ela se aproxima e desfere vários socos em meu peito, chorando intensamente. – Eu te amo demais! Então nunca mais... nunca mais mesmo... ouse me deixar para trás ou mentir para mim! Eu juro, Damon, que eu não respondo pelos meus atos. Eu vou acabar com a sua raça. Você me ouviu?

— Sim... – Respondo, sorrindo. Ela desfere mais três tapas contra meu corpo e me encara, mostrando toda a sua vulnerabilidade. Encontro o universo em seus lindos olhos. Limpo as lágrimas que manchavam seu rosto e encosto minha testa na dela. – Eu senti tanto a sua falta.

— Eu também senti a sua. – Ela sussurra, sem desviar o olhar dos meus olhos. – Demais.

— Eu te amo. – Declaro e beijo seus lábios mais uma vez, dessa vez mais calmo e gentil, saboreando aquela sensação de estar completo mais uma vez ao tê-la em meus braços. – Sinto muito por ter mentido. Isso não vai se repetir. Eu prometo.

— Acho bom mesmo. – Resmunga, abraçando-me, enquanto esconde seu rosto em meu peito. Inspiro o perfume delicado de seu cabelo e sorrio, sentindo toda aquela paz que não sentia desde que fui embora.

— Ah, vejam só se não é o meu encrenqueiro Vampirinho? – Levanto o olhar e encontro o sorriso divertido de tia Tasha. Ela observa Kai, completamente desfigura e inconsciente no chão e seu sorriso se alarga ainda mais. – Você nunca decepciona, Leninha. Bom trabalho.

— Tia Tasha! – Afasto-me de Elena e sou recebido pelo seu abraço caloroso. – Como vocês descobriram que eu estava aqui?

— Leninha descobriu. – Revela a agente da CIA, puxando a garota para um abraço, enquanto sorria de maneira orgulhosa.

— Na verdade, o verdadeiro herói foi tio Clint. Ele me passou o número da... Lillian e a localização desse lugar, mandando eu descobrir a verdade. Depois de saber que você não tinha ido morar com ela e que Lilly nem mesmo sabia que você estava em Londres, lembrei de nossa última conversa com Kai. Depois disso, eu só precisei juntar os pontos para saber que ele havia sequestrado a mim e a minha mãe e te chantageado. – Conta Elena, dando de ombros. Sorrio, não realmente surpreso com a capacidade dedutiva de Elena. Não havia nada que ela não conseguisse descobrir quando sentia que havia alguma coisa de errado.

— Bom, graças a isso, conseguimos colaborar com a MI6, que estava em busca de alguns criminosos que participam do Grand Slam também. Então, além de prender esse desgraçado, ainda ajudamos a agência de inteligência britânica a cumprir com o seu dever. Meus parabéns. – Conta tia Tasha, indo até Kai. Ela o algema e sorri antes de se levantar. – Agora você está finalmente livre das ameaças de Malachai Parker, Damon.

— Isso é sério? – Pergunto, animado.

— Sim. Descobrimos o envolvimento dele e seus homens em uma quadrilha que a CIA está procurando há vinte anos. Além disso, temos também provas do envolvimento dele em lutas clandestinas. Nem mesmo o dinheiro dele será capaz de livrá-lo da prisão perpétua ou a pena de morte. – Conta tia Tasha, surpreendendo-me ainda mais.

Viro-me para Elena e ela sorria de forma brilhante. Preciso de alguns instantes para assimilar a notícia. Eu não sabia como reagir. Durante muitos anos eu tinha lutado com todas as minhas forças para conseguir me livrar de Kai e agora que isso aconteceu, eu não conseguia ter qualquer reação. Era como se eu estivesse em um sonho.

— Eu... estou livre? – Balbucio e Elena ri, assentindo.

— Sim. Você finalmente está livre. – Responde minha namorada, puxando meu rosto para mais perto do dela. – Você não precisará mais fugir ou lutar. Você é um homem livre agora.

Sorrio eufórico e a pego, girando-o no ar. Elena ri e me abraça apertado. As lágrimas simplesmente descem pelo meu rosto, expondo todo o alívio e a felicidade que eu sentia. Eu finalmente tinha conquistado o que sonho desde os meus catorze anos: a minha liberdade.

Notas finais
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