Casamento da Morte
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eiri se desesperou seguida por Isaak, aquela história de terror era verdade, existiam caçadores de noivos judeus. E a noiva morta estava de pé andando em direção a eles.
— Afastasse de nós. Monstro! - gritou Camus desesperado, não negava que estava com medo, mas continha-o para proteger os jovens.
A noiva parou e de perto agora dava para ver o reflexo branco em seus olhos encarando o ruivo que protegia Hyoga em seus braços.
— Homem, eu não irei a lugar nenhum sem meu esposo.
— E-esposo? Alexei!? — sussurrou Eiri escondida as costas de Camus.
— Nós nos casaremos nesta igreja, eu e meu amado Hyoga...
— Está mentindo! — gritou Eiri receosa, nunca falara assim com alguém em sua vida — Alexei se casará comigo, e não com voc... um monstro!
— Eiri! — exclamaram Camus e Isaak a garota que saia de trás dos dois para enfrentar a mulher de frente.
— Sua porca... Hyoga recitou os votos de casamento a mim e pôs a aliança em meu dedo. — Éris esbofeteou o rosto da loira usando a mão esquerda com o anel de ouro a jogando no chão. Seu cabelo loiro que era preso a um coque se desfez com o impacto.
— EIRI! — Gritou Isaak correndo a sua direção, a mesma recusou a ajuda do rapaz.
— Não. Alexei se casaria comigo hoje, mas você o sequestrou e o enfeitiçou. Você é um monstro, uma bruxa. — Gritava.
— Você me ofende porque não admite que o meu amado escolheu casar comigo. E não com alguém rude e não polida como você.
Aquela situação estava uma loucura, estavam no término da madrugada, com Hyoga em estado catatônico em seus braços e Eiri trocando palavras e insultos com um fantasma. Sentiu o loiro em seu braço perder o equilíbrio pesando contra seu peito. Hyoga estava fraco e precisava de um médico urgente. Pegou o menino em seu colo da maneira de carregava-o quando criança para melhor movimentação.
— Assombração! — desafiou a noiva — Você pode dizer e afirmar que está casada com Hyoga, mas não sabe que este garotojá estava noivo da senhorita Eiri bem antes de você ressurgir do inferno.
— Como disse?! — insultada.
— É verdade!- Isaak que protegia Eiri que já estavam longe da noiva disse — A aliança que está em seu dedo é a aliança do casamento de Hyoga com Eiri. Estávamos no bosque e estávamos bebendo e gozando da festa, e então estávamos brincando de como era os votos do casamento.— Eiri ouvia assustada porque não sabia sobre isso — E nessa hora, Hyoga colocou a aliança em um galho de árvore, mas nem ele e nem eu vimos que era o sei braço.
Eris abaixou o olhar encarando a aliança dourada que reluzia a luz das tochas da igreja em seu dedo negro necrosado.
— Não pode ser...
— Esse seu casamento nunca existiu. Você o forçou a aceitar — disse Camus com hyoga em seus braços. — Ele está adoecendo, oh meu garoto... seus lábios estão focando roxos. Você diz que ama-o, mas estava para o-
Matar de hipotermia.
Eris se desesperou ao ver o corpo desacordado do loiro com dificuldades para respirar, no impulso foi até ele mas foi impedido por Camus e Isaak e Eiri.
Ela olhou agressiva para o rapaz mais novo e para a menina. E se lembrou que aquele rapaz de cabelo loiro escuro era o mesmo que estava junto com Hyoga quando foi libertada da terra e que a ofendeu chamando-a de monstro.
"-Hyoga. monstro... monstro!"
Eris agora olhava para a palma de sua mão, feia, negra e com terra e buracos que conseguia ver a cor branca do osso das falanges, sua pele parecia-se com luvas rasgadas e sem unhas . Suas mãos que sua mãe tanto se orgulhava por serem macias, o vestido branco de sua mãe que sempre dizia que seria seu no dia do casamento, agora estava sujo, as pérolas caíram, o brilho da seda fora estragado e o que restara se desfiava.
— Eu... eu não sou um monstro...
— Você É. E não se casará com Alexei!— gritou eiri
— Mas a aliança. ..
— Ela apenas fora colocada em seu dedo, os votos de um casamento são válidos apenas para os vivos! Você está morta!
— Morta?!!— Eris exclamou.
Sim, ela estava morta desde aquela noite que tivera o pescoço apertado pelas mãos de quem amava.
"Morta"
Eris recordava de tudo, as mãos de Hyoga afastavam todas as tristezas dela, enquanto as de seu antigo amado apertavam seu pescoço.
Eris ainda não estava morta quando sentia alguém tentar tirar o seu corselete.
Eris ainda não estava morta quando escutava a voz reclamando que era muito difícil tirar aquilo de seu corpo.
Eris ainda não estava morta quando sentiu o lindo vestido de noiva ser rasgado para dar espaço a suas pernas.
Eris ainda já não estava morta quando sentia algo empurrando-se para dentro de sua veste intima repetidas vezes.
Agora, eris passava a mão por sei vestido vendo que ele tinha um rasgo que ia até a altura de sua coxa.
Aquilo enfureceu a noiva ao ponto do vento ficar mais violento.
— Devolva-o para mim.
E uma brisa forte soprou contra os quatro fazendo-os desequilibrarem um pouco
— Devolva—o para mim. Não vou permitir que o tirem de mim.— ela voltava a andar autoritária em direção a eles.
Camus ordenou que os dois jovens se abrigassem na igreja
— Camus! E você?!
— me obedeça, Isaak!
Isaak pegou Eiri pela mão e correu junto com ela para a igreja se escondendo atras dos bancos chamando atenção e acordando a duzia d sem tetos que dormiam ali.
Mesmo com o forte vento que investia contra o ruivo, ele nada se movia. Protegeria Hyoga nem que custasse sua vida.
— Você pede para que eu devolva Hyoga, mas para eu devolver, ele precisaria ser de você. E ele não é.
— Devolva ele...!
— Você está morta, e ele está vivo. Achas que o matando ele seria seu?
— Seu cretino...
— Você que não quer ver o que desejas é uma coisa que está fora de seu alcance. Se eu entregar o menino a você, você irá o matar.
— Eu nunca faria isso com ele!
— Você faria. .. assim como fizeram com você, você irá fazer com ele.
Hyoga tossia nos braços de Camus e Eris dava dois passos para trás.
— Não. .. Eu nunca faria isso com ele....
— Você não vê? Se por acaso ainda tens visão, seu monstro. Ele esta doente por ficar exposto a esse frio sem roupas adequadas. Você não pertence ao mundo dele, e nem deveria estar aqui.
— Pare de dizer estas coisas!— gritou com a voz falhada e engasgada com terra que fora vomitada em seguida. — Você não sabe de nada, você não sabe se absolutamente nada!
— E o que eu não sei que você diz? Deixe Hyoga, ele adoecerá mais ainda se continuar nesse frio.
— Não! Não o tire de mim! Não tire o de perto de mim!— suplicou forçando sua voz que não saia.
— Se eu o deixar com você, ele morrerá. E eu não permitirei isso, ele é importante demais para mim para deixa-lo com alguém como você.
Nessa hora as pernas de Éris se partiram como estacas de madeira velhas, suas pernas agora eram como ossos secos que não aguentavam o peso do corpo morto. Seu rosto foi ao chão de terra. Seu corpo estava deixando de ser "vivo" à medida que se sentia menos amada por Hyoga.
Seu coração estava se partindo aos poucos junto com seu corpo. Camus olhou para trás vendo alguns sem teto espiando a conversa de lá, sem sinal de Isaak. Olhou para a noiva que tossia terra, caminhou até a entrada da igreja ouvindo os lamentos da mulher.
— Por favor... eu imploro... não o tire de mim, não agora...
Evitando o contato e responder as perguntas que os mendigos faziam na porta chamou por Eiri e Isaak que estavam escondidos nos primeiros atras dos bancos da igreja.
Correndo, deveriam ir para a carroça para o caminho da mansão.
Éris chorava lagrimas negras ao ver o grupo levar embora seu amado, machucada com as cruéis palavras do homem, ela não tinha força para impedi-los ou seguir em direção deles.
Apenas seu braço se estendia na direção da carroça, vendo sem poder fazer nada, seu marido indo embora, e sua vida sendo levada pela segunda vez.
...
Quando toco a vela acesa falta seu calor
Se me corto com a faca não há dor
É verdade que ela vive e que a morte em mim está
Mas não deixo de sofrer
Não demora vai se ver
No meu rosto alguma lágrima rolar
Quando toco a vela acesa, eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate, mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer, recusando se render
A morte em mim está
Mas ainda tenho lágrimas para dar
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