Casamento Por Contrato
19 Um Pedaço Rasgado de Papel Velho e Amassado!
Notas iniciais
POV Gina
Eu acreditei nele, apaixonei-me por ele, vivi com ele todo esse tempo e ele mentiu para mim.
Era somente essa frase que rondava minha cabeça enquanto ele me olhava sem saber o que fazer. Eu estava sem ação, sem pensamentos coerentes, sem conseguir acreditar em nada e em ninguém. Só conseguia olhar para ele, ver seu rosto cheio de lágrimas e angustiado. Será que ele realmente sentia tudo isso? Ou era tudo mentira?
- Gina, eu... – ele deu dois passos a frente, eu fiquei imóvel, sem saber o que fazer
- Nós vamos deixar vocês sozinhos... – Pansy levantou e chamou Harry com apenas um olher
- Não. – eu finalmente me mexi, saí daquele torpor
- Gina... – ele se aproximou mais, queria me tocar, mas eu me afastei
Eu não sabia como reagir ainda e não queria ser injusta, pode isso? Eu tinha medo de magoá-lo, quando ele já me magoou.
- Draco, você sabe o que isso tudo significou, não é? – Pansy se apoiou no ombro dele – Você confessou, terá de ir preso!
- Não vou poder esperar até o julgamento? – ele perguntou desolado, eu só ouvia e tentava decifrar suas reações
- Pode ir para casa, buscar suas coisas, despedir-se do seu filho, mas tem de voltar para cá em duas horas! – Harry se adiantou para ele – Teremos mais algumas conversas antes de ir para Azkaban, mas tudo o que posso fazer agora é tentar reduzir sua pena, nada mais.
- Não! – eu me ouvi dizendo
O que seria do Enzo sem o Draco? Aquele pequeno já havia sofrido demais! O que seria de mim? Eu continuaria casada com ele, fora um casamento perfeitamente legal! E o que seria...Merlin! Isso não podia acontecer!
- Gina...você pode ficar aqui? Para conversarmos? – Harry se adiantou para mim com a mão estendida
Draco o fuzilou com o olhar, mas naquele momento eu precisava da verdade. Nada além da verdade. Então eu estendi a mão e segurei na dele, Draco deixou os olhos se fecharem em um sinal de rendimento, de estar perdido.
- Estarei de volta em duas horas. – ele disse simplesmente e saiu da sala sem olhar para mim
- Por que fez isso? – eu perguntei assim que não o vi mais na sala, minha atenção agora dirigida a Harry
- Fiz o quê? Esse é meu trabalho Gina! – ele deu de ombros e foi se servir de mais uísque
- Você fez ele confessar e na minha frente, você sabia que eu estava ali! – eu me exasperei – Não pode prendê-lo!
- Gina, ele matou uma pessoa! – ele se voltou para mim surpreso, jamais imaginou que isso fosse sair da minha boca, nem eu imaginava
- Mas teve motivos nobres! Você também iria se tornar um assassino se aquele feitiço não houvesse ricocheteado! E também por motivos nobres! – eu respirei fundo tentando conter as lágrimas
- Você está confusa, não consegue enxergar a verdade, nem a realidade Gina! Precisa ficar do lado certo! – ele se aproximou segurando meu ombro com leveza
- Você foi um canalha comigo, Harry! Draco foi meu príncipe! Não vou ficar do seu lado! – eu me desvencilhei dele – Ele estava lá no dia seguinte.
- Vocês são casados! – Harry deu de ombros e tomou um grande gole do uísque, não gostava de ser comparado, principalmente com o Malfoy
- Não éramos ainda e mesmo assim ele faltou ao trabalho para ficar comigo naquele dia! E ele é...um fofo quando quer, um idiota também, mas acima de tudo ele sempre me protege de qualquer pessoa e em qualquer situação! Ele me deu uma família! Não vou perder isso, não quando gosto disso!
- Quê família Gina? Acha mesmo que se ele for preso, ele vai deixar o Enzo com você? Ele vai tirar o menino de você porque não confia na esposa que tem! Você sempre vai ser uma Weasley! – Harry se exasperou
Pansy se remexeu no sofá inquieta e então levantou.
- Isso quer dizer que eu sempre serei a Parkinson, não é Potter? – ela tinha lágrimas nos olhos – Eu sabia que isso não iria dar em nada mesmo!
Ela se abaixou para pegar a bolsa, mas antes que desse um passo Harry a segurava pelo pulso.
- Não é isso... – ele estava muito mais calmo agora, eu podia ver em seus olhos que ele gostava realmente da morena
- Ele só quer me colocar contra o Draco! – eu suspirei sorrindo levemente – Você sempre esteve certo em relação ao Draco, mas dessa vez está errado.
Eu voltei as costas e saí daquela sala deixando-os sozinhos. Agora eu precisava do meu porto-seguro, da minha vida, não importava mais ninguém. Era só nisso que pensava quando aparatei de volta a mansão Malfoy.
- Draco? – chamei-o
- Aqui em cima... – sua voz estava fraca
Subi correndo para encontrá-lo arrumando uma pequena sacola com roupas. O quarto estava escuro, a vida dele estava escura agora.
- O que o santo Potter colocou na sua cabeça? – ele pediu com desdém
Ele estava magoado, mas acima de tudo temia pela minha reação. Uma reação que eu nem sabia que teria ainda.
- Como vai ficar o Enzo? – pedi de repente, aquele pequeno havai se infiltrado na minha vida de tal maneira que eu o amava como meu filho
- Ele vai ficar aqui, na casa dele. – Draco suspirou longamente – Ele já passou por muitas coisas, merece um pouco de paz!
- Eu sei, mas ele vai sentir sua falta! – eu toquei-o no ombro, vi ele se virar lentamente para mim
- E você acha que não vou sentir a falta dele? – ele pediu calmamente – A única que me consola é que ele estará bem, vai ter o padrinho dele ao seu lado e você! Enzo vai ficar bem, desde que fique com você!
- Vai deixá-lo comigo? – eu pedi deixando novamente as lágrimas tomarem conta do meu rosto
- Nem que eu quisesse conseguiria tirar ele de perto de você! Enzo nunca teve uma mãe de verdade e por mesmo com tão pouco tempo ao seu lado, ele já te ama, mais do que ama a mim se duvidar! – ele sorriu de lado, mas era um sorriso sincero e triste – Tem de ficar com ele Gina, mesmo que eu nunca mais volte!
- Você vai voltar! – eu respirei rapidamente
- Eu matei minha esposa Gina, ninguém vai entender isso! – ele se voltou novamente para as roupas
- Mas e se tentasse se explicar? – eu não sabia o que pensar ou dizer, tudo o que eu queria era que ele ficasse ali comigo, para sempre
- Explicar? Explicar que fui em milhares de médicos trouxas, a medi-bruxos, curandeiros, a todos que pudessem ajudá-la e ninguém mais sabia o que fazer? Que a doença dela estava a matando aos poucos de dentro para fora? Que as dores que ela sentiam eram insuportáveis, que ela gritava de fazer eco na casa toda? Que ela implorou que eu a matasse? E que depois de tanto vê-la sofrer e arrancando meu próprio coração, eu a matei? Isso é o que você quer que eu explique? – ele explodiu, furioso – Eles acreditaria nisso se tudo viesse do Santo Potter, ou de qualquer Weasley, Granger, mas jamais acreditariam em um Malfoy! Para eles eu vou ser condenado por estar mancomunado com a Júlia! Você sabe disso, Gina! Foi por isso que não confessei antes!
Eu chorava descontroladamente agora, sentei-me na beirada da cama tentando me controlar, mas tudo o que eu fazia era chorar mais ainda.
- E por que confessou agora? – pedi entre soluços
- Porque eu te amo. – ele disse simplesmente – Você merece uma vida melhor!
- Você está errado. – eu olhei fixamente para ele
- Você é perfeita Gina! Cresceu por seus próprios méritos, conseguiu uma carreira brilhante, é inteligente, linda, bondosa...e eu me apaixonei por você desde o início e a convivência só aumentou meu amor por você! Eu não queria te magoar, então achei melhor começar do zero, quem sabe depois que eu cumprir minha pena, eu possa reencontrar você como um homem de verdade!
- Você não precisa me reencontrar seu idiota! – eu me levantei rapidamente e comecei a bater com os punhos em seu peito – Eu estou aqui, estive aqui o tempo todo! Você precisa ficar comigo!
Ele me afastou com carinho, segurava meu rosto entre suas mãos. Seus olhos estavam cheios de lágrimas como os meus. Suspirei fechando os meus e esperei seus lábios virem ao meu encontro.
Ele não demorou a atender meu pedido mudo, na verdade ele parecia estar com tanta ânsia de me ter, quanto eu de aprisioná-lo ali comigo. Pude sentir os lençóis de seda contra meu corpo em menos de cinco segundos e nos outros cinco minhas roupas estavam sendo arrancadas.
- Eu não vou fugir... – sussurrei enquanto o abraçava contra mim e ele depositava beijos quentes em meu pescoço
- Estou com medo de perdê-la! – ele sussurrou de volta e se afastou para encarar meus olhos
- Não vai. – eu sorri – Você nunca vai me perder!
Ele sorriu fracamente, mas feliz pela primeira vez naquele dia e voltou a me beijar, agora com muito mais calma, com mais lentidão, mas sempre com desejo e volúpia.
***D&G***
***D&G***
Lembro-me de ter adormecido em seus braços quentes, de sentir sua respiração me meu pescoço, nossas pernas entrelaçadas em um emaranhado de lençóis. Mas quando acordei, já tarde da noite, ele não estava mais ali.
Percebi que eu estava com minhas roupas e que pesadas cobertas estavam sobre mim agora. Lá fora a chuva caía torrencialmente e ao meu lado Enzo dormia. Suspirei procurando alguma coisa dele, alguma lembrança do que ele poderia ter feito, mas nada me veio a mente. Até olhar a mesa de cabeceira e ver sob a minha varinha um pedaço rasgado de papel velho e amassado.
Peguei-o lentamente, sentindo a emoção de saber de onde viera. Do primeiro diário de Alexia Malfoy, aquele que eu sempre quis saber o que dizia porque parecia que iria revelar tudo. Levantei e peguei a caixa com os diários, os três que sobraram. Achei a página certa e encaixei aquele pedaço.
“Os olhos cinzas me perscrutaram dos pés a cabeça. Eu sei que não estava apresentável para uma noite de natal, ainda mais com aquele vestido preto que quase me cobria por inteiro. Olhei de relance ao espelho que ficava por dentro do bar e vi meus olhos azuis brilharem em meio a pele extremamente pálida. Eu me senti horrível, e, naquele momento, eu quis ser desejável para ele. Quis que ele me olhasse como mais ninguém olhou, mas até aquele momento, eu não conseguia decifrar seus belos olhos sobre mim, somente a indiferença e arrogância comum em um Malfoy. Talvez fosse melhor não conhecê-lo, talvez fosse melhor me esconder no quarto e não voltar a festa. Foi o que fiz, ou tentei fazer até...que ele apareceu atrás de mim sobre meus ombros em frente ao espelho do meu quarto, em seus olhos havia algo diferente, eu não soube dizer de imediato o que era, só depois fiquei sabendo que era curiosidade, ao mesmo tempo interesse. Ele me voltou para ele pelos braços, segurava de maneira firme, mas delicada, seus olhos perscrutavam meu rosto. Ele pediu o que fizeram comigo, porque eu parecia tão frágil e tão linda ao mesmo tempo, tão bela...disse que eu me parecia como uma boneca de porcelana, bela demais, mas tão frágil que ele tinha medo de tocá-la. Eu me senti horrível, horrível por ser doente daquela maneira e mais ainda porque eu queria ser amada por ele, porque eu queria que ele me tocasse e me beijasse, fizesse-me sentir o que eu nunca senti antes...Queria ser amada por um olhar, como eu o amei por um olhar. Nunca pensei que um Malfoy pudesse nutrir tão puro sentimento, até perceber que ele me beijava de uma forma tão carinhosa que eu jamais vi outra pessoa beijar assim, ele me queria, podia sentir o desejo emanando da sua pele, mas ao mesmo ele me venerava e expressava isso pelo olhar. Foi assim que me entreguei ao único homem que amei na vida e me deixei ser amada, mesmo sabendo que isso não iria durar para sempre como nos contos de fadas...”
As lágrimas caíam pelo meu rosto novamente, eu não imaginei que ele fosse fazer isso, que fosse procurá-la desde o início, que a amasse desde o primeiro olhar. Mas ele amou, amou tão profundamente que seu coração se dilacerara por isso, e agora ele estava se entregando novamente, mas a mim. E eu precisava fazer isso valer a pena, nem que esperasse a vida toda para que ele voltasse aos meus braços.
Deitei sob as cobertas e puxei Enzo para perto de mim, o pequeno ressonou baixinho sem imaginar que não veria o pai por um bom tempo ainda. Mas nós ficariamos bem, eu garantiria que sim, até vê-lo mais uma vez.
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