Casamento Por Contrato

6 Um Espírito De União


Notas iniciais
N/A: Oiiii! *-* Como estão meus leitores amados? Espero que gostem do novo capítulo! Beijoos

POV Draco

Eu fiquei uns cinco minutos me balançando na ponta dos pés diante da porta do seu quarto. Ergui a mão para bater umas quinze vezes e abri a boca para chamá-la mais umas vinte vezes. Eu estava parecendo um idiota que não sabia o que fazer, e desde quando Draco Malfoy não sabe o que fazer? Desde que não consegue decidir se a Wesley o atrai ou não. Droga!

Respirei fundo e bati na porta, mas não esperei ouvir resposta. Eu jamais esperava por algo e estava ali há tempo demais. Ela estava saindo do banheiro, enrolada em uma toalha, os cabelos pingando água pelo chão e os cílios espessos e molhados faziam seus olhos brilharem.


- Por que você entrou? Isso é falta de educação! – ela ralhou, suas bochechas coraram

Meus olhos desviaram de seu rosto para ver seu busto através da toalha subindo e descendo ligeiramente. Ela ficara tão ofegante assim com a minha entrada? Merlin, pior que eu também ficara.


- Eu queria falar com você! – obriguei meus olhos a subirem para seu rosto


- E não podia esperar? – ela apertou a toalha mais ainda em volta do corpo, eu arfei, mas ela não percebeu – Eu já desceria para tomar café!


- Você está demorando sabia? – eu decidi agir como ela, com raiva, quem sabe assim os pensamentos de pegá-la nos braços e jogá-la na cama sumiriam da minha mente

Olhei o quarto numa tentativa vã de desviar minha atenção dela. Então meu olhar recaiu sobre o pijama de malha sobre a cama. Que mulher em sã consciência trocaria a camisola que eu dei por aquele pijama?


- Por que não usou a camisola que lhe dei? – indaguei sério, meu olhar mais uma vez sobre ela


- Que você...o quê? – ela franziu o cenho

E como se uma lufada de vento vinda da janela pudesse me fazer perceber o que ela pensava, eu entendi. Ela achava que tudo ali era da Alexia, por isso não usara, por isso estava tão raivosa. Merlin, como ela era bobinha.


- Eu comprei para você, na realidade todas as roupas novas que estão no seu guarda roupas, fui eu quem comprou! – eu apontei o móvel de madeira


- Por quê? – ela ergueu as sobrancelhas, surpresa


- Sei lá, só achei que gostaria! – eu dei de ombros


- Achei que fosse da...


- Alexia não dormia aqui! – eu a interrompi, vi seus olhos brilharem um pouco mais – Nunca dormiu aqui, mas mantinha o quarto em ordem e gostava de descansar aqui durante o dia!


- Ela dormia com você? – sua pergunta me atormentou, ela nem sabe o quanto isso me atormentou, mas eu sabia que não podia responder a verdade assim de começo


- Eu nem dormia Weasley! – eu disse simplesmente e segui para a porta


- O que você queria comigo? – ela perguntou antes que eu saísse totalmente do quarto


- Gostaria que conhecesse o Enzo, que viesse comigo até o orfanato! – eu suspirei – Tudo bem se não quiser...


- Eu vou! – eu a encarei, seus olhos e seu sorriso estavam radiantes

Eu acenei e a deixei sozinha. Por um lado aquilo fora uma conversa proveitosa, eu descobri que ela não gostava de se passar por minha falecida esposa, mas que também gostava que eu desse preferência a ela. Porém, eu ainda não conseguia entender como eu podia me sentir tão atraído por ela.


***

POV Gina

O orfanato ficava em um bairro afastado do centro de Londres, estava circundado por muros altos e árvores frondosas. A casa era antiga e de madeira, parecia uma convento de freiras a moda trouxa, mas aquilo me trazia lembranças de casarões mal assombrados que ficavam nos arredores da Toca. Meus irmãos e eu sempre vivíamos a desvendá-los, na maioria das vezes saiamos correndo ao primeiro barulho, mas eram legais as brincadeiras.


- Eles sabem que viríamos? – Draco perguntou, temeroso, assim que tocou as barras do portão de ferro


- Sabem sim, fomos autorizados a visitá-lo! – eu sorri – Olhe, as crianças estão brincando no parquinho!

Eu apontei o parquinho que ficava no pátio do orfanato, as crianças faziam um barulho enorme ao correrem por ele. Dois segundos depois um porteiro uniformizado abriu o portão para nós e pediu nossas identificações, mostramos a identidade e deixamos as varinhas a seu cuidado. Ele indicou uma mulher que estava parada mais ao longe, entre o parquinho e nós.

Não sei por que, ou quando aconteceu, mas sei que enquanto nos aproximávamos, nossas mãos se entrelaçaram. Draco apertava minha mão de uma forma estranha, como se estivesse com medo. Eu só o apoiava.


- Senhor Malfoy! – a senhora nos cumprimentou, pude ver que pela maneira que andava e se vestia, ela era muito rígida – E senhora...?


- Weasley! – eu sorri para ela e coloquei uma mecha do meu cabelo para trás


- Futura Senhora Malfoy! – Draco me corrigiu com um sorrisinho de lado


- Os senhores podem passar à tarde com o menino, mas não podem sair dos limites do orfanato! E devo avisá-lo, Senhor Malfoy, que qualquer tentativa de tirar o menino daqui sem os devidos processos e a autorização do Ministério, fará com que perda sua guarda definitivamente.

Draco engoliu em seco, ele acenou concordando e a senhora nos deixou passar. De relance vi os olhos dele se encherem de lágrimas. Eu não sei como alguém como aquela mulher pode ser tão insensível com ele. Ele não parecia o famoso Draco Malfoy agora.


- Papai!

Eu ouvi o grito mesmo de longe. Um menino loiro se levantou da areia e correu em nossa direção. Quando atingiu os braços de Draco, que havia se abaixado para abraçá-lo, o garotinho já estava em prantos.


- Tudo bem Enzo! Tudo bem, não precisa mais chorar, estou aqui! – Draco sussurrava enquanto o abraçava apertado contra si

Eu não contive as lágrimas, não pensei que o amor e a união deles fosse tão forte. Como alguém podia separá-los? Era só olhar nos olhos de cada um para ver como se amavam!


- Achei que o senhor não viria mais! – o pequeno se afastou do pai e limpou as lágrimas com as mãos pequeninas, eu sorri diante da cena


- Olhe para mim Enzo! – Draco segurou seu rosto – Eu jamais vou desistir de você ouviu? Você é minha vida Enzo! Eu te amo muito!


- Eu também te amo papai! – ele o abraçou de novo

Draco se levantou com ele ainda no colo, eu pude ver as lágrimas em seus olhos ainda. Mas o meu rosto estava banhado delas. Ele sorria para mim agora.


- Enzo, quero que conheça alguém! – o pequeno se desgrudou dele apenas para me olhar – O nome dela é Gina e o papai vai se casar com ela!

O pequeno ficou em silêncio por uns segundos, seus olhos azuis ainda brilhando do choro, então soltou o ar preso e encarou o pai.


- Ela vai ser minha mãe agora?


- Ela nunca vai ocupar o lugar da sua mãe! – Draco o corrigiu – Sua mão sempre vai ficar sempre com você, aqui! – então ele tocou o pequeno na altura do coração – Mas a Gina, ela quer cuidar de você, quer ser sua mãe também! Ela vai te amar como eu te amo!


- Jura? – o pequeno estendeu o mindinho para o pai


- Eu juro! – Draco enganchou seu dedo no do filho e sorriu – Que tal me mostrar como é aqui agora?

Eu sorri os acompanhando, Draco estava radiante, nunca o vi tão querido e feliz como agora, parecia ter voltado a infância enquanto brincava com o filho. Enzo me aceitou rapidamente, conversou comigo, quis me apresentar os amiguinhos e me mostrar o quarto. Nós passamos uma tarde agradável ali, rimos bastante, conversamos. Draco fez mil e uma promessas ao filho, mas nenhuma delas fez com que o pequeno não chorasse desesperado quando fossemos embora.

Draco quase não quis deixá-lo, quase fez uma besteira, mas eu estava lá para puxá-lo para o carro e dirigir para longe. O pequeno ainda ficou chorando enquanto segurava as barras no portão.


- Ele ficou feliz de ver você! Tem que pensar nisso e não no resto! – eu disse baixinho quando estávamos quase em casa


- Ele nunca chorou assim quando estava comigo! – ele sussurrou, só olhava a frente


- Daqui uma semana nós estaremos casados e ele vai voltar para casa! – eu sorri para ele e estacionei na garagem da casa


- Uma semana! Só uma semana! – ele sussurrou para si mesmo e saiu do carro

Ele se dirigiu ao escritório e fechou a porta com força. Eu suspirei e fui até a cozinha fazer um lanche. Ele estava sofrendo, mas não me atacaria agora que eu conseguira que ele visse o filho. Preparei dois sanduiches grandes e coloquei sobre uma bandeja com dois copos e uma jarra de suco.

Enquanto andava para o escritório lembrei-me que deveríamos parecer apaixonados diante do mundo bruxo. Então decidi começar a agir. Quando conheci aquele pequenino loiro de olhos extremamente azuis, eu me encantei imediatamente. Ele merecia meus esforços, mesmo que aquela reportagem não desse em nada, mesmo que Draco fosse culpado, mesmo que eu fosse infeliz. Aquele pequeno merecia voltar para casa.


- O que você quer?

Draco nem levantara a cabeça para me encarar quando entrei, mas eu percebi que ele preferia estar sozinho. Mas de alguma maneira eu queria ajudá-lo. Queria ficar com ele ali.


- Pensei que podíamos sair hoje, você, eu, Blaise e Luna! – eu coloquei a bandeja sobre a mesa e fiquei esperando uma resposta


- De onde tirou essa idéia de o Blaise e a Luna saírem juntos? – ele ergueu a cabeça para mim, visivelmente intrigado


- Bom, nós temos que aparecer diante do mundo bruxo não acha? – eu dei de ombros – Só fomos vistos almoçando uma vez e eles devem saber que moro aqui, mas precisamos parecer apaixonados não é?


- Sim, eu sei! Mas e o Blaise e a Luna? Como entram nessa história? – ele se levantou e pegou o copo com suco


- Eu achei que como são nossos melhores amigos, e eu vou contar a Luna toda essa farsa quer você queira ou não, eles podiam nos ajudar! – eu fiquei o encarando enquanto ele contornava a mesa e se encostava a ela de frente para mim


- Tudo bem! – ele depositou o copo de suco de volta na bandeja depois de tomar boa parte – Podemos jantar fora! Os quatro!


- Ok! Vou ligar para a Luna, você avisa o Blaise?

Eu falei rápido demais, mas aquele olhar dele meio intrigante estava me deixando nervosa. Eu estava ansiosa demais e queria sair dali agora, mas prevendo isso ele me puxou pelo cós da calça e me prendeu entre seus braços. Nossos corpos juntos. Não o encarei, mas tentei agir naturalmente, apoiei minhas mãos em seu peito e fiquei quietinha ali.


- Obrigado, por tudo o que fez hoje! Enzo adorou você! – ele disse baixinho, mas sincero


- Eu gostei dele! – eu o encarei e sorri, ele retribuiu o sorriso – Enzo é um encanto de criança! Não sei como alguém pode fazer essa maldade de separá-lo de você!


- É bom saber que pensa assim! – ele sussurrou e então inclinou a cabeça na minha direção

Eu fechei os olhos imediatamente, por algum motivo, eu queria beijá-lo. Nossos lábios se tocaram com mais calma agora, mas as sensações indescritíveis que senti com ele da outra vez, continuaram as mesmas. Eu ainda me senti em um lugar onde não existia mais nada além de nós dois. Só nós dois.

Suspirei quando ele girou comigo e me encostou a mesa. No instante seguinte eu estava sobre a mesa com as pernas sobre sua cintura. A suavidade do beijo anterior se transformou em urgência, mas dessa vez nada girou, nada se apagou, eu o senti ali e tinha consciência que o puxava cada vez para mais perto.

Ele passou um braço por trás de mim sobre a mesa e amontoou tudo ao meu redor enquanto me deitava sobre ela. Seu corpo se curvou sobre mim e seus beijos desceram para meu pescoço, suas mãos começaram a acariciar meu decote com leveza, com carinho. Meus suspiros saíram mais altos.

Ouvi o barulho do telefone de longe, primeiro achei que não era ali, mas pouco a pouco fui notando o barulho ao meu lado. Segurei seus cabelos enquanto ele descia seus beijos para um dos meus seios por cima do tecido da blusa, mas o barulho ficou ainda mais irritante.


- Draco...


- Deixa tocar! – ele sussurrou, rouco agora

Mas o telefone voltou a soar estridente demais. Ele se levantou bufando de impaciência e atendeu a ligação. Quando ele praguejou porque era o Zabine, eu me sentei na mesa ainda sorrindo. Talvez tudo aquilo fosse errado, mas servira para nos unir. Draco me abraçou pela cintura e me puxou para ele, eu me encostei em seu ombros enquanto ele continuava ao telefone.

Percebi que ele deixou o telefone praticamente cair de volta no lugar e me encarou preocupado. Surpreso também.


- O que foi? – meu sorriso sumiu

Sua mão tocou meu rosto de forma carinhosa, ainda preocupado.


- O Potter é seu novo chefe!

Notas finais
N/A: Comentem! XD