Casamento Por Contrato
25 Reencontro
Notas iniciais
POV Draco
Harry não estava muito falante enquanto viajávamos para o continente e quando entramos no carro ele adquiriu um ar mais sombrio. Sério. Não notei para onde íamos, mas pensei que seria para o Ministério e de lá para a Toca onde eu veria meu filho. Minha surpresa foi enorme quando paramos em frente a mansão Malfoy.
- Primeiro tome um banho, apare a barba e o cabelo. – Harry indicou a casa – Quando estiver pronto siga para a Toca, você sabe o caminho! Já se passaram dois anos, seu filho ainda é uma criança apesar de tudo e ele merece ver o pai dele bem!
- Ok. – eu sussurrei baixo demais
A verdade é que eu não queria entrar ali, eu aceitaria ir para qualquer lugar para não ter que me lembrar do que vivi ali dentro. Foi difícil esquecer da Alexia ali, agora eu não suportaria as lembranças de Gina.
- Vai lá. – ele abriu a porta do carro e eu saí suspirando pesadamente
Acenei com a cabeça e segui até o portão. Esperei encontrar a mansão abandonada, o portão oxidando, a grama alta e o jardim sem flores. Mas o que vi foi uma profusão de cores ofuscantes vindas das várias flores novas que havia ali, sem contar a casa aberta e arejada. Havia luz ali dentro, luz que eu nunca vira antes.
Quando entrei estava um silêncio absoluto, sem pessoas, sem elfos. Nada que me perturbasse, só o ruído dos pássaros no jardim. Porém a única coisa que me confortava era o perfume cítrico e floral que eu senti assim que entrei.
Segui o cheiro que me encantava e entrei no meu antigo quarto. Antigo porque eu jamais dormiria ali novamente. Não sem ela. Abri o guarda-roupa passando os dedos sobre o tecido fino de suas roupas, elas ainda desprendiam o cheiro de sua pele.
- Draco?
Voltei-me rapidamente para a porta sem acreditar que realmente ouvira aquela voz. Mas ela estava ali, vestida de forma tão casual como se estivesse me esperando e com os cabelos molhados. Era de onde vinha aquele cheiro que invadia a casa toda.
Eu arfei diante da visão dela, pensei que fosse um sonho ou que eu houvesse morrido e aquela era a morte. Não seria tão ruim se fosse. Mas no segundo seguinte ela estava correndo e se atirando meus braços, apertando-me contra seu corpo, atingindo-me com suas lágrimas.
- Ninguém me disse...ninguém...eu pensei que você sairia logo, mas...eu queria ter ido buscar você e...
- Fique quieta! – eu afastei-a emoldurando seu rosto em minhas mãos
Ela estava com os olhos cheios de lágrimas e seu rosto banhado por elas. Tremia estando tão perto de mim. Ela estava ali. Respirando. Viva. Eu não sabia definir o que estava sentindo, mas sei que foi algo inalcançável, algo sufocante que desaparecera quando a toquei.
- Eu fiquei meses pensando que nunca mais veria você...- sussurrei deixando meus próprios olhos marejarem enquanto olhava minuciosamente cada detalhe de seu rosto – Me disseram que você...
Eu não consegui falar, não queria que aquelas palavras saíssem da minha boca. Então eu deixei as lágrimas aflorarem e a trouxe de volta para mim abraçando-a apertado.
- Não me deixe Gina! Por favor, nunca me deixe! – sussurrei beijando seu rosto, seus olhos, sua testa, seus lábios
- Nunca. – ela sussurrou de volta – Eu estou aqui, não tem mais o que temer...nunca vou sair daqui!
Ela correspondeu ao meu beijo com o mesmo ardor que eu sentia, com o mesmo desejo. Minhas mãos queriam percorrer o corpo dela, certificar-se que ela estava ali, comigo.
- Eu te amo. – tentei me controlar e afastei-me completamente dela – Eu te amo muito.
Ela sorriu, um sorriso cansado, mas feliz e sincero. Sua mão tocou levemente meu rosto enquanto seus olhos brilhavam de felicidade agora.
- Eu também amo você! – ela beijou-me levemente os lábios – Vai tomar banho e se arrumar, vou fazer algo para você comer e depois vamos ver nossos filhos na Toca! Então voltaremos para casa como uma família.
- Meus filhos... – eu senti um aperto gostoso no peito enquanto abri um sorriso enorme – É uma menina ou um menino?
Ela sorriu, o mesmo sorriso do meu sonho. E só naquele momento entendi que o meu sonho era ela quando estava tendo nosso filho. No momento em que ele nascera e ela sorria ao vê-lo.
- É uma menina. – ela mordeu o lábio inferior, mas não conseguiu esconder o sorriso
Eu retribuí o sorriso. A minha garotinha estava me esperando para que pudesse mimá-la a vontade.
- Quero comprar algo para ela antes e para o Enzo. – eu disse simplesmente sem conseguir conter mais o sorriso
- Nós iremos! – ela suspirou um beijo e saiu do quarto
Eu entrei no banheiro sem me preocupar com mais nada, aparei a barba lentamente apreciando quando meu rosto voltou a parecer normal, enfeiticei o cabelo para parecer mais curto e adentrei o chuveiro. Fiquei ali por incontáveis minutos sentindo a água quente levar embora qualquer sinal ou marca que tenha ficado de Azkaban. Lavando a alma de um lugar monstruoso.
Foi só quando me senti realmente acordado é que a solidão me invadiu. E se tudo tivesse sido um sonho? E se ela não estivesse ali como eu pensava? E se...
Não aguentei pensar em mais alguma coisa, saí do banheiro e vesti a roupa que estava sobre a cama, nem pensei em quem poderia tê-la arrumado ali. Desci as escadas rapidamente e a encontrei em frente ao balcão, de costas para mim, ela preparava sanduíches enquanto sorria sem motivo algum.
Aproximei-me devagar e a abracei pela cintura encaixando meu queixo em seu ombro. Ela deixou o corpo se moldar em meu peito e fechou os olhos suspirando.
- Senti tanto a sua falta, não quero largar você nunca mais. – beijei seu rosto com demora
- Por que está com tanto medo? – ela se voltou para mim visivelmente preocupada – Eu estou aqui Draco, por que não está acreditando?
Eu prendi a respiração por alguns segundos tensos e então suspirei pesadamente. Ela sorriu como se me compreendesse e levou os sanduíches para a mesa, nós sentamos e comemos em silêncio, mas eu ainda pensava que ela desapareceria a qualquer momento.
- Nós podemos buscar eles, Gi? Por favor, não aguento mais! Quero ter vocês três aqui comigo, quero me sentir seguro de novo! – eu praticamente implorei quando aquele silêncio se tornou sufocante demais
- Receio que termos de ficar na Toca por algumas horas. – ela tocou minha mão por cima da toalha – Está todo mundo indo lá te ver! A Pansy principalmente, ela ficou muito preocupada!
- Tudo bem, acho que vou ficar melhor com bastante gente ao meu redor! – eu me levantei – Fiquei sozinho por muito tempo, só estou com medo de ficar de novo!
- Eu sei que há mais alguma coisa Draco, mas vou esperar até quando desejar me contar! – ela sorriu e me puxou para fora da casa
Vi ela lançar os feitiços de proteção e entrar no carro. Fazia tanto tempo que eu não dirigia que eu nem me lembrava direito. Mas parece que ela estava tentando ao máximo fazer como se parecesse que eu nunca havia saído dali.
- Como ela se chama? – perguntei quando avistei a Toca da estrada
- Catherine. – ela sussurrou – Foi Enzo quem escolheu.
- É perfeito. – eu sorri – Ela não sabe quem eu sou.
- Ela não tem nem dois anos, Draco! – Gina sorriu para mim – Mas ela sabe quem é você sim! Ela só dorme se ficar olhando sua foto ao lado do berço.
Aquilo me emocionou. Eu senti a lágrima descer pelo meu rosto e Gina limpá-la com a ponta do dedo.
- Eu falei sobre você para ela, Enzo ficou ao meu lado lembrando-me de cada detalhe. Ele sente sua falta, você é seu herói e sempre será.
- Obrigado. – eu sussurrei puxando-a para um beijo casto
Saímos do carro e adentramos a cozinha, não havia ninguém ali. Gina não se intimidou por isso e continuou andando, a sala estava realmente cheia quando entramos, mas ninguém pareceu me intimidar, ao contrário, eu me senti confortável.
- Papai! – Enzo saltou do colo de Harry e correu para mim, eu me abaixei para pegá-lo no e apertá-lo contra mim
- Meu pequeno! – beijei seu rosto sem largá-lo nenhum momento – Senti sua falta! Muita, muita! Eu te amo tanto!
- Eu também te amo papai! – ele me beijou o rosto e sorriu enquanto eu o colocava no chão
- Você cresceu. – eu o olhei de cima a baixo, ele havia crescido pelo menos uns cinco centímetros
- Eu tenho sete anos agora. – ele mostrou com os dedos – Tio Harry disse que você nunca mais vai ir embora, é verdade?
Seu rosto ficou ansioso e sério, ele esperava pela resposta como se dependesse da vida dele. E eu não sabia o que responder, afinal, não tinha idéia da minha situação, nem ao menos sabia por que havia sido solto.
Encarei Harry por cima dele e o Potter acenou afirmando com a cabeça. Eu respirei fortemente e baguncei os cabelos de Enzo.
- Papai voltou para ficar com vocês e não vai mais embora! É uma promessa! – abracei-o de volta sentindo seu cheirinho perto de mim novamente
- Draco...
Levantei-me e olhei Gina com uma pequenina nos braços. Ela tinha os cabelos enrolados e ruivos, as bochechas estavam vermelhas e ela escondia o rosto no pescoço da mãe.
- Chame ela. – Gina pediu baixinho
- Catherine? – chamei tocando levemente seus cabelos
Ela abaixou um pouco a cabeça e abriu os olhos. Cinzas. Como os meus. Ela era a mistura perfeita de Gina e minha.
- Vem comigo Catherine? – estendi os braços para ela, tentei não ficar ansioso demais, mas foi impossível
A pequena olhou primeiro para a mãe e depois estendeu os bracinhos para mim. Eu a peguei olhando-a intensamente, ela não me encarava direito ainda, mas se aconchegou em meus braços enquanto brincava com os botões da minha camisa.
- Ela só precisa se acostumar. – Gina sorriu abraçando Enzo pelos ombros
- Ah Draco! – eu só ouvi o suspiro e então alguém abraçando a mim e a Catherine junto
- Pansy! – eu sorri – Você está me sufocando!
- Ela ficou assim depois que engravidou! – Harry comentou sem esconder o ciúme
- Fiquei tão preocupada! – Pansy me encarou – Fico feliz que esteja feliz agora!
- Eu sei. E sei também que você está feliz! – eu sorri para ela – Mesmo que seja com o Testa Rachada!
- Ei! – o Potter reclamou, mas Pansy apenas sorriu e voltou para os braços dele
De alguma forma eu me sentia em casa ali, mesmo estando rodeado de Weasleys e com o Potter. Tudo podia haver mudado, mas para mim, depois de tanto tempo solitário, ter eles como amigos e como família era perfeito.
- Espero não ter perdido nada!
- Blaise! – eu sorri vendo o moreno entrar junto com Luna, a loira estava com a barriga enorme como se estivesse prestes a ganhar o bebê – É Júlia, você se livrou de uma morte lenta e torturante!
- Agora chega, você vai ter que explicar isso direitinho! – Gina colocou as duas mãos na cintura e pareceu séria
Eu sorri, quando ela fazia isso não era um bom sinal, mas eu senti falta até disso. Dos seus gritos, suas birras, de quando ficava brava comigo. Enfim, eu estava em casa.
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