Casamento Por Contrato
16 Nós contra todos e todos contra nós...
Notas iniciais
POV Gina
Luna demorou a chegar aquele dia. Parecia uma eternidade que eu a estava esperando quando ela finalmente saiu do elevador e eu a puxei para aquele armário de produtos de limpeza. Agora estávamos as duas ali, sentadas em caixas de papelão olhando uma para a cara da outra.
– Sério, se quer me contar um segredo, esse é um bom momento, porque não acredito que me puxou para cá só para olhar a minha cara! – Luna sorriu brincalhona
– Você e o Blaise se acertaram? – perguntei de repente, por algum motivo senti-me acanhada para contar o que havia acontecido
– Pelo Amor de Merlin, Gina! Minha vida não é segredo para ser discutida aqui! – ela se exasperou
Eu engoli em seco. Eu sempre contara tudo a ela, tudo. Por que agora eu não conseguia? Talvez, porque eu não tinha dito a verdade nem a mim mesma.
– Júlia apareceu lá em casa hoje. – eu abaixei a cabeça e olhei minhas mãos – De madrugada na verdade, ela tentou seduzir o Draco.
– Conseguiu? – Luna ergueu as sobrancelhas, curiosa e preocupada ao mesmo tempo
– Não. Mesmo estando nua, Draco não a quis. – eu sorri um pouco
– E por que está nervosa então? – ela segurou minhas mãos, só agora percebi que ficava retorcendo-as em meu colo
– Ele propôs que levássemos um casamento de verdade. Disse para esquecermos o contrato. – eu suspirei pesadamente
Ela ficou em silêncio por um tempo. Depois como se simplesmente constatasse algo que estava ali o tempo todo, ela sorriu.
– Você aceitou.
– Eu aceitei sim. – confirmei e a encarei finalmente, eu precisava da opinião dela agora
– Gina, só você não percebe que está apaixonada, talvez precise se olhar no espelho, porque eu posso ver escrito na sua testa. – ela riu baixinho – Do quê está com medo?
– Ele é tão diferente dos diários. – eu mordi o lábio inferior – Alexia o descrevia como um homem decente e que a amava, mas frio e distante. E ele não é assim comigo. Ao contrário, Draco nunca é distante, muito menos frio! Nós rimos bastante, conversamos, fazemos amor...eu nunca vi um relato dela sobre eles fazerem amor.
– Mas existe o Enzo. – Luna lembrou-me
– Sim, existe ele. Mas será que não aconteceu alguma coisa entre eles? Algo que os afastou? – eu perguntei quase assumindo meu tom jornalístico
– Ginevra Weasley! Por favor! Esqueça essa reportagem e viva sua vida! Com o Potter como presidente da redação você não vai conseguir essa promoção que tanto quer, a não ser que acabe com seu casamento! – ela apertou minhas mãos com força – Você não quer acabar com seu casamento, quer?
– Não! – eu sussurrei – Tudo o que eu quero agora é tentar ser feliz, com o Draco!
– Então viva amiga, viva esse tempo com ele, curta! Esqueça essa reportagem, por favor! – ela suspirou com força
Eu sorri fraquinho, acenando para ela. Luna sorriu e me puxou para levantar, mas eu a segurei antes que saísse.
– E o Blaise? – eu sorri, maliciosa
– Ele é um mulherengo! – ela deu de ombros – Só me quer para aumentar a lista!
– Eu acho que ele gosta de você, nem que seja só um pouquinho! – eu fiz um gesto mínimo com os dedos
– Se ele gosta, então terá de provar! Ele só vai me ter se casar comigo! Não vou entregar minha virgindade assim! – ela foi autoritária quando falou, e eu tive certeza que Blaise sofreria para consegui-la
***
POV Draco
– Eu quero transar com ela tá legal? – Blaise explodiu enquanto andava pela minha sala e tomava uma dose de uísque toda de uma vez – Só isso! Não tem nada haver com gostar ou algo do tipo!
– E por que bateu naquele cara que ficava com ela? – eu pedi me recostando na cadeira, aquilo estava ficando divertido
– Por que só eu posso tocá-la assim! – ele vociferou e então parou estático
Parece que finalmente ele havia percebido o que estava implícito por trás do que ele acabara de dizer.
– Você gosta dela. – eu confirmei
Ele me encarou assustado, parecia aquele menino em Hogwarts que viera me contar que gostava da Pansy quando ela ainda era minha namorada. Eu deixei da morena quando soube disso. Eu não gostava tanto assim dela e não queria magoar meu amigo. Blaise valia mais do que qualquer pessoa na minha vida, exceto Enzo e talvez...ela. Gina. Eu estava com saudades dela.
– Eu a desejo, isso é um fato. Como nunca desejei mais ninguém na minha vida. Mas isso chega a ser gostar? – ela me perguntou sentando na poltrona em frente a minha mesa
– Blaise, eu estou com uma Weasley! Gosto dela e não tento ficar negando isso a mim mesmo! – eu baguncei meus cabelos com as mãos
– Você a tem na sua cama. – ele desdenhou
– Sinceramente, mesmo se não tivesse ela em minha cama, eu gostaria dela! – eu sorri de lado
– Nossa cara, você mudou mesmo! – ele voltou ao bar para encher mais uma vez o copo com uísque
– Gina é legal, você vai conhecê-la melhor. – eu me levantei e fui até ele – Chega de beber, ainda é um advo-bruxo em local de trabalho! – eu retirei o copo da mão dele e coloquei novamente no bar
– E o que eu faço? Eu sonhei que estava transando com ela! Como quer que eu trabalhe assim?
– Convide-a para sair! – eu me apoiei em seus ombros – Chame-a para jantar, Luna não é uma mulher que vai parar na sua cama com um simples beijo!
– Eu teria de gastar dinheiro com ela. – ele negou veementemente, eu ri internamente, que mão de vaca que meu amigo era
– Pense em um investimento! Lembre-se do seu sonho! Do prazer que ela lhe proporcionou! Não valeu à pena? – eu o chacoalhei um pouco
– Ah valeu! E como valeu! – ele fechou os olhos por uns momentos, eu o soltei enojado
– Não acredito que está pensando na transa com ela agora! – reclamei ouvindo o telefone tocar – É a Gina!
– Virou vidente agora? – ele zoou
Eu dei de ombros e tirei o telefone do gancho.
– Empresa Malfoy.
– Draco? – Gina suspirou – Está tudo bem por aí?
– Sim, e com você? – estranhei sua voz, ela estava nervosa
– Assaltaram minha sala e levaram apenas minha bolsa! – ela se exasperou do outro lado da linha, eu fechei o punho
O Potter estava indo longe demais.
– Tinha coisas de valor? – indaguei franzindo o cenho
– Anotações de reportagens, celular...nada que eu não possa recuperar, exceto uma coisa. – ela fez uma pausa, um tanto dramática para o meu gosto – O último diário de Alexia!
Eu fiquei em silêncio agora. O que eu poderia falar? Eu queria esse diário tanto quanto Gina queria lê-lo, e agora ele simplesmente desaparecia. Os últimos dias de Alexia se perderiam para sempre.
– Draco? – ela me chamou, apreensiva agora
– Eu vou acabar com o Potter! – vociferei
– Não foi ele. – ela suspirou – Ele estava comigo quando aconteceu!
– O que ele estava fazendo com você? – senti o ciúme despertar com um rugido em meu peito
– Estávamos em uma reunião, eu esquecia uma pasta e ele veio me enchendo o saco até a minha sala! – ela estava rindo do meu ciúme, pude sentir isso – Eu consigo lidar com ele, Draco! Não se preocupe com isso!
– E então encontrou sua sala vasculhada? – eu indaguei tentando manter a outra parte do assunto longe
– Sim. E o Harry disse coisas...
– Contra mim com toda a certeza! – eu resmunguei
– Disse que você era o maior interessado nesse diário, que nele podia conter se você a estava matando aos poucos ou não. – ela silenciou depois de falar isso
Eu não gostei de ser acusado assim, mas por algum motivo em meu peito, eu sentia que a opinião dela sobre isso era importante. Muito importante.
– Ele falou um monte de besteiras, mas...consigo tirar algo proveitoso disso! – ela suspirou pesadamente – Quem quer que tenha pegado esse diário tem haver com a morte dela!
– Por que acha isso? – eu franzi o cenho, Blaise já estava se servindo de outra dose de uísque
– Porque não queria que eu lesse justamente aquele diário! – ela falava em um tom compenetrado, jornalístico – Talvez, toda essa história de você tê-la matado tenha um pouco de fundamento! Eu acho que alguém vinha matando Alexia aos poucos e que agora não quer que descubramos para não inocentar você!
Eu fiquei em silêncio por um tempo. O que ela dizia poderia fazer sentindo se fosse relevado tudo o que aconteceu naquela época. Eu poderia estar enganado em relação à morte da minha esposa. Talvez, só talvez, eu conseguisse realmente ser inocentado porque uma pessoa havia matado minha esposa. Isso era nojento de se pensar, mas era a verdade.
Porém, outra emoção se apossava de meu peito agora. Gina acreditava em mim. Isso não era traduzido em alívio somente, mas em uma sensação plena de paz e felicidade.
– Está sozinha? – perguntei baixinho, eu queria poder dizer o quanto gostava dela, mas neste momento não podia
– Estou fechando a redação agora, pensei em pegar o carro e ir aí! – ela suspirou, não sabia como eu me sentia e estava frustrada por isso
– Eu estou indo para aí! Quero olhar sua sala! – eu me levantei – Blaise pegará o Enzo na escola para mim! Espere aí e tome cuidado!
***
POV Gina
Draco não falara uma palavra desde que chegara, tudo o que fazia era vasculhar minha sala com a varinha em punho, o que ele esperava encontrar eu não sabia, mas penso que não havia nada a ser encontrado.
– Quero ir para casa. – eu suspirei me encostando a parede
Não saber como ele se sentia em relação a tudo aquilo me desnorteava. Nós estávamos tão bem. Ele me encarou do outro lado da sala e se aproximou devagar, seus olhos estavam profundos demais, mas estavam calmos. Um nevoeiro cinza e calmo.
– Obrigado! – ele tocou meu rosto de leve – Por confiar em mim.
– Você é meu marido, confio em ti. – eu sorri de leve
– Nosso casamento não foi à base de confiança minha flor! – ele riu e depois me beijou os lábios – Está cansada?
– Um pouco! Estou nervosa com esse lugar! Não é todo dia que minha sala é assaltada! – eu me apoiei nele, suas mãos pararam em minha cintura
– Uh, então acho que vou levar minha querida esposa para casa e lhe fazer uma massagem relaxante, o que acha? – ele brincou mordiscando o lóbulo de minha orelha
– Acho que ela iria adorar. – sorri
Ele pegou meu casaco e me puxou para a porta, mas parou quando nos aproximamos, havia alguém no corredor escuro. Draco me segurou firme em frente a ele e puxou a varinha, eu empunhei a minha também. Então ele apagou a luz e ficamos a espreita.
Os passos ecoavam no piso encerado, saltos. Mulher. O perfume era adocicado e impregnava o ar. Eu já havia sentido esse perfume antes, na casa de praia. Pansy Parkinson. Ela passou pela porta calmamente, os braços para cima amarrando o cabelo, os lábios vermelhos demais, o colo e o pescoço marcado. As roupas em desalinho, mas havia um sorriso em seu rosto.
Harry estava logo atrás, ele a puxou pela cintura e a imprensou na parede. Os dois se beijavam com volúpia. As mãos dele se infiltravam pela saia dela e as dela tratavam de tirar a camisa dele. Eles iriam transar ali. Traidora.
– Não podemos sair... – eu constatei baixinho, se aparatássemos faríamos barulho
– Não. – Draco sussurrou em meu ouvido
Ele me virou silenciosamente para ele e me puxou um pouco mais para dentro da sala. Seu rosto estava escondido em meu pescoço e eu me apoiei em seu peito. Pansy gemeu alto no corredor. Eu apertei seus braços de leve. Aquilo era nojento.
Então eu ouvi sua voz murmurar baixinho em meu ouvido, tão baixo que mais ninguém poderia escutar. Ele queria que eu parasse de notar o que acontecia ao redor. Queria me distrair. Proteger-me. Nessa hora tive certeza que estava apaixonada por Draco Malfoy.
Apertei-o mais contra mim e me concentrei apenas em sua voz. Pensando somente em nós dois e no que ele cantava para mim.
Close your eyes and I'll kiss you
Tomorrow I'll miss you
Remember I'll always be true.
And then while I'm away
I'll write home every day
And I'll send all my loving to you.
Notas finais
ps: Música All My Loving - The Beatles
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