Casamento Por Contrato
28 Epílogo - Para Todo o Sempre!
Notas iniciais
ps: leiam Hopeless! Fic nova! *-*
Beijokas
POV Draco
– Papai, a Cath babou na minha vassoura nova!
– Ela é só um bebê Enzo! – eu sorri diante da indignação dele
Fazia seis meses que estávamos na casa de praia. Gina continuou trabalhando como redatora, mas agora fazia seus textos aqui e mandava por correio coruja, eu continuei indo para a empresa, mas a partir de sexta minha vida resumia-se em ficar em casa com meus filhos.
– Vocês não me esperaram para abrir os presentes. – Gina reclamou ainda sonolenta enquanto descia as escadas
– Enzo acordou cedo demais, estava ansioso e Cath nos ouviu eu acho. – estiquei a mão para ela e a puxei para que sentasse em meu colo
Enzo e Cath estavam sentados no chão em frente à enorme árvore de Natal que enfeitamos há um mês. E hoje era 25 de dezembro, a neve caía torrencialmente lá fora enquanto estávamos quentinhos ali dentro pelos feitiços que produzi logo cedo.
– Mas eu não abri nem metade dos presentes mamãe! – Enzo sorriu para ela enquanto buscava um presente maior ainda e começava a desembrulhar
– Parece que toda a sua família mandou presentes para ele, ganhou até uma vassoura do Jorge! – eu a apertei pela cintura – E Cath está se divertindo mais com os papéis coloridos!
– Enzo virou o xodozinho da minha família, todos o amam! – Gina sorriu se aconchegando mais em meu peito – E por falar em minha família, devemos ir almoçar lá!
– Ainda é cedo, vai dar tempo! – eu rolei os olhos – Não precisa se preocupar! E eu pensei de irmos por via Flú, mais rápido mesmo!
– Tudo bem, mas antes eu gostaria de mostrar uma coisa para você! – ela levantou, ainda sorria, mas eu sabia pelo seu olhar que era muito importante
– Enzo, você pode ir tomando banho? – pedi, ele sorriu e afirmou – O papai já sobe com a Cath!
– E eu posso levar minha vassoura para mostrar para meus avós? – ele pediu com os olhinhos brilhando
– Seus pais não se importam mesmo dele os chamar assim? – franzi o cenho
– Eles adoram! – Gina riu – Claro que pode meu amor, pode levar o que quiser, mas é bom guardar algo em casa para quando voltar!
– Eba, vou arrumar tudo então! – ele saiu correndo escada acima, eu ri da animação dele
Enzo demorou a esquecer o episódio do quarto, por vezes eu tive de dormir no quarto com ele ou esperar até que pegasse no sono até que finalmente ele se sentisse seguro para ficar com a luz apagada e fechar os olhos. Gina foi meu apoio nesse tempo, nunca me cobrou nada e ainda sempre ficava ao meu lado quando podia.
Na noite anterior foi quando nós finalmente pudemos nos sentir completamente sozinhos, completamente apaixonados, mas foi tão intenso como antes e só percebemos que nada em nós mudou. O amor continuava intacto.
– Vem com a mamãe Cath! – Gina estendeu os braços para a pequena ruivinha, mas ela negou e jogou a boneca no chão
– Pa-pa! – ergueu o rostinho para mim sorrindo radiante
– Sério Draco, eu sei que você quer se aproximar dela, mas podia deixar ao menos ela pensar que sou mãe dela! – Gina brincou enquanto eu a pegava no colo
– Ela vai se acostumar, só está pensando que eu posso desaparecer de novo! – eu beijei a bochecha rosada de minha filha
– Ela te ama, eu te amo! – Gina se emocionou deixando uma lágrima escapar
– Ei, o que é isso ruiva! Você não chora, lembra-se? – pedi limpando a lágrima – Diga-me, o que queria me mostrar?
– Está no escritório, sobre sua mesa! – ela pegou Cath do meu colo – Vou dar um banho nela, enquanto você vê!
– Eu amo você! – sorri e lhe beijei os lábios carinhosamente
Eu não tinha a mínima idéia do que Gina queria me mostrar, mas eu sabia que importava muito para ela. Talvez fosse por isso que hoje ela estivesse tão emocionada e feliz. Então, de todo modo, isso indica que também será importante para mim.
O escritório é o único lugar escuro da casa, é repleto de estantes com livros do início ao fim e apenas uma mesa ao fundo em frente à enorme janela coberta por grossas cortinas. Foi o único cômodo que deixamos com a mesma decoração. Lembrava-me do passado, quando eu costumava vir ali com meus pais e passava boa parte do tempo lendo sobre o mundo mágico e trouxa. Era uma época, fora a que estou vivendo agora, em que eu era feliz.
Sentei na cadeira atrás da mesa e peguei o grosso envelope endereçado ao Daily Magic, o jornal do qual Gina era redatora chefe agora. Dentro havia pergaminhos amarelados e dobrados cuidadosamente, a letra corrida e elegante de Gina enchia linha por linha.
“Há alguns anos atrás eu era apenas uma garota tentando vencer na vida, gostaria de ser uma mulher de negócios com dinheiro, fama e sucesso, mas no fundo eu sabia que nada disso me tornaria uma mulher completa. Eu estava em busca de meus ideais e percebi que faria qualquer coisa para provar a todos e a mim mesma que eu podia alcançar tudo o que eu desejasse. E naquele momento o que eu queria era esta vaga que ocupo agora, a de redatora do Daily Magic.
Eu precisava de um furo de reportagem, algo vantajoso que tocasse o mundo mágico de uma forma jamais vista, algo como quando aconteceu a Segunda Grande Guerra contra Voldemort ou, então, parecido com as reportagens que seguiram as pessoas na reconstrução de suas vidas. Mas devemos confessar, todos nós, que isso seria muito difícil nos dias atuais. Com uma exceção.
E qual foi a minha surpresa ao ver esta exceção bater a minha porta em uma noite qualquer, ela me pedia ajuda desesperadamente, mas cobrava um preço alto demais.
Draco Malfoy, ex-comensal da morte, magnata do mundo bruxo e recém indiciado pela morte suspeita de sua esposa implorava por ajuda com a simples finalidade de conseguir ser o guardião legal de seu próprio filho. Justo. Todos nós devemos achar que um pai deve ficar com seu filho após a morte da mãe, mas e se ele fosse um assassino? E se ele só quisesse manter as aparências? Eu não pensei em nada disso quando ouvi sua proposta, fui egoísta e só pensei em mim mesma, na idiotice que eu achava daquela situação toda. Eu neguei.
Mas quando vi as lágrimas em seus olhos, de alguma maneira eu me senti mãe, eu me vi perdendo meu filho e pedindo ajuda a qualquer um que pudesse passar por ali, qualquer um mesmo. E diante daqueles pensamentos que me devastaram a alma e o coração, eu o chamei de volta e aceitei. Com uma condição. Eu seria a única a poder descobrir todos os segredos dos Malfoy e publicá-los como meu triunfo de reportagem.
Os dias que se seguiram não foram os melhores da minha vida, parecia que tudo começava a girar ao meu redor e querer acabar com o que eu tinha em mente de alguma forma. Eu jamais pensei que tudo poderia estar ligado, só quis seguir em frente, principalmente quando eu vi, com meus próprios olhos, o amor palpável entre pai e filho em uma visita ao orfanato.
Quando cheguei a Mansão Malfoy, eu não quis procurar segredos, eu não quis viajar em mundo desconhecido. Eu só queria continuar ali, quietinha, onde eu me sentia segura e confortável. Porque era assim que me sentia naquela casa, com eles, com ele. De alguma maneira Draco Malfoy conseguiu me fazer mudar o modo de pensar, de querer, de agir, não sei se foi pelo modo agradecido, pelo jeito arrogante de ser ou por toda a estupidez que me dizia. Só sei que eu me deixei levar e me entreguei.
A confiança que ele conseguiu arrancar de mim não foi obrigada, nem mesmo dada, foi conquistada e eu sabia que se eu estivesse enganada seria devastada com uma só palavra. Quando eu finalmente me sentia uma mulher completa, a tempestade começava a cair.
Draco Malfoy amava a esposa, desde o primeiro momento em que a viu. Eu descobri como era esse amor através dos quatro diários dela, ao iniciar no Natal do primeiro ano que eles se encontraram. Ele não falava de amor para ela, não mandava flores, não a bajulava. Ele só estava ali, com ela, em cada momento. Ele não se importou em saber que a perderia de qualquer maneira, desde que tivesse um único momento ao lado dela, porque ele sabia, sempre soubera que este romance estava fadado ao fim. Mesmo assim ele a conquistou, buscou tudo para fazê-la feliz, casou com ela, amou e a apoiou em tudo. Até seu último momento quando ela desesperadamente implorou pela morte em seus braços. E ele tentou aliviar sua dor, mesmo tornando sua mente um tormento e sua dor aumentando como uma ferida que nunca cicatrizaria. Ele tentou matá-la, mas não foi quem conseguiu.
O restante desta história todos conhecem, mas o que não sabem é que ele me contou isso, cada palavra, cada verdade, e mesmo assim eu sabia que ele só se sentia pior, afundando em um abismo que não haveria volta. Mas olhando o homem da minha vida acabar sem ao menos lutar, eu percebi que se ele caísse, não haveria volta para mim também.
Eu confiei, eu o amei por cada segundo. Eu fiz de seu filho, meu filho, eu lhe dei uma filha. Eu me casei com ele e me casaria quantas vezes fosse preciso. Porque Draco Malfoy não é morte e ilusão como todos pensam, Draco Malfoy conseguiu fazer uma mulher feliz a beira da morte e quanto a mim, toda noite quando deito em seus braços e fecho meus olhos, eu estou tranquila, porque sei que não há lugar mais seguro do que aquele em que estou.
Redatora: Gina Weasley”
Eu estava com um nó na garganta quando terminei de ler, meus olhos embaçavam de lágrimas e tudo o que eu pensava era no quanto eu amava aquela mulher. No quanto eu a queria para sempre e no que eu faria para tornar isso em um para sempre.
– Tudo bem? – Gina abriu a porta devagar
Ela estava pronta para partirmos, Catherine em seus braços, Enzo logo ao seu lado. Minha família, minha vida.
– Você vai publicar isso? – pedi baixinho enquanto me levantava e seguia até ela
– Se você não se importar, quis que fosse o primeiro a ler. – ela deu um meio sorriso
– Eu não me importo. – segurei seu rosto entre minhas mãos – Eu te amo, para sempre! Nunca duvide disso, porque é só o seu amor que mantém vivo! Você é minha vida Gina e eu cuidarei de você e de nossa família até o fim dos meus dias!
Ela deixou duas lágrimas escapar enquanto eu beijava sua testa e depois seus lábios ternamente.
– Eu te amo. – ela sussurrou sorrindo quando abriu seus olhos novamente – Para sempre!
– Para sempre! – sussurrei de volta
Então eu me afastei calmamente ainda sorrindo e peguei Enzo no colo.
– Vamos com o papai? A mamãe vai levar a Cath depois! – eu sorri para ele
– Você não vai soltar minha vassoura, vai? – ele pediu com os olhos arregalados
– Não vou, não! – eu ri dele me dirigindo a lareira
E finalmente, nós começávamos uma vida, nossa vida. Para todo o sempre.
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