Casamento Por Contrato
13 De volta uma família!
Notas iniciais
POV Draco
Eu senti a mãozinha em meu rosto, tremia. Senti a ponta dos dedos molhados, o soluço abafado. Eu me senti afortunado. Meu filho. Eu nem conseguia acreditar que ele estava realmente ali.
– O que foi Enzo? – abri os olhos e segurei sua mão, as lágrimas corriam incessantes pelo seu rosto
– Eu posso dormir com você? – ele pediu baixinho, seus olhos percorrendo Gina que dormia ao meu lado
Era nossa primeira noite juntos, na casa de praia. Eu fiquei com Enzo até ele dormir e só depois voltei ao quarto encontrando Gina já adormecida. Depois me deitei ao seu lado e a puxei para mim. Aquele dia fora importante. Diferente. Só esperava que ela sentisse o mesmo.
– Enzo...o que aconteceu? – sentei-me na cama e o puxei para o meu colo
– É que eu fico com medo de acordar e você não estar aqui... – ele choramingou e encostou a cabeça em meu peito
– E se eu for até seu quarto com você e colocá-lo para dormir novamente? – acariciei seus cabelos, eu estava tão feliz por poder estar com ele, compartilhar coisas
– Mas... – ele me olhou, os olhos marejados
Suspirei pesadamente. Pensei em Gina. Em como ela se sentiria com isso. Enzo não era seu filho e tudo o que eu pedi a ela fora que se casasse comigo para que eu pudesse recuperá-lo, não pedi que o amasse. Talvez eu não devesse me importar com os sentimentos dela, mas eu me importava. Era como se eu gostasse da situação em que estávamos.
Foi então que eu senti dois braços passando pela frente do meu corpo e um rosto se encaixando em meu pescoço. O perfume dela invadiu o ar.
– Gina?
– Eu não me importo dele dormir com a gente. – ela sorriu – A cama é bem grande para nós!
– Você é maravilhosa sabia? – eu me voltei para ela, surpreso – Sério, Gina...é...
– Não é nada. – ela se afastou, ainda sorrindo
Enzo pulou na cama ao lado dela e deitou cobrindo-se até o pescoço, entre nós dois. Ele logo fechou os olhos, mas os olhos dela ficaram nos meus por um bom tempo ainda.
Eu dormi bem aquela noite, como não dormia há muito tempo. Gina me transmitia paz, era como estar em casa finalmente. Estranho, eu sei. Eu a odiava nos tempos de escola, chamava-a de coelha, mas agora, depois de adultos eu ainda deveria ter um certo desprezo por ela, desprezo este que eu não sentia, e pela primeira vez eu percebi que não era por agradecimento.
Eu gostava de tê-la ali, de vê-la fazendo o café agora e se encher de farinha com o Enzo, eu gostava de senti-la ao meu lado na cama, de beijá-la e fazer amor. Prometi fidelidade a ela no altar e pretendia cumprir, não por ser grato, mas porque não me senti atraído por mais ninguém nos últimos tempos. Só por ela.
Era como se tivéssemos nos conhecido agora, como se ela jamais tivesse sido uma Weasley e eu aquele garoto mimado e idiota de antes. Era como se fossemos bons amigos que gostavam de estar juntos. Confiança. Segurança. Era isso que ela passava a mim. Mas isso não mudava o que eu sou.
– Vai ficar parado aí? Ou vai nos ajudar? – ela estava com as mãos na cintura, um sorriso divertido no rosto
Enzo estava coberto de farinha, rindo. Eu já havia me esquecido de quando eu vi um sorriso em seu rosto. Alexia nunca pode fazer essas coisas com ele. Nunca pode brincar ou dar ao filho o amor que ela sentia por ele. Amor este, que só eu conhecia.
– Não sou muito bom na cozinha! – eu dei de ombros e me sentei à mesa
– Então ao menos converse e ria conosco, você está parecendo um fantasma sabia? – ela ralhou e voltou a preparar as panquecas
– Eu estava rindo, por dentro. – eu me expliquei, ela me encarou de forma cética – Estou falando sério!
– Sei, senhor Malfoy! Faça de conta que estou acreditando em você! – ela sorriu
Eu me levantei de repente, andei até ela enquanto ela ficava séria sem entender. E do nada eu a beijei. Era o que eu queria. Ter uma vida normal pelo menos por alguns segundos. Sem problemas, sem tristezas. Só nós três. Como uma família. Família, eu nunca tive uma.
Enzo bateu palmas e riu. Ele a adorava, por menos tempo que tivesse passado com ela. E agora eu me lembrava de uma conversa com Blaise há algumas semanas. Eu jamais conseguiria tirar o Enzo da Gina. Não depois de ver seus olhos brilhando de amor por ela. E por mais medo que eu tivesse de Gina jamais me entregar meu filho, eu sabia que ele estaria melhor com ela, do que comigo ou com o Blaise.
– O que está fazendo? – ela se afastou brevemente, seus olhos procurando a resposta em meu rosto
– Eu não sei. – sussurrei – Mas foi bom.
– Idiota! – ela me bateu de leve no ombro
– Papai? – Enzo me chamou, sua voz mudando de tom, sério agora
– O que foi? – voltei-me para ele, Enzo olhava a porta da cozinha
Eu olhei na mesma direção, até cair na morena que estava parada ali, séria demais. Havia anos que eu não a via.
– Belo casal. – ela disse séria, mas muito calma
– Faz muito tempo Pansy! – eu exclamei de repente – O que está fazendo aqui?
– Só porque sumi, não quer dizer que deixei de ser sua amiga! – ela se aproximou hesitante, Gina se afastou completamente de mim, séria
– Mas o motivo pelo qual você sumiu, sim. – eu comentei displicente
– Depois de uma vida com você, achei que se casaria comigo. – ela deu de ombros – Mas entendi seu amor pela Alexia!
– Ah não me diga que você também voltou porque queria ter se casado com ele agora! – Gina exclamou séria e depois tampou a boca com a mão
– Júlia já passou por aqui pelo jeito! – a morena comentou rindo de lado – Fique calma, Weasley. Eu já esqueci o seu loiro!
– Que bom que veio então, eu acho! – eu sorri de lado, voltando a ser um garoto
– Harry Potter foi me procurar! – ela foi direto ao assunto – Sua vida está para virar um inferno no trabalho Weasley! A Júlia e o Potter não vão deixar quieto!
– O que ele queria com você? – perguntei, franzindo o cenho, eu já estava ficando com raiva
– Sou uma das redatoras do jornal e da revista agora! – ela deu de ombros – Parece que ele ainda pensa que eu sou apaixonada pelo herdeiro da família Malfoy e quer que eu infernize a vida do casal!
– E por que veio nos contar? – Gina pediu séria se adiantando uns passos
– Porque o Draco não merece tudo o que está acontecendo com ele, Weasley! Parece que não conhece bem o seu marido! – ela ergueu as sobrancelhas, cética
– Não Pansy! Não comece uma briga! A Gina e eu nos casamos do jeito certo! – eu interrompi antes que a ruiva respondesse
Na realidade tanto uma quanto a outra se odiavam desde pequenas. Mas nenhuma podia dizer o porquê, na realidade, eram iguais.
– Eu quero saber a verdade! – Pansy encarou a nós dois ao mesmo tempo – Pretendo ajudar, mas sei que esse casamento é uma farsa! Vocês dois jamais se apaixonariam um pelo outro!
– Enzo? Pode ir brincar lá fora um minuto? – Gina pediu se abaixando até a altura dele – Iremos à praia pela tarde e você pode arrumar os brinquedos que quer levar, estão todos no jardim!
Vi meu pequeno sair saltitante, ele não havia entendido metade da conversa, e nem se importou pelos tons de vozes. Ele estava mais do que feliz por ter uma família novamente.
– Você parece mãe dele! – Pansy comentou, surpresa – Gosta tanto assim do garoto?
– Isso não vem ao caso... – tentei argumentar, eu queria saber onde aquela conversa chegaria
– Gosto sim, é meu filho e será para sempre! – Gina foi direta, mas sua resposta surpreendeu até a mim – Draco e eu nos casamos por um contrato, só tenho que cuidar do filho dele e protegê-lo até esse inquérito acabar e ele ser inocentado, mas para isso precisava haver amor, então fingimos!
– Fingiram na cama também? – Pansy ironizou
– Você não muda, não é? – eu reclamei e rolei os olhos – Acho que isso não te interessa!
– Você também não mudou, o mesmo Sonserino de sempre! – ela desdenhou
Eu respirei fundo, desse jeito não conseguiríamos nada. E além do mais, Pansy não era assim, ela era legal, só estava se protegendo da Gina.
– Tudo bem, como pode nos ajudar? – foi Gina quem tomou as rédeas da situação, ela me surpreendia cada vez mais
– Não sei o que o Potter quer que eu faça, mas sei que ele quer que eu destrua a vida de vocês, e a Júlia está no meio. – agora a morena ficou séria, estava realmente preocupada
– E o que você vai fazer? – perguntei, não que eu achasse que ela me prejudicaria, mas porque ela podia estar sendo prejudicada
– Vou ajudar vocês, pelo menos tentarei contar tudo e armar junto com vocês e não contra vocês! – ela respirou profundamente – Assim eu espero!
– Obrigado. – eu agradeci, formalmente, Gina apenas acenou
Agora era esperar para ver no que iria dar. Olhei pela janela avistando o Enzo brincando no jardim, depois senti Gina apoiar a mão em meu braço. Eu gostava de ter uma família, ainda mais com ela.
Isso chegava a me machucar por dentro. Era como estar traindo a Alexia, era como gostar mais...Isso era impossível. Simplesmente impossível.
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