Casamento Por Contrato
9 Buscando Segredos Íntimos!
POV Draco
Eu estava sentado com os braços sobre a mesa, o sono ainda me dominava, mas eu não conseguia parar de olhá-la. Gina andava para lá e para cá na cozinha, vestia apenas a minha camisa branca enquanto fazia nosso jantar. Fazer amor com ela foi diferente, foi especial. Nunca imaginei sentir o que eu sentia por ela, nem mesmo sabia o que era isso. Tudo o que eu conseguia perceber é que era muito diferente daquilo que eu senti pela Alexia um dia.
- Por que você fica me olhando assim?
Eu ouvi a pergunta, ouvi a voz dela, mas não conseguia parar de olhá-la. Ela tinha que ter me enfeitiçado, ou então como eu podia imaginar sentir o que eu sentia por uma Weasley? Eu sempre a odiei não? Na verdade não, só agora eu percebia o quanto eu já notei ela em Hogwarts ou em qualquer outro lugar por aí.
- Assim como? – vi ela se voltar para mim, seus olhos brilhavam como eu nunca tinha visto antes
- Como se estivesse... – ela parou sem saber se deveria continuar, mas eu sorri incentivando – feliz...
Eu acho que não esperava essa resposta dela, mas na mesma hora que eu ouvi acabei compreendendo que era verdade. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim. Muito tempo mesmo. E no final, eu já nem me importava mais com seu sobrenome. Gina me mostrou o que era bondade, afinal ela estava comigo pelo meu filho e não por mim. Mas ela fez amor comigo. Isso não me saía da cabeça.
- Eu estou feliz. – eu sorri de novo para ela
- Sério? – ela sentou-se a minha frente do outro lado da mesa – Eu ainda sou uma Weasley!
- E talvez eu precisasse de uma Weasley desde o início da minha vida! – eu fui sincero
Fazia muito tempo que eu não conseguia sorrir como estava fazendo ali com ela. Sentir as coisas como estava sentindo, pensar em ser correspondido em um sentimento que eu mal sabia o que era ainda. Eu estava parecendo um adolescente de volta ao primeiro amor. Mas eu estava feliz por isso. Mais do que feliz eu acho.
- Já imaginou nossa vida? – eu sorri e segurei sua mão por cima da mesa – Se nós resolvêssemos ficar juntos ainda em Hogwarts? Tantas coisas seriam diferentes! – eu ainda me lembrava daquele tempo, eu jamais teria me tornado um comensal se eu tivesse sequer pensado em ficar com ela algum dia
- É, em compensação a guerra seria entre a minha família e a sua e não relacionada a Voldemort! – ela riu com gosto – Mas você também não teria o Enzo!
- Eu sei... – eu suspirei – Não mudaria nada na minha vida que pudesse fazer com que o Enzo não existisse!
- E sua esposa? Você me disse que a amava! – ela parecia confusa, preocupada, ainda havia desconfiança em seu olhar
- E eu a amava. – sorri de forma saudosa – Alexia sempre será meu primeiro amor e eu não deixaria de conhecê-la, nem de me casar com ela! Só que...às vezes eu penso que se nunca tivéssemos ficado juntos, ela nunca teria morrido!
Ela abriu a boca para me perguntar mais alguma coisa, mas fomos interrompidos pela campainha. Ela arregalou os olhos olhando para a própria roupa e eu acabei rindo dela, suas bochechas ficaram quase da cor dos seus cabelos. Levantei-me e fui até a porta abrindo-a. Rony Weasley me olhou dos pés a cabeça antes de indicar com a cabeça o interior da casa. Eu abri espaço para que ele entrasse e se instalasse em minha sala.
- Gina está aqui? – ele perguntou visivelmente preocupado
- Ela mora aqui Weasley! – eu dei de ombros
Gina apareceu hesitante, seus olhos perscrutavam o rosto do irmão enquanto ele olhava suas roupas, um pouco incrédulo. Eu pensei em rir da cara dele, mas achei que deveria fingir uma educação que eu não tinha.
- Então é sério? – ele olhou dela para mim – Vocês dois vão se casar porque se amam, é isso?
- Rony... – Gina deu se adiantou para ele, preocupada, sem saber o que responder
- Não vim aqui para criticá-la! – ele ergueu a mão – Mas nossos pais já sabem! Depois da foto que apareceu no jornal e da reportagem sobre vocês, eles me ligaram e perguntaram se eu sabia de algo!
- Eles estão bravos? – às vezes ela ainda parecia uma menina, mas eu tinha até inveja dessa ligação forte que ela tinha com a família, coisa que eu nunca tive, a não ser com meu filho
- Não. Estão preocupados e talvez decepcionados! – o ruivo suspirou e bagunçou os cabelos – Eles querem falar com você e eu me ofereci para dar o recado! Vá vê-los Gina e leve o Malfoy com você, nossos pais não vão abandoná-la!
- Eu sei! – ela sorriu fraquinho e depois encarou o irmão, os olhos brilhando – E seu filho?
- É perfeito Gi! – o ruivo abriu um sorriso enorme – Queremos que você seja a madrinha!
- Com prazer! – ela correu e abraçou o irmão – Ele tem os seus olhos? Azuis?
- Tem sim! – ele riu – Mas é moreno como a Mione!
- Um perfeito Weasley! – ela riu – Vou visitá-los amanhã ao anoitecer, tudo bem? E de meio dia pretendo almoçar com o papai e a mamãe!
- Esperarei você! – ele beijou a testa da irmã – Está convidado também Malfoy!
Eu acenei com a cabeça e o vi passar pela porta. Gina estava feliz pelo irmão, talvez mais feliz do que ficava por mim. Eu senti ciúmes disso.
***
POV Gina
Draco havia saído há uma meia hora com o pretexto de ir até a empresa ver como as coisas ficaram aquele dia inteiro. Eu achei muito importante a consideração dele comigo, em ficar ali depois dos limites que nossa relação ultrapassou. Ele foi muito carinhoso comigo, muito gentil. Eu jamais poderia acusá-lo do contrário. Mas engana-se se pensa que eu esqueci minha reportagem. Afinal, eu posso querer fazer amor com ele, mas ainda me lembro que me ofereci por uma reportagem.
Eu queria procurar coisas no escritório, mas por algum motivo algumas coisas não me entravam na cabeça. Primeiro a elfa me dissera que aquele quarto que eu ficara primeiro era o da Senhora Malfoy, depois Draco me dissera que ela nunca dormira lá e que ele mal dormia. Por algum motivo eu sabia que ela não dormia com ele, aquele quarto era só dele por um bom tempo, dava de perceber pela arrumação.
E então? Onde ela dormia? Comecei a andar pelos corredores e abrir todas as portas, mas acabei cansando depois de um tempo, então fui para o andar térreo querendo chegar até o escritório, mas uma porta pequena e bem escura no fim do corredor me chamou a atenção. Ela levava a um corredor menos que dava para um quarto amplo com uma enorme janela para o jardim, havia um banheiro conectado também muito grande.
O quarto era bem iluminado e muito espaçoso. A cama era enorme e o guarda roupas abarrotado de roupas. E o cheiro do quarto era de orquídea. Dava para imaginar milhares dessas flores dispostas por toda ela. Mas cheirava a morte também.
O que mais me intrigou foi o quão afastado aquele cômodo era do resto da casa. Eu jamais o descobriria se não tivesse procurando por ele. Aquele era o quarto de Alexia Malfoy. Ela dormira ali há alguns meses, e, provavelmente, morrera ali também.
Eu não sabia exatamente o que procurar ali, mas a caixa verde e preta em cima do guarda roupa me chamou a atenção. Era uma caixa comum, dessas que vinham camisas sociais dentro, provavelmente ela dera a camisa a Draco e guardara a caixa. Havia quatro cadernos pequenos dispostos um ao lado do outro dentro. Cabiam perfeitamente naquele mínimo espaço.
Peguei o primeiro, continha uma data de quando ainda estávamos em Hogwarts. Será que ela estudara lá? Não me lembro dela por lá. Abri com cuidado as páginas já amareladas. No início contava muitas coisas da família dela, como ela estava furiosa por nunca conhecer Hogwarts, por não receber visitas. Como odiava os pais por escondê-la sempre. Mas nada do motivo. Na realidade era mais um desabafo, como se ela jogasse palavras que queria gritar na cara de outras pessoas.
Mas ao final do diário, havia uma passagem que me intrigou muito. Do primeiro momento em que ela viu Draco Malfoy. Quando ele e a família foram levar o convite de formatura do Malfoy na casa deles, durante o Natal.
“Os olhos cinzas me perscrutaram dos pés a cabeça. Eu sei que não estava apresentável para uma noite de natal, ainda mais com aquele vestido preto que quase me cobria por inteiro. Olhei de relance ao espelho que ficava por dentro do bar e vi meus olhos azuis brilharem em meio a pele extremamente pálida. Eu me senti horrível, e, naquele momento, eu quis ser desejável para ele. Quis que ele me olhasse como mais ninguém olhou, mas até aquele momento, eu não conseguia decifrar seus belos olhos sobre mim, somente a indiferença e arrogância comum em um Malfoy. Talvez fosse melhor não conhecê-lo, talvez fosse melhor me esconder no quarto e não voltar a festa. Foi o que fiz, ou tentei fazer até...”
E o resto da página estava rasgada. O que ela escrevera ali? O que acontecera? Ouvi uma porta bater ao longe e me assustei. Draco deveria ter voltado e por nada no mundo eu gostaria que ele me encontrasse ali.
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