Casamento Forçado
27 Sem Saída
Notas iniciais
– Meus sábados costumavam a serem mais animados. – Gracie reclama.
Nós duas estávamos no meu apartamento, jogadas no sofá, fazendo a velha maratona de filmes enquanto comíamos pipoca. Eu havia a convidado para passar o dia comigo, já que o Noah saiu com uns amigos para jogar. Não sabia o quê, mas eu confiava nele, então, o deixei ir.
Mais um mês havia passado e tudo voltou ao normal. Para ser exata, não tinha acontecido mais nada que me deixasse preocupada com a Amy. Noah e eu não tínhamos mais ido à casa dos pais, quando o Peter queria algo, ele vinha até nós. Soube que ele brigou feio com a Amy por causa do último episodio na casa dela, por isso, eu não recebia mais nada dela, nem mensagens, nem ameaças.
Minha mãe estava bem, eu a visitava todos os dias para me certificar que nada aconteceria. A Amy parou, mas sei que se ela quiser, volta a qualquer momento. Lauren estava em casa e em ótimo estado, mas fazia visitas frequentes ao hospital.
A única coisa que me deixava preocupada, era que a Sasha ainda não tinha ido embora e, por isso, sei que a Amy não parou. Só deu uma pausa, esperar a poeira de a última confusão baixar para poder começar tudo de novo.
Mas eu estava bem e a minha relação com o Noah melhor ainda. Não sabia explicar, mas poder vê-lo todos os dias e beijá-lo todos os dias era a melhor coisa do mundo. Ele era incrível e a cada mês que passa, certifico-me de que eu estava me apaixonando por ele.
Sim, eu, Melissa Russel, estava me apaixonando a cada dia pelo meu marido, Noah Russel. Não tinha para onde correr e não tinha como esconder. Foi inevitável e inesperado. Quando vi, meu coração já batia mais forte só por ouvir a voz dele.
Eu não esperava por isso. Não queria me apaixonar por ele, nosso casamento era um contrato, de inicio foi uma confusão com tudo que o casamento tirou da minha vida, mas agora tudo parecia tão normal, tão natural. Nós dois juntos. Era como se nem soubéssemos do contrato. Aconteceu naturalmente e o carinho, o amor, veio com o tempo e com a convivência. Já era tarde para tentar voltar atrás. Eu já era dele.
Claro, eu não tinha dito nada sobre isso para o Noah e nem ele para mim, mas estávamos quase nos assumindo para o outro. Pelo menos eu espero que isso seja o que ele sente.
– O que você queria? – pergunto, fitando a Gracie. – Uma festa? – questiono. – Só estou tentando praticar um dos nossos programas de amigas favoritos. – ela bufa e revira os olhos, entediada.
– Os tempos mudaram minha querida Melissa. – ela responde, estampando um sorriso divertido. – Agora você é uma mulher casada e tem que fazer programas de mulheres casadas. – franzo o cenho e fito a Gracie confusa. – Quando se é casada com um homem que é rico como o Noah, as mulheres costumam torrar o cartão de crédito do marido… — ela se explica. – Ah, e com as amigas, claro. – jogo uma almofada na Gracie e rio.
– Não vou torrar o dinheiro do Noah, tenho amor por ele. – respondo e só depois me dou conta de que eu não falei de amor por causa do contrato e sim, porque era o que eu sentia de verdade.
Eu surpreendi a mim mesma.
Gracie abre um sorriso enorme ao ouvir o que eu disse, fico até um pouco envergonhada.
– É bonito te ver tão apaixonada. – ela fala. – E sabe? Eu estava pensando e acho que já está na hora de você me dar um sobrinho. – Gracie me fita, esperando pela minha resposta.
– Você está louca? – pergunto. – Ainda é cedo para pensar em filhos. – retruco.
Eu nunca havia pensando nessa possibilidade e acho que o Noah não quer filhos. Somos jovens e também, eu não sei o que acontecerá quando os dois anos do contrato acabar, na verdade, não sei nem se os dois anos chegará.
– Vocês já estão chegando ao quinto mês juntos, isso pra mim já é tempo suficiente. – ela responde.
– Acho que você se esqueceu de que eu só tenho dezoito anos. – digo, a encarando. Gracie revira os olhos. – E eu não sou você que quer ter sete filhos. Sem contar que ter filhos é ter muita responsabilidade e custa caro. – digo todos os problemas que um filho poderia trazer e Gracie continua me fitando, entediada.
– Para começar, maturidade é o que você mais tem. Eu vou fazer vinte anos e você sempre foi mais madura que eu. Dezoito anos, mas mentalidade de 80. – Gracie diz, aproximando-se de mim, reviro os olhos com o exagero dela. – Segundo que você é casada com o Noah Russel, já nasceu em berço de ouro e agora que está trabalhando para o pai, tem muito mais dinheiro. Sem contar que vai começar a fazer faculdade de medicina. Ter um marido que é empresário e futuramente médico significa que você não terá mais que trabalhar. – ela dá a sua explicação, mas era claro que isso não iria me convencer a engravidar.
Noah estava trabalhando para o pai. Ele havia me contado que Peter ofereceu emprego em uma das empresas dele, mas Noah me disse que queria voltar para a faculdade e se formar em medicina. Depois de muita insistência minha, consegui convencê-lo de ir trabalhar para o pai e ainda assim, fazê-lo ir para a faculdade, que começaria em dois meses. Fiz isso tudo para ele aprender a ser responsável e consegui.
– Sim, temos muito dinheiro, mas pensar em filho ainda é cedo. – respondo. – Agora vamos mudar de assunto?! – peço, mas eu sabia que para a Gracie, o assunto ainda não tinha acabado.
– Vocês usam camisinha? – Gracie pergunta sem nem um pouco de vergonha. Olho para ela com o cenho franzido. – Não me olhe assim, não somos mais crianças e temos intimidade suficiente para conversarmos sobre isso. – ela fala. – Você deveria agradecer por eu não perguntar o tamanho do pa… — começo a falar, a cortando.
– Ok, não vamos falar sobre tamanho de nada. – digo. Gracie ri e diz que estava só brincando.
Eu nunca tinha parado para pensar nisso e, pensando agora, não me lembro do Noah ter usado muitas vezes. Não que eu me preocupe com doenças, ou coisa do tipo, mas analisando a situação, foram muitas vezes para nada de estranho ter acontecido.
– Não. – respondo, ainda tentando me lembrar da última vez que usamos. – Não me lembro.
– Você toma anticoncepcional? – Gracie pergunta, confusa.
– Às vezes, eu me esqueço de tomar e… — começo a falar, mas corto a mim mesma mudando de assunto – Por que estamos falando sobre isso mesmo? – pergunto.
– E você não está grávida? – Gracie questiona, achando toda aquela situação estranha e permanecendo no assunto. – Você deveria procurar um médico. – ela finaliza, voltando a olhar para a televisão e prestando atenção no filme.
Era mesmo estranho. Não que eu queira ficar grávida, ou coisa do tipo, mas para nada ter acontecido com tantas vezes que já transamos, chega a ser estranho nenhuma mudança no meu corpo, melhor, não ter um ser humano dentro de mim.
[...]
Passamos o resto do dia conversando e terminando todos os filmes que escolhemos, mas nem prestamos tanta atenção neles, a nossa conversa estava mais interessante.
Mas, infelizmente, a Gracie tinha que ir embora. Triste porque eu ficaria sozinha, mas feliz porque depois de dois meses que ela rompeu com o Drake, finalmente ia sair com outro homem e, para ser mais feliz ainda, era o James. Melhor amigo do Noah e que era um cara legal. Ele tinha uma namorada, mas terminou e quando conheceu a Gracie, já quis ir mais além.
– Eu já vou. James vai me pegar às sete. – Gracie diz, levantando-se do sofá. – Na verdade, vamos nos pegar a noite toda, mas começará as sete, oficialmente. – levanto-me, rindo dela.
– Tudo bem! – sigo-a até a porta. – Eu também vou sair com o Noah. Ele disse que tinha algo para mim e vamos jantar. – digo.
– Então boa noite para nós duas. Já sei como ambas vão terminar. – Gracie diz e pisca. Sempre safada.
– Oh, com certeza. – digo, ainda rindo.
– Até mais. – Gracie fala antes de dar as costas e sair do apartamento. Fecho a porta.
Olho em volta e para a minha sorte, não tínhamos feito uma bagunça na sala. O que era ótimo, já que eu precisava me arrumar para sair com o Noah.
Eu não fazia ideia do que ele queria, mas disse que tinha algo importante para me mostrar e falar. Bem, várias coisas passaram pela minha cabeça, mas acho que nenhuma delas era o que ele realmente faria. No fim, eu acabaria me surpreendendo.
Ele sempre me surpreende.
[...]
Saio do banheiro e já entro no quarto. Precisava escolher alguma roupa para a ocasião. A única informação que o Noah me deu, era que íamos a um restaurante, mais nada.
Começo a procurar uma roupa para usar. Escolho um vestido vermelho. Era um pouco curto, com decote e alças caídas. Termino de escolher o resto das coisas que eu usaria e coloco todas sobre a cama.
Olho no relógio e eram seis e meia. Noah estava atrasado. Saiu onze da manhã e até agora não havia voltado, não que eu estava desconfiada de algo, mas que ele estava atrasado, ele estava.
Tiro a toalha do meu corpo e começo a vestir a lingerie, assim que termino de colocar o sutiã, vejo meu celular tocar em sinal de mensagem. Aproximo-me dele e vejo o que dizia na mensagem.
“Ansiosa para seu almoço amanhã. Eu te amo. Mamãe”.
Sorri ao terminar de ler.
Depois que a minha mãe havia comprado um celular, vivia me enchendo de mensagens. Não que eu me incomodava com isso, claro que não. Era ótimo vê-la bem e, claro, conectada sempre comigo.
Eu iria visitá-la e fazer um almoço, prometi que almoçaríamos lá, já que nunca mais havíamos feito isso.
Eu acabei ficando tão distraída com a mensagem que nem vi quando o Noah chegou, só percebi quando ouvi a porta do quarto sendo aberta e sua voz soando pelo quarto. Viro-me rapidamente e ele entrava no quarto com um buquê nas mãos.
Abri um sorriso imenso ao ver.
– É ótimo chegar em casa e te ver assim. – Noah diz, referindo-se a eu estar somente de lingerie. Sorrio e o abraço, pego o buquê das mãos dele e o beijo em seguida.
– Adorei as flores. – digo, e inalo o cheiro delas.
Eu adorava receber flores do Noah. Ele era tão romântico e isso é algo tão raro. Ele era do tipo de homem que adorava sexo e que se pudesse, faria todo dia – típico – mas não ligava só para isso, era atencioso e carinho comigo e também, era romântico na hora do sexo. Isso ajudou em muito na minha pequena paixão por ele.
– Não é nada comparada ao que tenho para mais tarde. – Noah diz e me fita.
– O que você vai aprontar Russel? – pergunto, ele ri.
– Confie em mim, você vai gostar. – Noah se aproxima de mim e me puxa pela cintura, seguindo para um beijo.
Tão bom. Viciante. Gostoso.
E em pensar que a última coisa que eu queria era casar com o Noah. Tudo bem, o casamento continuava sendo por interesse, já que o meu pai continuava recebendo dinheiro e tratando a minha mãe, eu havia consertado o Noah e tudo estava caminhando bem. Já estava acontecendo tudo como planejado, exceto pela paixão, que veio com o tempo.
E eu não me arrependia de nada.
– Eu quero muito te ver nua, mas vou deixar para depois. – Noah diz, saindo de cima de mim. Nossos beijos nos levaram para a cama, já estava esquentando, mas ele parou. Levanto-me, rindo dele.
– Eu estou com medo do seu depois. – digo, fazendo Noah olhar para mim.
– Você vai gostar, confie em mim. – Noah responde, pisca e continua a caminhar para o banheiro.
Suspiro com uma menininha apaixonada e levanto-me da cama, coloco as flores em um vaso que eu deixava no quarto exatamente para os buquês que ele me dava e volto a me arrumar.
– Temos meia hora. – Noah gritou do banheiro.
– Ok, Russel. – gritei de volta e comecei a vestir o banheiro.
E minha ansiedade e curiosidade só aumentavam.
[...]
Eu estava na sala trocando mensagens com a Gracie enquanto eu esperava o Noah terminar de se arrumar. Antes perguntei a ele sobre a saída e ele jurou só estar com os amigos. Não que eu desconfiasse de nada, mas a Sasha estava na cidade e mesmo sendo uma cidade grande, acredito que ela frequenta os mesmos locais que ele.
Deixo o celular de lado quando ouço passos que vinham do corredor e logo fico de pé, esperando que ele chegue à sala.
Ele aparece e como sempre, estava lindo.
– Vamos, antes que a gente se atrase. – ele diz, indo para a porta e estendendo a mão para mim.
Aproximo-me dele e seguro a sua mão, saímos assim.
– Você não vai me dar nem uma dica? – insisto, enquanto descíamos pelo elevador. Noah ri e olha pra mim.
– Você pode relaxar só um pouquinho? – ele pergunta, aproximando-se de mim e segurando meu rosto com as duas mãos, em seguida, o aproxima do seu. – Eu ainda nem sei direito o que vou fazer… — franzo o cenho. – Mas vou fazer, tenho que fazer. – ele diz por fim, antes de me dar um rápido beijo nos lábios.
Tantas dúvidas e nenhuma resposta.
Noah quer me matar, só pode ser.
[...]
Depois de quinze minutos no transito, chegamos ao restaurante. Nunca tinha o visto, mas ele era lindo por fora, por dentro mais ainda. Eu só estava em mais um dos restaurantes em que nunca tive condições de jantar, mas que, com certeza, Noah já havia cansado da comida.
– Noah?! Quanto tempo. – a balconista disse quando viu o Noah. – Pensei que tinha nos esquecido. – ela abriu um sorriso enorme. – E quem é essa? – ela perguntou, olhando para mim, ainda com o mesmo sorriso, correspondi e esperei o Noah respondê-la.
Tínhamos acabado de entrar e fomos nos certificar no caixa de que nossa mesa estava reservada. Eu estava muito ansiosa para o que o Noah tinha para mim.
– Olá, Jessie. – Noah respondeu. – Eu quis ficar com saudade da comida de vocês para quando viesse aqui novamente, comer de tudo um pouco. – ele se explicou. – E essa é a Melissa, minha esposa. – assim que ele disse que eu era a esposa dele, Jessie nos encarou surpresa.
– Eu não fazia ideia de que você tinha se casado. – Jessie respondeu. – Precisamos marcar de sair para nos conhecermos, Noah. Não sei mais quem é você. – ela disse em um tom de brincadeira, Noah riu, enquanto eu continuei calada vendo até onde aquela conversa chata iria.
– É só marcar. Vamos nós três mais o seu namorado. – Noah respondeu e eu percebi que ele disse aquilo para me deixar tranquila. Com certeza sabia que eu estava com ciúmes. Ri disfarçadamente. – Mas agora eu quero a minha mesa. – ele pediu.
– Ah, sim. – ela disse, olhando algo no computador. – Mesa dezessete. – ela sorriu.
– Obrigado, Jessie. – Noah agradeceu, segurou a minha mão e me levou até a nossa mesa.
O restaurante não estava cheio, mas ainda devia ser cedo. Restaurantes desse tipo costumam lotar em finais de semana. A decoração dele era incrível e um ótimo local para jantares românticos.
Eu não fazia ideia do que o Noah tinha em mente. Uma das minhas hipóteses era alguma festa – mesmo não sendo nenhuma data especial -, mas mesmo assim poderia ser uma festa. Mas não tem ninguém conhecido aqui, então, não haverá festa. Eu estava ficando muito curiosa, só espero que não seja algo bobo que o Noah me fez pôr tanta expectativa.
Sentamos à mesa e logo o garçom vem nos atender, Noah pediu vinho e para depois, Spaghetti. Acabei me acostumando com todas essas comidas de nomes estranhos e de diferentes lugares do mundo. Algumas tinham um preço absurdo e não consigo entender o porquê que pagam tão caro, mas no fim, valiam a pena.
– Um brinde. – Noah diz, levantando a sua taça com vinho.
– Brinde a o quê? – pergunto, antes que brindar.
– Nós. – ele respondeu. Sorri e levantei a minha taça, brindamos e tomamos um pouco.
Ficamos em silêncio, comecei a me irritar porque o Noah me trouxe aqui para algo que ele disse que eu gostaria, mas ainda não havíamos feito nada a não ser encaramos o outro.
– E como vai a empresa? – pergunto, referindo-me ao novo emprego do Noah.
– Que tal fazer a pergunta que realmente quer? – Noah questiona e me fita com a sobrancelha arqueada. Reviro os olhos, rindo. – Mas para a sua curiosidade, está indo bem. – Noah responde. – Mas ainda não é a área que eu me identifico. – diz por fim.
– Fique lá até começar a faculdade, quero te encontrar daqui a alguns anos e espero que esteja formado em medicina e com os seus próprios hospitais. – digo, Noah me encara com o cenho franzido.
– Está dizendo que não vamos ficar juntos até lá? – ele pergunta, um pouco frustrado. Sorrio.
– Não. – respondo. – Mas não sei o que acontecerá com a gente. Podemos ficar juntos, ou não. O depois é um mistério, então prefiro nem pensar muito nele porque às vezes me assusta. – completo e bebo mais um pouco do vinho. – Mas vamos mudar de assunto. Qual é a sua surpresa? – pergunto, animada.
Eu disse a verdade. Era claro que com essa paixão que vem crescendo dentro de mim, o meu desejo é ficar com ele, mas eu não sei como serão as coisas com o passar do tempo. No momento, tudo está maravilhoso. Mas eu não me surpreenderia se tudo começasse a dar errado misteriosamente.
– Mas você quer ficar comigo? – Noah ignora a minha pergunta e parte para outra.
– Por quê? – faço mais uma pergunta.
– Porque se você não quiser ficar comigo, nada do que eu quero te dizer e te dar hoje fará sentido. – Noah responde rapidamente. Franzo o cenho. Meu coração acelera, mesmo ele não falando nada demais, só por saber que é algo a ver com a gente ficar juntos, já fico nervosa.
– Noah, eu estou gostando de tudo que está acontecendo com nós dois e não me arrependo de nada. – digo. – Eu só não quero pensar em como segurar essa relação, quero apenas que as coisas aconteçam como tem que acontecer. Eu quero ficar com você, mas isso não depende só de mim. Entende? – pergunto.
Eu deveria ter coragem para contar ao Noah o que estou começando a sentir por ele, mas tenho medo de abrir a boca e começar a agir por impulso. Fazer as coisas precipitadamente e confundir a mim mesma com meus sentimentos. Em toda a minha vida só gostei de dois homens – os outros foram apenas paixonites da pré-adolescência – e, Noah foi com quem eu me aventurei mais afundo nas coisas do amor, talvez por isso eu goste dele, mas talvez eu realmente sinta algo forte por ele. Ainda é algo novo e estou descobrindo como lidar com isso.
– Entendo. – Noah responde. – E por isso eu vou fazer logo o que eu planejei, antes que seja tarde. – ele completa.
Meu coração acelera mais uma vez, eu estava nervosa sem nem ao menos saber o que ele tinha para mim. Noah mexe no bolso e em seguida, põe sobre a mesa uma caixinha de anel. Não estava entendendo nada.
Noah a abre e como esperado, dois lindos anéis estavam lá dentro. Inevitavelmente, acabei sorrindo.
– O quê? – pergunto, ainda olhando para os anéis.
Noah segura a minha mão, puxando-a para ele. A mesa era pequena, então não estávamos longe um do outro. Fico em silêncio, apenas observando o que ele iria fazer.
Lentamente, Noah começa a tirar o anel do meu dedo e continuo observando, porque eu não tinha ideia do que ele estava fazendo. Assim que termina, pega os anéis que estavam na caixinha e me entrega um, ainda sem dizer nada. Seguro. Ele continua segurando a minha mão, pega o outro anel e o segura de frente para o meu dedo, pronto para colocar.
– Eles são lindos, mas o que é isso, Noah? – pergunto confusa. Ele suspira e me fita por alguns segundos, provavelmente pensando pela milésima vez se deveria mesmo fazer o que estava no seu plano.
Noah sorri. Eu amava o sorriso dele. Tão lindo.
– Eu quero você. – Noah diz depois de um tempo em silêncio.
– O quê? – pergunto, com o cenho franzido e sorrio. – Como assim?
– Minha. De verdade. – ele responde, mas eu continuo sem entender. Ele percebe que eu estava confusa e continua explicando. – Depois de muito tempo pensando, eu cheguei a uma conclusão. – ele dá inicio. Meu coração estava tão acelerado que eu não estranharia se alguém de outra mesa ouvisse. – Eu me encontrei em uma situação que eu não podia mais voltar atrás. — Noah olha nos meus olhos. Eu estava a ponto de ter um ataque, meu coração estava muito acelerado e eu estava nervosa.
– Não estou entendendo. – digo, ele ri envergonhado.
– Calma, porque nem eu estou. – ele ri mais uma vez, continuo o fitando, nervosa. – Eu sei que posso estar errado, sendo precipitado, não sei… mas eu preciso te dizer isso, porque depois pode ser tarde, nós nunca sabemos o que pode acontecer… — ele começa a falar gaguejando e sua mão estava suando, era fofo, mas eu estava na mesma situação.
– Noah, calma. – digo, rindo. Ele suspira.
– Desculpa, isso é novo pra mim. – ele se explica. Noah abaixa a cabeça e respira, tentando se acalmar.
– Continua. – peço, ele volta a olhar pra mim.
– Eu acho… não, eu tenho certeza… quer dizer, eu não sei… — ele estava muito nervoso, chegava até ser engraçado. Eu sorria, mas por dentro eu estava surtando, eu estava com medo do que poderia vir a seguir. – Eu quero te dar esse anel, porque será algo nosso. – ele volta a falar normal. – Esse outro é o do contrato e eu queria te dar esse porque é o nosso, da relação que a gente fez. – ele põe o anel no meu dedo e beija as costas da minha mão. – Melissa, na verdade, eu quis fazer isso porque eu queria te dizer que… — Noah suspira. – Eu acho que estou apaixonado por você.
Senti-me como se todo o mundo tivesse parado e tudo estivesse focado na gente. Meu corpo gelou, meu coração acelerou e eu travei. Não sabia o que responder, na verdade, não conseguia nem pensar direito. Apesar de que eu já achava que um dia chegaríamos nesse ponto, agora que chegamos foi algo surpreendente, porque o que eu esperava ele dizer a muito tempo, saiu da minha mente e estava ali… Noah dizendo com todas as letras que ele estava apaixonado por mim.
Tudo que passamos veio como um filme na minha mente e eu não conseguia pronunciar uma palavra. Eu estava feliz, era claro que eu estava feliz, porque descobri que ele estava mesmo apaixonado por mim e isso é algo incrível.
– Melissa? – Noah chama por mim, tirando-me dos meus devaneios, mas continuo calada. – Ah, eu sabia que isso ia acontecer, me desculpa, eu não devia… — o interrompo.
– Não. – digo. – Noah, isso é incrível. – abro um sorriso enorme, Noah corresponde. – Isso só é novo, entende? – pergunto e ele assente. – Você é uma novidade, como se fosse um novo lugar que eu encontrei e que descubro coisas novas a cada dia que passa. – continuo sorrindo. Puxo a mão dele e tiro o anel do nosso casamento, colocando o novo que ele me deu. – Eu não esperava desenvolver nenhum tipo de sentimento por você, me desculpe, mas você não parecia ser o tipo de homem que uma mulher deveria se apaixonar. – explico, ele ri, mas entende. – Mas aí nós fomos nos envolvendo e descobri que eu estava totalmente enganada. Eu também sinto coisas por você. – Noah sorri. – Elas são fortes e eu não consigo controlá-las. Eu gosto de você, Noah e se depender de mim, quero ir além dos dois anos. – finalizo, abrindo um sorriso.
Noah me fitava, calado, mas seu sorriso e o brilho nos olhos dele descreviam tudo que ele estava sentindo. Era bom ver alguém tendo esses sentimentos por mim, apesar de que eu já tive, era diferente. Porque agora eu entendia tudo e não foi uma paixãozinha de adolescente, é de verdade. Sincero. Algo que veio naturalmente e sem esperarmos.
Agora, aqui estamos nós. Encontramo-nos apaixonados e estávamos sem saída.
Noah solta a minha mão e se levanta da cadeira, vindo para minha frente e me puxa para cima. Levanto-me e fico de frente para ele. Sorrimos.
– Você foi a melhor coisa que já aconteceu comigo. – Noah fala, antes de me puxar para um beijo delicado e apaixonado.
Como não se apaixonar por isso?
[...]
Encosto-me a parede e Noah se aproxima.
Ele beija meu pescoço e eu sinto seu cheiro. O cheiro que eu agora, gostava tanto. Sem mais delongas, encosto nossos lábios para um beijo calmo. Sentindo o movimento das nossas línguas, como se estivessem em uma dança sincronizada. Estava tão gostoso.
Separamo-nos e trocamos olhares, não precisamos falar nada. Através dos olhares já conversávamos. Precisávamos do outro.
Seguro o braço do Noah e o puxo para a cama. Deito-me, ele continua de pé. Observando cada cantinho do meu corpo. Seu olhar me excitava, queria senti-lo, mas eu sabia que seria diferente, tinha sentimentos fortes envolvidos.
– Sou sua. — sussurro e no mesmo momento Noah deita por cima de mim. Começamos a nos beijar novamente, porém, dessa vez o beijo era mais voraz do que o anterior.
Seu toque transmitia carinho e segurança, seus lábios beijavam todo o meu corpo e eu me sentia tão entregue a ele. Nada se compara a sensação que eu estava sentindo naquele momento.
Suas mãos passeavam pelo corpo, junto com seus lábios, que faziam o que bem queriam, onde queriam. Eu gemia por mais, gemia no nome dele. Seu toque me arrepiava, me excitava, deixava um rastro de fogo por onde passava, meu corpo implorava por ele.
Noah beija meu pescoço e depois volta a beijar a minha boca. Coloco a minha mão dentro da cueca dele e começo a puxá-la para baixo. Noah morde o lóbulo da minha orelha e eu supliquei por aquilo.
– Noah, por favor. – pedi, tentando fazê-lo ir direto ao ponto.
– Shhh... – ele disse, colocando o dedo sobre os meus lábios e depois passou o polegar pela minha bochecha. Seu toque era quente.
Noah levanta de cima de mim e termina de tirar a cueca. Olho para a ereção dele e mordo os lábios.
– Não faz isso. – ele diz. Sorri e ele riu.
Noah deitou sobre mim novamente e me beijou, depois mordeu meu lábio inferior, puxando-o e depois o soltou, Noah passa para a minha clavícula e deu uma leve mordida que me fez erguer meu corpo.
Ele coloca sua mão entre a minha coxa direita e dá um aperto. Gemi no ouvido dele, ele prensou sua ereção na minha barriga o que me fez ficar mais excitada… se é que era possível.
Ele beija a minha barriga, fazendo uma trilha até o meu umbigo, eu sentia um arrepio cada vez que seus lábios encostavam-se a mim, Noah continua. Ele me olha de baixo e sorri. Antes de começar, ele dá um beijo nas minhas coxas.
Contorci-me na cama quando sua língua encostou em mim, senti algo como um choque percorrer todo o meu corpo em uma deliciosa onda de prazer, dando-me uma ótima sensação. Meus braços estavam abertos, apertando os dois travesseiros da cama tentando não fazer tanto barulho, mas era impossível.
Eu gemia no nome dele, gemia por mais, para que ele não parasse. Era tão bom que eu queria senti-lo daquela forma por um bom tempo. Inclinava-me em direção a boca dele pedindo por mais, agarrei os cabelos dele aprofundando mais os movimentos.
Solto um longo suspiro acompanhado de um gemido quando chego ao ápice, meu corpo estava fraco. Abro os olhos devagar e vejo a figura do Noah por cima de mim, passando a língua pelos lábios.
– Deliciosa. – ele diz, mordendo os lábios em seguida. Sorri satisfeita.
Puxo Noah para a cama e ele cai do meu lado, sento um pouco a cima da ereção dele e começo a beijá-lo. Começo pela boca e vou fazendo o mesmo que ele fez comigo, uma trilha até o ponto final.
Agarro-o e Noah solta um grunhido, mas antes que eu pudesse começar, Noah segura meu braço e me joga de novo na cama.
– Você sabe que eu gosto de terminar assim… — ele diz.
Sem demora, Noah deita por cima de mim novamente.
Mais uma vez, ergui meu corpo, gemendo quando o senti me penetrando e todo o meu corpo se incendiou de prazer.
Rapidamente o nosso quarto foi tomado pelos meus gemidos, que no começo eram baixos, mas conforme os movimentos do Noah iam ficando mais rápidos e mais fundos, mais eu gemia.
Nossos beijos se tornavam mais gostosos, nossos olhares mais profundos e eles transmitiam segurança para o outro.
A noite não poderia terminar de uma forma melhor que aquela. Ele era alguém especial e eu não podia mais perdê-lo.
Nunca...
[...]
Acordo com um barulho insuportável soando pelo quarto. Eu estava com muito sono para atender, mas assim que meu cérebro começou a funcionar, lembrei-me de que já era domingo e que eu teria o almoço para fazer.
Em um pulo, levantei da cama e sem querer, acordei o Noah.
– O que foi? – ele pergunta, sonolento.
– Hoje é domingo, o almoço. – respondo, enquanto procurava o celular pelo quarto.
O encontrei dentro da bolsa, que estava embaixo do meu vestido, que estava jogado pelo chão do quarto. Havíamos feito uma bagunça e tanto.
Era o meu pai ligando. Atendi sem pensar duas vezes.
– Alô?! – digo, ao atender. Sento-me a cama e o Noah fica ao meu lado.
– Melissa, você está com o Noah? – meu pai pergunta. Digo que sim. Sua voz estava embargada, como se ele tivesse acabado de parar de chorar.
– Pai, o que aconteceu? – pergunto, já me preocupando.
Noah percebe que algo estava errado e se aproximou mais de mim, segurando a minha mão.
– Melissa, eu não sei como te dizer isso. – meu pai responde.
Senti uma pontada forte no meu coração e meu corpo gelou. Eu já sabia que algo de ruim tinha acontecido e eu não queria ouvir.
– O que aconteceu com ela? – pergunto indo direto ao ponto e quase chorando. Aperto a mão do Noah.
– Estava tudo bem, mas hoje de madrugada ela passou mal do nada e quando chegamos ao hospital…– meu pai começa a chorar e sinto meus olhos lacrimejando.
Noah me abraça e eu começo a chorar, já esperando o pior.
– Pai, o que aconteceu? Diz logo. – peço. Ele segurou o choro e respirou fundo.
Só podia ser uma brincadeira. Estava tudo tão bem e agora… vamos voltar para onde estávamos.
– A sua mãe entrou em estado terminal. Seus dias estão contados. – ele responde.
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