Casamento De Fachada
9 Como Romeu e Julieta
Notas iniciais
Duas semanas já haviam se passado depois do beijo inesperado, e agora todo o colégio tinha certeza de que nós estávamos ficando sério. Uma cena engraçada foi quando a Maria Peitos veio falar comigo, quando eu estava na fila do lanche.
– Com licença. — Ela disse me empurrando e passando na minha frente. Eu nunca gostei de brigas e, pra ser bem sincera, eu achei a revolta dela engraçada. Quer dizer, enquanto todos os meninos do colégio queriam dar uns pegas nela, o Jasper, na verdade, deu um pé na sua bunda e alguns dias depois apareceu comigo.
– Você está bem, Alice? — Por falar nele...
– Estou muito bem sim, Jasper. — Eu sorri quando a Maria virou-se e o fuzilou com o olhar. Logo depois ela saiu da fila, revoltada. — Uau, parece que sua ex não gosta muito de nos ver andando juntos.
– É uma pena, não é? — Ele disse ironicamente.
– Pensei que você gostasse dela.
– Eu também achava isso, mas não. Acho que eu só estava com ela por status... Hoje eu olho pra ela e, blergh, me pergunto o motivo de ter ficado com ela durante tanto tempo.
– Ha ha ha. Você não sabe o motivo? Pois eu sei. São dois, e bem grandes.
– E quais são? — Ele perguntou, já rindo.
– Ah, você sabe! Maria Peitos.
– Você deu um apelido para a minha ex? — Ele riu ainda mais e eu mostrei a língua para ele.
Depois disso fomos para a aula.
Os dias continuaram passando bem rápido. Nossas famílias já haviam começado os preparativos para o casamento, mais isso ainda estava meio abafado, porque nós ainda não havíamos cumprido a quinta tarefa do plano. O Jasper teria que me pedir em namoro mas nós queríamos esperar um tempinho antes que ele o fizesse.
Estávamos na aula de literatura mas hoje o professor não iria sortear alguém para ler algum trecho. É que ele havia acabado de nos passar um trabalho em dupla e eu faria com o Jasper Grude Hale. E, bom, eu ainda não havia me vingado daquele beijo inesperado, e vi ali uma oportunidade perfeita!
Sério, como eu não tinha pensado nisso antes? Estava mais que na hora de entrar no joguinho do Jasper e provar para ele que eu sabia jogar muito bem também.
– Ei, Hale! — Eu o chamei e ele se virou para mim. — Passe lá em casa hoje pra gente fazer o trabalho.
– Ok. — Ele disse, mas acho que desconfiou um pouco do meu interesse repentino.
*
– Allie? — Edward chamou.
Nós estávamos almoçando no sofá enquanto assistíamos ao novo episódio da nossa serie favorita.
– Huh?
– O que você acha de eu pedir a Bella em namoro?
– Mas vocês já não estão namorando?!
– Eu acho que sim — ele disse -, mas nunca fiz realmente o pedido, entende? Nunca cheguei para ela e disse "você quer namorar comigo?".
– Ah, Edward, eu acho que a Bella não liga muito pra essas coisas.
– É que eu queria que ela soubesse o quanto eu a amo... E eu quero que ela seja só minha.
Não pude deixar de sorrir. Achava super fofo o fato de meu irmão estar namorando a minha melhor amiga. Edward ia sair com a Bella naquela tarde, e ele ia dizer para ela o quanto a amava e a pediria oficialmente em namoro. E quanto à mim... Bom, quanto à mim, fui tomar um banho e esperar o Jasper chegar, para fazermos trabalho. Ou não!
– Senhorita Cullen. — A Janett bateu na porta do meu quarto. — O Senhor Hale está esperando pela senhorita na sala de estar.
– Mande-o subir, Janett!
Pois bem, como eu havia dito, eu ia entrar no jogo do Jasper. Era a minha vez de deixá-lo sem graça e de brincar um pouquinho.
Depois do banho eu havia escolhido no meu armário um vestido muito, muito curtinho mesmo. Mais curto que o que eu havia usado quando ajudei com o trabalho dele e do Edward. Vamos ver se eu conseguia provocá-lo.
– Toc toc. — Ele disse, do lado de fora do meu quarto.
– Pode entrar.
– Olá, emburr... — Ele parou de falar quando me viu e ficou me encarando. Encarando o meu vestido.
– Está tudo bem, Jasper? — Perguntei.
– Eu? Err, eu... bem...
– Então, vamos começar nosso trabalho? Pode sentar ali na minha cama.
Peguei o notebook e, estrategicamente, deixei que um lápis caísse no chão, e abaixei-me para pegá-lo. Ah, eu comentei que meu vestido era muito curto mesmo, não comentei? Pois bem, quando me virei Jasper me olhava vidrado e eu fui me sentar ao seu lado.
Nosso trabalho consistia em uma pequena encenação de algum clássico. Jasper e eu íamos fazer Romeu e Julieta. Trágico!
Nós ensaiamos bastante — e eu, claro, provoquei bastante também. Podia ver nos olhos do Jasper que ele estava sem jeito em me ver com aquela roupa, e eu estava apenas me aproveitando da situação.
– Oh! então, santa adorada, deixai que os lábios façam o que as mãos não fazem. Elas oram, acedei para que a fé não se mude em desespero! — Ele disse, atuando como Romeu.
– As santas são imóveis mesmo atendendo às orações.
– Então, não vos movais, enquanto recolho o fruto de minhas preces. Assim, mediante vossos lábios, ficam os meus livres de pecado!
E então ele se aproximou de mim para me beijar e eu deixei que ele se aproximasse o máximo possível, mas, antes que nossos lábios se encontrassem, eu me afastei.
– Nossa, ficou ótimo! — Eu falei, rindo. — Nós vamos arrasar nesse trabalho, Hale.
– E o beijo?
– Ah, na hora nós nos beijamos. Quer dizer, não é necessários a gente se beijar agora, já que é só um ensaio. — Pisquei para ele.
Eu não havia beijado o Jasper depois depois daquela vez, no refeitório, e eu não pretendia fazê-lo. Para ser bem sincera eu estava morrendo de medo de terminar gostando dele de verdade. Porque sim, nós íamos ficar casados durante um ano, e eu poderia me aproveitar durante aquele período, só que para ele seria tudo fingimento. E tudo o que eu menos queria era me magoar.
Depois que ele foi embora eu deitei e simplesmente dormi até o dia seguinte.
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