Casamento Arranjado [EM REVISÃO]
3 Capítulo Três
Notas iniciais
Capítulo Três
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“Dois complicados, complexos e totalmente opostos. Mas ela tem alguma coisa que te faz voltar. E você, por incrível que pareça, tem algo que não deixa ela ir.” – Pedro Bial.
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No capítulo anterior:
Com todo o problema com Sakura, ela tinha esquecido de um maior, que tinha nome, sobrenome e achava que eles tinham algo mais do que uma amizade com benefícios.
Revirou os olhos quando a Uzumaki começou a falar sem parar e, talvez, sem respeitar. Seu dia passou devagar, mais do que ele imaginava, Karin se recusou a deixá-lo escapar e Sakura, que muitas vezes aparecia no momento certo, não estava lá para escapar.
Chegou em casa mais exausto do que o normal, jogou-se em sua cama e deixou sua mente devanear sobre as palavras de Sakura. Por mais que fosse difícil de aceitar, ele não estava preparado para dizer adeus as suas picuinhas com Sakura sem um gran finale.
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Já havia se passado três meses desde que Sakura falou que eles deveriam parar com as briguinhas, três meses sem se falarem ou se olharem. Longos três meses e muitas coisas haviam mudado, tanto na vida de Sasuke quanto na de Sakura.
A vida de Sakura tinha dado uma reviravolta tão grande que ela se sentia tonta, seu namoro – o tão perfeito como as pessoas achavam – havia chegado ao fim e, apesar de saber que relacionamentos acabam, aquilo havia mexido com ela. Por um momento, ela até recordou-se de suas brigas com Sasuke, que de alguma maneira poderia diminuir o que ela estava sentindo com o término, ou até mesmo, distraí-la.
Mas a Haruno era uma pessoa orgulhosa, mesmo sentindo falta das provocações do Uchiha, não tinha coragem de se aproximar e tentar reatar com aquilo que ela pediu para acabar.
Já Sasuke, esse, com certeza, passou por maus bocados. Com Sakura longe, Karin viu uma brecha para se aproximar ainda mais, fazendo com que sua presença começasse a incomodar o moreno, vez ou outra, o Uchiha era obrigado a se esconder pelo campus apenas para não ser incomodado pela Uzumaki, que teimava em dizer que eles tinham algo que nunca tiveram.
Era nesses e em outros momentos, que ele não queria admitir, que ele sentia falta de suas implicâncias com Sakura, e sem falar que, de sua presença.
Por mais que sentissem falta um do outro, das implicâncias e provocações, nenhum dos dois era capaz de ir atrás, afinal, o orgulho sempre falava mais alto.
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O dia havia começado agitado, até demais em sua opinião, estava no meio da aula quando sua mãe ligou pedindo para que ela fosse a casa deles, pois precisavam tratar de um assunto urgente, de início pensou que poderia ser drama de sua mãe, já que a matriarca Haruno tinha essa mania de dramatizar quando Sakura não ia com frequência a casa dos pais, por outro, pensou que poderia ser mesmo um assunto sério, afinal, Mebuki não ligaria no meio da aula para isso.
Resolveu ir, talvez assim esquecesse um pouco dos problemas da faculdade e melhoraria um pouco o humor, já que ele estava num nível insuportável, tamanho era seu mau humor, nos últimos dias.
Do campus da universidade até a casa de seus pais levava em torno de trinta minutos, seus pais moravam em um condomínio de casas luxuosas no lado mais caro da cidade, parou em frente ao um portão preto com um jardim bem cuidado digitou a senha de acesso no interfone e o viu abrir.
Assim que entrou foi diretamente para o pequeno espaço para carro ali, assim que estacionou viu outros carros estacionados, um bem familiar para ela, o que a fez estranhar, mas resolveu ignorar, se Sasuke estava ali, algo deveria ter acontecido com a empresa, já que seus pais e os pais do Uchiha eram sócios. Em passos lentos andou pela pequena calçada que dava ao belo jardim e até a frente da mansão branca, subiu o pequeno lance de escadas e assim que se viu diante da porta pesada de madeira, a abriu.
Não estava em seus planos encontrar seus pais lhe fitando assim que abriu a porta de casa e muito menos encontrar Fugaku e Mikoto Uchiha ao seu lado, deu uma pequena olhada em volta e viu Sasuke jogado no sofá mexendo no celular, a fazendo revirar os olhos. Fechou a porta e caminhou até os pais, onde os beijou e os abraçou.
As vezes sentia falta desse contato com eles, mesmo vendo-os quase todos os finais de semana, ainda sentia falta dos abraços carinhosos, principalmente os de sua mãe.
— Mamãe, papai. – Tirou a bolsa e casaco após soltá-los.
— Oh minha pequena flor! – Mebuki sempre tão carinhosa, o sorriso era grande e os olhos verdes mais escuros que o da filha combinava perfeitamente com os cabelos loiros.
— Como você está, minha querida? – Kizashi perguntou alisando o rosto da filha. Os olhos azuis refletiam bem o cansaço e os cabelos começando a ficar grisalhos denunciava a idade.
Após cumprimentar os pais, foi até os Uchiha, que a encarava com um sorriso, Mikoto no caso, e admiração, deu um longe abraço na matriarca Uchiha que sempre lhe tratou tão bem, como uma filha e um rápido abraço no pai de Sasuke, Fugaku, que apesar de não demonstrar muito, também sentia um imenso carinho por ela.
— Babaca! – Cumprimentou Sasuke quando este lhe encarou com um sorriso debochado.
— Irritante. – Sakura sentia muita vontade de arrancar aquele sorriso debochado no soco, mas apenas revirou os olhos, ele não valia tanto.
— Então, qual o motivo da urgência? – Perguntou virando-se para os pais e escondendo as mãos no bolso traseiro do jeans.
Foi impossível não notar a mudança de clima e de como seus pais trocaram um rápido olhar com os pais de Sasuke, ela percebeu e tinha certeza que Sasuke também, já que ele havia largado o celular. Tantos o Haruno quanto os Uchiha sabiam que aquela conversa seria complicada, até porque, não era todo dia que você recebia aquele tipo de notícia, ainda mais duas pessoas que pelo jeito, não estava se entendendo a um bom tempo.
Sakura fitou seus pais querendo os encorajar a falar o que eles estavam relutantes, cruzou os braços e encarou Sasuke que olhava para os pais com a sobrancelha arqueada, já que Mikoto sussurrava algo para o marido e eles não eram de fazer esse tipo de coisa em público, por mais que os Haruno fosse mais família do que outra coisa.
— Ok! – Sasuke se levantou do sofá que estava jogado e pegou o celular mexendo enquanto falava. – Se não tem nada de importante para dizer, estou indo, tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar aqui vendo a cara feia da Sakura.
Quando ela saiu de casa aquela manhã, pretendia não se estressar, mas ela não contava em encontrar Sasuke pelo caminho, até parecia que o destino queria frustrar todas as suas vontades de não se estressar.
— Você tinha que começar, não é? – A voz de Sakura saiu mais raivosa do que ela pretendia, Sasuke a encarou e ele pode ver nos olhos verdes uma raiva que ele já estava acostumado. – É sempre assim, você sempre tem que ser o centro das atenções e não consegue perceber o básico, como o fato deles não saberem como contar seja lá o que for.
O clima na sala luxuosa pesou, Mebuki encarou Mikoto com os olhos levemente arregalados enquanto seus maridos começavam a cochichar um com o outro.
— O que você está insinuando, Haruno? – Sasuke deu um passo em direção a Sakura, que o encarava com as mãos na cintura.
— Não estou insinuando nada, Sasuke, eu estou afirmando que você está agindo de forma insensível. – As palavras saíram sarcástica enquanto apontava para o moreno, que a cada passo ficava mais perto.
Após as palavras de Sakura, a discussão se tornou mais árdua, Sasuke rebatia as palavras de Sakura e ela o acusava de ser insensível e ser muito ignorante. Enquanto Sasuke e Sakura brigavam feito cão e gato, Mebuki suspirou e encarou Mikoto que a olhava.
— Você acha que isso dará certo? – Perguntou a Uchiha.
— Tem que dá. – Mikoto respondeu enquanto encarava o marido, que massageava as têmporas enquanto via Sasuke e Sakura trocando palavras nada educadas.
Não se soube por quanto tempo ficaram brigando, Mebuki em um determinado momento se cansou de ficar assistindo e foi atrás de alguns biscoitinhos e chá para os convidados, Mikoto sentou-se ao lado do marido enquanto ele conversava com Kizashi sobre a situação atual.
— Eles não cansam? – Foi Kizashi que falou dando um gole no chá vendo Sasuke e Sakura ainda discutindo no canto da sala.
— Já chega! – Fugaku gritou, fazendo tanto Sasuke quanto Sakura se assustarem, já que o patriarca dos Uchiha era um homem que não levantava a voz para nada e muito menos era de perder a cabeça para gritar, como havia feito. – Sentem-se neste sofá, agora.
Claro que nenhum dos dois contrariaria o Uchiha, Sakura mordeu o lábio inferior e Sasuke deixou um bico aparecer e mesmo contrariados, sentaram-se, mas claro, um longe do outro, que por um instante, Fugaku pensou que eles fossem obedientes, mas ele conhecia os dois a tempo suficiente para saber que de obedientes, Sasuke e Sakura não tinham nada.
Tanto para os pais de Sasuke, quanto os de Sakura, aquelas brigas – que vinha se arrastando de anos – já tinha perdido a graça e havia se tornado bem infantis para duas pessoas de vinte e três anos.
— Vou ser direto… – Fugaku suspirou e enquanto alisava o rosto, nervoso com toda aquela situação, resolveu jogar tudo de uma vez, sem enrolação. – Vocês vão se casar.
— O quê? – Aquela não era a reação que eles esperavam, mas, como nem tudo são flores, antes que pudesse falar algo, Sasuke e Sakura já discutiam, outra vez.
— Isso só pode ser brincadeira! — Sakura exclamou soltando um riso anasalado.
— Onde estão as câmeras? — Sasuke falou olhando em volta, atrás de algum indício de câmeras no local, esperando ser uma pegadinha, muito bem bolada, por sinal.
— Tão infantil! — Sakura sussurrou revirando os olhos diante das palavras de Sasuke
— Falou a senhora maturidade — Sasuke debochou, se fosse igualar o nível de maturidade dos dois naquele momento, estavam empatados.
— Meu Deus, garoto…
E, antes que pudessem pará-los, Sasuke e Sakura voltaram a discutir, para a irritação de seus pais
— Calados! – Fugaku gritou exasperado, aquela situação já era difícil de explicar, com eles brigando como duas crianças não facilitava em nada, muito menos ajudava em alguma coisa, quando conseguiu que os dois jovens calassem a boca, continuou. – Escutem com atenção, a situação não está sendo fácil e sei que vocês não estão gostando disso, nem nós estamos gostando, mas precisamos…
Fugaku encarou os dois jovens que estavam emburrados, Sakura com os braços cruzados e Sasuke com um bico que só ele sabia fazer, suspirou e deixou que Kizashi tomasse conta da situação.
— Crianças… – Kizashi começou com a voz mansa, que só ele sabia fazer quando queria conseguir alguma coisa. – Nos sabemos que vocês não querem isso, nem nos queremos, mas precisamos, nossos nomes, investimentos e futuro dependem dessa união.
— Por isso, parem de agir como duas crianças e comecem a agir como dois adultos que são. – Mikoto falou indo até o filho e puxando sua orelha.
Sakura sentiu vontade de rir, mas quando sua mãe veio em sua direção, foi impossível não correr para trás de Sasuke a procura de proteção num ato involuntário enquanto o mesmo massageava a orelha vermelha.
— Não nos suportamos nem sendo amigos, quem dirá casados? – Sakura falou se esquivando das costas de Sasuke e fazendo drama, estava difícil compreender o porquê de tudo daquilo, ainda mais quando seus pais estavam cansados de saber que ela e Sasuke nunca dariam certo juntos. – Nos vamos nos matar, isso sim!
— Isso eu tenho que concordar. – Sasuke falou ficando ao lado de Sakura, como se mostrasse apoio a suas palavras.
— Nesse momento, isso não importa. – Mebuki se pronunciou pela primeira vez após toda aquela confusão. – Precisamos de uma solução e a única que temos é esta, por isso, precisamos de uma resposta, e logo.
— Mas…– Sakura tentou rebater, mas não teve argumento.
— Precisamos de uma resposta até semana que vem. – Mikoto decretou encarando o filho em especial, que encarava o chão.
Tudo estava acontecendo rápido demais. Era informação demais para eles digerirem, ainda mais em tão pouco prazo, tanto que nem Sasuke e nem Sakura conseguiram processar as informações jogadas em suas cabeças e assimilar a real gravidade do assunto.
Sakura suspirou e fechou os olhos enquanto massageava a têmpora, aquilo tudo a estava deixando desesperada, tinha tanta coisa em jogo, que era difícil não pensar em tudo que teria que abrir mãos caso aceitasse, por mais que não quisesse pensar nisso, encarou Sasuke, que estava fitando o chão quieto.
Sasuke até entendia a gravidade da conversa que acabaram de ter, porém, ele não se importava, não estava em seus planos se casar, muito menos com a garota que ele mais sabia brigar do que dialogar. Sem falar que, ele era novo demais para se casar com qualquer pessoa, ele nem tinha terminado a faculdade.
Ele perderia muito mais do que ganharia naquele casamento, por mais que soubesse que seria apenas por um tempo. Mas, Sasuke estava preparado para tudo aquilo?
— Isso é loucura, eu não vou me casar! – Sasuke exclamou encarando os pais após um longo tempo refletindo.
— Sasuke… – Sakura começou encarando o Uchiha, que lhe fitou com raiva. – Podem ao menos nos dizer o porquê disso tudo? – Se Sasuke não estava pensando, ela faria isso pelos dois, eles tinham o direito de saber o motivo por trás dessa decisão.
— Aconteceu alguns problemas na empresa e tivemos que pegar um empréstimo grande… – Fugaku começou a explicar, enquanto Sakura prestava atenção nas palavras do Uchiha mais velho, Sasuke ficava resmungando.
Vez ou outra, era necessário que Sakura falasse para Sasuke ficasse calado, o que resultava nos dois iniciando mais uma briga, Fugaku perdendo a paciência e Kizashi tento que continuar a explicar a situação porque o socio não conseguia concluir por causa das intromissões dos dois jovens.
— Deixa-me ver se entendi… – Sakura começou após uma longa explicação de seu pai e do pai de Sasuke, fitou os mais velhos e antes de começar, soltou um longo suspiro. – Vocês fecharam um contrato de empréstimo com o senhor Madara e, para poder continuarmos com a empresa, eu e o Sasuke teremos que nos casar em no máximo um ano, mas, antes desse casamento acontecer, teremos que noivar e morar juntos, é isso?
— E comparecer a eventos relacionados a empresa. – Kizashi completou encarando a filha.
Sakura não tinha reação para o que acabara de ouvir e muito menos palavras para resumir o que ela sentia naquele momento, que não era nada bom.
— Isso é perda de tempo! – Sasuke falou debochado jogando no sofá enquanto mexia no celular.
— Odeio falar isso, mas, eu concordo com ele. – E ela realmente concordar.
Aquilo era coisa demais para pensar naquele momento, assimilar tudo e tomar uma decisão, ainda mais quando o outro envolvido não estava dando a devia importância.
Eles poderiam perder tudo e Sasuke não se importava, então porque ela deveria?
— Se era só isso, eu preciso ir, tenho um compromisso. – Levantou-se de onde havia sentado para ouvir a história e foi até sua bolsa e seu casaco.
— Ei Sakura! – Sasuke pareceu ter percebido que a Haruno estava falando mesmo sério. – Onde está indo?
— O que foi? Não foi você mesmo que disse que isso tudo é perda de tempo, então, eu só concordei, não há mais motivos para que eu fique aqui. – O encarou sem entender o questionamento de Sasuke. – Se você já está conformado em perder tudo, eu não posso fazer nada, Sasuke, tudo já foi resolvido e eu tenho que ir para casa.
Ignorando o olhar perplexo de todos, abriu a porta e saiu. Sasuke já tinha decidido que aquilo não valeria a pena, quem seria ela para relutar. Sakura sabia que eles tinham o poder de manter tudo o que tinha, basta querer, mas ela não poderia fazer tudo sozinha, mas também não poderia ir contra a vontade da outra parte. Sasuke estava decidido a perder tudo, e ela o apoiaria nessa decisão, mesmo sua vontade não sendo essa.
Sasuke ainda processava a gravidade da situação, entendia o que aquilo significava, mas não queria tomar nenhuma decisão de cabeça quente ou cheia, mas Sakura não pensava daquela maneira, do mesmo jeito que Sakura compreendia que a solução para tudo aquilo estava em suas mãos, ele também compreendia.
Tinha muita coisa para pensar e mesmo achando que aquilo tudo era uma grande loucura, não estava disposto a abrir mão de tudo, mas deveria ter outras soluções, não só aquela. Contudo, como sempre, Sakura gostava de frustrar todos os seus planos e pensamentos. Quando deu por si, já atravessava a sala e ia em direção a porta, que acabara de ser fechada.
— Sakura! – Chamou quando viu a Haruno destravando o carro. – Será que dá pra esperar.
— O que você quer? – Perguntou encarando o Uchiha que agora parado a sua frente.
— Vamos conversar, ok!
— Conversar o que, Sasuke? Você já tomou sua decisão e eu o apoio nela… – Falou após um longo suspiro. – Foi você quem jogou tudo para o alto, você quem desistiu primeiro, não eu.
Sim, ele sentiu o peso daquelas palavras, porque era verdade, no primeiro momento ele já pensou que aquela era uma péssima ideia e que jamais daria certo, afinal, eles não se davam bem nem sendo “amigos”, quem dirá sendo noivos e pior, casados? Aquele era um evento que a sociedade não estava preparada. Por isso, ele desistiu antes mesmo de tentar.
— Não estava nos meus planos ter que casar com vinte e três anos e com uma pessoa que nem aguenta olhar na minha cara por mais de cinco minutos sem querer me matar, Sakura, e eu sei que também não estava no seu… – Sasuke bagunçou os cabelos e deu mais um passo a frente, fazendo Sakura recuar. – Do mesmo jeito que eu não quero virar as costas para minha família, mas tudo isso é loucura.
— Você quer que eu acredite nisso? Você não se importa com nada e com ninguém a não ser com você mesmo, Sasuke, eu te conheço a vinte anos e durante todos esses anos você nunca se importou com ninguém… – Sakura bateu o indicador no peito de Sasuke, que fez uma careta, agora ela tinha começado e não sabia se conseguiria parar. – Eu te conheço a anos e você nunca mudou, sendo o garotinho mimado e fútil de sempre.
Sasuke não falava nada, apenas encarava aqueles olhos verdes que estavam brilhantes, mas de outra coisa, ele podia ver raiva refletido neles. E em parte, ele compreendia aquela raiva.
— Você sempre usou e abusou das pessoas, principalmente das garotas e eu tenho quase certeza, que sou uma das poucas de toda aquela universidade que caíram na sua lábia de bom moço, mas para a minha sorte, e por te conhecer bem, você sempre mostrou para o que veio, não é Sasuke? – O riso anasalado incrédulo escapou. – Por que agora, justo agora, seria diferente?
Esperou uma resposta, mas não recebeu, era sempre assim, quando ela resolvia falar as coisas – muitas vezes pesadas – para Sasuke, ele se calava, ficava monossílabo e seu olhar se tornava frio, como se planejasse sua morte, lenta e dolorosa, mas não rebatia nenhuma palavra sua.
— Você não muda Sasuke e sabe que tudo o que eu falei, é verdade. Você é covarde, Sasuke, sempre foi, nunca aceitou o amor das pessoas, sempre fazendo o insensível, o intocável, o inalcançável, não é? – Sakura sorriu e balançou a cabeça, sabia que estava exagerando, mas já havia guardado aquilo por muito tempo, mesmo sabendo que aquelas palavras não era para Sasuke. – Não pense que eu te odeio por tudo o que já me fez, não sinto isso, o que eu sinto por você, é pena, então, quando você parar de pensar apenas em você, me procura, aí sim, conversamos.
Ignorando a vontade de se desculpar e falar que aquilo não era para ele, entrou no carro, deu partida e saiu dali antes que pudesse desabar tamanha era a adrenalina que corria por seu corpo.
Sasuke ainda ficou um bom tempo parado ali, refletindo, até seu celular vibrar e ele resolver sair dali.
— Será que essa nossa história os convenceu? – Mebuki perguntou a Mikoto enquanto elas espiavam da porta de casa.
— Não sei, mas não tinha outra história melhor, tinha? – Mikoto questionou a comadre, que soltou um longo suspiro.
— Só espero que Kizashi e Fugaku estejam certo, se eles descobrirem a verdade, nós estamos mortos.
Voltaram para dentro de casa e se serviram de chá enquanto refletiam aquele plano mirabolante que fizeram para que seus filhos pudessem se casar, só esperavam que desse certo, se não, eles nunca os perdoariam.
— Eles se amam, tenho certeza. – Mikoto falou ao sentir seu marido abraçá-la.
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Sakura chegou em sua casa sentindo seu corpo tremer, realmente tinha falado mais do que deveria para Sasuke, mas as atitudes do Uchiha aquele dia estavam a tirando do sério, e toda a agitação daquele dia se misturou com seu mau humor e últimos acontecimentos, que foi impossível segurar.
Sentou-se um pouco no sofá e desabou a chorar, seus pais poderiam perder tudo que construíram com tanto esforço e ela não poderia fazer nada para mudar isso, a não ser fica olhando, já que sem Sasuke não poderia fazer nada.
Ficou um bom tempo assim, foi para o quarto, entrou no banheiro e tomou um banho, passou o dia inteiro na cama assistindo filmes. Precisava resgatar seu bom humor e para isso, nada melhor que um longo dia de filmes, comidas gordas e cochilos.
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Já havia se passado quase uma semana desde o acontecimento na casa dos pais de Sakura, desde então, ele evitava vê-la, falar dela ou ao menos, pensar nela. A cabeça de Sasuke rodava atrás de soluções, mas nenhuma era plausível. Passou um bom tempo pensando nas coisas que Sakura lhe falou antes de tomar qualquer decisão e quase não acreditou em qual ele havia resolvido tomar.
Ao chegar em casa aquele final de tarde, tomou um longo banho e saiu em seguida, sem falar com ninguém, pois se o fizesse, com certeza, desistiria. Suspirou pela terceira vez quando se pegou encarando número daquela porta.
O número parecia lhe encarar e lhe chamar de covarde, afinal, o que ele precisava fazer era criar coragem de tocar a campainha e não ficar encarando aquele número por mais quinze minutos.
Ele tinha tomado uma decisão, só faltava anunciá-la, então, porque a falta de coragem? Antes que ela lhe dominasse por completo, levou a mão ao botão da campainha e apenas suspirou enquanto esperava.
Estava na hora de anunciar sua decisão.
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Estava jogada na cama revisando algumas anotações da faculdade quando ouviu a campainha soar, suspirou, por um momento pensou em ignorar e continuar com sua leitura, mas então se lembrou de que poderia ser Naruto preocupado com seu sumiço nos últimos dias, ou até mesmo, seus pais, que ela estava ignorando desde a conversa da outra semana.
Resmungou e levantou-se contragosto e foi abrir a pequena porta, assim que abriu se assustou com quem estava parada diante dela.
Sasuke nunca tinha ficado sem palavras ao ver Sakura, mas para tudo na vida tem uma primeira vez, e a dele chegou, Sakura estava com um short curto de pijama de seda e um sutiã de renda vermelho vinho, foi impossível não olhá-la dos pés a cabeça e deixar o sorriso malicioso escapar, o que não passou despercebido por ela.
— O que você quer, Sasuke? – Perguntou enquanto se escorava na porta e cruzava os braços.
— Precisamos conversar. – Sasuke falou coçando a nuca, só ele sabia o quanto tinha lutado consigo mesmo para estar ali.
Sakura pareceu pensar e hesitante deu espaço da porta, para que ele passasse.
— Entra.
— Vou ser direto, Sakura… – Sasuke falou parando no meio da sala da Haruno e a encarando. – Você quer casar comigo?
— Nem um jantarzinho antes? – Sakura brincou, afinal, o pedido foi repentino e ela acabou se assustando, ou melhor, ela não esperava um pedido.
A única coisa que ela esperava era Sasuke falando que eles iriam ou não, se casar, jamais passou por sua cabeça que o Uchiha faria o pedido, como naquele momento.
— É sério, Sakura., ou você já desistiu? – Sasuke perguntou dando um passo à frente.
— Você está fazendo isso por eles ou por você, Sasuke? – Perguntou indo até a cozinha e pegando um copo de água.
Por mais que não admitisse, a proximidade de Sasuke mexia com ela.
— Sério mesmo que você acha que eu ia fazer isso só por mim? Não estava nos meus planos me casar agora e muito menos, com você, Sakura. – Foi sincero, não tinha motivo de mentir, não para Sakura, foi até onde a Haruno estava e parou a centímetros da mesma, lhe encarando nos olhos. – Nossos pais lutaram muito para terem o que tem agora, e por mais que eu não te suporte, não vou deixar que eles percam tudo.
— Vejo que amadureceu, Sasuke. – Deixou o sorriso escapar e colocou o copo sobre a mesa. – Sim, eu aceito o castigo de me casar com você, Sasuke.
Sakura estava satisfeita que suas palavras conseguiram fazer com que Sasuke refletisse sobre o assunto, mesmo sabendo que havia falado coisa demais, já Sasuke, ele estava orgulhoso de si mesmo do passo que estava dando, poderia fazer algo que realmente pudesse ajudar os pais, por enquanto.
Estenderam e apertaram as mãos, selando aquele acordo. Tentaria, ao máximo, viver em harmonia, mas com regras, que seriam claras e diretas – que incluía nada de bagunças, garotas, no caso de Karin, ou confusões, sentaram-se no sofá e cada um avisou seus pais da decisão que haviam tomado, e logo foram avisados que a data seria marcada em breve.
Mal sabiam que muitas coisas aconteceriam e mudariam entre eles após aquele dia.
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