Casamento arranjado?

Capítulo 9

P.o.v. Miku

- Kaito?

Minha voz saiu firme e forte.

Exatamente como eu esperava. Sorte a minha que eu me segurei pra não gaguejar...

Eu estava com um pouco de medo. É eu sou corajosa, mas eu estava com medo por minhas amigas. O que de ruim poderia acontecer a elas?

Ele se virou e olhou pra mim. Seus olhos estavam escuros, assim como aquela noite.

Eu tinha uma certeza, de que era ele mesmo...

- Miku? O que você...

Agora ele estava confirmando algo que podia desmentir. E mais uma coisa... Ele me chamou de Miku, não de Hatsune, como costuma fazer.

- O que você está fazendo aqui? E ainda por cima nessa hora?

- Ohh, senhorita Hatsune se preocupando comigo... – Falou irônico, virando-se para ir embora – Lembra do nosso acordo? Que eu não devo...

- Satisfações pra você. Sei eu lembro bem disso. Mas eu te encontrar num beco quase no meio do nada, aparentemente sozinho, fazendo algo relacionado a...

- Não é da sua conta. – disse friamente.

- Pare de agir assim! Depois do que aconteceu hoje, achei que você teria a audácia de pelo menos não me tratar desse jeito!

- O que aconteceu hoje foi um acidente, você sabe disso... Além do mais eu tenho que ir, bye.

- PODE PARAR AÍ MESMO SHION KAITO!!

Um vulto avançou sobre mim, e fechei os olhos. Quando abri, Kaito estava com uma mão ao lado da minha cabeça, e o rosto perto do meu.

- Meninas, podem deixar que eu levo a Miku pra casa. Podem ir.

- Elas não vão me deixar ir com você! Digam a ele Luka e Rin... – Me virei pra trás e vi que elas estavam simplesmente paralisadas, com os olhos arregalados, ainda absorvendo o choque de realidade

- Nós... é... Bem... Vamos embora Kaito. Deixe a Miku ir com a gente que iremos agir como se nada tivesse acontecido...

- Luka, está tudo bem. Já que estou aqui posso levar Miku pra casa e tratar de assuntos do casamento. Não irei fazer nada demais com ela, Prometo. – Ele olhou pra Luka e acenou com a cabeça — A menos que ela queira... – Sussurrou maliciosamente, só pra eu ouvir.

- Cala a boca, Kaito.

- Que seja. Vocês sabem que eu não faria algo de ruim com ela. Confiem em mim.

- Luka, Rin, podem ir. Ele vai apenas conversar comigo e depois em levar pra casa. – Disse. – Não é só isso, Kaito?

- Já disse que sim, é só isso. – Falou entediado. – Somos amigos, não somos? Então não é nada demais. Até levaria num café, mas já está tudo fechado. Depois da conversa eu a levo pra casa.

- Miku, qualquer coisa nós ligue, ok?

- Certo Luka.

- Ei, se esse pervertido fizer algo com você, já sabe o que fazer.

Suspirei e por fim disse a elas: Ta Rin...

Agradeci mentalmente por elas se preocuparem comigo.

Elas deram meia volta e foram em direção ao carro. Acompanhei com o olhar, então elas olharam uma última vez pra mim e entraram no carro, dando partida e seguindo a estrada.

- Vou te levar pra casa. Pra minha casa. – Disse sacana, se afastando de mim e parando na minha frente.

- Hã?! Não foi isso que combinamos seu alien pervertido! Você e eu vamos conversar aqui mesmo e depois você me leva pra MINHA casa, entendeu?!

- Você não disse nada de eu levá-la pra sua casa, esqueceu?

Agora relembrando a nossa conversa, eu não tinha especificado isso...

- Mas isso não é motivo de me levar pra sua casa!

- Se eu disser que tenho algo importante pra falar, relacionado ao que eu estava fazendo no beco, você vem comigo? – Suspirou

- Por mim, só vou pela conversa mesmo... Se você ousar a fazer alguma coisa comigo, seu alien pervertido, eu corto o que você tem de mais precioso!

- Ui, que medo da Hatsune... Eu não vou fazer nada que você não queira.

- Como posso saber que não está mentindo? – Coloquei as mãos na minha cintura, desafiadora.

- Não estou com os dedos cruzados. – E colocou as mãos sobre o coração. – Estou jurando, está vendo?

- Não sou cega Shion.

- É sim, se não fosse, já estaria comigo a caminho do meu apartamento.

- E o que isso tem a ver com tudo isso agora?

- Que falta de senso de humor...

- Melhor ir se acostumando, eu sou assim.

- Fazer o quê, né?

- Cala a boca que eu não estou com paciência pra discutir.

- Então... Vamos?

* * *

No caminho até o apartamento dele não trocamos uma palavra. Foi até melhor assim, não estou de bom humor hoje. Até estava, mas acabou quando eu o vi. Ele simplesmente me tira do sério, consegue me irritar só coma sua presença.

Então vai ter que se acostumar, pois daqui a pouco tempo vai ter que passar todos os dias da sua vida com ele...

Estava tendo um conflito interior comigo mesma, um monótono realista e sádico, o lado escuro de Hatsune Miku.

— Ei, chegamos Hatsune.

Ele me despertou da minha conversa particular quando abriu a porta do apartamento dele, dando passagem pra eu passar primeiro. Entrei e logo em seguida me deparei com uma linda sala de estar, com o que seria uma parede era na verdade uma enorme janela de vidro, que mostrava a maoir e mais linda visão de Tóquio que eu já vi.

— Linda visão, né?

Apenas balancei a cabeça, concordando. Ele andara até chegar perto de mim, mas eu não liguei. Apenas continuei olhando para a cidade, ainda sentindo sua presença ao meu lado.

— Vamos conversar? Por favor, sente-se.

— Quanto mais rápido acabar com isso, mais rápido eu vou pra casa.

— Está certa... Bem, eu conversei com os nossos pais a respeito do casamento.

— Sério? E o que eles disseram? – Tentei não soar a minha voz muito animada ou curiosa.

— É uma ótima notícia, tenho certeza de que você vai adorar...

— O que eles falaram Shion?

— Curiosa... E se eu dissesse que pra você saber da notícia teria que fazer algo que eu pedisse?

— Fala logo! Eu não vou fazer nada do que você pedir, se eu quiser saber da informação, posso muito bem ligar pros meus pais.

— A essa hora da noite?

Peguei meu celular da bolsa e chequei as horas. 24h30 min!! Não sabia que era tão tarde! Mas... Eu não posso ligar pra mãe, ela dorme cedo, e tem um sono muito pesado.

- Você teria que esperar até amanhã pra saber. Quer mesmo que eu te fale?

- É sua obrigação.

- Hum... Quem sabe eu...

Não deixe ele terminar, subi em cima dele e coloquei minha mãos em torno do pescoço dele, estrangulando.

- FALA LOGO SHION!!

- Para, você vai acordar os vizinhos!

- NÃO ESTOU NEM AÍ PRA ELES!! CONTA LOGO!

- To... ficando... sem ar...

- Vai em contar ou não?

- Vou, me solta logo!

Soltei-me dele e ele começou a tossir.

- Sua louca, quase me mata.

- To nem aí. Agora fala logo.

- Por que você pulou em cima de mim?!

- Por que choro não adianta com você. Só a luta livre mesmo. — Então a noticia é qual?

- Nossos pais deram mais um mês pra gente. Ou seja, só pra daqui a três meses... Pronto, ta feliz?

Primeiro abri um largo sorriso e comecei a pular que nem um macaco. Meus cabelos estavam por toda parte, mas fui parada quando Kaito Colocou a mão na minha cintura e me puxou pra perto dele. Meu momento de alegria tinha acabado de acabar.

— Se controle, estamos no meu apartamento.

— Dá pra me soltar?

— Não quer saber o por que eu estava no beco?

— Quero, mas...

- Que tal um jogo? Sei que você adora um. E aí quem ganhar pode pedir o que quiser pro outro.

- Mas você disse que me contaria! – Me soltei dele, afastando um pouco daquela coisa azul.

- Não prometi nada. Agora só conto se você aceitar o jogo. – Cruzou os braços.

- E se eu pular no seu pescoço você conta? – Perguntei sarcástica, ameaçando pular de novo em cima dele.

- Não, porque aí eu estaria morto.

- Então já que eu sabia o que saber, trate de me levar de volta pra minha casa.

- Só depois do jogo.

- Pare de me provocar. Está cutucando a onça com a vara curta.

- Eu sei. – E deu um sorriso.

- Por que está sorrindo seu idiota?

- Gosto de te ver irritada. Você fica fofa.

- Mas que idéia de retardado é essa? Vai agir como criança de novo? Não está crescido o bastante pra parar de fazer esse tipo de coisa, não?

- Eu ainda sou criança. Se eu fosse completamente adulto, seria chato demais. Precisa de humor quando se trabalha em empresas.

- Para. De. Me. Enrolar!!

- Só digo se você aceitar o jogo.

- Sabia que você está querendo uma guerra? A pior da sua vida?

- Sei.

- Então por que você não se salva, me contando o que você disse que contaria?

- Essa conversa está com um rumo estranho. Quer alguma coisa?

- Não estou com fome, quero ir pra casa.

- Eu te levo, mas não quer saber o que...

- Só me leve pra casa. Não precisa contar, e nem ter nada de jogo. – suspirei – Só me leve pra casa.

- Está certo então. Vamos. Depois do jogo.

Pelo visto essa seria uma loooonga noite...

Notas finais
Espero que gostem!