Casamento Arranjado?

19 Capítulo 17 - She Is A Troublemaker


Notas iniciais
Yo cambada :v Desculpem pela demora. Se tiver alguém acompanhando essa história ainda, peço que aceite minhas sinceras desculpas u.u Acontece uma importante revelação nesse capitulo.

Casamento Arranjado? – Capítulo 17 – She Is A Troublemaker

– Senhoras, o chá está servido.

Virei-me para a empregada e acenei com a cabeça.

Enxuguei uma lágrima no canto do olho e me levantei, seguida de minha mãe.

Ela sorriu levemente para mim, como costumava fazer quando eu fazia uma coisa errada pra ela. Não importava o quanto tentasse esconder, ela sempre sabia de tudo o que eu fazia.

Nós conversamos por muito tempo naquela tarde de sexta-feira. Desde o meu falecido irmão ao novo corte de cabelo.

– O chá da tarde devia ser jantar.

– Por quê? – Perguntou minha mãe.

– Porque – segurei sua mão, sentindo o carinho e conforto que só uma mãe pode dar – mulheres conversam demais. Já está tarde.

– Especialmente as da família Hatsune.

O caminho até a sala de jantar foi acompanhado de risadas e piadas ruins.

Quando um criado abriu a porta para nós, raios do pôr-do-sol invadiram a sala e refletiram no lustre de cristal da sala. Os raios tocavam qualquer ponto luminoso da sala, fazendo com que ficasse um show de luzes por lados os lados.

Porém, havia apenas um obstáculo que impedia a passagem de luz.

Ou melhor, alguém sentado e de pernas cruzadas, toda de preto: Ninguém menos que minha querida prima Zatsune Miku.

– Ora, ora. Meu alho-poró, voltei.

Ela estendeu os braços e abriu o rosto em um sorriso caloroso.

Soltei a mão de minha mãe e corri para abraçá-la.

Senti-la nos braços é sensação agradável, porque compartilhávamos uma relação intima de respeito e amizade profundos.

– Estou feliz que tenha vindo!

– Eu também estou.

Nos soltamos mas ainda ficamos de mãos dadas de frente uma pra outra.

– Mas... Porque está aqui? – perguntei.

– Ora, mal cheguei e já quer que eu vá embora?

Apertei as nossas mãos entrelaçadas com força e afirmei negativamente.

– Bom — Manifestou minha mãe -, acho que ela está por que eu a chamei.

Minha cara de interrogação deve ter perguntado por mim, por que as duas se entreolharam e depois olharam para mim.

– Eu a chamei para ajudar com os preparativos oficiais do casamento.

– Ahh... E ninguém me avisou, para variar...

Soltei as mãos de Zatsune e cruzei os braços em frente ao peito.

– Achava que me queria aqui pra conversar...

– Querida — disse minha mãe –, pare de fazer birra. Nossa conversa foi essencial para seguir adiante. Mas achei que a ajuda de Zatsune seria boa para ajudá-la a tomar decisões importantes.

– Exato, prima. Por mim você não casava, mas como vai ter que acontecer mesmo... – Ela bufou e jogou as mãos para o alto, desabando em cima da cadeira que estava sentada antes de se levantar me abraçar.

Ri e puxei uma cadeira para me sentar. Mas notei a falta de empregadas ao lado de portas e janelas. Minha mãe sentou na minha frente, dando a volta na mesa, e Zatsune ao meu lado.

– Mãe, cadê os empregados?

– Ah, foram buscar os papéis.

– Que papéis?

– Tudo o que você vai escolher para o seu casamento. — Zatsune se virou para mim e desferiu um peteleco na minha cabeça — Alho-poró.

No mesmo instante uma porta lateral da sala se abriu e de lá saíram empregados com rostos sérios trazendo pilhas de papéis e panos.

– Primeiro temos que decidir o tema. Depois as cores, ensaiar a entrada, enviar convites, provar os doces um por um e decidir o sabor do bolo, as flores...

– As câmeras, o vídeo de retrospectiva, o cardápio...

– As damas de honra, o vestido, os sapatos, o cabeleleiro, a maquiagem...

– A banda, as músicas da entrada, saída, balada...

– As lembrancinhas...

– O item que fica em cima das mesas, mas eu esqueci o nome...

Minha cabeça começou a girar... Era por tudo aquilo que uma noiva tinha que passar?

– A despedida de solteira, as damas de honra, as daminhas de honra, os padrinhos...

– A madrinha poderosa, eu, é claro. E também tem a...

– PELO AMOR DE DEUS CHEGA! – gritei.

Tudo parou. Os empregados pararam de andar, elas de falarem e até os insetos do lado de fora do jardim se silenciaram.

Respirei fundo e me levantei da cadeira bem devagar. Os empregados perceberam a situação e deixaram tudo em cima da mesa, entre nós três. Retiraram-se rapidamente, depois de fazerem uma breve reverência.

Ao som da porta se batendo, minha prima disse:

– Keep calm and...

– Miku, o que foi isso?

– M-Me desculpem, mas parece coisa demais pra minha cabeça...

– Dãh, por isso estou aqui, horas. – disse Zatsune — Ninguém aguenta essa carga sozinha.

Sorri de canto e voltei a me sentar. Respirei fundo.

Era hora de me acalmar e resolver tudo.

– O tempo é curto, meninas. Poderíamos resolver tudo isso hoje, mas talvez fiquemos até tarde da noite. Qualquer coisa vocês dormem aqui. Tem compromissos para amanhã, alguma de vocês duas?

– Não, amanhã é sábado... Graças a Kami, isso sim.

– Não mãe, minhas aulas acabaram, e não preciso ficar na escola.

– Ótimo. Meu sábado é livre também.

Nós três respiramos fundo ao mesmo tempo e eu disse:

– Que comece os preparativos...

* * *

– Cara — disse Zatsune –, o dia foi Fod...

– Shiu! Minha mãe está no corredor!

– Eita, é mesmo... Acha que ela ouviu?

Fui para a porta e abri uma pequena fresta, olhando para a esquerda e direita.

Ninguém.

Suspirei.

– Não tem ninguém agora no corredor. Foi sorte.

– Ô se foi...

Ela cruzou os braços em frente ao rosto e desabou na cama ao lado da minha. Depois da tarde inteira organizando TUDO a respeito do casamento, fomos jantar, onde meu pai apareceu brevemente, e fez um afago na minha cabeça.

Fiquei... No mínimo surpresa. Não pareceu um gesto forçado, mas sim natural, como se ele fizesse isso todos os dias.

Tentei não demonstrar muita surpresa, mas acho que ele percebeu.

Mas o restante do jantar ocorreu sem preocupações. Ele perguntou como ia a programação do casamento, e eu disse que ia sem problemas. Mas conversa foi e conversa vem.

Pareceu realmente um jantar normal em família.

– Miku!

– O que foi?! Quase me matou de susto!

Suspirei e coloquei a mão no peito, verificando os batimentos.

– Estava pensando no jantar. Tudo ocorreu bem.

– É. Vem cá, é sempre assim na sua casa?

– Assim como?

– Sua mãe sorrindo, seu pai tranqüilo... – ela virou pra cima, com os braços atrás da cabeça.

– Bem... Nem sempre foi assim – fechei os olhos, lembrando de anos atras -, quando Mikuo morreu, entramos todos em conflito aqui dentro. Chegou a um ponto de eu não agüentar mais ficar aqui.

Olhei ao redor. Meu quarto de tons claros de rosa tinha ainda aquela coisa acolhedora de quando eu era pequena. Minha cama repleta de bichinhos de pelúcia estava quase intacta. Ainda me pergunto como conseguia dormir no meio de tantas pelúcias.

– Depois de tanta briga, eu aluguei o último andar de um apartamento em construção, então não precisei dos meus pais para assinar um documento. Afinal, era só aluguel. Depois de um bom tempo, o apartamento cresceu, com isso quero dizer que ele fez sucesso, e estava cheio de gente rica.

“Apesar de eu não ligar, algumas pessoas me viam passar sozinha pelo prédio, e sem pais a vista. Claro que estranharam, até que um dia um menininho perguntou para mim: “Cadê os seus pais? Eles não moram com você?”, e naquela hora eu percebi que eu precisava da minha família. Disse que ele tinha razão e saí correndo do prédio, indo direto pra casa dos meus pais.

“Chegando lá, abracei os dois na sala do jantar, e lembro que meu pai estava com a colher a caminho da boca. Sem preciso dizer que eles ficaram muito surpresos, certo? Depois conversei com eles, e falei que não deveria ter me mudado, e que deveríamos ter enfrentado aquela situação juntos, etc. Mas decidi que era melhor continuar no apartamento, por que era mais perto da escola, e...”

– Quanto tempo é daqui até sua escola? – ela colocou os braços sobre os olhos. Provavelmente ocultando a luz direta nos olhos.

– Uma hora. Do meu apartamento é 20 minutos.

Ela engasgou e se sentou na cama, acalmando a respiração.

– Nossa. Até eu moraria no seu apartamento nessas circunstâncias.

– Pois é. Mas... ainda acho que a casa traz muitas lembranças dele. Foi demais pra mim... E também estou no último ano da escola. Preciso de um lugar próximo da escola. E também tenho um carro porque não gosto de metros. Por mais que seja “organizado” e tal, prefiro o conforto do carro.

– Claro, claro... Agora chega de desabafar. – ela tirou os sapatos, virou-se na cama e colocou o travesseiro sob a cabeça, falando com a voz abafada: Vamo durmi.

– Ah, não.

Sentei-me com força na cama, tirando um xingamento da parte dela.

– Hoje foi o último dia de aula! — levantei os braços — Estou feliz!

Sacudi ela, que virou o rosto pra cima ainda com os olhos fechados.

– Escuta aqui, guria, tive um dia cheio. Preciso descansar. Além do mais sossega o facho.

Olhei para ela. Estava com o corpo encolhido e quase dormindo.

Uma lembrança me atingiu como um raio, me fazendo pular em cima dela, mas não exatamente nela toda. Só sacudi muito os braços dela.

– Zatsune, Zatsune! – empurrei um dos braços que cobria os olhos e abri um dos seus olhos, me deparando com um olho vermelho me fitando.

– O que foi? – disse ela meio grogue.

– Você... Você quer brincar?!

Ela sorriu de canto, mas colocou de volta os braços sob os olhos.

– Você sabe que a Disney roubou a nossa brincadeira?

– O que?!

– Só que é “Você quer brincar na neve?”. E até a menininha abre o olho da irmã que está dormindo!

– Para de ser chata! – a empurrei pra frente e pra trás, até o corpo dela ficar mole e cair do outro lado da cama.

– Bem feito! Quem mandou não brincar comigo? – disse entre risadas.

O corpo dela estava todo no chão, por que de onde eu via não tinha Zatsune. Mas uma mão agarrou de súbito o lençol da cama. Uma aura sinistra se levanta, junto com minha prima, que em um brilho no mínimo assassino no olhos.

– Aah... Por que não vamos ver esse filme?

– Frozen? — e seus olhos brilharam na hora — Claro!

Ela levantou-se em um pulo, com um grande sorriso no rosto. Ela saiu pela porta do quarto saltitando.

Se esse filme fez ela ficar assim... Esse filme deveria receber um Oscar.

– Ah, já disse que Frozen ganhou um Oscar de melhor música?

– Você leu meus pensamentos?

Com as sobrancelhas franzidas, ela disse:

– Ahn?

– Esquece.

Pulei da cama e coloquei meus chinelos. Tinha que ver esse filme custe o que custasse.

* * *

– Hans filho da mãe! Como ele pode enganar a coitada da Anna? Se bem que toda princesa da Disney é inocente, mas fazer o que...

Ela olhou pra mim e disse:

– Você lembra a Anna. Parece fofa e alegre, mas taca fogo nos outros!

– Ei, ela fez isso pra ajudar o Kristoff! Somos demais mesmo.

Coloquei mais pipoca na boca, e disse com a boca cheia:

– Você ta mais pro Sven.

Ela fez uma cara de ofendida, ri, mas deixei pipocas voarem pra fora da minha boca.

– Pelo tenho educação, que nem a Elsa. Humpf. – disse de queixo erguido.

– Ah, às vezes acho que me pareço um Olaf. Ele é tão fofinho e gosta de abraçar.

Colocamos mais pipoca na boca, ao mesmo tempo.

– O Olaf é meu.

Olhei pra ela, séria.

– Não, queridinha. Ele é SÓ meu. E ponto.

– Você que acha.

Começamos uma discussão silenciosa, brigando simplesmente por um boneco de neve que nem existia. Se minha mãe acordasse, seria pior que mil Elsas em fúria.

Por fim, decidimos:

– O Olaf é nosso, a Anna é minha, a Elsa é sua e o Kristoff é meu.

– Tem uma desigualdade aí... Mas ok. – depois de um minuto de silencio falou — E ei. Você já tem um kristoff.

– Não tenho não.

– Tem sim.

– Não, não tenho.

– Tem.

– Não tenho.

– Tem. Sim.

– Não.

– Sim.

– Não.

– Sim.

– Não.

– Não.

– Sim.

– Viu, você tem!

– Psicologia reversa não vale!

– Quem disse?

– EU disse!

– Por isso mesmo, ninguém disse.

Arqueei as sobrancelhas, mas isso a fez rir.

– Se você diz que eu tenho, quem seria? Minhas amigas?

– A menos que elas sejam travestis, por que estamos falando de homens... Claro que não, trouxa! Estou falando do Kaito!

Parei de respirar. Kaito era como um Kristoff?

– Não... Acho que não. Só tem a mesma letra do nome em comum.

– Ele não pode ser agora, mas vai ser um.

– E como você sabe?

– Por que eu sou implacável? Também, mas eu consigo enxergar a maneira que ele olha pra você. Tem carinho. Acho que restou um pouco daquele menino apaixonado.

– Peraí. Você falando bem do Kaito? Não pode ser. Peraí que vou ali “me afogar na privada”.

– Mas assim não vai dar pra você ir ao cruzeiro!

Mesmo me levantando, consegui manter o equilíbrio naquela posição que faria qualquer um cair.

– Como?

– Ah... Olha, o Marshmallow apareceu bem no fim do filme! E pegou a coroa da Elsa!

Voltei a posição inicial, mas não meus desviei os meus olhos dos olhos dela.

– Mas que viagem de cruzeiro. Fala agora!

– Não dá. Ia estragar toda a nossa surpresa.

– Você e mais quem ta nessa? Minha mãe, por acaso? – perguntei irônica.

Seu silêncio foi sua resposta final.

Coloquei as mãos no rosto, respirando fundo várias vezes.

– Surpresa? Essa seria a lua-de-mel? Achei estranho não falarmos sobre isso quando estávamos preparando tudo... Mas qual a necessidade disso? Não é um casamento fachada?

– Achei que você deveria curtir, mesmo sendo com ele. E além do mais, não precisa se preocupar. Eu ameaço ele todos os dias. Se ele tocar em você sem a sua permissão, eu corto o que ele tem de mais precioso.

Ela olhou bem no fundo dos meus olhos.

– Sei que você vai se apaixonar por ele de novo. Ele gosta de você. Você gosta dele. Vocês só precisam enxergar isso.

– Por que quer que eu e ele fiquemos juntos? Você sempre odiou ele, não? E como você vai saber que ele não vai tocar em mim?

Ela respirou fundo e abaixou o olhar por um instante.

– Eu velo por sua felicidade. Quando amamos alguém, sempre queremos vê-la sorrindo e feliz. Cuidados da pessoa, e não importa o como, queremos vê-la feliz. Sei que ele não é um homem perfeito pra você. As vezes me sentia mal por maltratá-lo. Mas era um instinto meu para te proteger, por que eu te amo. Você é minha prima, uma irmã pra mim. Você sabe disso.

Mas eu sei que ele nunca fez realmente nada de mal pra você. Apenas quero que você seja feliz, e eu sempre, mas sempre mesmo – ela juntou nossas mãos -, vou estar cuidando de você – ela sorriu, e eu não pude evitar de fazer o mesmo – E como você vai ter que ficar com ele de qualquer maneira mesmo, vou estar por perto.

– Sempre?

– Sempre. Até quando você achar que eu não possa estar lá, eu estarei. Acredite em mim.

– Ok...

Senti um pouco de medo dela, confesso.

Mas minha felicidade de saber que eu nunca vou perdê-la é maior.

Notas finais
Eu amo tanto a Zatsune *---* Acreditem, se ela fez uma promessa, ela vai cumprir. Ah, alguém lembra do cap. em que o Kaito apareceu no beco? Logo logo saberão o porquê. E pensei na possibilidade de reescrever essa fic, com um português e gramática melhores, o que acham? Obrigada a todos que leram até aqui