Casamento Arranjado
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Oh postei mais cedo ^^
Capítulo 24
Narrado por Edward
–Bom dia Dr. Cullen. –Victória se levantou de sua mesa no instante em que pisei no consultório.
–Bom dia Victória, como está minha agenda de hoje? –perguntei enquanto entrava em minha sala, sem nem ao menos olhar para os lados.
–O senhor só terá folga após a consulta das 15hrs, o restante do dia está lotado. –ouvi sua voz atrás de mim.
Ótimo. Eu queria que aquele dia acabasse logo e nada melhor do que trabalhar sem parar para que aquilo acontecesse. Hoje fazia dois meses desde o pior dia da minha vida e tudo o que eu menos queria era ter tempo livre para ficar relembrando tudo o que havia acontecido.
Ao que me parece Victória havia se adaptado muito bem a rotina do consultório e a saída de Leah não afetou a nossa rotina de trabalho. Victória era sempre prestativa e estava sempre disponível. Leah a ensinou muito bem em sua ultima semana, pois em momento algum Victória teve alguma duvida sobre o funcionamento dos arquivos ou dos programas que Leah utilizava para organizar as agendas, o que era muito bom, pois se ela tivesse algum duvido sobre isso eu seria inútil para ajudá-la caso necessário, pois eu não me dava nem um pouco bem com a tecnologia. Se abusar meu pai sabe mexer em um computador melhor do que eu!
Agora James estava trabalhando conosco, ele e meu pai revezavam seus dias, quando um trabalhava o outro não vinha e nos dias que meu amigo não estava aqui, ele trabalhava no hospital de Forks na ala infantil.
Eu estava sentado em minha essa, olhando fixamente para a primeira foto minha e de Bella e algumas do dia do nosso casamento, meu olhar viajou das fotos para a aliança em minha mão esquerda.
Em todos os minutos dos meus dias eu sentia sua falta. A única coisa que eu fazia com meus dias era vir trabalhar e quando estava em casa lia alguns livros de medicina, talvez eu voltasse a estudar e fosse fazer alguma especialização em tratamento de câncer infantil. Todos os dias quando eu acordava eu esperava que aquele dia fosse diferente e que Bella voltasse para mim dizendo que nós superaríamos tudo juntos.
Mas ela nunca estava lá sorrindo para mim como em meus sonhos.
A saudade era imensa. E quando eu não estava ocupado com o trabalho ou com as pesquisas, tudo o que eu fazia era ficar em nossa cama, relembrando dos momentos inesquecíveis que passei ao lado dela, desde o momento em que a conheci, desde aquele primeiro dia que a vi descendo as escadas em sua festa de aniversario completamente deslumbrante.
Eu não sabia quanto tempo mais eu iria aguentar com essa distancia. Fisicamente a saudade era dolorosa, mas emocionalmente era insuportável. Eu ficaria contente em apenas tê-la ao meu lado e ver seus sorrisos, se eu pudesse olhá-la todos os dias de minha vida, eu abdicaria de todo o resto.
Ouvi um suspiro e levantei o meu olhar e vi Victória parada em frente a minha mesa me encarando.
–Victória o que ainda faz aqui?
–O senhor não tem nenhuma ordem pra me passar? –ela cruzou as mãos em frente ao seu corpo.
Comecei a reparar melhor em Victória e o que vi não gostei nada. Ela vestia uma saia na metade da coxa e devia estar usando saltos, pois estava mais alta do que eu me lembrava, uma blusa decotada quase com seus peitos saltando para fora e seu rosto tinha uma maquiagem forte e nos lábios batom de cor vermelha.
–Não. –respondi seriamente. –Minha única ordem é que você vá para sua casa e troque de roupa, nesse consultório atendemos a crianças e sua roupa não é adequada.
–Como o senhor quiser. –seu rosto estava completamente vermelho agora e vi lágrimas marejarem seus olhos.
Não sei por que ela ficou chateada, devia muito bem saber que aquele não era o tipo de local para se vestir daquela forma. Caso ela não tenha percebido ainda, aqui é um consultório pediátrico e não uma boate!
Segurei-me para não lhe dizer mais nada, eu podia andar meio avoado nos últimos meses para não ter reparado na forma como ela vinha vestida para o consultório, mas eu ainda não tinha perdido o juízo e se eu lhe disse tudo o que se passava em minha mente naquele exato momento com certeza ela me processaria por assedio moral.
–Você já pode ir. –a encarei sem acreditar que ela ainda estava ali.
–Tudo bem, desculpe-me. –ela se afastou e então a porta se fechou com um pouco mais de força do que o necessário.
Com Leah eu não tinha esse tipo de preocupação. Ela era uma moça muito bonita, mas sempre soube qual era o seu lugar e a forma como deveria se portar sem eu, ou até mesmo meu pai, ter que lhe dizer nada. Victória era uma mulher muito bonita, claro, e eu já havia percebido que ela havia chamado à atenção de James, mas isso não significa que ela tenha que se portar de maneira inapropriada aqui dentro.
No momento em que me foquei no trabalho e comecei a atender meus pacientes não vi as horas passarem e logo eu me despedia de meu pai e de Victória, agora vestindo uma roupa comportada, e ia embora para minha casa.
Meus planos para o dia de hoje era de beber alguma coisa para, pelo menos por esse fim de semana, esquecer o quão triste a minha vida se tornara por pura irresponsabilidade minha.
Como eu fui capaz de trair a minha menina daquela forma? Todos os dias eu me culpava pelo que havia acontecido. Ela não fez nada menos do que o esperado numa situação dessas, se fosse comigo eu teria feito o mesmo, por mais que só o pensamento me doesse e eu soubesse que ela nunca seria capaz de algo assim.
Charlie havia cumprido sua promessa. Tentou de todas as formas possíveis conseguir o meu divórcio, mas eu me neguei a dá-lo, algo dentro de mim me impedia de assinar os papéis que tirariam de vez Bella de mim. E agora o caso foi para a justiça e seus advogados entraram com o pedido de divórcio litigioso, ou seja, o caso iria a julgamento e eles forçariam o divórcio judicialmente e eles tinham provas da traição, embora eu ainda não fosse casado na data, mas aquilo me daria uma grande dor de cabeça. Até onde sei e pelo que Alice havia me dito, Bella também não estava disposta a colaborar com o divórcio e aquilo me permitiu ter uma pequena fagulha de esperança. Talvez daqui algum tempo, Bella pudesse me perdoar.
Eu nunca mais havia a visto. Eu até tentei ir à entrada de sua escola para poder vê-la de longe, mas Charlie a acompanhava todos os dias e logo aquela possibilidade deixou de existir, não queria prejudicar minha situação, que já era delicada, mais ainda.
–Você tem correspondência. –uma voz vinda de dentro de minha casa me assustou assim que destranquei a porta e entrei.
–Meu Deus, Alice você está tentando me matar? –perguntei irritado.
Joguei minhas coisas em um sofá e fui conferir as correspondências que Alice havia me entregado.
–Preciso das chaves do consultório Edward. –ela disse.
–Pra que? –perguntei confuso.
–Papai me pediu para pegar algo que ele esqueceu no consultório. –ela deu um sorrisinho amarelo.
–Mas acabamos de nos despedir. –disse desconfiado.
–Ele acabou de me ligar olha. –ela me mostrou o visor de seu celular, indicando o horário da ultima ligação de onde estava escrito ‘papai’.
–Tudo bem, mas devolva antes de segunda feira. –peguei as chaves no meu bolso e lhe entreguei.
Voltei a encarar as correspondências, na maioria era propaganda de cartão de credito, mas um único envelope me chamou a atenção, ele era branco e de aparência oficial, portanto o abri rapidamente. Era do Conselho Nacional de Medicina.
“Prezado Sr. Cullen,
“O convidamos para a Conferência Nacional de Câncer Infantil, que será realizada no hotel Plaza de Seattle nesta próxima semana, onde discutiremos alguns novos conceitos em tratamento do câncer infantil...”.
Continuei lendo a carta, vendo aquilo como uma luz no fim do túnel. Aquilo seria perfeito no momento para mim, me manter longe de Forks por uma semana, clarear meus pensamentos, além do que tinha tudo a ver com o futuro que eu queria seguir profissionalmente. Pela primeira vez nesse tempo todo, me permiti sorrir, mesmo que fosse algo mais parecido com uma careta do que um dos sorrisos que eu costumava dar quando tinha Bella ao meu lado.
–O que significa esse sorriso? –Alice perguntou curiosa.
–Leia isso Alice! –lhe entreguei a carta com um pouco de entusiasmo.
–Isso significa que você vai estar longe na próxima semana? –ela perguntou em um muxoxo.
–Sim, vai ser bom respirar outros ares. –dei de ombros.
–Mas Edward... Eu... Ah deixa pra lá, você vai saber de todo jeito mesmo! –ela se levantou e me entregou a carta de volta.
–O que eu vou saber?
–Nada. –ela se levantou. –Você vai quando para Seattle?
–Como hoje é sexta, acho eu saio amanhã de tarde, tenho eu confirmar minha presença ainda hoje.
–Tudo bem, então quando você voltar lhe devolvo as chaves. –ela deu um sorriso amarelo. –Tchau Edward, passe lá em casa antes de ir.
–Ok. –a vi se distanciar e pegar seu celular em seu bolso e digitar algo em seu celular e então levá-lo até sua orelha, ela ligava para alguém.
–Emmett, temos mais tempo... –não pude ouvir o restante da conversa, pois ela bateu a porta atrás de si quando saiu.
Dei de ombros sem entender sua atitude, Alice podia ser muito complicada às vezes. Fui para o meu quarto tomar um banho para tentar relaxar.
Aquela casa era muito grande para se viver sozinho, eu queria tanto que Bella estivesse ali comigo, em meus braços, sentindo seu calor contra mim enquanto eu intensamente a faria minha pelas próximas horas. Era tudo o que eu pensava enquanto me sorvia de algumas doses de uísque, mas meus pensamentos e um futura bebedeira foram interrompidos pelo meu celular tocando irritantemente.
Era James.
–Cara, vamos sair para beber alguma coisa, você precisa se distrair. –ele dizia.
–Não James, da ultima vez que saímos para beber juntou deu merda. –resmunguei.
–Cara, mas o que de ruim pode acontecer dessa vez?
–Sei lá, só não quero piorar as cosias para o um lado.
–Fui visitar a Bella. –ele disse depois de um tempo em silencio.
–Como, você o que? –perguntei sem acreditar.
O que ele poderia querer com a minha Bella a ponto de tornar necessária uma visita até a casa onde ela vivia com seus pais agora? Quer dizer, eles não são amigos nem nada. Só não faz sentido.
–Fui sondar o terreno para você cara. –ele disse se explicando. –As cosias estão mesmo ruins e acabei saindo como culpado nessa historia toda ainda por cima.
–Ela te culpou?
–Sim, porque nas palavras dela, se eu não o tivesse levado aquele bar em sua despedida, nada disso estaria acontecendo.
–E ela tem razão.
–Quer dizer que agora você está me culpando por ser um traidor? –ouvi sua voz indignada do outro lado da linha.
–Não estou te culpando pelas minhas atitudes, mas nós dois sabemos muito bem que é meio impossível dizer não para você, eu realmente não queria ir naquela noite.
Desde a época da faculdade, sempre que James queria que eu, ou qualquer outra pessoa, fizesse algo por ele, ele ficava rondando a pessoa, insistindo e às vezes até sendo chato e inconveniente, até conseguir o que ele queria. Ele nunca aceitava um não sem antes lutar por outra resposta, isso podia ser uma qualidade às vezes, mas também era um grande defeito que me irritava muito em meu amigo.
–Tudo bem Edward, culpe a mim, é mais fácil jogar a culpa em um inocente do que assumir seus erros. –pude ouvir a magoa em sua voz.
–Olha eu não estou de culpando, só estou estressado. –disse. –Na próxima semana estarei fora para uma conferência em Seattle e vou tentar esfriar a cabeça, quando eu voltar nós conversamos tudo bem.
–Você está precisando transar isso sim. –ele resmungou. –Arrume uma gostosa em Seattle e relaxe bastante, quando voltar nós conversaremos. –e dizendo isso ele desligou.
Droga! Agora eu me sentia culpado por ter magoado meu amigo. Apesar de tudo eu sempre pude contar com ele em meus maus momentos durante os quatro anos de faculdade e era assim que eu o retribuía? Jogando a culpa de tudo o que vinha me acontecendo nele, sendo que a culpa era estritamente minha e de mais ninguém?
Claro que eu não seguiria seu conselho, afinal meu problema não era falta de sexo. E sim falta de minha Bella, de fazer sexo com ela. Sexo não. Fazer amor com ela, mas acima de tudo eu sentia falta de sua presença e de seus sorrisos. De acordar ao lado dela e ver seu rosto amassado de sono e do cabelo bagunçado, das manias irritantes dela, como largar a toalha molhada na cama e chutar os sapatos debaixo da cama só para não ter o trabalho de ter que guardá-lo. Eu sentia falta da convivência com ela.
Talvez essa semana em Seattle clareasse minha cabeça e faria com que eu visse as coisas de outra maneira. Quando eu voltasse eu lutaria coma finco para reconquistá-la, nem que eu tivesse que recomeçar do zero, com o meu plano original de cortejá-la, mas eu a teria novamente para mim.
Narrado por Bella
Meus dias estavam se passando muito rápido e com aquela semana não foi nada diferente, acordei naquela quinta-feira, como acordava todos os dias. Totalmente desanimada. Mas a partir do momento que abri meus olhos naquela quinta-feira, senti que algo estava diferente, eu sentia uma pequena agitação dentro de mim. Vi uma luz fraca através das cortinas e caminhei até a janela, ao abrir a cortina me deparei com um dia ensolarado, fiquei chocada com aquilo, afinal todos os dias dos últimos dois meses ou estavam nublados ou chovendo.
Suspirei pesado ao perceber que toda aquela agitação que eu sentia de dentro de mim era devido ao clima que havia mudado e nada estava mudando em minha vida. Rapidamente me arrumei, colocando uma blusa de mangas compridas azul com decote em ‘V’, calça jeans e meu All Star, e desci para comer algo com meus pais.
–Bom dia. –me sentei à mesa e enchi uma xicara com leite e café. –Vai me levar à escola hoje pai? –perguntei.
Desnecessário dizer que sempre ou meu pai, ou minha mãe, desde que eu havia me recuperado do da minha crise de histeria depois de tudo o que aconteceu naquele dia, que eles passaram a me acompanhar para a escola todos os dias. Até parecia que eu era aquelas criancinhas no jardim de infância que precisava ser pajeada pelos pais o tempo todo, mas eu no fundo entendia a preocupação deles, eles só queriam o meu bem, então eu resolvi colaborar com eles e me comportar bem durante todo esse tempo.
–Acho que você pode começar a voltar a ir sozinha, o que acha? –meu pai perguntou.
–Tudo bem. –dei de ombros. –E como anda sua campanha politica?
–Anda bem filha, faltam um pouco mais de seis meses para a eleição, o trabalho árduo começa mesmo faltando uns quatro meses. –ele tomou um gole em sua xicara de café e voltou a me encarar. –Bella quanto ao seu divórcio...
–O que tem isso?
–Só pra avisar que os advogados já entraram com o pedido de um divórcio litigioso. –informou.
–E o que isso significa? –perguntei confusa.
–Significa que vamos forçar um divórcio pela justiça, um juiz irá julgar o caso e conceder o divórcio.
Suspirei contrariada, mas não havia nada que eu pudesse fazer para impedi-los.
–Filha essa situação já chegou longe demais você não pode continuar casada com ele para o resto da vida.
–Tudo bem, só me avise quando for à audiência. –me levantei. –Vou indo para escola então.
Abri a porta para sair de casa e tomei um dos maiores sustos da minha vida ao me deparar com as duas pessoas aparadas a minha frente.
–Alice, Emmett o que fazem aqui? –os encarei, ainda com o coração disparado devido ao susto.
–Hei Bella como vai? Vou bem, que bom que perguntou. –Alice entrou em minha casa sem nem ao menos pedir licença.
–O que fazem aqui, vamos nos atrasar para a aula. –segui Alice que havia ido para a sala.
–Chame seus pais baby tenho algo para lhes mostrar. –Alice retirou um quadrado preto de dentro de sua bolsa o balançou em minha direção.
–O que é isso? –perguntei curiosa tentando pegar o objeto, mas ela o ergueu acima da sua cabeça.
–Não vamos estragar a surpresa, chame seus pais.
–Mãe, pai! –gritei.
–Se fosse para gritar eu mesma o fazia sem educação.
–Vou ignorar o fato de você estar brigando comigo em minha casa se você me disser o que é isso? –Alice era minha melhor amiga, mas isso não diminuía o fato de que quando ela queria podia ser a maior vaca do planeta.
–Isso é um DVD com um filminho bem interessante comigo como atriz principal baby. –ela ligou a TV e o DVD.
–Tudo bem só pare de falar baby. –me sentei no sofá enquanto meus pais entravam na sala.
–Vocês não tem aula hoje? –minha mãe perguntou confusa por nos ver ainda ali.
–Temos sim tia, só que o que viemos fazer aqui é mais importante. –Alice disse inocentemente, como se ela fosse à pessoa mais dócil do planeta. Fingida.
–E o que é?
–Sentem-se o filme vai começar. –Alice clicou algo no controle remoto e se sentou ao lado de Emmett que já havia se acomodado em um dos sofás, e meus pais se sentaram ao meu lado.
A tela da TV ficou preta por alguns instantes e então apareceu a imagem de uma sala, muito parecida com a sala do consultório de Edward na clinica. O som de uma porta se abrindo e então Alice entrou em foco e foi se sentar em uma das cadeiras em frente a uma mesa, cruzou as pernas e ficou batucando com os dedos no tampo da mesa por alguns minutos, parecendo estar impaciente.
Novamente o som da porta se abrindo e então James entrou no ficou da câmera.
–O que faz aqui? –ele perguntou assustado com a presença de Alice.
–Vim lhe fazer uma visitinha. –pelo tom de voz dela eu sabia que ela estava sorrindo angelicalmente, sorriso que ela geralmente usava quando estava sendo falsa.
–Ok, mas tenho um paciente daqui a meia hora então seja breve. –James foi até um armário atrás de uma mesa e tirou de lá um jaleco branco e o vestiu, colocando sua maleta dentro do armário. –E qual é o motivo de sua visita Alice?
–Acho que você já deve imaginar. –Alice se empertigou na cadeira.
–Não, não imagino não. –James se sentou e cruzou as mãos em cima da mesa.
–Imagina sim. –pude ver o grande sorriso falso e angelical de Alice se espalhar novamente em seu rosto devido o ângulo que ela estava, seu rosto completamente visível à câmera. –E você sabe que eu sei.
–O que eu sei que você sabe? –James perguntou realmente confuso.
–Não se faça de bobo, vamos ser sinceros um com o outro, isso nos poupará tempo.
–Sim vamos ser sinceros. –James afirmou.
–Que bom que concorda comigo. –novamente o rosto de Alice saiu do foco da câmera, pois ela havia se inclinado sobre a mesa. –Eu sei que você armou para meu irmão. –sua voz disse num sibilar, um tom de voz que nunca ouvi sair da boca de minha amiga.
–Ninguém vai acreditar em você. –James sorria.
–Não preciso que acreditem. –Alice deu de ombros.
–Então o porquê de tudo isso?
–Gosto de saber que tenho razão. Sempre.
–Você já viu que o Edward nunca vai acreditar em você, ele confia em mim.
–Infelizmente meu irmão não sabe julgar as pessoas e é muito inocente às vezes. Mas eu saquei você desde que coloquei meus olhos em você. E sabe do que mais?
–O que? –James tinha um olhar lascivo agora, seu rosto estava corado e suas mãos fechadas em punho sobre a mesa.
–Bella também sacou você, só não imagina que você está envolvido nessa sujeira, ela nunca, e escute bem o que lhe digo por que será a primeira e ultima vez que vou dizer isso... Ela nunca vai ser sua, porque ela ama meu irmão.
–Não o suficiente para acreditar na inocência dele.
–Ama o suficiente a ponto de nunca mais ser de alguém. –James estava tão vermelho que dava a impressão que iria explodir a qualquer momento
–Ela pode nunca vir a ser minha, mas ela também não será dele e de mais ninguém.
–Não vejo como você pode controlar isso, já que ela vai embora de Forks no ano que vem.
–Vou onde ela estiver.
–Você é louco sabia disso, não acredito que meu irmão pode se envolver com alguém assim. –Alice balançava a cabeça em negação. –Só não entendo como você conseguiu tudo isso, como sabia que Tânia deu em cima de meu irmão e como a encontrou e com certeza mais alguém deve ter lhe ajudado.
–Garota esperta. –James deu um de seus grandes sorrisos. –Vou te contar uma pequena história. Sabia que Edward me cintou tudo sobre como conheceu Bella e até sobre ela ter ciúmes da tal Tânia? –James sorriu recostando-se em sua cadeira. –Conheci Tânia através de Victória em uma noite que saímos juntos, você sabe Vic é prima dela, além de ser uma das maiores vagabundas fofoqueiras que já conheci, ela sabe tudo o que se passa nessa cidadezinha infernal e me contou sobre os Black, então dei um jeito de me encontrar com aquele moleque Jacob. Tânia quer seu irmão e eu a mulher dele, e os Black querem a ruina dos Swan então nos juntamos. Edward sempre foi fraco para bebidas e com duas doses de absinto já estava pra lá de Bagdá, e foi possível manipulá-lo para que Tânia entrasse em ação e fizesse o pequeno showzinho para a câmera de Jacob que fotografava tudo, aliás, foi ele quem entregou as fotos na casa de Edward e dos Swan. Simples assim, e tudo seguiu como meus planos e agora eles estão separados.
–Então a sua viajem foi seu álibi? Ficar fora da cidade para que ninguém desconfiasse que você estivesse por trás disso.
–Sim. Mas você desconfiou.
–Não confiei em você desde o primeiro olhar. –Alice fez sinal de pouco caso com as mãos. –E porque Tânia não procurou pelo meu irmão ainda?
–Ah, mas ela vai, sabia que seu irmão foi para uma conferencia fora da cidade?
–O que você fez com ele seu demônio? –Alice se levantou furiosa.
–Nada, a conferência é verdadeira, mas digamos que Tânia irá aparecer no hotel nesse fim de semana, irá embebedá-lo, levá-lo para a cama e engravidar dele.
–Vadia. –Alice xingou. –Eu vou impedir isso de acontecer! –ela disse. –vou ligar para ele e dizer para ficar longe dela!
–Tânia sabe esperar por seu momento, ela não tem pressa, só na cama. –então ele gargalhou alto e lambeu os lábios em um gesto nojento e escroto.
–E Victória no que ela entra nesse seu joguinho sujo?
–Ela é uma boba apaixonada e acredita que Edward pode se apaixonar por ela, ela não participou de nada, a única coisa que ela fez foi inocentemente me apresentar a Tânia e o resto você sabe.
–Um dia James Carter, sua máscara vai cair sabe disso não sabe?
–Acho difícil você conseguir provar algo, e até lá eu já vou ter conseguido o que quero.
–Que seria...
–Levar a doce e inocente Isabella para minha cama.
–Você é um nojento. –Alice rapidamente deu a volta na mesa em um movimento quase inumano e no segundo seguinte esbofeteava a cara de James.
–Você me paga por isso vadia!
–Não querido... –Alice sorriu para ele e atravessou a sala e olhou imperceptivelmente em direção à câmera e deu o sorriso mais brilhante do mundo e depois uma piscadinha. –Você quem me paga e vou cobrar com juros o mal que você causou a minha família, saiba disso. Vou conseguir provar para todo mundo o monstro que você é! –Alice já não estava mais visível, mas ouvi a porta se abrir.
–Boa sorte. –ouvi a voz de James dizer e depois a porta se fechar com força e a imagem voltar a ficar preta.
–Filho da puta! –ouvi meu pai dizer por entre o folego.
–Alice...
–É isso mesmo que você acabou de ver Bella.
–Mas como você conseguiu gravar sem que ele percebesse? –perguntei.
–Simples, peguei as chaves com o Edward, Emmett e eu entramos de antes dele chegar ao consultório, instalamos as câmeras e as deixamos escondidas na sala dele, então Emmett foi pra outra sala para o caso de eu precisar dele e eu fiquei lá esperando e o resto você já sabe.
–Obrigada Alice por tudo. –fui até onde ela estava e a abracei.
–Eu não fiz isso só por você, mas pelo meu irmão também, ele precisava saber quem James não é quem ele pensa ser.
–Oh meu deus! –senti as lágrimas caírem por meu rosto. –Eu fui tão injusta com ele!
–Você ainda pode corrigir isso. –Emmett disse, notei que ele não havia dito nada desde que chegara e que aquela era a primeira vez que eu ouvia sai voz naquele dia, ele estava serio como nunca vi antes.
–Vou me desculpar com ele. –me levantei e fucei minha mochila a procura de minhas chaves do carro.
–Bella você não ouviu o que James disse no vídeo, Edward não está na cidade.
–Onde ele está?
–Em Seattle para uma conferência de medicina.
–Onde em Seattle?
–No hotel Plaza.
–Quem mais sabe sobre esse vídeo? –perguntei enquanto me levantava tomando uma decisão.
–Só a gente, mas pretendo mostrar para a cidade inteira se for possível.
–Não faça nada por enquanto Alice. –fui até o DVD e retirei o disco de lá, guardando- o na capa dele. –Quero mostrar isso a Edward antes, ai nós iremos tomar uma decisão juntos.
–Como assim Bella? Edward não esta aqui como ele vai ver esse vídeo? Esse monstro precisa ir para a cadeia o quanto antes! –Alice disse.
–Só não faça nada por enquanto, finja até Edward e eu voltarmos para casa. –eu disse.
–O que quer dizer com isso filha? –minha mãe se pronunciou.
–Tchau. –eu disse e corri até a porta e peguei minha mochila rapidamente, não querendo que ninguém tentasse me impedir de fazer o que faria a seguir.
Eu iria até Edward.
–Isabella volta aqui. –ainda ouvi meu pai gritar, mas não lhe dei ouvidos e corri até meu carro.
Eu havia cometido uma grande injustiça com Edward e iria corrigir isso o mais rápido possível. Ainda bem que meu carro tem GPS!
Enquanto dirigia até meu destino me senti tão leve como há muito tempo não me sentia e eu sentia o sorriso fixo em meu rosto, chegava a doer, mas era impossível não sorrir. Edward não me traíra foi tudo uma armação de James, ele me amava!
O que era para ser uma viagem longa e entediante acabou mais rápido do que eu imaginava, já que eu estava tão excitada com a possibilidade de ver Edward novamente que nem vi o tempo passar. Duas horas depois estacionei no lugar designado aos hospedes do hotel Plaza em Seattle e segui em direção a recepção do grande e luxuoso hotel.
Ao chegar à recepção me deparei com a recepcionista loira e peituda com cara de poucos amigos.
–Posso ajudá-la? –ela me encarou de cima abaixo.
–Meu marido está hospedado aqui. –eu disse e a vi erguer uma sobrancelha perfeitamente delineada e me encarar com um risinho irônico.
–E qual é o nome dele? –ela me perguntou com ar de que não acreditava.
–Edward Cullen. –no momento em que disse o nome dele, vi seus olhos arregalarem e ela fechou a boca de forma a segurar o riso.
Fala sério. Tá que eu sou uma menina desengonçada e nem dezoito anos tenho. E tá que Edward é incrivelmente lindo e eu uma sem graça, mas não precisa humilhar também né? Eu devo ter alguma coisa que chamou a atenção de Edward, alguma coisa que nenhuma dessas mulheres tinha.
–Quer a minha documentação para provar? –perguntei cínica?
–Por favor. –cacei minha carteira que estava jogada dentro da minha mochila de escola.
Ainda bem que logo depois do casamento, Edward me levou para atualizar os dados dos meus documentos e agora em minha carteira de habilitação estava meu nome oficial de casada Isabella Marie Swan Cullen.
–Aqui querida. –entreguei o documento que alegava a veracidade de minhas palavras.
–Sim, seu marido está hospedado aqui. –ela disse a contra gosto depois de analisar meu documento.
–Em que quarto? Quero fazer uma surpresinha de ultima hora, sabe como é né? –pisquei e dei um sorrisinho malicioso. Quem mandou me provocar?
–Quarto 308 no 5º andar. Quer que eu a anuncie?
–Não será necessário, como disse eu vim fazer uma surpresa, mas mesmo assim obrigada. –sai de lá correndo e acionei o elevador.
Eu estava ansiosa para ver Edward e assim que entrei no elevador me bateu um desespero. E se Edward não gostasse da minha surpresa, se ele ficasse bravo? E o pior de tudo... E se ele não me amasse mais?
Não eu não podia amarelar agora, eu cheguei até aqui e vou até o fim. Se ele não me quiser mais... Bom... Ai eu vou ter que pensar no que fazer depois.
O elevador abriu no quinto andar e dei passos relutantes pelo corredor procurando pelo quarto certo e então parei em frente à porta 308.
–É agora ou nunca. –bati na porta e esperei.
–Quem bom que vocês vieram rápidos... –ouvia voz dele quando a porta se abriu, mas então ele parou bruscamente de falar e ficou me encarando. –Bella?
Mas antes de qualquer coisa, minha mente rapidamente registrou a sua aparência. Ele tinha orelheiras profunda abaixo dos olhos e um olhar cansado, ele também parecia estar mais magro do que me lembrava. Não controlei ao meu impulso de me jogar em seus braços ao vê-lo parado ali, tão próximo de mim e não poder tocá-lo era difícil para mim.
–Ed. –o prendi meus braços ao seu redor com toda a força que eu podia.
Demorou até que ele reagisse, mas quando o fez me ergueu do chão e me apertou forte de encontro ao corpo dele.
–Senti tanto sua falta. –eu disse e então fiz o que me deu vontade naquele momento. O beijei.
Foi o beijo mais intenso que trocamos. Eu tinha meus braços envolvidos em torno do seu pescoço e ele me prendia pela cintura com os seus, mantendo-me o mais próxima possível de seu corpo e estando juntos dessa forma, pude sentir, mais do que ouvir, ele gemer enquanto me dava um beijo longo e quente. Foi como se algo dentro de mim, que estava dormindo há muito tempo, acordasse de repente e eu senti o desejo liquido e certo correr por minhas veias e eu senti uma necessidade urgente de fundi-lo a mim. De alguma forma, e sem que eu ao menos percebesse, Edward havia nos levado para dentro do quarto e fechado a porta, imprensando-me contra ela, enquanto eu impulsionava minhas pernas para se enroscarem em volta de seu quadril.
Eu não queria, de forma alguma, que ele interrompesse o beijo, mas ambos estávamos sem folego e quando ele separou seus lábios dos meus, eles foram em direção o meu pescoço, beijando cada centímetro de pelo ao seu alcance.
–Devo estar sonhando. –ele deu um longo e molhado beijo na pele sensível atrás de minha orelha. –Um sonho muito bom.
–Não é sonho. –eu disse por trás da respiração, já que me encontrava completamente ofegante.
–Você me perdoou? –seus olhos de repente me encaravam, intensos.
–Não há nada para se perdoar, você não fez nada de errado. –infiltrei meus dedos em seu cabelo, matando a saudade de sentir e textura deles.
–Com certeza estou sonhando. –ele riu ironicamente.
–Edward presta atenção em mim. –segurei seu queixo fazendo com que ele me encarasse. –Você não fez nada, não teve culpa de nada do que aconteceu.
–Como você pode dizer algo assim, você viu as fotos! –acusou.
Ambos conversávamos seriamente, olho no olho, mas em momento algum nos afastando um do outro.
–Sim, eu vi as fotos, e elas não passaram de uma armação. E eu posso provar.
–Como assim? Armação de quem? –ele perguntou completamente confuso.
–Tânia, Jacob e... –hesitei ao dizer o ultimo nome, pois eu sabia que aquilo o atingiria como um soco na boca do estômago. –James.
–James?
–Sim Edward, James, tenho aqui uma gravação que Alice e Emmett fizeram onde ele assume tudo!
–Preciso ver isso. –ele delicadamente retirou minhas pernas de seu quadril e se afastou de mim relutante.
–Tudo bem, onde tem uma TV e aparelho de DVD aqui? –peguei o DVD em minha bolsa onde estava a gravação que Alice fizera.
–Tem no meu notebook, vem. –ele segurou em minha mão e me levou até o quarto, onde seu notebook estava sobre a cama e nesse momento alguém bateu a porta.
–Está esperando alguém? –perguntei com medo de talvez for Tânia ali do outro lado da porta.
–Serviço de quarto, eu ia almoçar agora. –ele disse e senti um alivio ao ouvir suas palavras.
–Ótimo, estou morrendo de fome. –tentei sorrir confiante para ele, enquanto retirava meu tênis e subia na cama, me acomodando contra os travesseiros.
Ele foi receber o seu almoço e fiquei esperando que ele voltasse. Eu sabia que assistir a esse vídeo seria difícil para ele, ainda mais porque ele acreditava sinceramente que James fosse seu amigo, mas eu estaria aqui por ele, para apoiá-lo e consolá-lo. Eu nunca mais sairia de seu lado. Nunca.
Notas finais
Faltam uns 4, no maximo 5 capitulos para o fim ='(
Então vamos me deixar feliz e comentar e recomendar... *------------*
Bjus até seguunda q vem!
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