Casados? Não, Espera
9 Fique longe
Sherlock e Joan permaneciam sentados à mesa, ele acarinhava cuidadosamente a mão dela, seus dedos explorava cada centímetro da pequena mão da asiática. O calor e a suavidade dos dedos dela, faziam a respiração dele ficar descompassada e seu coração bater mais rápido.
– Você e Marcus conseguiram algo importante? – Joan perguntou quase no sussurro.
– Algumas informações criptografados, mas tenho um conhecido em Londres que pode nos ajudar.
– Por que não solicita ajuda do Mason? – ela questionou, mas ele não respondeu imediatamente. Joan inclinou-se ligeiramente para trás, baixando seus talheres, antes de chama-lo mais uma vez. – Henry.
– Desculpe pela distração, mas a música.... – ele voltou os olhos para o pianista.
– Música é excelente. – disse Joan um pouco confusa.
Para ela a música soava perfeitamente bem, mas, para alguém que tivesse aptidões musicais ou fosse o Sherlock, um homem que percebe até mesmo o menor erro ou inconsistência, era um assunto completamente diferente. Alguns segundos tinha passado, Holmes continuava olhando para o pianista, Joan podia ver sinais visíveis de sua agitação.
– Ele está de castigo novamente, algo sobre comprar peças de computadores da NASA pela Deep Web. – Sherlock endireitou-se em sua cadeira, pegando os talheres e os segurando no ar, antes de outra nota incorreta soasse, atraindo sua atenção de volta para o pianista. – Eu não posso Clara, me desculpe. – falou ele, tirando o guardanapo do colo e deixando-o cair sobre a mesa, quando se levantou de seu assento. – É Beethoven. – acrescentou, como se as palavras explicassem tudo.
Antes que Joan pudesse reagir, Sherlock já tinha seguido através do restaurante na direção do pianista.
“Oh Deus”, pensou ela, enxugando as mãos no seu guardanapo. Ela empurrou sua cadeira para trás rapidamente, se preparando para salvar o pianista desajeitado. “Por favor não bata nele” dizia ela mentalmente, enquanto assistia seu parceiro chegar ao lado do pianista, que ele cumprimentou com um aperto de mão e uma expressão amigável no rosto, e isso fez seus receios diminuírem.
Holmes e pianista conversaram por alguns minutos, até que o homem levantou-se, permitindo que Sherlock senta-se ao piano. Joan observou a cena perplexa, ela não conseguia acreditar, então o som dos dedos de Sherlock tocando as teclas do piano quebrou o silencio do restaurante, fazendo que vários outros hóspedes voltasse para ele. Joan fechou os olhos e tomou um gole de seu coquetel sem álcool, ela tentou reconhecer a música que ele estava tocando, mas ela tinha quase certeza que tinha a escutado antes.
Durante os próximos seis minutos, mais ou menos, um tempo que pareceu uma eternidade para Joan, os hospedes olhava com admiração para Sherlock Holmes, que estava inclinando sobre o piano, tocando a melodia mais encantadora qualquer um deles já tivesse ouvido. A música acabou e neste momento vários dos clientes se levantaram, inclusive o repulsivo Taylor e seus companheiros, aplaudindo a performance de Holmes ao piano.
Joan assustou-se com a rapidez com que Sherlock atravessou o restaurante na sua direção, as pessoas continuavam aplaudindo e olhando para ele com admiração.
– Clara, me concede está dança? – ele perguntou.
Joan olhou para ele e imediatamente percebendo o brilho malicioso nos olhos.
– Vou me lembrar disso. – ela advertiu sorrindo.
Ele a conduziu entre as mesas, até o pequeno espaço livre perto do piano.
– Eu espero que sim. – Sherlock sussurrou.
Holmes delicadamente deslizou as mãos pelas costas de Joan, puxando-a para perto dele. Uma nova música começou, e eles se moviam através do ambiente, seus olhos estavam fixos um no outro, pareciam completamente alheio aos aplausos e vivas que ecoava dentro do restaurante.
As palavras "recém casados" e "lua de mel" foram repetidos algumas vezes, chegando os ouvidos dos consultores enquanto dançavam. Depois de alguns minutos outros três casais juntaram-se a eles, incluindo Carmem e Edward.
– Isso é parte do plano para manter o disfarce? – Joan sussurrou próximo ao ouvido de Sherlock.
– Não. – respondeu ele.
Sherlock e Joan se olharam. Ele meio hesitante a beijou. Dessa vez o beijo foi doce e intenso, sexy e inocente, era quase impossível parar por conta própria, mas a necessidade por ar fez com que eles parassem o beijo, completamente ofegantes e meio envergonhados.
– Importa-se eu interromper? – Sherlock sentiu alguém bater no seu ombro, antes que ele pudesse perceber o que estava acontecendo, Taylor segurava Joan pelo braço. – Obrigado. – disse ele descaradamente sobre seu ombro.
– Mantenha suas mãos longe dela. – Holmes esbravejou, empurrando-o para longe da parceira. – Vamos, Clara.
Mas antes que eles pudessem seguir, Taylor agarrou Joan pelo braço.
– É apenas uma dança.
– Acho melhor você soltar o braço da minha esposa! – ralhou Sherlock.
– Se eu não soltar vai acontecer o que? – Taylor perguntou debochado.
Sherlock o socou, fazendo Taylor da alguns passos para trás, sendo amparado por Edward, que o segurou, impedindo-o que ele reagisse.
– Desculpa o nosso amigo, ele bebeu além da conta. – Carmem tentou acalmar os ânimos.
– Não me interessa! Apenas mantenha esse babaca longe da minha esposa.
[...]
Sherlock e Joan permaneciam em silêncio dentro do elevador, que parecia estar levando-os ao seu andar mais lento do que nunca.
Joan estava tentando assimilar os acontecimentos daquela noite, primeiro Sherlock tocando e sendo aplaudido por vários minutos, depois dança e o beijo e por último aquela briga insana com Taylor. Então as portas do elevador se abriram bem devagar diante deles.
Sherlock passou pelas portas rapidamente, caminhando apressadamente na direção da suíte. Ele destrancou a porta com o cartão-chave e passou para a sala, caminhando diretamente através do quarto para a sala onde estava estalado. Joan caminhou lentamente para dentro do quarto, fechando suavemente a porta atrás dela, o pequeno clique causado por esta ação quebrou o silêncio, fazendo como que Sherlock vira-se para ela com olhos em chamas.
– O que você estava pensando? – Joan perguntou. – Aquilo foi completamente ridículo.
– Ridículo? – ele perguntou incrédulo. – Um narcisista imoral que vê as mulheres como nada mais do que objetos a serem vendidos e comercializados como lagosta em um tanque, solicitou, na verdade quase obrigou você a dança com ele. E eu como seu parceiro tinha que simplesmente permitir?
. – Eu saberia como lidar com a situação, sei como me defender. – disse Joan visivelmente irritada.
– Eu sei disso. – falou ele um pouco mais calmo. – Um ano atrás, você foi levada pela máfia francesa, e eu não pude fazer nada para impedir. Prometi uma vez que não deixaria nenhum um mal chegar até você e falhei nessa promessa, e não vou falhar novamente.
– Sherlock... – ela sussurrou.
Holmes se aproximou dela tão devagar que foi quase doloroso. Joan assistiu em câmera lenta enquanto ele se aproximava dela, os olhos dele se fechando lentamente enquanto ele chegava mais perto. O nariz dele encontrou o dela, e um milhão de segundos depois, ele a estava beijando.
Ele movia os seus lábios tão devagar contra os dela, como se faltassem poucos segundos para o mundo acabar e ele não quisesse perder nenhum detalhe. As mãos dele tocavam o rosto dela com tanta leveza, como se ela fosse uma boneca que poderia quebrar.
Joan deixou se levar pelo beijo, absorvendo o calor e o sabor de Holmes e desejando que aquele momento durasse para sempre. Em algum momento, Sherlock pareceu perceber que o mundo não estava acabando e que Joan não era uma boneca, e o beijo começou a acelerar a um ponto onde ela mal conseguia respirar.
Eles se separaram por um instante, os dois um pouco ofegantes. Eles mal pegaram fôlego e já retomaram o beijo, mas dessa vez em um ritmo constante, que eles já estavam acostumados. Sherlock tocava a pele de Joan com uma suavidade que deixou a totalmente derretida. Em algum momento Watson foi parar no colo de Sherlock e metade das roupas deles estavam jogadas no chão.
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