Casados? Não, Espera
4 Um fator contribuinte
Notas iniciais
Sherlock e Joan caminharam pelo saguão indo na direção do restaurante, que foi organizado de uma forma semelhante à do resto do hotel. O restaurante era grande e extravagante, com chão de mármore e ornamentado com mesas e cadeiras, cobertas de toalhas de mesa caros e enfeitadas com lírios e velas acesas, tinha uma essência de baunilha doce perfumado que toda a sala.
As mãos de Sherlock estavam na cintura de Joan, ele a guiou para a mesa, mas antes de poder tirar a cadeira para ela, Bell trajado com uniforme do hotel a puxou. Joan deu a ele um sorriso antes de sentar.
– Bom dia. – Bell os cumprimentou. – Aqui está o menu.
– Obrigada. – disse Sherlock educadamente.
Joan levantou os olhos um pouco assustada com o comportamento gentil e cortês de Sherlock, parecia que a natureza impetuosa e abrasiva de costume aparentemente tinha se dissipado. Ao contrário das diversas vezes que eles comeram em público, Sherlock dava respostas bruscas aos garçons, seus olhares reprovadores, seus – muitas vezes acidentais – comentários ofensivos ao pessoal, todas as experiências gastronômicas públicas feitas com Sherlock era um evento preocupante para Joan, que tinha realmente começado a contar o número de pedidos de desculpas que ela teria que emitir a equipe ou aos outros hóspedes.
Mas ali estava Sherlock exibindo uma educação exemplar. Pelo menos, por aquela manhã. Ela sabia como era difícil para ele “estender sua gentileza” para os outros, e ela percebia que ele estava fazendo um esforço real, que era altamente louvável.
– Então. – Sherlock iniciou abrindo o menu, fez uma breve leitura de seu conteúdo, antes de levantar os olhos sobre o menu em direção a Joan. – O que você acha?
– Do menu? – perguntou Joan.
– Do local. – respondeu ele, fechando o cardápio e colocando em cima da mesa, Joan fez o mesmo, ela levemente correu as pontas dos dedos em todo o material de espessura da toalha de mesa. – Nossa mesa encontra-se no coração da sala, proporcionando-nos com umidade excelente potencial de vigilância, não é.
– Suponho que sim. – afirmou ela.
Joan inclinou-se um pouco para trás, e observou curiosamente ao redor do restaurante e os outros clientes, as mesas ao lado deles, estavam ocupadas por homens, ela presumiu eram banqueiros, a julgar por suas roupas, pastas e os olhares frequentes de desdém que Sherlock piscavam na direção deles. Os olhares de Sherlock foram provando ser um elemento permanente durante o café da manhã, ele frequentemente lançava um olhar de dor na direção do pianista que se encontrava poucos metros na frente deles.
– Ele está acabando com uma bela música com suas mãos dejetadas. – Sherlock comentou.
– Mantenha o foco. – pediu Joan. – Vamos pedir o café da manhã e começa o que temos que fazer. – ela fez um pequeno gesto solicitando a presença do garçom.
Bell se aproximou dos consultores rapidamente, não dando possibilidade qualquer outro funcionários atente-los.
– O que desejam? – perguntou ele.
– Omelete e suco de laranja. – respondeu Sherlock. – E para minha esposa torradas e café bem forte de preferência. – Bell virou-se para Joan para confirmar se era aquilo mesmo que ela desejava, e ela apenas assentiu com a cabeça.
Talvez todos tivessem razão por escolhe-los para o disfarce, pois eles conheciam os hábitos um do outro perfeitamente, pensou Joan. Ela percebeu que Sherlock fitava fixamente os ocupantes da mesa na frente. A mesa era ocupada por um casal de meia-idade, bem vestido e seu filho adolescente de aparência desagradável, que fitava as garçonetes de uma forma que fez Joan se sentir muito desconfortável, juntos deles se encontrava uma mulher, que Joan julgou pela aparência física ser irmã da mãe do adolescente cheio de libido. E pior era que mulher estava tendo um caso com seu cunhado, pois ele frequentemente acarinhava a perna dela com o pé por debaixo da mesa.
– Duas pessoas tendo um caso que revela tanto sobre casamento e a família, isso dar peso aos seus pensamentos sobre o casamento. – comentou Joan. – Deve estar satisfeito.
– Nem um pouco. – falou Sherlock fitando o rosto da parceira. – Não tenho prazer em ver um homem ser infiel à sua mulher, e menos ainda em ver uma mulher trair sua irmã. – completou ele, antes de agradecer rapidamente a Bell que tinha acabado de servi-los. – A minha posição, é um tanto cética, mas acredito se você se comprometeu está em uma relação, seu dever é respeita seu parceiro.
– Desculpe, não queria... – ela não conseguiu completar.
– Não se preocupe Clara, estou perfeitamente ciente que você não quis me ofender. – falou ele. – Acho que é muito reconfortante, a sua honestidade. Admiro sua capacidade de ser sincera comigo mesmo nos casos mais desconfortáveis ou socialmente difíceis. – explicou.
– Deve ser por isso que você se casou comigo. – ela sussurrou, antes de tomar um gole de seu café.
– Eu acho que pode ter sido um fator contribuinte. – afirmou ele.
Eles tomaram o café da manhã em silencio, Joan as vezes fitava Sherlock rapidamente, ele parecia estar concentrado no que estava acontecendo ao redor.
[...]
A loira observava o casal dentro elevador, eles pareciam tão harmoniosos, o homem olhava apaixonadamente para a mulher asiática a sua frente, enquanto ela reclamava de que ele não havia deixado ela terminar seu desjejum.
– Clara, você parecia estar satisfeita. – comentou ele tirando uma mecha do cabelo da esposa da face. – Fazia cinco minutos que você não tocava nas torradas.
– Apenas estava distraída com a música. – esbravejou ela. – Henry, você sabe como eu fico se não me alimento bem.
– Se desejar podemos voltar e você termina seu café. – disse ele calmamente.
– Não mesmo. – respondeu ela. – Eu ainda quero usufruir da piscina.
O homem suspirou profundamente, antes de assentir com a cabeça, então a asiática sorriu satisfeita antes dar um pequeno selinho no marido, que pareceu surpreso com a reação da esposa. Finalmente o elevador indicou o andar do casal, que saíram de mãos dadas.
– Com certeza estão em lua de mel. – a loira virou-se para encarar o homem atrás de si. – São um belo casal, não acha Edward?
– Não achei. – respondeu ele. – Em alguns momentos não achei que eles fosse um casal, eles estavam tenso, sabe quando ela o beijou, achei que o cara fosse correr. – comentou.
– Talvez ele seja tímido. – retrucou a loira. – Ele olha para ela com adoração.
– Talvez ele seja tímido. – repetiu ele. – Carmem não estamos aqui para avaliar os hospedes e sim para fazer negócios. Então mantenha o foco.
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