Notas iniciais
Olá! Para quem não sabe (óbvio ninguém sabe) eu sou a autora de "O idiota mais que perfeito" (Se você for ARMY, corre lá. Fazer um merchanzinho grátis) que por sinal está em reta final e isso pode influenciar um pouco na postagem de "Casada com um Vampiro" então caso um capitulo demore para sair é por isso.
Eu sei que não deveria postar 2 fics ao mesmo tempo, mas eu me desafiei a isso. Espero que entendam.
Boa leitura ^^

Lá estava eu: Com um vestido longo e branco andando sobre um tapete vermelho onde o mesmo estava coberto por pétalas brancas jogadas por minha sobrinha Sofie. Estava indo em direção a minha ruína, poderia até mesmo chamar de minha desgraça!

Internamente, eu me contorcia de ódio. Não era assim que eu imaginava o dia que era para ser o mais feliz de minha vida. Meu pai sorria forçadamente, sabia também que este casamento era desgostoso para ele, afinal, a filha que ele tanto ama é um pagamento de dívidas. Taylor, meu irmão, está de punhos cerrados, nem se importa em forçar uma expressão alegre. Tudo o que ele quer é avançar em cima do noivo e disparar murros e chutes em cima do mesmo. A única realmente feliz é Sofie, afinal ela não sabe o que se passa. Para uma criança de cinco anos aquilo é uma linda e maravilhosa festa.

Finalmente, chego ao odioso altar, onde eu seria entregue a este desconhecido.

Ele toca minha mão e eu estremeço ao saber que é fria. Fria como a morte.

— Daryl Ulric e Amelie Cooper vieram aqui para celebrar o vosso Matrimónio. É de vossa livre vontade e de todo o coração que pretendeis fazê-lo?

Ambos acenamos sim com a cabeça.

— Daryl Ulric, você aceita Amelie Cooper como sua esposa e promete amá-la e respeitá-la até o fim de seus dias? – Eu pedia internamente que ele disse não.

— Sim, eu aceito. – Sua voz é grave como trovão, e me encolho.

Logo o padre vira-se para mim e faz a mesma pergunta.

— Amelie Cooper, você aceita Daryl Ulric como seu esposo e promete amá-lo e respeitá-lo até o fim de seus dias?

Eu quero negar aquilo e sair correndo da igreja. Mas como eu disse: Sou um pagamento, não tenho vontade e nem voz para negar isso. Sou maleável nas mãos dos meus “novos donos” que meu pai mascara como nova família.

— Sim. – Falo baixinho.

O padre concede a benção e fala: — O noivo pode beijar a noiva.

Novamente me encolho e meu noivo, Daryl, que eu vim saber seu nome agora, retira meu véu e toca meu rosto. Frio como morte, é como ele é. Ele lentamente se aproxima e dá um frio e asqueroso beijo, sem emoção alguma.

Viramos-nos para os convidados, e percebo que pela parte da família dele, não conheço uma só pessoa. Andamos de braços dados e eu sentia meu estomago revirar. Daryl se aproxima do meu ouvido: — Segure a ânsia ratinha, e coloque um belo sorriso no rosto, ambos temos que parecer felizes para esses coitados e temos que parecer felizes para Deus também.

A parte do Deus ele fala com muito escárnio.

Engulo seco e forço a tal expressão.

Saímos da igreja e logo me meto dentro do carro. Daryl me olha com reprovação e eu não me importo. Quero sair daqui e trancar-me em algum lugar e chorar. Somente.

— Pelo visto não queres ir a festa não é mesmo? – Ele entra atrás de mim.

— N-não, por favor, me leve a outro lugar, mas eu não quero ir para lá. – Eu falo baixo e custa para ele me ouvir.

— Sorte sua que eu também não estou com saco para isso. – Ele retira o celular do bolso e liga para alguém avisando que iremos direto para o aeroporto.

— Aonde nós vamos?

— Para sua nova casa, ratinha.

Aquele apelido me incomodava, mas antes de reclamar, precisava conhecer onde estava me metendo. Afinal eu não conhecia nada sobre o homem com que havia me casado.

Passamos em um hotel para trocarmos de roupa, afinal eu não iria para o aeroporto com aquele vestido.

Com roupas novas fomos ao aeroporto. Embarcamos para um voo que o destino só soube na hora: Transilvânia. Por que diabos no mundo iriamos morar na Transilvânia?

Horas no voo e Daryl parecia dormir serenamente. Aproveitei para dar uma boa olhada nele.

Cabelos castanhos levemente desarrumados, pele pálida, estatura alta e corpo musculoso. Sua barba estava por fazer e isso o deixava lindo. Ele é lindo. Apesar de tudo, não consigo lembrar a cor de seus olhos.

— Posso sentir você me comendo com os olhos, ratinha.

— Eu tenho um nome, caso não saiba. Amelie Cooper.

— Eu sei ratinha. – Ele continuava de olhos fechados. – Mas agora é Amelie Ulric, afinal você é minha não é mesmo, ratinha?

Aquilo me dava nos nervos. Eu saí sem despedir-me de minha família. Eu sei que fui entregue de bandeja para este desconhecido, mas eu entendo: Ou era isso, ou era morte para todos nós.

— Ratinha, acho melhor descansar, a viagem pode ser longa...

Eu não queria dormir, meu corpo estava em alerta como se a qualquer hora tivesse que fugir, mas, eu aceitei e caí no sono.

Eu durmo e sonho. Sonho com um castelo negro e pavoroso. Sinto medo das estátuas que ficam em frente ao local, pois pareciam me observar. O ar aqui é carregado e isso dificulta minha respiração. Eu sinto um cheiro: morte. Aqui é frio e escuro. Um toque frio em minha pele faz meus músculos congelarem. Algo sussurra: Morte. Logo gritos ecoam por todo o lugar: Morte, morte, morte!

Meus olhos se abrem e vejo uma expressão divertida no rosto de Daryl.

— Nem chegamos e já tem pesadelos?

Ignoro totalmente sua diversão.

— Por que me acordou?

— Você estava me batendo enquanto dormia, além de medrosa tem um mal dormir? Ah, e já chegamos.

Levanto-me e vou direto para a saída. Um carro preto nos espera, e um motorista que mais parece uma múmia nos recebe.

— Senhor Ulric, senhora Ulric.

— Steves! – Ulric fala. – Estava com saudades! – Pela primeira vez ele sorri. Um sorriso sincero.

— Digo o mesmo, senhor. Vamos? – Steves abre a porta de trás do carro.

Uma hora se passa lá dentro, e nem o olhar trocamos. Nem uma única palavra é dita e minha bunda já dói por tanta demora.

Avisto um castelo enorme e negro. Peço para que o carro não entre na propriedade, mas meu pedido não é aceito.

— Bem-vinda ao seu novo lar, ratinha.

Não é parecido com meus sonhos, mas me dá medo do mesmo jeito. Há um jardim murcho rodeando a fonte que está sem água. Estátuas e arvores sem folhas e nem frutos fazem o lugar mais mórbido.

Ele sai do carro e não olha para mim.

— A criadagem irá mostrar qual será o seu quarto, ou melhor: nosso quarto.

Uma senhora vem em minha direção, enquanto Daryl desaparece em uma floresta me deixando só.

— Vamos senhora, mostrarei seus aposentos.

Era uma mulher baixa de cabelos pretos amarrados em um coque apertado.

Entrei na casa e meu corpo estremeceu. Era fria e negra. Tudo nela me remetia ao gótico.

Subimos dois lances de escadas. Eu estava cansada, mas a serviçal estava com os ânimos ao vapor, como se subisse e descesse aquilo a todo instante.

No terceiro andar ela se dirigiu a uma porta e abriu a mesma.

— Este aqui é o quarto do patrão, e agora é o seu.

Era como eu imaginava. Preto, cinza e branco. Cama enorme e duas enormes janelas de vidro e entre elas uma grande porta que levava a sacada. Tinha uma escrivaninha branca e duas portas. Uma levava a um enorme e luxuoso banheiro, e outra para um enorme closet.

— Chamarei algumas meninas para ajudar a por suas coisas no closet, senhora.

— Não precisa, eu mesmo faço.

— Não, senhora, o patrão não vai gostar.

— Eu me resolvo com ele. — Esbocei um sorriso. – Eu me chamo Amelie e a senhora?

— Não me chame de senhora, por favor, eu que preciso ter o respeito. Sou Dalila. Qualquer coisa me chame, por favor.

Ela me deixou naquele cômodo e eu me senti mais sozinha do que nunca.

— Pai... – Eu chorava e lentamente ia me jogando ao chão abraçando minhas pernas.

— Nem bem chegou e já chorando?

Ele me assusta.

— Será que isso eu posso?

Ele se faz de ofendido.

— Ninguém aqui está te obrigando a nada. – Daryl responde carrancudo.

— Imagina se estivesse...

— A ratinha sabe ser irônica?

— Não me chame de ratinha, eu já disse, eu tenho nome. Droga! – Me exaltei um pouco.

— Você é intrigante sabia? – Ele se aproxima como um gato cuidadoso.

Sou encurralada.

— Intrigante e deliciosamente convidativa... Não me falaram sobre isso. – Ele fala sobre a pele do meu pescoço e eu congelo, pois tudo nele é frio.

— Se afaste, por favor... Não me toque. – Consigo falar.

— Você sabe que é nossa lua de mel, não é? Sabe também o que os recém-casados fazem em lua de mel?

Era isso mesmo o que eu estava ouvindo? Ele estava insinuando que vamos consumar o casamento?

— Você não faria isso.

— Você não me conhece! – Ele dá um sorriso de lado.

— E nem você a mim!

Ele sorri.

— Olha só, ela sabe ser brava! Continua que eu estou gostando.

— Você já destruiu minha vida se casando comigo, e agora quer que eu transe com você?

— Querida, — Ele faz voz melosa. – iremos fazer amor, afinal somos marido e mulher. Espero que seja pura, afinal foi isso que me garantiram. Não gostaria que o que fosse meu algum imundo tenha pegado.

Ele alisa meu braço.

— Por favor, não! Eu não estou pronta, e além do mais você não me ama!

Ele solta uma gargalhada.

— E quem está falando de amor? Vocês humanos só satisfazem seus desejos carnais e eu só quero proporcionar isso a você. Esteja pronta as sete.

Ele sai do quarto e meus pulmões falham. Respirar aqui é difícil.

Eu não posso fazer isso e eu não vou.

Notas finais
E então gostou? Estou aberta a críticas.
Se acha que algo deve ser mudado? Escreve ai nos comentários.
Bjus de luz e até a próxima ^^