Cartão do Amor

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Inspirado no seguinte tweet: https://twitter.com/swiftkrbk/status/1478503041708003336

— Kacchan — chamou Izuku e os outros jogadores viraram os olhos para prestar atenção —, eu sei que você gosta de ser bem explosivo, mas tenta se controlar um pouco hoje. Dá uma folga para o árbitro.

— Folga para árbitro o caralho. Se eles fosse competentes iriam me dar cartão até me expulsar. — Bakugou terminou de colocar sua roupa. — Bando de frangote. — Midoriya suspirou cansado daquilo e começou a murmurar ao tentar elaborar um novo plano para lidar com seu amigo durante as partidas.

— Midoriya — Iida o trouxe de volta a realidade —, logo temos que entrar em campo, não deveria ficar pensando muito sobre o Bakugou.

— É, acho que você tem razão. — O homem observou todos prontos para a partida e percebeu que tinha uma partida como prioridade no momento ao invés do comportamento de um dos seus jogadores.

No entanto, sua mente estava um caos, Izuku parecia estar com seu sexto sentido aguçado no dia, o que o levou a lidar com as coisas de maneira desordenada ao início da partida, pois tentava encontrar onde estava o problema. Ao perceber que não iria encontrar, passou a tentar ignorar mais seu sexto sentido para poder focar no que estava acontecendo na partida.

Após o primeiro gol, Midoriya se tranquilizou um pouco, mas ao passar o olho pelo campo novamente prestou atenção no árbitro e seguiu o olhar dele para Bakugou. Era isso! Era o tal árbitro que arruinaria tudo! Ou talvez colocasse um pouco de juízo na cabeça do Katsuki.

Seu time era ótimo, bem como o time adversário, mas Izuku compreendia as problemáticas de seu time, mais precisamente, do seu jogador explosivo. Katsuki Bakugou era a mais pura dor de cabeça, pois o que ele tinha de dom, competência e desempenho, ele tinha de agir sem pensar. O loiro em toda e qualquer partida, bem como durante os treinos, xingava a todos e comumente não aceitava estar errado. Izuku compreendia que isso era parte de ser naturalmente bom no futebol, o que fez os elogios de todos inflar seu ego, mas era um aspecto complicado que levava grande parte dos árbitros a terem medo de levantarem o cartão amarelo para o jogador. Consequentemente, sua fama era das piores, na internet era famoso pelo constante cancelamento e linxamento virtual que recebia. O que sempre salva a pele de Bakugou era que todos veem como Midoriya é competente em seu trabalho como técnico, pois se os próprios árbitros não agiam, o técnico aplicava suas próprias punições. Era comum e as expressões de Ktasuki facilmente se tornam meme, pois Izuku não mede esforços para o colocar no banco pelo resto da partida ou impossibilitar o loiro de jogar na partida seguinte.

Porém, aparentemente, Eijirou Kirishima estava muito disposto a colocar Bakugou no banco. De acordo com suas pesquisas, o árbitro era novato e muito simpático, ele ainda não havia mandado ninguém para o banco, mas tinha muita disposição em realizar o que era justo, o que tornava plausível os olhos constantemente na partida em geral, e, principalmente, focado em seu jogador explosivo. Izuku engoliu em seco ao constatar que seu amigo de infância estaria em perigo, mas logo raciocinou que aquilo poderia ser um ponto positivo. Se Bakugou fosse expulso da partida, talvez o loiro ganhasse um pouco de juízo e seu ego abaixasse um pouco. Talvez ele poderia aprender alguma coisa.

O técnico agora mais calmo com suas conclusões percebeu que seu sexto sentido ficou mais quieto, mas ainda estava ali, mostrando que cedo ou tarde o que previu iria acontecer. Entretanto, Katsuki estava calmo, o que era efeito do pedido do Izuku, mas que, naturalmente, não duraria muito tempo. Podia ser questão de minutos, ou segundos, para que o jogador subisse para as trends do Twitter por comportamento inaceitável mais uma vez.

Bakugou olhou para o árbitro pela enésima vez em trinta minutos de partida. Ele jamais admitiria em voz alta, mas o desgraçado o atraia. O que o loiro não compreendia era o quê no ruivo o atraia, apesar de que ele não estava interessado em descobrir agora, a partida era muito mais importante.

— Ei! Bakugou! Para de babar e presta atenção, caralho! — gritou Kaminari e se aproximou do amigo para bater levemente e repetidamente as palmas das mãos nas bochechas do loiro.

— Que porra você tá fazendo, caralho!? — gritou Bakugou enquanto Kaminari saía correndo, mas percebeu a dificuldade de Iida em campo, mesmo sendo mais rápido que muitos, nem sempre ele tinha sorte.

Não tardou para que Bakugou já estava em posse da bola e conseguiu entregar aos pés do Shouto para que acontecesse o segundo gol deles em trinta e três minutos de jogo. Assim, ele voltou a focar mais e mais na partida de maneira satisfatória para o time, mas de maneira preocupante para o técnico. Afinal, quanto mais ele focasse no jogo, mais ele estaria vulnerável a fazer alguma besteira que levasse ao primeiro cartão amarelo, e, consequentemente, a receber o segundo cartão amarelo, bem como o cartão vermelho por querer discutir com o árbitro.

O que todos não podiam negar em Katsuki era sua eficiência em campo. Midoriya sequer podia acreditar que seus olhos viram a bola atravessando a rede pela terceira vez no primeiro tempo. Todavia, logo veio o primeiro cartão amarelo, os olhos do árbitro não mentiam, e muito menos as câmeras ao redor do campo, Katsuki havia tocado na bola involuntariamente com seu braço antes do gol.

— Não acredito que eu perdi esse detalhe — reclamou o técnico decepcionado consigo mesmo.

— Certeza que ele leva cartão vermelho — sussurrou Aoyama observando do banco e Koda concordou com a cabeça.

— Não faz isso, Kacchan… — sussurrou Izuku, prevendo a discussão agora que Bakugou caminhava em direção a Kirishima.

— Quem vai substituir ele? — Aoyama perguntou interessado.

— O Koda — resmungou Midoriya se sentando no banco frustrado e o loiro concordou.

— Tá me zoando, porra!? Não é minha culpa que a bola veio parar no meu braço!

— Cara, eu tô nem aí para o que você acha ou não, ou se você acha que vai me intimidar rosnando igual um Pincher. — O ruivo passou a mão pelos cabelos preguiçosamente. — Eu estou aqui para cumprir meu trabalho, se você continuar querendo me atacar eu vou te dar cartão vermelho agora. Você quem escolhe. — Bakugou olhou para ele, incrédulo pela calma do ruivo, mas observou a feição do homem e constatou que o desgraçado era muito mais atraente de perto.

— Que seja — resmungou Katsuki se distanciando.

— O que rolou aqui, agora? — Sero questionou tão surpreso quanto todas as outras pessoas presentes no estádio.

— Acho que o cara ali domou a fera — Denki comentou achando divertido.

— No segundo tempo você vai entrar, Koda — alertou Midoriya. — O Katsuki vai receber o segundo cartão no segundo tempo, aí você entra.

— Não seria mais eficiente apenas colocar o Koda para iniciar o segundo tempo? — Aoyama perguntou sem entender.

— Seria — concordou o técnico —, mas aí não teria graça.

— Graça? — ambos repetiram sem entender e observaram o técnico segurar uma risada.

— O outro time vai fazer um gol.

— Esse seu sexto sentido me assusta. — Koda sorriu, achando divertida a expressão de Aoyama após o comentário que o loiro fez.

E após três minutos os gritos de parte do estádio encheram os ouvidos de todos e Izuku suspirou, como sempre, ele estava certo. Então, dois minutos depois o primeiro tempo se encerrou.

— Cara, fazia muito tempo que não saiam quatro gols no primeiro tempo — Sero comentou já pegando uma garrafa d’água.

— Você acha que eles fazem um segundo gol, Midoriya? — Shouto perguntou interessado no sexto sentido do técnico.

— Não sei. — Izuku suspirou, não gostava que dependessem de algo sem lógica como as suas suposições. — Mas considerando o que eu conheço deles, eu acho bem provável eles empatarem.

— Vão empatar porra nenhuma que eu não vou deixar — resmungou Bakugou.

— É o que eu espero de vocês, mas não fiquem subestimando eles.

— Midoriya está certo — Iida respondeu. — E você ainda não falou nada relevante sobre o primeiro tempo.

— Sim, você tem razão, Iida — concordou Izuku antes de começar a levantar pontos sobre o jogo e aspectos a serem usados ou melhorados para o segundo tempo. — Kacchan — o técnico chamou antes que o loiro voltasse para o campo com os colegas que já estavam no gramado —, não vai bobear.

— Quem você pensa que eu sou, seu nerd idiota? — Katsuki retrucou com seu sorriso pretencioso.

— O jogador explosivo que não vou precisar colocar no banco porque alguém vai fazer isso por mim — respondeu Izuku quando viu que o amigo já estava longe demais para ouvir.

O próximo gol saiu após quinze minutos do segundo tempo e, infelizmente, era do time adversário. No entanto, aquele era um aspecto que poderia ser relevado caso o time optasse por focar em mudar o placar de empate e realizar o terceiro gol deles. O problema é que Monoma parecia interessado em desestabilizar os jogadores agora que havia conseguido seu segundo gol.

— O que aconteceu? Não conseguem mais fazer um gol, é isso? Eu esperava mais de vocês hoje. — Monoma provocou com poucas palavras, mas foi o suficiente para atiçar Bakugou.

— Escuta aqui seu pedaço de merda! — gritou Bakugou já indo em direção a Monoma.

— O que foi? Acha que eu tenho medo de um pincher igual você? — Em seguida, ambos foram interrompidos por um apito que fez eles olharam para Eijirou que possuia um cartão amarelo em cada mão e se encontrava distante dos jogadores, próximo da linha lateral, mas em fácil direção de olhar para eles.

— Ah, nem fodendo — reclamou Bakugou em voz baixa. — Você não pode fazer isso, caralho! — gritou indo em direção ao árbitro — A culpa é toda desse animal aqui! — exclamou apontando para Monoma, este que preferiu ficar quieto agora que já havia recebido um cartão amarelo.

— Então você considera que eu esteja errado? — Kirishima ergueu uma sobrancelha em curiosidade, atiçando o jogador explosivo.

— Porra, é óbvio que sim! Qual a merda do seu problema em ficar me dando cartão amarelo!?

— Meu problema? Nenhum, Bakugou. Eu só estou cumprindo meu papel, e você vai cumprir o seu indo para o banco e ficando fora da próxima partida também.

— O quê!? Você não pode fazer isso!

— Não só posso como estou fazendo. Se as punições do seu técnico não são suficientes, aqui está a minha. — Kirishima sorriu achando a situação divertida e o loiro se sentiu afetado pelo sorriso e por toda aquela audácia.

Katsuki estava fodido. Foi essa a conclusão que ele mesmo tomou antes de ficar quieto e atravessar todo o campo para chegar aos bancos e ver Koda fazer o trabalho que ele supostamente deveria estar fazendo.

— Você está bravo por estar no banco ou por perceber que tem um penhasco pelo Kirishima?

— Cala a boca, nerd!

— O quê? Eu acertei? — perguntou em tom de deboche. — Você realmente tem um penhasco por um árbitro que te de mandou pro banco?

— Fica quieto antes que eu te mate!

— Kacchan, você gamou em quem teve coragem te mandar para o banco. — Izuku deu risada. — Mas se você quiser o número do Kirishima eu posso conseguir.

— Seu nerd fodido, presta atenção no jogo ou eu vou te matar! — gritou Katsuki, mesmo sabendo que o técnico prestava atenção no jogo. — E eu vou conseguir o número dele do meu jeito. — O tom era mais baixo que o normal, mas Midoriya estava próximo o suficiente para escutar.

— Essa eu pago para ver.

— Vai pagar e nem apostar porra nenhuma — o loiro resmungou antes de darem espaço para um maior foco na observação da partida, esta que terminou com a vitória do time adversário e um Bakugou ansioso para matar Monoma com suas provocações estúpidas.

No entanto, mais que dar atenção para Monoma, Katsuki prestou atenção em Kirishima, este que também o observava. O loiro acenou e o árbitro desviou o olhar para poder conversar com um dos árbitros assistente, o que o deixou insatisfeito por ser ignorado, mas não o suficiente para o fazer desistir.

Já passava das dez e meia da noite, um horário incomum para Bakugou estar acordado, mas ele precisava mandar a mensagem, apenas lhe faltava um pouco mais de coragem. Entretanto, ele também se recusava a pedir ajuda para Izuku, e por essa razão era ele quem devia dar aquele próximo passo. Então, sem pensar duas vezes, mandou uma mensagem privada no Instagram de Kirishima Eijirou, que ganhou muitos seguidores desde que Bakugou recebeu o primeiro cartão amarelo durante a tarde.

Katsuki Bakugou: Gostei de você em campo

Eijirou Kirishima: Que bom que você não levou para o pessoal

Eijirou Kirishima: Você também é muito másculo em campo

Katsuki deu risada. Quem raios usava “másculo”? Aparentemente, o cara que ele estava interessado. E aquele foi só o pontapé inicial para a longa partida que seria o relacionamento deles.

Notas finais
Agradeço a quem leu :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!