Cartinha de Amor
2 Cada ação tem uma reação
Notas iniciais
Tão rápido como havia entregado a cartinha para Bakugou, sumiu de sua vista, não deixando o loiro ter qualquer reação. Pois para Uraraka Ochako, missão dada, é missão cumprida.
Capítulo II
Cada ação tem uma reação
Bakugou Katsuki estava paralisado, chocado e principalmente surpreso, sua paixão secreta tinha lhe entregado uma carta, não uma simples carta, uma carta normal, era uma carta envolta de um envelope cor de rosa, chegou a sentir o cheiro dela com seu nariz, algo estúpido, mas tinha feito, conseguiu sentir com precisão o odor adocicado e fraco de jasmim, cheiro de Uraraka. Precisou de alguns minutos para desfazer o selo, abrir com todo cuidado, e analisou com todo cuidado e calma que tinha, era pouca, mas valeria a pena.
Estranhou a letra cursiva um pouco mais arredondada do que normal, com certeza Ochako devia ter escrito aquela carta, pensando em cada mínimo detalhe, o loiro colocou a mão na boca, começando a ler seu conteúdo, quase não chegando a respirar pela apreensão.
Bakugou,
Não consigo mais esconder esse sentimento, ele cresceu dentro de mim, de uma maneira avassaladora, forte e incompreensível no primeiro instante. Passei a olhar mais para você, quando tinha chance, reparar em seu sorriso vitorioso quando venci uma discussão com seus amigos, reparar na sua confiança em tudo que faz, reparar no seu esforço em fazer tudo perfeito, reparar em como você se importar com outros, mesmo não querendo demonstrar, reparar que você era muito mais do que um garoto briguento e explosivo.
Neste momento percebi que não era uma simples admiração, era o sentimento mais complexo que já tinha experimentado em toda minha vida. Queria conhece-lo, estar perto de você, tocar seus cabelos que parecem tão macios, apoia-lo em seus desafios, ser seu ombro amigo quando se decepcionasse, faze-lo sorrir e principalmente amar você com todo o meu coração.
Mas tenho medo, muito medo, ter não se correspondida por você. Por isso, escrevi essa carta com todo meu coração, buscando nela expressar meus sentimentos, que se tornaram insuportáveis e por isso tive que confessa-los, pois nunca tive coragem em dizer olhando nos seus olhos, pois temia que minhas pernas fraquejassem e nenhum som saísse de minha garganta, ao olhar para seus olhos vermelhos como rubi.
Por favor, responda essa carta, e me diga se tenho uma chance no seu coração, se ele já está ocupado, desejo do fundo da minha alma, que seja feliz com pessoa que ama, já que apenas vê-lo feliz, faria o sofrimento da minha rejeição ser suportável.
Bakugou leu e releu a carta diversas vezes, tinha perdido quase vinte minutos de sua vida, onde poderia estar descansando, comendo, estudando ou treinando, mas estava bobo e surpreso pela confissão de sua paixão platônica, no final de tudo Uravity tinha sentimentos por ele? Sempre pensou que era o Deku de merda, a pessoa pela qual Ochako era apaixonada, na verdade toda a U.A tinha a mesma opinião. Agora, a acastanhada aparecia com uma cartinha de amor, confessando seu amor. Quando isso havia acontecido? Sempre a observava de maneira discreta, não percebeu nenhum olhar estranho sobre sua pessoa, sempre esses olhares apaixonados foram focados em seu ex- amigo de infância. Segurou o impulso de amassar a cartinha com a mão, nunca acabaria com algo feito por Uraraka.
Não sabia quando tinha passado a gostar da Uravity mais do que devia, ela aparecia igual aos seus outros colegas de classe no início, com exceção de Midoriya obviamente. Porém tudo começou com o maldito Festival Esportivo, não tinha consideração tão grande pelas meninas do curso, mas naquela luta contra ela, passou a sentir um respeito por muitas qualidades de Uraraka, sua força de vontade, seu pensamento estratégico, e principalmente por não ser nem um pouco frágil.
Mas desistiu de tentar qualquer coisa com Uraraka ao perceber sua interação com o Deku de merda, o Cabelo Espetado sempre dizia em seus ouvidos que a relação dos dois eram puramente de amizade e admiração de ambas as partes, porém para um bom observador, meio olhar basta. Sua paixão platônica desde o 1˚ Ano sempre buscava a figura de Deku ao entrar em qualquer ambiente, sempre fazia contato físico com ele, conversava e dava risada com o esverdeado, jamais chegaria nesse nível com Ochako, irritou-se ao imaginar os dois se beijando, se isso acontecesse precisaria ir para o banheiro vomitar, pois não aguentaria.
Então se lembrou da carta em sua mão, a carta escrita por Uraraka era prova definitiva que estava errado sobre os dois, e Kirishima as vezes falava algo que prestava, afinal de contas. Precisava tomar uma medida desesperada, pegou o celular do bolso da calça, digitou o número da última pessoa que desejava conversar, mas com toda sua coragem ao escutar um resmungo irritado no outro lado da linha, disse;
— Velha, preciso da sua ajuda.
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Havia passado dois dias desde aquele memorável dia, após de mais cem mensagens trocadas com sua velha estava se sentindo pronto para sua conversa com Uraraka. Seria direto e curto, como costumava se com todo mundo que conhecia. Olhou seu reflexo no espelho, vestia sua camiseta preta com caveira, calça preta e um tênis da mesma cor. Agora tinha a simples tarefa de acha-la e conversar com Uraraka sozinho. Poderia até ter comprado flores e chocolates, coisas que garotas gostavam, mas não queria pressionar acastanhada, queria uma conversa sem pressão e principalmente calma.
Mesmo com sua melhor máscara de indiferença, não conseguiu ocultar o ódio que sentiu ao ver todos seus colegas de turma na sala de estar, por que logo hoje esses filhos da puta tinham que está ali? Quase sempre aquele lugar era vazio na sexta-feira a noite, justo esse dia, todos fizeram o favor de ficar na no dormitório, a porra da sorte não estava o ajudando. Também a dona de seus pensamentos aparecia entretida com uma merda que nerd maldito dizia. Respirou fundo, contando até o número dez. Deu passos decididos na direção de Uraraka, de hoje não passaria essa conversa.
— Uraraka quero conversar com você, agora. – disse com tom calmo, porém bem decidido.
— Sobre o que? – perguntou confusa, porém em poucos instantes uma expressão de compreensão surgiu em seu rosto. – Tudo bem. – respondeu.
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