Notas iniciais
Eis mais uma carta recuperada. Espero e desejo que gostem.
Beijos da Restauradoda.

Não a culpe pela doçura que ela perdeu! Pelas lágrimas que não derrama mais ou pelo sorriso limpo que secou nos cantos daqueles lábios que amaram tanto. Nem deve acusá-la pelo gelo em que se transformou.

Não! Você não pode! Até porque não entendeu, da última vez em que ela se entregou, o quanto estava inteira. Como fora verdadeira! Você não percebeu que a metamorfose pela qual ela passou em suas mãos, agiu sobre a crença naquele amor, como que num diálogo infinito de almas. Os olhos brilhavam muito, sempre. Mesmo enquanto semi cerrados, naqueles momentos em que ficava absorta e mergulhada nas suas palavras e pensamentos. E era pleno o sorriso que ela exibia. O jeito meigo e manso...

A fé na vida que trazia. Ela toda, enfim, reluzia! Mas o que dizer daquele dia tão pesado que ela ainda carrega consigo nos olhos e daquela noite turva que não finda nunca, incluindo esse vazio que hoje ela é e que formou-se depois de tudo isso? Depois que você, tão despreocupadamente, deixou naquele quarto tudo o que ela possuía de mais sagrado e entregou-lhe! Não... Não pode culpá-la. Não você... Talvez ela acredite nesse amor, ainda... Talvez, naquele momento, ela esperasse mais... Talvez até ela ainda o carregasse muito inteiro e perfeito dentro dela. Talvez ela ainda fosse sua; mais sua que dela mesma, como sempre fora e seu sangue corresse mais nas suas veias, que nas dela.

Quem sabe ela e apenas ela entendesse aquela força que vinha de dentro de você e que a livrava de quaisquer constrangimentos. Talvez ao seu lado ela tenha podido ser verdadeira sob sua coragem e proteção, que a libertavam de todos os medos e de todas as vergonhas.. Talvez neste seu colo, ela tenha podido mostrar quem era e onde realmente lhe doía. Mas, talvez ela não tenha tido tanta coragem de gritar e conteve-se, esperando... Talvez, se ela tivesse descido do salto, lançado um berro alto, levantado a saia, ou cobrado atenção exigindo o cuidado e a clareza que sua boca nunca expressara...

Se tivesse permitido que você a olhasse de frente, talvez tivesse acreditado naqueles olhos; talvez isso tivesse sido suficiente. E, quem sabe agora, ela ainda estivesse inteira..

Notas finais
Aguardo os coments.
Beijos..