Cartas pra Você.
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Esse cap aqui ficou bem bobinho, mas vai ser importante pra história.
Minha manhã sempre é um lixo, mas hoje foi pior.
Acordei atrasada (de novo), mas isso não foi problema. Acontece que na correria pra me arrumar, eu errei os cálculos na hora de virar o corredor e cai. Mas isso não foi o pior: Quando eu estava prestes a cair no chão, fui tentar me segurar na parede, que é cheia de espinhos por causa da textura da tinta. Resultado: Meu braço esta doendo e ardendo muito. E como se não pudesse ficar pior, ainda é quarta feira. Sabe, as vezes, eu tenho a impressão que o demonio vai vir dar uma festa na minha casa. O ambiente aqui é perfeito pra isso.
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Cindra: Vem cá Cadyzinha linda, maravilhosa e fofucha do meu coração, senta aqui do lado da sua amiguinha que te ama.
Só eu percebi que tem cobra nessa moita?
Cindra: Eu tenho um planinho pra você descobrir quem é o seu admirador secreto.
Os olinhos dela começaram a brilhar. Ok, ela esta começando a me assustar.
Cindra: Se você receber outra cartinha hoje, olha o caderno de todos os meninos da sala pra comparar as letras.
Eu: Fala sério, esse plano é tão babaca que EU podia ter pensado nisso.
Cindra: Então por que não pensou? Por que não fez isso quando recebeu a primeira cartinha?
Fiquei sem reação. Acho que eu sou mesmo meio burrinha ou lerda.
Andy: Bom dia gente.
Ele começou a se abaixar pra sentar no banco ao meu lado, até que...
Cindra: ANDY, PARAAAAAAAAAA!
Ela se jogou em cima dele, o empurrando pra lado. Parecia até que ele ia levar um tiro e ela tinha que defende-lo.
Andy: O QUE FOI ISSO?
Cindra: Desculpa me atirar assim em cima de você, mas é que eu coloquei um saco de pum naquele banco pra Cady sentar. Acontece que ela sentou no outro banco e eu esqueci de tirar o saco.
Eu: VOCÊ FEZ O QUE?
Neste momento, o ônibus inteiro já estava olhando pra nós com aquela cara maravilhosa de Edward Cullen. Aquela de “quero te matar”, sabe?
Nos sentamos e calamos a boca. Acho que assim ficamos mais atraentes, né?
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Eu: Não é você, não é você, não é você, que letrinha de menina, hein? Há, desculpa, você é menina. Que mico.
Esta era eu comparando a letra da carta com a letra do caderno de todos os meninos da sala.
Eu: Vamos lá, você é o ultimo caderno da sala, tem que ser você...
Andy: Han... Oi Cady. Posso ajudar?
Eis que levanto minha cabeça e vejo que é seu dono. Mico detected.
Eu: HAAAAAAA, DESCULPA ANDY, DESCULPA, EU E MINHA VERGONHA VAMOS NOS RETIRAR.
Me sentei com toda a minha vermelhidão facial e comecei a fazer a lição de casa que devia ter feito ontem. Desculpe mundo, mas eu tenho coisas mais importantes pra fazer, como os convites da Color-ai. Epa. É mesmo. Eu tenho que falar com a Cindra sobre isso.
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Cindra: Que foi Cady? Você ta bem?
Eu estava com a cabeça encostada na porta do meu armário, pensando.
Eu: Desde quando você se importa comigo?
Cindra: Não me importo. Só estou perguntando pra saber.
Eu: Há bom. Por um momento, você me deu um susto. Mas ai, eu estou bem, sim. Só estou pensando.
Andy: Em que?
Eu: Sei lá. Em tudo. Em nada. Eu não sei.
Andy: Hum... Ei, o que aconteceu com o seu braço? Esta roxo!
Epa! É verdade! Na correria lá em casa, nem parei pra observar meu braço. Acho que sangrei muito de lá até aqui.
Eu: Eu me ralei na parede de casa. Agora que eu vi, começou a doer mais ainda... Ai!
Andy: Vem comigo, vamos lavar isso aí antes que piore.
Ele pegou na minha mão e me levou até as torneirinhas que ficam do lado dos bebedouros. Que fofinho.
Ele jogava água no meu braço e esfregava um pouco pra tirar aquele sangue.
Eu: Eu tenho um lencinho na minha bolsa, vou abrir pra pegar e me enfaixar.
Andy: Deixa que eu pego.
Ele fazia tanto com tanto cuidado, parecia até que se importava comigo.
Agora, parando pra pensar, talvez eu deva perguntar... Espera, não. Ai, mas eu não consegui ver a letra do Andy no caderno!
Eu vou me arrepender amargamente disso num futuro próximo. Tipo, uns 10 segundos.
Eu: Andy... Posso te perguntar uma coisa?
Andy: Fala.
Eu: Você... Não é você que esta escrevendo aquelas cartas, não é?
Neste momento, ele levantou a cabeça pra olhar pra minha cara de paspalha.
Andy: Claro que não! Se eu me apaixonasse por você, eu chegava e falava: “Eu te amo, sua trouxa.”
Eu: Você iria mesmo me chamar de trouxa? ‘-‘
Andy: Quem ama não mente, não é? Então...
Com amigos como esses, quem precisa de inimigos?
Em fim, depois dessa conversa extremamente agradável com o Andy, fui até meu armário pra pegar minhas coisas. Outro papel caiu aos meus pés.
“Bom dia Cady! Tudo bem? Sabe, tenho vergonha de dizer isso, mas vou falar: Ontem a noite, resolvi dar a cada estrela uma razão pela qual te amo e te quero tanto. Sabe o que aconteceu?
Faltaram estrelas.
Ass: Seu admirador secreto”
Eu: Caralho, essas coisas que meu admirador escrevem estão ficando cada vez mais fofas. Que lindo!
Andy: Deixa eu ver.
Cindra: Eu também quero ler.
Os dois liam tudo com calma, as vezes, um puxando o papel do outro pra ler mais perto.
Cindra: Fofinho. Parece até poesia.
Eu: Eu sou amada por um poeta. *-*
Andy: Nem tanto. Isso não é poesia mas nem que eu fosse castrado.
Eu: Eu podia morrer sem imaginar essa cena. Obrigada Andy Biersaco.
Ele me olhou com cara de assasina na TPM. Chegou a dar medo. Muito medo. Enfrentar a loira do banheiro junto com aquele bicho do exorcista teria sido menos assustador do que esse olhar que ele lançou pra mim agora.
Andy: Eu vou te retalhar, destroçar, picar, amassar e moer se me chamar assim de novo.
Eu nunca bati muito bem da cabeça. Mas acho que meu cérebro podia ter ajudado um pouquinho agora. Tipo, ele podia ter feito eu ficar CALADA.
Eu: Que foi? BIERSACO.
E depois disso, eu acho que apaguei, por que não me lembro de mais nada.
Ok, brincadeira. Andy não fez nada. Apenas começou a me cutucar como se não houvesse amanhã. Sabe, quando você passa mais de 6 meses com uma pessoa, ela passa a descobrir suas fraquezas. Uma das minhas é cócegas.
Ele me cutucou tanto que eu fiquei sem ar, com dores e comecei a lacrimejar. Provavelmente eu também devo ter passado pelo efeito arco-iris: Fiquei com a cara rosa, vermelha, roxa, azul, verde...
Cindra: ANDY, CHEGA, ELA TA MORRENDO, OLHA!
Eu: Ai... Ai... Que dooooooooooor.
Andy: E que isso sirva de lição.
Eu: Ai, ta bom, parei.
Neste momento, eu estava secando os olhos, marejados. Eu estava vendo rios ao invés de lugares e peixes ao invés de pessoas.
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Marcia: E 1, 2, 3, 4, vira, pisa, vira, bate. 1, 2, 3, 4, vira, pisa, vira, bate. Muito bem, continuem assim.
Que. Tosqueira. É. Essa. É um tal de bate vira pisa bate vira e eu estou totalmente embolada com essa dança.
Andy: Quer uma dica pra dançar certo?
Eu: Vai ser de grande ajuda.
Andy: PRESTA ATENÇÃO.
Correção: IA ser de grande ajuda.
Eu: Ia ser mais fácil se fosse outro tipo de musica. O que eu mais curto é eletrônica.
Ele apenas suspirou e continuou dançando.
Eu: Você disse que tinha uma banda não é? Por que nunca apresentou uma musica pra mim?
Andy: Sei lá. Talvez por que você nunca tenha pedido...
Eu: E agora eu tenho que pedir? Você não pode se oferecer?
Ele novamente só suspirou e me ignorou. Quanta alegria e bondade nesse coração.
Eu: Pode me apresentar sua banda qualquer dia?
Andy: Tipo hoje? Vai ter ensaio na garagem lá de casa.
Eu: Pode ser. Qual você disse que era o nome da banda mesmo? Era seu sobrenome né, Bier...
Ele me lançou um olhar de ameaça, que nem meus primos fazem quando só tem uma ultima bala no saco e eu quero pega-la.
Eu: Sack.
Ele olhou pro chão, aliviado.
Andy: A banda mudou de nome. Nós queríamos algo meio gótico, então demos o nome de Black Veil Brides.
Eu: Bonito. Estranho, mas bonito. Bem harmônico.
Andy: Obrigado.
A gente ficou se encarando por um tempo.
Andy: Er... Pode soltar minha mão. A aula já acabou.
Eu nem tinha percebido, mas minha mão estava presa a dele.
Eu: Desculpa. Te encontro na sua casa, né?
Andy: Aham, 20:00.
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Eu nunca tinha vindo aqui na casa do Andy. É bem grandinha até.
Toquei o interfone e esperei alguém atender.
Voz: Quem é?
Eu: Mendiguinho aqui da rua, tem um trocado ai, moço?
Voz: Há, tem sim. Espera ai.
Alguns segundos depois, ele veio abrir o portão pra mim. Espera. O que é isso?
Eu: Você ta com uma cicatriz na boca? E ta usando... MUITO lápis preto.
Andy: Não gostou?
Eu: É um impacto grande pra mim né, eu nunca te vi assim. Mas é legal. Eu curti.
Ele me mandou entrar. Tem vários meninos parecidos com ele aqui. Pelo jeito, a coisa vai ser interessante.
Andy me apresentou cada um dos meninos e me disse o nome da musica que iam apresentar: Knives and pens. Peguei uma cadeira jogada num canto e sentei.
Foi tudo muito lindo. Assustador e lindo. Medonho e lindo. A letra da musica meio que me lembrou o que aconteceu com Andy e aqueles garotos valentões do 3º ano. Mas acho que a intenção era chamar atenção pra esse ponto mesmo.
Eu normalmente não reparo muito em detalhes, mas percebi uma coisa que me chamou atenção. Toda vez que Andy cantava um trecho que dizia “I can’t go on without your love”, ele olhava pra mim e depois desviava o olhar. O que aconteceu, será que tem um pedaço de alface no meu dente?
Andy: E ai, o que achou?
Eu: Legal, muito legal. Sério mesmo.
Todos agradeceram. Infelizmente, eu acabei de lembrar uma coisa. E o pior é que lembrei e me desesperei com isso. Resultado: Cai da cadeira com a bunda pra cima.
Andy: Ta tudo bem?
Eu: Ta sim, mas é que eu tenho que correr. Eu esqueci de fazer umas coisas em casa. Desculpa pessoal. Continuem o ensaio, adorei a banda e todos vocês. Tchau!
Sai correndo pra casa. Esqueci de fazer aqueles convites pra Color-ai que a Cindra me pediu. Agora vou ter que madrugar pra terminar aquelas coisas. Isso deve ser macumba do Andy por ter chamado ele de Biersaco. Acho que ser “cocegada” quase até a morte não foi suficiente. Tomara que essa maldição tenha data de vencimento, e que seja hoje. Eu não vou agüentar ficar muito tempo acordada.
Notas finais
No final, tudo vai se esclarecer. Mas enquanto isso não acontece... Que tal mais reviews? :]
Beijos pessoal
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