Cartas pra Você.
7 Capítulo 6
Notas iniciais
6 meses depois
6 Meses se passaram desde aquele dia em que descobri que conhecia Andrew desde pequena. Agora eu e Cindra podemos chamar ele de Andy. Não é cuti-cuti? *-*
Ok, ok, parei. Andy já veio aqui em casa e meus pais adoraram ele. Ele e Cindra vieram em uma noite que tínhamos que fazer um trabalho de Geografia e acabou sendo bem divertido. Pintamos a cara da Cindra com pasta de dente enquanto ela estava dormindo e ela acabou acordando com um olho roxo. Ai ai, bons momentos.
Bom, quando Andy escreveu naquele papel que não demonstra seus sentimentos pelos outros, estava falando sério. Ele não se preocupa nem em dizer um “eu te odeio” de vez em quando.
Ha, as férias acabaram e estamos de volta a escola. E eu até que estou com saudades da escola.
ATENÇÃO: “Saudades da escola” é diferente de “ter vontade de estudar”. Tem um grande abismo entre essas frases.
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Andy esta subindo no ônibus. E mesmo depois de 6 meses, eu não consigo parar de achar ele lindo. *-*
Cindra: E ai Andy, tudo numa nice?
Andy: Achei que tinha te pedido pra você parar de falar isso. Me dá ânsias profundas.
E olha só, ele até aprendeu a falar que nem eu faço na minha mente. Que orgulho! Muito bem, aprendiz.
Acabei de me lembrar de uma coisa.
Eu: Ci, sabe do que eu lembrei?
Cindra: Do que?
Eu: É agosto.
Andy: Há vá. Meu cabelo é loiro e você é menino. Conta uma novidade ai, vai.
Cindra: É que você não estudava aqui no ano passado. Essa vai ser sua primeira vez na Color-ai.
Andy: Que porra é essa?
Eu: É uma coisa bem tosca que faz muito sucesso aqui na escola. E adivinha quem criou isso?
Meus olinhos estão brilhando por que eu criei uma coisa tão idiota como a color-ai junto com a Cindra.
Cindra: A Color-ai é o seguinte. Todo ano, em um dia de agosto, eu roubo a chave do diretor e a gente faz a maior bagunça com tinta no ginásio. Logo depois, tem uma balada pra animar a galera.
Ele fez uma cara de como se estivesse vendo um alienígena recém nascido completamente melecado de gosma espacial.
Eu: Vai me dizer que você nunca foi a uma balada.
Andy: Já, claro. Não sou muito fã, mas eu curto um pouquinho.
Beleza. Agora é só marcar um dia pra Color-ai. Vamos ver o que o Andy vai achar disso.
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Aquele buraco no meio da cara da professora (aquela coisa que ela chama de boca) não para quieto nem por um minuto. Eu queria entender o que ela esta dizendo, por que de novo eu só ouço bla bla bla...
Olha que mágico: Depois que Cindra arrancou de mim o lápis que eu estava usando como bigode, eu voltei a ouvir e entender o que a prô esta falando. Entendi. É esse lápis que me deixa surda. Vou deixar de ser pão dura e hoje mesmo vou comprar um da Faber Castell.
Neusa: Bla Bla Bla no dia 31 deste mês, não teremos aula para comemorar o aniversário de 50 anos do nosso colégio.
Cindra: Todos comemora. Dia 31 vamos fazer a Color-Ai. Beleza?
Eu: Ok. Temos bastante tempo até lá.
Neusa: Só isso pessoal. Bom intervalo pra vocês.
Vo comprar minha esfiha e minha coca diários e arrumar minhas coisas no meu armário. Simbora cambada.
Andy: Tem certeza que você devia estar comendo essas coisas a essa hora da manhã?
Eu: Não. Mas eu só tenho 15 anos, não to nem ai pro que é certo ou errado, to mais interessada em viver a vida do jeito que eu preferir.
Ele fez uma cara assustada. Acho que peguei pesado agora. É o efeito da coca (alem dos gases intestinais, claro).
Andy: Ok, desculpa ai, miss adolescente...
Eu: Desculpa. Você ta certo, eu devia parar de tomar coca a essa hora...
Coloquei o segredo no meu armário pra pegar meus livros e guardar uns outros. Eis que uma folha de caderno dobrada cai em meus pés. Pelo jeito, alguém colocou isso no meu armário. Vamos ver.
“Já faz algum tempo que estou de olho em você Cady, mas parece que você não percebeu. Você é linda e muito meiga, falo isso por que passo cada minuto do dia te observando. E não me canso. Nunca.
Ass: Seu admirador secreto”
E agora o coro: OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONW. *------*
Fui correndo na direção de Cindra, que estava sentada em um muro conversando com Andrew. Peguei o papel e praticamente esfreguei na cara dela.
Cindra: WTF?
Eu: Leia, tava dentro do meu armário. Há, não se esqueça de morrer de inveja.
Andy: Que isso? Receita de marmita?
Eu: DUH, claro que não. É uma cartinha de um admirador secreto. Super cuti-cuti.
Andy: Se eu fosse você, mandava esse babaca pensar melhor na merda que ta fazendo. Se apaixonar por você?
Eu: Sei não, mas eu acho que to sentindo uma pontinha de inveja por que certas pessoas não tem um admirador secreto...
Andy: Eu? Com inveja de você? Só rindo mesmo...
Eu: Citei nomes? Se a carapuça serviu, não é...
Gente, que monstro é esse que eu me transformei? Que horror eu estar falando isso!
Cindra: OOOOOOOOOOOOOOOOOOORRA, Andy, se eu fosse você, não deixava!
Andy: Você também só põe fogo no circo, né Cindra? Pelo amor de Deus...
Ela começou a levantar aquele sorriso de “Acabei de ter uma idéia que vai fuder a vida de todos nós, mas não to nem ai”.
Eu: Muito bem Andy. Você acabou de dar uma idéia pra essa psicopata!
Ele abaixou a cabeça.
Andy: Desculpa, não foi minha intenção...
Ela saiu correndo e voltou uns 7 minutos depois.
Eu: O que você fez?
Cindra: Invadi a cozinha e peguei essa caixinha de fósforos. Agora me sigam, plebeus.
Como quiser, vossa majestade.
Ela nos guiou até um corredor perto das salas das crianças. Tem detectores de fumaça no teto. Sou só eu que já advinhou o que ela vai aprontar?
Cindra: Andy, você que é homem, faz pezinho aqui e me levanta.
Andrew: Maldito pinto no meio das minhas pernas.
Desnecessário. Comentário totalmente desnecessário.
Ignorando o momento vergonha alheia, ele fez o que ela pediu e ela acendeu o fósforo bem pertinho do detector. Resultado: Caos geral na escola e liberação mais cedo dos alunos. É por isso que eu AMO ter a Cindra como amiga.
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A noite, quando meus pais chegaram, meu pai querido me chamou.
Pai: Querida, venha aqui. Ta vendo aquela caixa de papelão enorme na parede?
Eu: Siiiiiiiiiiiiim.
Pai: Vai lá e abre. É pra você.
Papai, te amo. Uma tela gigante pra eu pintar!
Sabe, quando me bate a louca, eu pinto quadros pra passar o tempo. Mas um tela gigante? Eu nunca ganhei uma dessa antes! Mas eu já sei o que fazer com isso.
Eu: Pai, posso chamar a Ci e o Andy pra vir aqui hoje? Só pra me ajudar a pintar a tela.
Pai: Sei não. Aquela sua amiga não bate bem da cabeça. Mas o seu amigo tudo bem, ele parece bem comportado.
É quando meu pai fala esse tipo de coisa que eu percebo que meus amigos são meio “trocados”. Foda-se, eu gosto assim.
Eu: Pai, fala sério, a Cindra dormir aqui, e ela nunca aprontou nada. Não vamos esquecer quem me tirou daquele poço fundo quando ela viajou com a gente.
Pai: Não vamos esquecer quem te jogou lá.
Eu: Pai...
Pai: Ai, ta bom. Chama logo.
Aeeeeeeeeeeeee. Vo pegar meu celular e ligar pra esses dois pelo telefone. Depois, vo pegar umas bexigas que sobraram da minha ultima festa de aniversário e minhas tintas guache.
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Logo estávamos todos em meu quarto, jogando dardos em bexigas cheias de tinta presas a tela gigante. E com alguns sacos plásticos no chão, claro.
Andy: Vocês gostam de brincar com tinta, né? Brincam aqui, vão fazer isso de novo nessa tal de Color-ai...
Eu: É verdade... Cara, mal posso esperar pela Color-ai.
Cindra: Se você esta achando que vai pegar o garoto da cartinha, pode esquecer. Tenho certeza que ele não vai ter coragem de aparecer.
Andy: Por que você acha isso?
Cindra: Até o dia da balada, esse garoto vai se tocar que não vale a pena amar a Cady.
Eu: E é por isso que eu amo vocês. Sempre me dando apoio. Quanto amor.
Andy: De nada.
Cindra: Disponha.
E assim a noite se passou, a gente estourando bexiginhas de tinta e falando sobre esse tal garoto da carta.
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