Cartas pra Você.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
É, esse aqui ficou uma merda de verdade, eu tava com sono quando escrevi. Em fim, boa leitura.
“Acordo bem cedo, feio, que horror. Na maioria das vezes, to sem meu cobertor.” Essa musiquinha do Jackson Five tem tudo a ver comigo, incrível.
Uma very very beautiful barata esta me encarando no canto da parede. Cadê meu pai numa hora dessas?
Ainda bem que mantenho essa bagunça aqui em baixo da minha cama. Em casos como esse, eu posso dar uma fuçada aqui e ver se encontro meu tênis pra jogar nessa cascuda.
Cady pega o seu velho tênis preto de 200 a.C, se prepara, mira e... EM CHEIO! Sou foda, dig din dig din dig din.
Agora eu tenho que me arrumar. Faz tempo que eu não acordo na hora certa. Agora sim, posso fazer tudo com calma e tranqüilidade. Comer pãozinho com manteiga, beber um suco de laranja, pentear a minha juba e colocar meu colar preferido, o de um cadeado dourado com formato de coração. Lindo.
Entrei no ônibus do colégio e me sentei ao lado de Cindra.
Eu: Hoje acordei no horário.
Cindra: Finalmente. Mas parece que não ajudou muito, você continua com cara de joelho.
Eu: Obrigada, você me fez sentir muito melhor com esse comentário.
Cindra: Disponha. Quer bala?
Eu: Quero. Vai passando.
Ela me passou 2 balinhas de morango. Seria mais gostoso se uma delas não escapasse da minha mão e fosse lá pra frente. Tentei parecer discreta na tentativa de pegar a bala de volta, mas parece que rastejar como um E.T pelo corredor do busão não adiantou muito.
Minha bala parou nos pés de alguém usando um familiar par de All Stars preto. Andrew...
Eu: O-oi Andrew! – Claro que ai, eu já estava super morte de vergonha por estar ajoelhada no chão sujo daquele lugar. – Bom dia!
Andrew: Bom dia. O que esta fazendo ai?
Eu: Tentando pegar essa bala maldita. Mas acho que agora eu já não vou mais comer ela.
Ele estendeu a mão pra que eu pudesse me levantar. *-----*
Andrew: Cadê a Cindra?
Eu: Lá no fundão.
Nos dirigimos até ela. Ela cantava alguma coisa com aquele fone no ouvido.
Andrew: Bom dia.
Cindra: Vai embora, não tem pão velho.
Eu: Relaxa, ela é assim mesmo. Esse animal pugento.
Cindra: Au au.
Ele revirou os olhos com um sorrisinho de canto.
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Antes de entrarmos na sala, Cindra quis dar uma passada no banheiro. Eu e Andrew entramos na prisão conversando alegremente.
Nos sentamos e logo Cindra entrou na sala com uma bola enorme de papel higiênico molhado na mão. Ela parou ao lado da cadeira da professora e jogou a massaroca no teto, fazendo aquela coisa ficar colada ali como um filhote de Alien. Se sentou na minha frente e ficou quieta.
Andrew: O que é isso?
Cindra: É a primeira semana de aula e eu ainda não aprontei nada. Eu tinha que fazer isso. É mais forte do que eu.
A professora entrou na sala. Acho que alguém vai sair da escola hoje com papel machê no cabelo.
Ela se sentou na cadeira. É agora.
Cindra desmontou uma caneta e colocou uma bolinha de papel no tubinho. Mirou na bolota do teto e assoprou.
Olha, eu não sei vocês, mas eu acho que a professora ficou muito mais gata assim! Essa massa na cabeça realça as rugas de velha dela. E eu acho que ela devia sorrir um pouco, a sala toda esta caindo na risada e ela é a única chata que esta de cara fechada aqui.
Sônia: CINDRAAAAAAAAAAAAAA! PRA SALA DO DIRETOR AGORA!
Cindra: Já vou professora, já vou... Já volto galera, me esperem.
Eu: Não tem como a gente sair daqui, animal.
O diretor Xavier é muito sortudo. Quando Cindra se tornar uma terrorista famosa e super procurada, ele já terá um livro cheio de autógrafos dela.
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Nada melhor do que um hambúrguer pra animar meu dia. Delicia.
Cindra esta na minha frente e Andrew do meu lado. Mesa pequenininha.
4 aulas já se passaram e eu quero saber uma coisa.
Eu: E ai Andrew, o que esta achando de andar com a gente?
Andrew: Legal, mas o dia ainda esta bem fraquinho.
Oh oh. Isso não é bom. Hora de fazer alguma coisa.
Eu: Fraquinho, é? Então olha isso.
Peguei aquele potinho onde ficam guardados os palitos de dente, desrosqueei a tampa, virei o pote de cabeça pra baixo e coloquei a tampa na “bundinha” do pote. É um truque fraco, mas ainda me diverte.
Eu: Cindra, me passa um palito de dente, por favor?
Cindra: Por que? Você alcança essa merda, pega você.
Andrew: Acho que seu truque não funcionou, mas sei lá, só acho. – Ele sussurrou no meu ouvido. Shit.
Foda-se. Eu vou bolar um truque melhor. Mas não agora, eu preciso do sal.
E eu já devia saber que Cindra virou o pote de sal. Agora eu estou completamente “salgada”.
Eu: FILHA DA PUTA!
Peguei um punhado de sal e joguei nela. Ela revidou com o MEU hambúrguer. Joguei palitos de dente nela. Ela subiu em cima da mesa com uma maça na mão e gritou bem alto, pra que todos no refeitório ouvissem.
Cindra: DECLARO A GUERRA DE COMIDA!
E foi ai que começou. Era hambúrguer pra cá, batata pra lá, refrigerante voando e até mesas sendo viradas.
Eu: Vai entrar na briga?
Andrew: Normalmente eu ficaria, mas hoje não. Sei lá, não estou bom de espírito pra guerrear.
Eu: Então corre recruta, corre!
Fugimos em direção ao corredor. Infelizmente, o diretor esta vindo. Alguem tem duvida do que vai acontecer?
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E agora aula de dança. Vamos lá professora, nos ensine algo que preste.
Marcia: Ok pessoal, de tempos em tempos vamos ensaiar uma coreografia pra quando tivermos uma apresentação, já estarmos prontos. Vocês vão me ajudar a escolher a musica. Tenho aqui 3 opções e vocês vão me bla bla bla...
A partir daí, eu só ouvi bla bla bla mesmo. No final de toda essa merda, o pessoal acabou escolhendo um Hip Hop.
O bom é que vou dançar com Andrew. Um motivo pra vir pra essa aula todo dia.
Sabe, seria mais fácil se a dança fosse um pouquinho mais lenta e fácil. Eu nunca vou conseguir dançar isso!
Andrew ria de mim, toda desengonçada.
Andrew: Se continuar desse jeito, vai quebrar uma perna.
Eu: Não tem graça. Isso é demais pra minha capacidade mental.
Eu achei que ele fosse me ajudar a aprender aquele ritual de macumba, mas eu estava enganada. Ele continuou na dele. Tudo bem, eu aprendo essa porcaria sozinha.
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A tarde, quando voltei pra casa, me deitei na minha cama e fiquei pensando na vida. Fiquei assim até o inicio da noite, quando meus pais chegaram do trabalho. Minha mãe me pediu pra que eu fosse assistir um filme com eles.
Viviane: E então filha, me conta, como estão sendo os dias na escola?
Eu: Legais. Agora tem um garoto andando comigo e com a Cindra. O nome dele é Andrew.
Viviane: Haaa, que legal. É sempre bom ter um amigo menino, uma opinião masculina...
Eu: Mãe. Não viaja. Por favor.
Viviane: Mas ele é legal? Não quero minha filha andando com más compainhas, pelo amor de Deus!
Eu: Mãe, para! É claro que é! Pai, pega o filme por favor...
Paulo: Acho melhor. Não quero ver minha filha andando com qualquer marmanjo não...
Ok, ok. Isso ta ficando muito constrangedor. Eu vou poupar vocês do resto da conversa.
Acabei a noite me entupindo de pipoca e babando em um travesseiro da sala. Tomara que alguém (meu pai) me leve pra minha cama. É provável que ele não me agüente, mas ele bem que pode fazer um esforcinho.
Notas finais
Bjs, até a próxima!
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