Cartas pra Você.
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Eu nunca gosto dessa parte da Color-ai. É a fase mais difícil.
Andy: Vocês vão pegar a chave agora?
Cindra: Não a chave de verdade. O diretor guarda uma cópia das chaves na ultima gaveta da sala dele. Vamos Cady?
Eu: Agora.
Nos levantamos e Andy ficou sentado no murinho do pátio, observando.
O diretor estava saindo da sala dele. Perfeito.
Corri até ele e disse, toda afobada.
Eu: DIRETOR, VAI RÁPIDO, OS MENINOS DO 3º ANO ESTÃO BRIGANDO NO LABORATÓRIO DE CIENCIAS NO SEGUNDO ANDAR!
Diretor Eustácio: Ai caramba, esses garotos nunca aprendem, né? Eu vou lá dar um jeito neles.
Pronto, até ele chegar lá e ver que não tem ninguém, já pegamos a chave.
Cindra entrou na sala dele encostando nas paredes e olhando sempre pra os lados ou através da porta ou janelas. Se sentia uma verdadeira 007. E eu fiquei plantada na porta cuidando pra que o diretor não aparecesse.
Eu: Que porra você ta fazendo?
Cindra: Sendo dramática. Ou quer vir aqui pegar a chave?
Eu: Não, obrigada. Se o diretor me pega eu to frita, prefiro ficar aqui no corredor mesmo.
Cindra: Então cala a boca.
Ela se abaixou pra abrir a gaveta e pegar a chave.
Cindra: Pronto. Vamos.
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É, ontem foi só pegar a chave. Agora começa o preparo para a festa. Cindra e eu chamamos alguns meninos do terceiro ano pra ajudar a montar as coisas para a festa. Cheguei na escola e a porta da frente estava aberta. Entrei e encontrei Cindra e os meninos pendurando os panos brancos nas paredes.
Cindra: Ta atrasada. Já são 5 horas e ta quase tudo pronto.
Eu: Desculpa, mas eu acho que não sou a única errada aqui. A porta da frente ta aberta, se alguém ver e entrar...
Cindra: Ai, ta bom, eu vou lá fechar. Termina tudo ai com os meninos.
Ela saiu do ginásio e foi fechar a porta.
Eu: Oi gente. Fizeram um bom trabalho aqui.
Rafael: Valeu. Sua amiga ajudou bastante também.
Diego: Só temos que terminar essa parede e começar a parte das esponjas.
Peguei o grampeador e subi na escada pra pender o pano na parte de cima da parede.
Eu: Agora esta pronto.
Desci da escada e alguém pegou na minha cintura pra que eu pudesse descer mais fácil.
Quem foi o tarado?
Zach: Cuidado Cady, ou vai cair.
Sabe, eu nunca fui muito com a cara do Zach. Ele me parece meio galinha. Mas vou admitir que ele é lindo. Ele tem olhos que brilham como o sol. *-*
Eu: Oi Zach.
Zach: Deixa eu te perguntar uma coisa... Você tem par pra festa?
Eu: Na verdade, não. Porque? Você quer me convidar?
Zach: Talvez eu te convide, mas ainda não sei... Estou pensando.
Eu: Ok. Pense bem então.
Lembra de quando eu disse que nunca fui boa pra puxar assunto? Então.
Depois disso, fomos pegar as esponjas pra mergulhar na tinta e espalha-las pelo ginásio, que já estava coberto de pano branco.
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Todo mundo chegou e estão todos esperando pra que a gente abra as portas. Cindra, com todo o amor e cuidado, chamou a atenção do pessoal do alto de uma cadeira.
Cindra: Ô CAMBADA DE PONEIS MALDITOS, OLHEM PRA CÁ.
Não é melhor jeito de se chamar a atenção das pessoas, mas pelo menos funcionou.
Cindra: A gente já vai abrir as portas, fiquem calmos. Eu vou pegar as chaves.
As vezes parece que a Cindra não tem boca pra pedir nada. Ela simplesmente arrancou a chave da minha mão.
Ela abriu a porta sem a menor cerimônia e todos entraram na maior correria, já apertando as esponjas espalhadas por todo o ginásio.
Sabe, isso é umas das coisas que eu mais gosto de fazer. Se vocês soubessem como é legal espremer uma esponja cheia de tinta...
Tinha gente pisando nas esponjas, outras batendo com as mãos, e algumas as pegavam e tacavam nas paredes. Era tinta voando pra todos os lados. Zach logo soltou a musica. É hora da festa!
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Já se passaram duas horas de festa e eu ainda não vi Cindra nem o Andy por ai. Fui pegar um pouco de refrigerante pra mim e achei Cindra ali perto, comendo como se não houvesse amanhã. Ela estava mastigando alguns docinhos e segurava mais dois na mão.
Eu: E ai, ta gostando da festa?
Cindra: O que? É lógico! — Ela falava e mastigava ao mesmo tempo — Já pegou alguém?
Eu: Não. Eu não sou de sair pegando niguem. Mas 3 meninos já me tiraram pra dançar. Escuta... Você viu o Andy por ai?
Cindra: Espera. – Ela começou a lamber os dedos – Eu acho que ele foi andar com os meninos do terceiro ano. Ele ia andar comigo, mas os meninos chamaram ele pra fazer sei lá que porra e ele foi. Ele deve ta perto do banheiro agora.
Fui procurar por ele. Sabe, eu sempre fui o tipo de garota certinha que acha extremamente errado um adolescente da minha idade sair bebendo cerveja ou vodka por ai. Mas em fim, não posso fazer nada.
Ainda mais agora que o ANDY ESTA BEBADO. Completamente bebinho. Aposto que se eu virar pra ele e falar “pudim”, ele vai dar risada.
Eu: Andy, ta fazendo o que ai?
Andy: Oi Cady. Olha aqui, esses são meus novos amigos do terceiro ano.
Ele falava de um jeito macarrônico. Nem parecia mais um ser humano.
Eu: Andy, levanta daí, esses meninos não são seus amigos. Eles estão quase te matando.
Andy: Vem cá Cady.
Ele se levantou e puxou meu braço, me levando pra fora da festa, no pátio da escola. Estava totalmente vazio lá. E escuro.
Eu: Fala, o que você quer?
Andy: De verdade? Eu podia te comer agora.
Eu: O que?
Ele me empurrou, me fazendo cair sentada no chão e batendo a cabeça num pilar do pátio. Logo em seguida, se ajoelhou em cima de mim.
Eu: Andy, sai de cima de mim.
Andy: Para com isso, você sabe que quer.
Nesse momento, um grito de socorro ficou preso na minha garganta. Eu queria muito gritar por ajuda, mas se alguém nos achasse nessa situação, seria muito constrangedor.
Eu: ANDY, SAI!
Falei num tom mais alto, já irritada.
Ele não saia de cima de mim, e não tinha força pra me levantar dali. Ele tentava puxar minha calça, mas ela estava bem presa ao meu corpo. Foi então que ele fez algo que me assustou: Ele enfiou a mão por dentro da minha calça, tentando me masturbar.
Ok, agora o Andy foi longe de mais.
Dei um chute numa das pernas dele e sai correndo de volta pro ginásio.
Eu: Cindra? Cindra? Cadê você?
Cindra: To aqui. Que foi, pônei maldita?
Eu: Eu vou embora ta? Beijos, te vejo segunda.
Cindra: Ué, mas porque tão cedo?
Eu: Prefiro não comentar sobre isso. Ok, o Andy esta bêbado e tentou me estuprar lá fora, mas nem fala isso pra ninguém, ok? Beijos e fui.
Abri a porta da frente do ginásio e voltei pra casa angustiada. Eu ainda não acredito que o Andy tentou fazer isso comigo.
Quer saber? Eu vou pra casa pra tentar descansar. Não sei nem como vou olhar na cara dele na segunda-feira.
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